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Um presente para Chico Medeiros
postado em 10 de janeiro de 2020

CLAUDEMIR GOMES

 

A mídia e os torcedores estão em contagem regressiva para ver a bola rolar nos estádios brasileiros. A temporada começa com os famigerados Estaduais e competições regionais. Depois, vai esquentando com a Copa do Brasil, as disputas internacionais e o Brasileiro. No momento, ninguém suporta mais o lenga-lenga das contratações e transferências de jogadores. Com as redes sociais as especulações se agigantaram por conta da proliferação de fake news. O recesso passou a ser marcado por um estica e puxa muito improdutivo.

No início da semana encontrei o amigo, Francisco Medeiros, torcedor e amante fiel do Sport Club do Recife. Chico é um sujeito tranquilão. Em julho estará completando 80 anos, e um de seus prazeres a esta altura da vida é ir a Ilha do Retiro ver o Leão jogar. Sócio do clube há várias décadas, dono de cadeira cativa, conhece todos os rubro-negros que lhes cercam, naquele determinado espaço do estádio, em dias de jogos.

Pois bem! Como todo cidadão que tem o privilégio de alcançar a marca dos 80 anos de vida, Francisco Medeiros começa a lidar com problemas de mobilidade, e fica inseguro diante de alguns obstáculos. Quem frequenta o estádio da Ilha do Retiro sabe que os degraus são exageradamente altos. Para os jovens atletas frequentadores de academias, vencer tais obstáculos é um exercício salutar. Contudo, para quem já chegou a casa dos 70 anos, o desafio é grande. Encarar tal exercício no topo dos seus 80 anos, somente com muito amor ao time do coração.

Mas Chico resiste. Não quer se transformar num torcedor de poltrona. Sua vontade é seguir indo a Ilha do Retiro, encontrar os amigos e ver o seu Sport jogar. Quando tem a oportunidade de ir ao estádio acompanhado do filho e do neto, o céu pode esperar porque sua felicidade está completa.

Francisco Medeiros me revelou que já falou com algumas pessoas ligadas a diretoria de patrimônio do Sport reivindicando uma coisa simples: a colocação de um corrimão nos corredores com degraus que dão acesso as cadeiras cativas. Coisa simples, que não será onerosa ao clube. Não existe a exigência de um equipamento de aço escovado, basta ser de cano de ferro, pintado com as cores rubro-negras. Uma solução simples, que vai atender a geração de Chico Medeiros e a outras que se aproximam da idade tão avançada, mas que segue amando e sendo fiel ao Sport.

É do conhecimento de todos que a diretoria de patrimônio do Sport esta fazendo algumas intervenções no estádio. Quando colocada a situação de Chico a alguns amigos próximos aos atuais gestores, o assunto foi visto com certo desdém, e logo veio a justificativa de que o clube não tinha dinheiro para executar obras. Ora, a colocação de um corrimão é uma imposição do Estatuto do Idoso, e qualquer um pode entrar com uma ação no Ministério Público exigindo tal providência para lhe assegurar o direito de ir e vir.

Corrimão é obrigatório em qualquer escadaria, principalmente uma íngreme como as existentes na Ilha do Retiro. Aliás, este equipamento já deveria vir sendo exigido pelo Corpo de Bombeiro, pela Federação e outras entidades responsáveis pelas vistorias nos estádios.

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Depois da Festa de Reis
postado em 06 de janeiro de 2020

CLAUDEMIR GOMES

 

Hoje é dia dos Reis Magos!

Para os capinenses da minha geração, o 6 de janeiro é uma das datas mais importantes do calendário. É que na minha cidade natal o ano começava após a Festa de Reis. O fechamento do ciclo natalino era marcado com uma grande festa popular, a de maior reverberação em toda a região. Transformei o que seria um simples marco, num dogma. Portanto, o ano novo para mim só começa depois da louvação aos Reis Magos.

Atento aos noticiários do rádio, jornal e televisão, observo que tudo se movimenta respeitando o compasso de espera, num movimento de translação quase que imperceptível. O tempo é mágico! O espaço é sempre o mesmo: 365 dias. A diferença está na alternância do dinamismo. A partir de amanhã o ano de 2020 ganha uma nova dinâmica. Tem quem defenda a tese de que, aqui no Brasil as coisas só começam a andar depois do carnaval. Discordo de tal princípio.

Este ano estaremos comemorando os 80 anos de nascimento do Rei Pelé, o melhor jogador de todos os tempos sem espaço para comparações. O ano também será marcado por brindes ao cinquentenário do Tri Campeonato Mundial, conquistado no México. Os saudosistas de plantão vão se perder nas comparações traçando paralelos entre o que ocorreu em décadas passadas e o que estamos testemunhando dentro da nova ordem mundial.

Não podemos esquecer que, há 25 anos o mundo foi colocado em nossas mãos através do Windows 95. A internet passou a ser usada como um utensílio doméstico quebrando barreiras e mudando paradigmas. Nas últimas décadas as mudanças de costumes e comportamentos foram radicais. A quantidade de informações que as crianças e os jovens de hoje recebem é impressionante.

O mais sensato é evitar comparações.

O futebol nunca deixou de ser um grande espetáculo para mim. Me embriaguei com o futebol de Pelé, Gerson, Tostão, Carlos Alberto, Rivelino, Jairzinho... na conquista do Tri. Me deliciei com a geração de Zico, Pintinho, Geraldo, Adílio, Renato Gaúcho, Eder, Leão, Sócrates...; voltei a liberar o grito de "é campeão", com Romário, Bebeto Raí, Ricardo Rocha. Me encantei com o virtuosismo de craques como Rivaldo, Ronaldo, Kaká, Ronaldinho Gaúcho... Como é prazeroso ver o desfile de craques estrangeiros como Messi, Cristiano Ronaldo, assistir a jogos do Barcelona, do Liverpool.

A vida não pára, e os espetáculos dentro das quatro linhas continuam fascinando milhões de pessoas. Nos dias de hoje temos a oportunidade de assistir aos jogos da Copa da Espanha; Copa da Inglaterra; Premier League; Liga dos Campeões da Europa... Tudo, graças a Internet.

Do lado de cá do Atlântico, a bola só volta a rolar em meados do mês de janeiro. É como se estivéssemos esperando a Festa de Reis passar.

Os carpinenses sabem bem o que é este compasso de espera.

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