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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Quando tomei conhecimento da escala de árbitro para o jogo do Sport com a Ponte Preta, válido pelas semifinais do Brasileiro da Série B, hoje a noite, na Ilha do Retiro, tendo como o número um o carioca, João Batista de Arruda, foi inevitável não lembrar do amigo e também jornalista, José Gustavo, e sua frase emblemática:
"Tá na conta!".
A partir daà passei a ter a quase certeza de que o Sport vai assegurar o acesso a Série A, nesta partida, sob o clamor da sua fidelÃssima torcida e a proteção deste apitador que nos lembra bem uma vaca no poste.
Bom! Vaca não sobe em poste. Se ela está lá em cima é porque alguém a colocou, com alguma finalidade. à o caso deste árbitro que, por merecimento e competência, jamais seria indicado para um jogo de tal importância. Nesta temporada o cidadão só foi escalado para jogos das Séries C e D. Ao apagar das luzes aparece numa escala da Série B, onde tem mil e um interesses em jogo.
"Coisas do futebol brasileiro!". Diria o saudoso Edvaldo Moraes com o microfone bem aberto para fazer muita zoada.
Eis porque separo a verdade do jogo, da verdade do futebol. A do jogo se limita ao conteúdo das quatro linhas. Vive presa, enclausurada, mas é de uma transparência inquestionável. Por outro lado, a do futebol é ponteada por episódios que são autênticos deboches.
A charge#Miguel, publicada na edição desta quarta-feira, do Jornal do Commercio, diz tudo sobre a presença de João Batista de Arruda no comando do jogo, Sport x Ponte Preta: "Acho que agora vai!". Em charges o desenho fala mais que as palavras, entretanto, dentro do contexto a frase foi lapidar.
Apesar do frustrante empate com o limitado Vila Nova, domingo passado, o torcedor leonino está convicto de que a quarta-feira é dia de sorte. Mais uma vez a Ilha do Retiro vai receber um bom público. Afinal, testemunhar o acesso do clube do coração ao grupo de elite do futebol brasileiro é tão prazeroso quanto ouvir as "Cantigas de Sertanejo", que o mestre, Xico Bizerra estará lançando, hoje a noite, na Passa Disco.
Xico Bizerra é o cearense que carrega no seu matulão todas as qualidades de um bom pernambucano. O conheci através do amigo/irmão, Humberto Araújo. Ambos são ferrenhos torcedores do Sport. Quando Xico começa a fazer suas "análises e previsões" sobre o time leonino, o gozador Humberto lhe chama de "Xico Gomes", afirmando ser "uma outra pessoa".
Na agenda do dia está gravado: Ir na Passa Disco abraçar o amigo Xico e se deliciar com as "Cantigas de Sertanejo".
Quanto ao jogo, como diz José Gustavo: "Tá na conta!".
ROBERTO VIEIRA
Clodoaldo olha prum lado.
Toca pro outro.
Faz o lançamento entre os zagueiros vascaÃnos.
Fernando roça em Pelé.
O Rei cai sem grande estardalhaço.
Manoel Amaro corre.
Em João Pessoa Ele escapou.
Mas agora estamos no Maracanã.
Andrada sacode a bola no chão, furioso.
Pelé está de joelhos.
Edu brinca com a bola.
Carlos Alberto manda todo mundo ficar no meio campo.
Os vascaÃnos cercam o árbitro.
Todos menos um que abre a cratera lunar na marca penal.
Pelé treme.
Abraça o adversário.
à abraçado por Andrada insistindo que Ele se jogou.
Onze jogadores sacaneiam Pelé.
Ele coça o queixo com o ombro.
Fica de costas para o destino.
Dá quatro passos.
Chuta no quinto.
Bate no canto esquerdo argentino.
Andrada trisca na pelota.
Andrada que quase não jogou.
Pensou em jogar a batata quente pro reserva, Valdir Appel.
A pelota beija o barbante.
Fotógrafos registram o milésimo gol.
Pelé beija a bola.
Andrada esmurra o gramado.
Rádios em todo planeta registram o instante.
A invenção do milésimo gol.
Para que em algum momento, no futuro.
Cinquenta anos depois.
A humanidade não duvide que um dia.
Pelé esteve entre nós.
Em carne, osso e camisa 10...
CLAUDEMIR GOMES
O clima de festa no futebol sempre me atraiu. Memorável o movimento promovido pela torcida do Santa Cruz, quando, anos atrás, o time conquistou o acesso e o tÃtulo da Série C. Avenida Beberibe colorida de encarnado, branco e preto, povão se esbaldando na piscina que parecia transbordar em risos e lágrimas. Não menos comovente e emocionante foram as festas promovidas pela torcida do Náutico nos confrontos com Paysandu e Moto Clube, quando na briga pelo tÃtulo da edição 2019 da Série C. Todo o bairro dos Aflitos parecia tremer de alegria.
Vencer é o céu! Já disse o mestre Costinha, precioso rubro-negro.
Fui a Ilha do Retiro na tarde do domingo, não pela possibilidade de ver um bom futebol protagonizado por Sport e Vila Nova, mas levado pela quase certeza de testemunhar mais uma festa do futebol pernambucano. E tudo estava programado para tal: cerveja gelando, DJ e bandas de plantão. Mas o que valeu foi a "praga" das duas vitórias: o time leonino vai fechar sua participação nesta edição da Série B sem emplacar uma sequência de três vitórias. Chances para espantar a maldição não lhes faltaram. O que lhe faltou foi futebol.
Que jogo ruim. O excesso de incompetência incomoda. Como quem busca uma palavra de conforto, um torcedor que estava sentado na cadeira ao lado, no final do jogo, olhou para mim e arriscou: "O Vila Nova jogou bem!".
Lhe respondi com o silêncio. Acredito que meu olhar tenha sido mais crÃtico que qualquer frase que viesse a dizer. Ele captou a mensagem e também ficou mudo. A falta de dialogo possibilitou mensurar a força da vaia que os torcedores liberaram nas arquibancadas tão logo o juiz deu a partida por encerrada.
Por mais apaixonado que seja, quando vai ao estádio o torcedor sabe fazer uma leitura do jogo. As desculpas esfarrapadas dadas por treinadores, jogadores, dirigentes e analistas ufanistas se perdem ao vento. Afinal, a verdade do jogo está ali, dentro das quatro linhas. As do futebol é uma outra coisa, se perdem nos bastidores, no submundo, mas as do futebol ficam enclausuradas naquele pedaço de chão marcado com cal.
De grão em grão o Leão vai conseguir a sonhada classificação. Ontem foi o 16º empate, e existe a possibilidade de o time comandado por Guto Ferreira alcançar o acesso com 18 empates. Caso isto aconteça, o torcedor se esbaldará numa farra do mesmo jeito que se acontecerem duas vitórias nas rodadas restantes. A meta é assegurar a presença na Série A, em 2020.
Quando isto acontecer, na próxima quarta-feira, ou na rodada final, será inevitável a abertura da champanhe e um brinde ao "Feliz Ano Velho!".
O futuro está por vir.
Mas de uma coisa, que marcou presença na Ilha do Retiro para testemunhar o frustrante empate sem gols com o limitadÃssimo time do Vila Nova, que luta contra o rebaixamento, tem certeza: para encarar uma Série A o Sport tem que fazer uma limpeza grande neste elenco.
CLAUDEMIR GOMES
Matemática é ciência exata!
Isto é fato.
Portanto, é sempre aconselhável seguir o rigor dos números. Mas como nos mostra o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, por mais que tentem provar o contrário, o futebol segue uma lógica. Seguindo esta vibe podemos afirmar que o Sport assegurou o acesso à Série A do Brasileiro com a vitória (2x0) sobre o Botafogo/SP, quando atingiu a casa dos 63 pontos.
Pensar o contrário é se perder no labirinto a procura de filigranas. Cálculos, projeções, aproximações... são inúmeras as possibilidades nestas três rodadas finais da Série B, onde quatro times lutam para referendar à classificação. O Leão Pernambucano se escuda numa vantagem substancial, que o deixa blindado contra "flechadas", olho gordo, agouro e pragas proferidas pelos adversários. Afinal, somente coisas de outro mundo seriam capaz de "roubar" a vaga do rubro-negro da Ilha do Retiro.
Algumas análises chegam a ser patéticas. à como se a bola rolasse apenas para um lado do campo colocando o acesso do Sport em risco. E os profetas do apocalipse criam receitas que cairiam bem numa halloween. à uma forma de manter o torcedor concentrado, focado na competição. Discordo de algumas jogadas de marketing, até porque, sempre achei que o torcedor se sente muito mais atraÃdo pela conquista do que pelo medo.
Bom! Pelo sim ou pelo não, domingo é dia de casa cheia na Ilha do Retiro. E a tabela conspira a favor. Afinal, dos clubes que ainda brigam para consolidar o acesso, o Sport é o último que irá a campo. Tal fato cria a possibilidade de a domingueira ser fechada com uma prévia carnavalesca na sede social leonina. Isto é tradição. Sempre que o time rubro-negro adiciona mais um feito ao seu acervo de conquistas, tem festa na Ilha.
E assim será.
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que está partindo para a sua já tradicional "Dolce Far Niente", em terras lusas, desde que o Sport alcançou a marca dos 60 pontos, na vitória sobre o Criciúma, nos assegurou que o Leão havia, naquele jogo, alcançado seu objetivo, ou seja, a classificação. Azevedo é craque no manuseio com os números. Se diverte fazendo projeções.
Todas as manhãs converso com o José Joaquim por telefone. à a forma mais prática que tenho de somar conhecimentos. Aproveito e exploro ao máximo.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO
Temos uma simbiose com os esportes em geral, em especial o futebol por um longo tempo, o que facilita as nossas análises sobre o tema, e sempre estamos observando algo que passa despercebido pelas mÃdias, que tem uma visão ligada a espetacularização do esporte do que o trato de sua realidade.
Não temos a menos dúvida de que o futebol brasileiro está atuando como uma ferramenta de manipulação e controle social. Enquanto arte e espetáculo verdadeiro, esse esporte é muito distorcido pelos meios de comunicação, perdendo assim a sua essência e raÃzes.
Essa modalidade esportiva da maneira como ela é apresentada pela mÃdia pode ser traduzida como um pão sem nutrientes, que somente engorda os detentores do poder e, como o circo, apresenta pouco ou quase nada de útil para a formação de um pensamento crÃtico do seu torcedor.
Quando a seleção do Circo atua, e obtém uma vitória, muitas vezes perante adversário mequetrefe, o ufanismo com essa conquista representa realmente as distorções dos fatos. Trata-se de um modelo indutor do u o adversário era potente, e que o time circense foi extraordinário, manipulando as mentes daqueles que os assistem.
Os atletas se tornam celebridades, são tratados como tal, e todos os seus movimentos fora de campo são destacados. Neymar indo ao sanitário é uma manchete nos meios de comunicação. A bola da vez é Gabigol e o seu namoro com a irmã desse jogador.
Os clubes são secundários, e o mais importante é o individual.
Quando lemos, assistimos ou ouvimos a divulgação de tais fatos, ficamos certos de que o futebol que deveria ser um espetáculo coletivo se transformou em algo individual, movido a interesses financeiros, e que os segmentos do setor pouco se importam com os clubes e sim com os seus Ãdolos.
Ãbvio que o esporte para crescer necessita de astros, mas esses não estão acima das bandeiras. O mundo se tornou individualista, e o futebol é coletivo, e o que importa é o sucesso do clube no geral, mais isso se tornou apenas um pequeno detalhe quando observamos a maneira como os nossos astros são tratados.
Na realidade a imprensa é comprometida com os patrocinadores, e segue a linha editorial de suas empresas, vendendo muitas ilusões para uma multidão de iludidos.
Uma certa vez, lemos um documento da Sociedade dos Jornalistas da França, em que textualmente dizia: "A imprensa só é livre quando não depende nem do poder governamental, nem do poder do dinheiro, e sim exclusivamente da consciência dos jornalistas e leitores".
Aplicando-se isso, o ufanismo chapa branca seria extirpado.