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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
"Quando vem a tempestade eu só penso na história que vou contar quando concluir a travessia".
A frase lapidar é do brilhante, José Nivaldo Júnior, que com seu espÃrito guerreiro, e de vanguarda, idealizou e executou o projeto do primeiro jornal a ser oferecido pelo whatsapp no PaÃs: O Poder. Junto com um time de experientes jornalistas - Magno Martins, Antônio Magalhães e Ãngelo Castelo Branco - ele nos mostra que é possÃvel degustar, agora, o pudim que será servido no futuro.
Em tempo de coronavÃrus fico a pensar, cá com meus botões, como é difÃcil raciocinar tendo como base o pressuposto. O mais sensato é aguardar a travessia da tempestade, como sugere o sábio José Nivaldo.
As interrogações são inevitáveis, como mostrou o advogado, João Humberto Martorelli, em artigo publicado na edição de quinta-feira do Jornal do Commercio, com o tÃtulo de: "A aprendizagem". E ele encerra seu artigo com a mais oportuna das interrogações do momento:
Aprenderemos?
A lição é dura. Tudo está suspenso, até os beijos e abraços. Dom Antônio Fernando Saburido aconselha os cristãos a viverem a experiência do bom samaritano.
Estamos todos batendo cabeça sem saber como enfrentar este inimigo invisÃvel que enclausurou a humanidade.
E o que vem depois?
Recordo do saudoso amigo, Júlio Campos, que presidiu o Sport no final dos anos 80. Sempre que falávamos de dificuldades ele me alertava para o fato de o brasileiro não ter vivenciado o perÃodo pós guerra, como vivenciaram os europeus.
A guerra agora é para todos. Não poupa ninguém. Retorno a indagação do Martorelli:
Aprenderemos?
Talvez pelo fato de não termos sido torturados pelos horrores da Segunda Guerra Mundial, nós brasileiros estamos patinando nesta tormenta dos dias de hoje. Nossos governantes se revelam baratas tontas, enquanto os alienados seguidores transformam uma pandemia em mote para fustigar desavenças polÃticas.
O jornalista, Ãngelo Castelo Branco, foi de um equilÃbrio elogiável ao analisar, no jornal O Poder, o papel equivocado que vem desempenhando grande parte da imprensa brasileira que está mais preocupada com rompantes verbais do que com ações efetivas que sejam desenvolvidas para amenizar os efeitos do covid-19.
Aprenderemos?
DifÃcil responder. Na minha primeira pauta como repórter, durante a cobertura de uma reunião do presidente, Rubem Moreira, com representantes de clubes de bairros do Recife, me arvorei a dar uma opinião. Ao seu jeito, o velho Rubão me advertiu:
"Cala boca corninho! Repórter não acha. Repórter reporta".
Quando a tempestade passar vamos ter muitas histórias pra contar amigo José Nivaldo. Só não sabemos quais.
CLAUDEMIR GOMES
O presidente da Federação Pernambucana de Futebol - FPF -, Evandro Carvalho, surpreendeu a todos quando, no inÃcio da semana, em entrevista ao Sistema Jornal do Comércio de Comunicação, afirmou que a entidade tinha apenas R$ 32 mil em caixa. Não falou em investimentos, aplicações, nem quanto havia liberado, como empréstimo, para clubes filiados.
Desde a época do poderoso presidente, Rubem Moreira, da FPF, até os dias atuais, é voz corrente entre os dirigentes de clubes, que "a Federação vive cheia de dinheiro enquanto os clubes estão falidos". Eis a razão de ter soado estranho as declarações do presidente, Evandro Carvalho.
Certa vez, quando apresentava o programa ESPORTES NO 11, junto com o amigo e também jornalista, Beto Lago, na TV Universitária, o ex-presidente da FPF, Fred Oliveira, foi taxativo ao afirmar que "Evandro Carvalho era perdulário".
Bom! Cada um com seu jeito de ser, e de administrar.
Quando o ex-presidente, Carlos Alberto Oliveira, faleceu, em 2012, deixou a Federação com R$ 1,7 milhão em caixa.
Recordo de uma viagem que fiz a Pesqueira, Interior do Estado, junto com o presidente, Evandro Carvalho, e Murilo Falcão, diretor de competições da FPF. A época Evandro revelava seu pensamento como administrador, e foi taxativo ao ressaltar que não via a Federação como uma empresa financeira, guardando dinheiro quanto tinha muitas coisas a serem feitas.
Nesta mesma viagem revelou seu projeto de construir algumas arenas regionais para fortalecer o futebol do Interior. O sonho não se tornou realidade, mas muitos investimentos foram feitos na sede da Federação. A recuperação e reforma estrutural eram necessárias, assim como, o projeto de colocar a entidade em sintonia com o novo tempo. O projeto de informatização da casa é um modelo a ser copiado no futebol brasileiro.
Evidente que, com tantos investimentos, o caixa deixado por Carlos Alberto Oliveira baixou sensivelmente, mas Evandro Carvalho se revelou um mestre na busca de parceiros, e captação de recursos.
O balanço de 2018 da Federação Pernambucana de Futebol apresentou um saldo positivo de mais de R$ 300 mil. O balanço de 2019 ainda não foi publicado. Sabemos que a FPF emprestou R$ 3,5 milhões ao filiado, Santa Cruz Futebol Clube, dinheiro que deve demorar para voltar aos seus cofres em virtude da precária saúde financeira do Clube do Arruda. Empréstimos também foram feitos ao Náutico e a clubes do Interior.
A FPF, a exemplo das outras federações estaduais, recebe, mensalmente, uma verba de R$ 50 mil, cujo destino é o pagamento da folha pessoal. A Federação também fatura com a cobrança de taxas que vão desde a inscrição e transferência de atletas até desconto em premiações dos clubes. A entidade deu uma mordida nos ganhos que os clubes tiveram ao passar de fase na Copa do Brasil.
Em sÃntese: a Federação não é uma empresa financeira, mas sabe ganhar dinheiro.
Não é certo questionar o quanto a entidade tem em caixa, mas é justo querer ver os caminhos que o dinheiro tomou.
CLAUDEMIR GOMES
O sonoplasta, Ubirajara Henrique, é um profissional bastante conhecido no rádio pernambucano. Atualmente está vinculado à Rádio Clube de Pernambuco. Pois bem! Bira, como é tratado pelos amigos, tem como passatempo favorito colocar apelido nos companheiros, chamando-os de nomes de remédios: Dipirona, Sonrisal, Engov... Quando os noticiários não apresentam novidades esportivas ele exclama:
"Que marasmo!!!".
Em tempo de coronavÃrus, não existe definição melhor para este isolamento social. Não estamos falando daquela preguiça salutar tão apregoada pelo mestre, Dorival Caymme, que eternizou, em seus versos, os hábitos do povo baiano. Nos referimos a um enclausuramento imposto a humanidade por uma pandemia. A sensação de que nada acontece, tudo está parado, não provoca apenas uma mudança de hábito, de comportamento.
A corriqueira ida a padaria para tomar um café pequeno e fazer uma resenha com os amigos está suspensa. Os jogos dos campeonatos europeus e das competições que estão sendo disputadas no Brasil, no momento, também foram suspensos. Nada de bola rolando. A saÃda é buscar um bom filme ou se entreter num desses seriados que nos levam a uma época bem remota, quando nos eram oferecidos nos cinemas, e esperávamos uma semana pra ver o próximo capÃtulo.
Da janela do apartamento observamos que, boa parte dos cães de estimação estão passeando com outros condutores. Afinal, a turma que tem mais de 60 anos está proibida de sair de casa. Domingo incomum na praia: não tem uma viva alma tomando banho. O colorido dos guarda sóis deu lugar a um deserto de areia onde as dunas móveis se oferecem ao banho de mar.
Que marasmo!!!
O consumo das inúmeras informações nos confunde. Aliás, confundido está o nosso povo, que mesmo diante de um momento tão crÃtico aproveita para alimentar a "guerra" polÃtica do mal contra o mal. Isso mesmo. Nesta inversão de valores não consigo enxergar nada que venha nos faça bem. Quando o cidadão pega carona num vÃrus para tentar nocautear o outro, é sinal de que a doença da qual ele foi acometido é mais assustadora que o CONVID-19.
A saÃda não é outra senão recorrer a uma boa leitura. Os dois tÃtulos novos que tinha em mãos foram "devorados" rapidamente. Reler velhos livros é descobrir novos cenários. De repente descobrimos que numa única pessoa existem vários eus. A introspecção é inevitável nesta clausura que nos subtraiu a liberdade, embora saibamos que tal situação tenha prazo de validade.
O celular não pára. A cada minuto, as vezes em fração de segundos, somos advertidos pelos sinais de novas mensagens. Verdades se confundem com mentiras neste universo povoado de doutores sabe tudo. As redes sociais são tribunas livres onde o nÃvel de imbecilidade extrapola qualquer racionalidade.
Mas, quer queira, quer não, o mundo virtual passou a ser nosso companheiro diário, em todos os momentos desta clausura universal.
As ruas estão desertas, não escuto o barulho dos carros.
Que marasmo!!!
CLAUDEMIR GOMES
O amigo, Amaury Veloso, me liga e revela: "Estou triste". O motivo de sua tristeza não é outro senão a escassez de notÃcias esportivas. Não é fácil para um cronista esportivo, que por mais de sessenta anos foi bastante atuante prestando serviço a diversas empresas, tendo se destacado como um dos melhores repórteres por conta de um feeling diferenciado, observar que as prateleiras estão vazias, sem matéria prima para os noticiários.
"Nunca vi um cenário, sequer parecido com esse", afirmou um assustado Amaury com esta paralisação imposta ao desporto mundial pela pandemia do coronavÃrus. Na contramão da história, o Comitê OlÃmpico Internacional - COI - manteve no seu calendário, a disputa dos Jogos OlÃmpicos do Japão para a segunda quinzena de julho. Evidente que a mudança de cenário, nos próximos dias, ou meses, é que vai definir se as olimpÃadas japonesas acontecerão, ou não.
O fato é que este inimigo microscópico destruiu todos os planejamentos. Pior: deixou todos sem ação diante de uma situação inusitada. O desporto já superou guerras, questões polÃticas e sociais, mas nunca havia se deparado com uma pandemia.
Os prejuÃzos são incalculáveis, e não existe planos B ou C para atenuar os efeitos de uma paralisação indeterminada. Quem perde, ou quem ganha? Acredito que todos percam. A possibilidade real é de que a temporada 2020 se prolongue pelo ano de 2021.
A NBA, maior liga de basquete do mundo, calcula em mais de 2 bilhões de dólares o prejuÃzo com a suspensão do campeonato por tempo indeterminado. No futebol os prejuÃzos são imensuráveis. Evidente que, cada paÃs com suas cifras, o mesmo ocorrendo com os clubes. O prejuÃzo de um Flamengo não pode ser comparado ao prejuÃzo que o Santa Cruz vai arcar com esta paralisação. Os clubes do Interior também se deparam com algumas situações complicadas como a necessidade de prolongar o contrato de alguns atletas, uma vez que o campeonato estadual não será concluÃdo no prazo estipulado inicialmente.
A cada momento surge uma nova interrogação. Os atletas olÃmpicos que ainda não conseguiram Ãndice para participar dos Jogos de Tóquio querem saber como irão buscar tal marca, já que as competições estão suspensas.
A "intertemporada" criada pelo coronavÃrus não constava no planejamento de nenhum clube, de nenhuma federação ou liga em lugar algum do planeta. Isto é fato. O imponderável aconteceu, como diria o mestre, Nelson Rodrigues. E todos ficaram assustados, tal qual o experiente Amaury Veloso.
Nas redes sociais são postadas verdades e mentiras que servem para acalmar ou assustar, a depender do estado emocional do individuo. E nessa tribuna livre até as profecias feitas pelo médico francês, Nostradamus, em 1555, são lembradas.
Não é fácil admitir um mundo sem desporto.
CLAUDEMIR GOMES
Futebol é entretenimento. Isto é fato. Sendo assim, nada mais esquisito do que um jogo de futebol com o estádio vazio, sem público. Afinal, até pelada que se preze tem que ter platéia. Senão não vai haver gréia, gozação. E foi assim, num silêncio quase sepulcral, que assistimos, pela televisão, aos jogos do Sport com o Ceará, válido pela Copa do Nordeste, na Arena Castelão, em Fortaleza, e o confronto do Santa Cruz com o Decisão, no Arruda, pelo Pernambucano.
Neste final de semana, mais de 1600 jogos foram adiados no mundo inteiro. Uma imposição da pandemia do coronavÃrus. A CBF publicou nota oficial, na tarde deste domingo, que a partir de amanhã, todas as competições organizadas pela entidade estão suspensas.
Não entendi porque o jogo do Náutico com o Fortaleza, na noite do sábado, nos Aflitos, foi com portões abertos para o público. Cartão vermelho para a CBF por jogo temerário, imprudência.
O planeta terra parece que está girando no sentido anti-horário.
Deu a louca no mundo!
Em tempo de redes sociais, onde não existe fronteiras para as comunicações, recebemos, e passamos a consumir, um número absurdo de informações. Fake News se misturam com o que é verdadeiro.
Pronunciamentos de médicos especialistas acalmam e orientam a população. Outros profissionais, com menos habilidade no trato com as palavras, chegam a assustar ao revelar as possibilidades e as previsões sobre o alastramento da pandemia nos próximos dias, meses.
O saudoso, Ivan Lima, um dos maiores narradores da história do futebol pernambucano e brasileiro, costumava encerrar as jornadas que comandava com a frase: "O palco da luta está deserto...".
Pois bem!
Na história da humanidade, nunca se imaginou que uma pandemia viesse esvaziar todos os estádios de futebol no mesmo momento. Os ingleses estudam até a possibilidade de decretar o Liverpool campeão, e encerrar a Premier League a dez rodadas do final.
Aqui no Brasil, a paralisação das competições por tempo indeterminado pode representar o caos. Afinal, foram criadas tantas disputas que o ano quase não comporta todas elas. Imagina com este adversário chamado coronavÃrus que está assustando e fazendo os times do mundo inteiro deixarem o campo.
A situação inusitada deixou todos impotentes e com a sensação de que levou uma bola nas costas, e tomou um gol no tempo de acréscimo.