Histórico
Futebol Brasileiro
Calendário é um desafio
postado em 10 de dezembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O período de recesso do futebol, traz à tona, o debate sobre diversos assuntos que passam despercebidos quando a bola está rolando. Afinal, a disputa dentro das quatro linhas exerce um fascínio absurdo sobre o torcedor, que se fixa nos resultados dos jogos e na atuação dos jogadores. O resto se torna subjetivo.

Dentre os muitos debates que tenho acompanhado na televisão, uma frase me chamou a atenção: "Os quatro primeiros meses do calendário do futebol brasileiro não servem para nada".

Verdade! Seguindo uma ordem natural, e não pela competência dos gestores da CBF, o futebol brasileiro atingiu o nível da nacionalização, contudo, o calendário segue atrelado ao empirismo. Nos falta entrar em sintonia com a ordem mundial.

Ao participar da gravação de um programa com o presidente do Sport, Milton Bivar, ele nos explicava a engenharia financeira que é feita com base no calendário. Seguindo o raciocínio lógico que é uma prática na maioria dos clubes, os primeiros meses da temporada não exigem grandes investimentos porque as competições são domésticas e regionais. Depois vem a Copa do Brasil, onde as chances de sucesso dos clubes medianos são mínimas, e por fim, o Brasileiro, para o qual são feitos os maiores investimentos.

A valorização do clube está ligada diretamente a Série que ele disputa no Brasileiro: A, B, C ou D. Afinal, com base nesta classificação é que se define o ranking nacional dos clubes.

Resumindo: o foco de todos é o Brasileiro. Os estaduais servem apenas para alimentar uma rivalidade doméstica entre as torcidas. Os regionais, como a Copa do Nordeste, passaram a ser um bom laboratório para aferir a qualidade dos elencos que estão sendo montados para a competição nacional.

A resultante dessas competições que levam os clubes do nada para lugar nenhum é o desgaste prematuro pelo excesso de jogos, visto que, quando acontecem as primeiras rodadas da Copa do Brasil, várias clubes passam a disputar, simultaneamente, três competições, sendo obrigados, em determinadas situações a encarar uma maratona de jogos intercalados por várias viagens.

Nesta segunda-feira, enquanto assistia a festa dos melhores do Brasileiro, observava os jogadores do Flamengo que seguem bebemorando a temporada de ouro. A goleada (4x0), que o Santos impôs ao rubro-nego carioca, foi uma prova inconteste de que os comandados de Jorge Jesus estão focados em festa, nada mais que isso.

Hoje a tarde, vendo o Liverpool em mais um jogo da Champions League, tendo vencido o Salzburg por 2x0, observamos o quanto o time está voando em campo. A temporada européia está começando, os clubes estão na ascendente, por outro lado, a temporada do futebol brasileiro fechou domingo, e o Flamengo, após atingir todas as metas, e se esbaldar em comemorações, dificilmente terá pernas para acompanhar o ritmo dos campeões europeus.

O ajuste de calendários vai mexer desde os torneios nas tribos estaduais até as disputas internacionais. Eis porque o assunto gera tantas discussões.

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Automobilismo
O tricampeão Beto Monteiro
postado em 08 de dezembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Acompanhar a última corrida da temporada da Fórmula Truck era o ponto alto de minha agenda esportiva e de entretenimento neste domingo. Afinal, para mim, particularmente, era imperdível assistir a corrida que foi realizada no "santuário" do automobilismo brasileiro, o Autódromo de Interlagos, em São Paulo, e ouvir o narrador ressaltar o título conquistado por Beto Monteiro. Na realidade sua performance nas duas etapas finais serviu apenas para carimbar um título que já estava anunciado pela campanha: 8 vitórias; 12 pódios e 5 poles.

Foi inevitável uma olhada no retrovisor.

No final dos anos 90, precisamente em 1997, a Fórmula Trock aportou pela primeira vez em Pernambuco. O idealizador e promotor do circo que começara a conquistar espaço no automobilismo brasileiro, Aurélio Batista Félix, tinha no seu projeto, a conquista do Nordeste. A época, para dar o primeiro passo, contou com a ajuda substancial de Cleyton Pinteiro, presidente da FPA; Gilberto Lyra, vice-presidente da FPA e Zeca Monteiro.

A empresa, Zeca Monteiro Reboque era o ponto de apoio da Truck no Recife. Em Caruaru, além do usar seu prestígio político, o empresário Gilberto Lyra abria as portas da oficina da Empresa Caruaruense para receber e dar o devido apoio a todos os pilotos e suas equipes. A resposta do público não poderia ter sido mais positiva.

O Autódromo Internacional de Caruaru passou a ser um dos destinos mais importantes da Truck. O número de turistas que a categoria dos brutos atraia para Capital do Agreste só era menor que o número de visitantes registrado no tradicional São João, festa de apelo popular.

Nas primeiras edições da Truck em Pernambuco, Beto Monteiro correu sempre em caminhões alugados, equipamentos que iam a pista apenas para fazer número, pois não tinha condições de competir com algumas equipes já estruturadas.

Com o apoio da Monte Carlos, Beto Monteiro substituiu Sérgio Ramalho em duas corridas, na equipe de Tiago Grison. Sérgio havia sofrido um acidente num treino de kart, em João Pessoa. As duas etapas numa equipe bem estruturada foram suficientes para o piloto pernambucano marcar seu terreno na categoria mais popular do automobilismo brasileiro.

A evolução de Beto Monteiro na equipe de Djalma Fogaça, pilotando um Ford foi impressionante. Não demorou muito tempo para ele se posicionar entre os melhores pilotos da categoria. Conquistou o primeiro título em 2004 e repetiu a dose em 2013, quando também se sagrou campeão sul-americano, desta feita pilotando um Iveco.

Beto estava consolidado como um dos melhores pilotos brasileiros da atualidade, brilhando não apenas na Truck, mas em outras categorias do automobilismo nacional. Nos Estados Unidos funciona como coach de alguns pilotos.

O banho de champanha que o tricampeão brasileiro de Fórmula Truck levou ontem no pódio, lavou a alma de todos os pernambucanos.

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Brasileiro Série A
Troféu Incompetência
postado em 05 de dezembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Cruzeiro e Ceará seguem numa luta renhida, para ver quem ficará com o TROFÉU INCOMPETÊNCIA, nesta edição do Brasileiro da Série A. Nas últimas apresentações os dois times se esmeraram dentro de campo para convencer suas respectivas torcidas de que são merecedores do descenso. Como só resta uma vaga para a Segundona 2020, o desfecho deste drama dos horrores dar-se-á na última rodada do campeonato, domingo.

Não são poucas as perdas de um clube quando cai da Primeira para a Segunda Divisão. O Cruzeiro iniciou a temporada exibindo um futebol de excelente qualidade técnica. Era, ao lado de Palmeiras e Grêmio, um dos times mais cotados para brigar pelo título. Foi dragado pela crise moral instaurada na Tocada da Raposa, a mais grave de todas já registradas na história do clube mineiro. Nesta fase final do Brasileiro, o que estamos vendo em campo é um caricato do futebol apresentado nos primeiros meses do ano.

O Ceará é vítima da desidratação financeira que impede os clubes de sua estatura a criar uma musculatura que lhe leve à sobrevivência na elite nacional. Um mal decorrente da injusta divisão de renda que alimenta a dinâmica gangorra do sobe e desce. A última volta da dança do Passarás será domingo. Como tem um ponto de vantagem na disputa direta com o time mineiro, o Vovô vai tentar surpreender o Botafogo, no Rio, com a certeza de que existem outras possibilidades para sua sobrevivência.

Bom! De uma coisa temos certeza: será uma tarde de sofrimento para as duas torcidas. No Mineirão o Cruzeiro tentará surpreender o Palmeiras cujo objetivo, do momento, é concluir o campeonato na condição de vice-campeão.

Torço pela sobrevivência do Ceará na competição por uma simples razão: a manutenção de quatro clubes nordestinos na Série A. Teoricamente o Vovô tem mais chances de escapar da dança do Passarás, que o time estrelado. Mas como a disputa é para definir o mais incompetente, tudo pode acontecer, inclusive nada.

A disputa pela última vaga no Expresso da Elite em 2020, embora não aconteça num confronto direto, é o maior atrativo da última rodada da Série A que tem o Flamengo como grande campeão. O rubro-negro carioca goleou o Avaí (6x1), resultado que lhe levou a colocar 71 pontos de vantagem sobre o time catarinense na tabela de classificação.

O Flamengo vai fechar a temporada com uma receita próxima a casa de R$ 1 bilhão. O atual fluxo de caixa vai deixar o Urubu reinando no futebol brasileiro por um bom tempo.

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Artigos
A gestão esportiva
postado em 04 de dezembro de 2019

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO

 

No próximo domingo teremos a rodada final do Brasileiro de 2019, um dos mais fracos entre os que foram realizados nessa era dos pontos corridos, que foi salvo pelo futebol do Flamengo que deu um belo passeio nos gramados.

Mais uma vez uma competição serve para mostrar a falta de uma boa gestão esportiva nos clubes, com exceção do rubro-negro carioca, do Atlético/PR e do Fortaleza, que juntos mostraram competência nas suas estruturações. Os demais deixaram muito à desejar.

O Brasil ainda vive no amadorismo com relação ao futebol. A gestão profissional na maioria dos clubes não foi implantada de forma efetiva, e esses quando contratam os seus gestores, procurando ex-atletas sem a devida vivência do assunto, ou, então, pessoas de outras áreas, muitas vezes amigas dos cartolas, e que produzem nada, ou quase nada no planejamento estratégico.

Os dirigentes embutem um temor de passar para um profissional as atividades do clube, tendo em vista que ao realizar um bom trabalho, esse iria ofuscá-los. Cartolas adoram as entrevistas. Estudam com fonoaudiólogos para emitirem uma voz que se destaque ao falarem com os jornalistas.

O gestor esportivo tem que ter a noção de como planejar a vida do seu clube, com base científica e com métodos de administração, pois não basta que passe o dia todo a seu serviço, que no final se não tiver a devida competência, a soma dos resultados positivos é muito pouco para o que se deseja alcançar.

Os maiores exemplos estão em clubes com dificuldades, e o São Paulo é um caso bem emblemático, passando de uma entidade de referência, para um caos administrativo e financeiro, sendo obrigado a vender os seus ativos intangíveis, mostrando que lhe faltou um planejamento.

O dirigente é um puro amador, na maioria das vezes é um torcedor das arquibancadas, e se torna irracional no trato das coisas do seu clube, enquanto o gestor esportivo é o inverso, ou seja, sem paixão, e com razão, sabendo aplicar todos os mecanismos que aprendeu nos bancos escolares com prática de suas utilizações.

Dirigente não é para contratar treinador ou jogador, e sim referendar a capacidade financeira do clube para que isso aconteça. Se tal fato acontecesse na realidade, não teríamos tantas contratações em uma temporada, e uma dança das cadeiras para os técnicos que supera a racionalidade.

Muitas dessas contratações são feitas de maneira açodada, e muitas vezes para o atendimento de empresários interessados, ou para dar um lustro a sua vaidade, e em alguns casos lucrar com as comissões.

Os esportes no seu contexto precisam de profissionais competentes, sérios, para gerenciá-los, que saibam discernir sobre aquilo que estão administrando.

Um bom gestor evitaria as lambanças que acontecem no dia a dia do nosso futebol, mas enquanto esses não chegam os clubes agonizam.

Lamentável.

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Sport
Desvio de conduta
postado em 02 de dezembro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Me engana que eu gosto!

A primeira coisa que fiz na manhã do domingo, após constatar que o amigo, José Joaquim Pinto de Azevedo, não havia colocado nenhum post no seu blog, após o retorno de merecido descanso em Lisboa. E, como sempre, sua sinceridade nos levou a uma reflexão:

"Estava começando a escrever quando um amigo me ligou convidando para ir ver a carreata do Sport. Fiquei tão indignado com tamanho absurdo que não poderia ter outra atitude senão desligar o computador. Volto a escrever na terça-feira".

Lá pras tantas, passava das 14h, quando escuto a zoada de um trio elétrico. Da janela do meu quarto dava ver o cortejo passando na avenida Conselheiro Aguiar. Para minha surpresa, não era uma carreata do Sport. Era o desfile da Torcida Jovem, a organizada que já foi expulsa dos estádios, mas que agora conta com a guarida da atual diretoria do clube leonino.

Foi fake news meu caro Zé!

Não sei se tal descoberta serve de consolo. Acredito que não, até porque o glorioso Sport foi usado, mais uma vez, por essa horda, com o apoio de dirigentes e jogadores. Lamentável.

Mas não esqueça meu caro José Joaquim: você não está mais em terras lusas. Estás de volta ao país do faz de conta. A turma que aterroriza as ruas do Recife, as estações do metrô e os pontos de ônibus em dias de jogos, sequer foi julgada em Segunda Instância. Sendo assim, pelo entendimento dos "doutos" da nossa tribo, anjos e demônios merecem o perdão.

Não precisa fica assustado mestre José Joaquim. A bandeira do seu clube de coração, cuja história você ajudou a construir como atleta e dirigente, sendo uma figura icônica para os que realmente conhecem os corredores da Ilha do Retiro, não mudou de cor. Você que é tão contra ao exagero de colorido nas camisas que ferem tradição em detrimento ao entendimento de marqueteiros, pode ter a certeza de que as bandeiras amarelas que desfilaram pelas ruas, na tarde do domingo, não eram do Sport. Eram pavilhões de uma facção organizada.

É importante não esquecer que vivemos no país do Big Brother, ou seja, tem gosto pra tudo. Alguns leoninos se deliciaram com o atestado de apequenamento do nosso futebol. Por essas e por outras é que somos achincalhados lá fora.

Não! Aquele não é o tamanho do Sport José Joaquim. Você que já comandou o futebol do rubro-negro na conquista de um título brasileiro da Série B, sabe muito bem que o cenário visto no domingo deve ser lido como um desvio de conduta.

Não desista. Estamos no aguardo do retorno dos artigos do amigo.   

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