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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O final de semana nos deu uma mostra clara sobre o novo normal no desporto. Assistimos a vários jogos dos campeonatos europeus, vimos o Bayern de Munique, um dos melhores conjuntos, na atualidade, do futebol mundial ser campeão da Copa da Alemanha, e assistimos a abertura do Mundial de Fórmula Um, com a realização do GP da Ãustria. A categoria voltou à s atividades após um hiato de 217 dias.
Aqui no Brasil a única competição de que temos conhecimento é do atabalhoado reinÃcio do Campeonato Carioca.
O novo normal tem como regra a frieza. As competições são disputadas sem público, fato que tira, e muito, a graça de qualquer esporte. As mudanças nas regras das disputas são mÃnimas. Diria que são ajustes aos protocolos criados visando medidas de segurança nesta guerra contra o coronavÃrus. Guerra que, apesar dos esforços, tem sido inglória para a sociedade, até o momento.
Na Fórmula Um, os gritos do hexacampeão Lewis Hamilton, na luta contra o preconceito, ecoaram de forma positiva. Sua equipe, a Mercedes, trocou a cor prata pelo preto de luto. Hamilton é o único negro no circo da Fórmula Um. Seu comportamento e declarações, antes mesmo dos motores começarem a roncar, provocaram uma reflexão no meio da categoria top do automobilismo mundial. Fala-se, inclusive, na criação de meios que venham provocar uma miscigenação no circo onde um dos maiores campeões é um estranho no ninho. Caso o projeto seja posto em prática, esta será uma das maiores vitórias de Hamilton, que surpreendeu a todos ao participar de algumas manifestações contra o racismo nas ruas de Londres.
A frieza de um circuito deserto maltrata os amantes do automobilismo. O pódio montado na pista, ao final da corrida, foi a nota mais cruel. A invasão do público no pós corrida, para interagir com a festa dos campeões do pódio é a coroação do espetáculo. No novo pódio até a abertura do champanhe ficou sem graça.
Não menos esquisito foi ver os jogadores do Bayern de Munique comemorar o tÃtulo da Copa da Alemanha com o histórico e emblemático Estádio OlÃmpico de Berlim sem público. Os atletas sequer foram coroados, ou seja, cada um pegava a medalha na caixa e colocava, ou não, no seu próprio pescoço. Não houve o caracterÃstico beijo na taça, e os pulos de alegria não foram respaldados pelos tradicionais gritos de à CAMPEÃO, que emanam das arquibancadas.
Festa de campeão no novo normal é o famoso: Me engana que eu gosto!
CLAUDEMIR GOMES
O jurista, João Humberto Martorelli, indaga, no seu artigo - A tristeza - publicado na edição desta quinta-feira, do Jornal do Commercio: "Quando será o momento de parar de contabilizar as perdas?". Apesar de boas novas alimentarem o otimismo em relação ao iminente surgimento de vacinas, para combater o covid-19, ninguém faz idéia de quando terminará a conta macabra.
O momento é de inquietação em todos os setores da sociedade. Na vida privada as pessoas dão mostras de que estão chegando ao limite da tolerância em relação a clausura imposta pela pandemia. Um tédio generalizado. A boa música acalma o espÃrito, mas não podemos viver num mundo de fantasias, embora a imaginação seja a coisa mais maravilhosa em tempos de confinamento.
Ligo o rádio em busca de notÃcias sobre o futebol local. A incerteza impera num cenário onde as perdas são reais. O embate entre a razão e a emoção parece se agigantar. Uma disputa onde se contabiliza apenas perdas.
à preciso dar sequência, e concluir, a Copa do Nordeste e os Estaduais. Afinal, o inÃcio do Brasileiro está previsto para o inÃcio do mês de agosto. A emoção pede pra bola rolar já. A razão impõe um pouco mais de precaução diante dos atuais números da pandemia.
Bom! Pelo sim, ou pelo não, sabemos que vamos vivenciar momentos inusitados: comemorações de tÃtulos sem torcedores nos estádios. Evidente que comemorações acontecerão, de forma contida, em pequenos grupos, ou, quem sabe, numa grande concentração, como aconteceu na Inglaterra, há poucos dias, quando o Liverpool se sagrou campeão após uma espera de 30 anos.
Não existe protocolo para conter explosão de alegria. A alegria de um tÃtulo jamais será castigada. O covid-19 vai ter que abrir alas para os campeões festejarem.
Tenho visto muitos jogos - campeonatos alemão, português, espanhol, inglês - todos com estádios vazios, fato que já tira 50% da graça do futebol. O cardápio é de qualidade. Isto é fato. Mas falta o tempero doméstico. O condimento da gréia, da gozação, coisas que encontramos na rivalidade caseira. Sabemos que, quando a bola voltar a rolar no Pernambucano e na Copa do Nordeste, não vamos ver os craques que desfilam nos campeonatos europeus, mas assistiremos jogos sem a indiferença pelo resultado. Estaremos torcendo por um vencedor. E quando a partida acabar, será inevitável aquele telefonema, ou mesmo uma mensagem pelo whatzapp, para o amigo que veste a camisa do outro time. Afinal, o futebol é muito mais vivido fora, do que dentro das quatro linhas.
Após uma paralisação de quatro meses fica difÃcil apostar em quem será o campeão pernambucano e o campeão da Copa do Nordeste. Seja qual clube for, que sua torcida aproveite até a exaustão, este fiapo de alegria.