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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
"O que dá pra rir dá pra chorar.
Questão só de peso e medida.
Problema de hora e lugar,
Mas tudo são coisas da vida.
O que dá pra rir dá pra chorar.
O que dá pra rir dá pra chora."
O verso acima é da música CANTO CHORADO, moldura perfeita para a decisão vivida por Náutico e Paysandu, neste domingo, no estádio dos Aflitos, jogo que terminou empatado em 2x2, e o Náutico assegurou o acesso à Série B na decisão por pênaltis: 5x3.
A história deste confronto está sendo contada com choro e risos, tendo como grande protagonista o árbitro, Leandro Pedro Vuaden, que aos 49 minutos do segundo tempo, num erro crasso, marcou um pênalti a favor do time pernambucano, lance que mudou o destino dos dois clubes.
"Palmas para Vuaden!".
Gritavam os torcedores do Náutico com a conivência da imprensa pernambucana que encontrou argumentos mil para justificar o erro do apitador.
"Joguem bosta no Vuaden!".
Retrucou a torcida do Paysandu inconformada com o erro de um apitador que durante todo o jogo deu mostras da falta de compromisso com a decisão e parecia estar cagando e andando para o que viesse acontecer pela frente. Aconteceu. E a turma do Papão da Curuzu jamais esquecerá o seu nome.
A euforia dos alvirrubros é mais que louvável. O acesso do Náutico é tido como a retomada do crescimento do clube alvirrubro, fato que representa muito para o futebol pernambucano. Por muitas outras razões e motivos o "pecado mortal" do senhor Vuaden, talvez seja considerado irrelevante pelos narradores, comentaristas e repórteres que estiveram trabalhando na noite deste domingo, nos Aflitos. A conquista estadual se não se sobrepõe a verdade, no mÃnimo, levou os analistas ao pecado da omissão ao serem coniventes com a equivocada interpretação do árbitro.
Nos dias de hoje buscar isenção no jornalismo brasileiro é complicado. No futebol então, a turma fala o que a torcida quer ouvir. à a briga pela audiência.
Depois de ver e rever, várias vezes, o lance que o árbitro marcou o pênalti salvador para o Náutico, procurei sintonizar várias rádios. Precisava ouvir outras opiniões. Como tudo era festa, ninguém falava sobre o lance mais importante do jogo, passei a me sentir a mais estranha das criaturas. Afinal, só eu estava enxergando o erro do apitador.
Para não ficar com a consciência tão pesada, liguei para Wilson Souza, que durante muito tempo foi árbitro FIFA, e conhece, como poucos, as regras, e tudo o mais do que acontece de certo e errado dentro das quatro linhas. Wilson foi taxativo: "Não foi pênalti. Vuaden errou. Ele fez uma péssima arbitragem".
Não me dei por conformado e liguei imediatamente para o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, um analista acima de qualquer suspeita, e que não tem medo de falar a verdade. Nunca foi desses que procura sempre jogar para a torcida. Para Azevedo, a verdade tem que vir em primeiro lugar, doa em quem doer. Ele foi claro: "Vi o lance várias vezes e não foi pênalti".
Bom! Não existe duas verdades. Existe apenas duas formas de se contar a história: uma é com Vuaden sendo o herói, a outra é com ele sendo o vilão.
Como dizia o saudoso Edvaldo Morais: "Coisas do futebol brasileiro!".
CLAUDEMIR GOMES
Por tradição o domingo sempre foi um dia reservado ao futebol. As tardes dos domingos eram alegradas pela bola. A semana inteira era marcada por uma contagem regressiva. E todos, em todas as camadas sociais, aguardavam o domingo ansiosos por conta do futebol. Foi quando o Brasil passou a ser chamado de "O PaÃs da Bola". Também disseram que o "futebol é o ópio do povo brasileiro". Evidente que tal cenário faz parte do passado.
Hoje, temos jogos todos os dias em diferentes horários. E nós que pensávamos que dentro das quatro linhas se falava o idioma brasileiro, com nossos professores repassando uma arte peculiar somente exibida por nossos boleiros, constatamos que dentro da nova ordem o idioma é internacional.
Nos últimos dias assistimos a várias partidas das Eliminatórias da Eurocopa, disputa que viabilizou ver em campo as seleções da Itália, Espanha, Alemanha, Holanda, Inglaterra... também vimos o amistoso entre as seleções do Brasil e Colômbia (2x2). Constatamos que nada será como antes.
Quem está com a bola é o Velho Continente.
Voltemos a tarde do domingo. Afinal, vamos ter jogo decisivo nos Aflitos. Festa alvirrubra. Como antigamente. Tudo indica que o romântico e aconchegante estádio será palco de mais um momento memorável. O Náutico vai decidir sua sorte com o Paysandu. Não estamos falando de tÃtulo, e sim, em definição de destino, o que na atual conjuntura do futebol é mais importante que o tÃtulo do Brasileiro da Série C.
Envolto por este clima de decisão é inevitável não traçar um paralelo com decisões e grandes jogos vivenciados no passado, no Estádio Eládio de Barros Carvalho. A época, década de 60, quem ficava aflita era a torcida adversária, pois o Náutico jogando no seu estádio era quase imbatÃvel. A diferença comportamental dos alvirrubros é que tem me chamado a atenção nos últimos dias.
A aflição tomou conta da turma do vermelho e branco. Digo isto porque todos os amigos alvirrubros, sem exceção, e olha que são muitos, se comportaram da mesma forma, utilizando as mesmas indagações: "Será que passa? O que você acha?". E ficavam aguardando aquela resposta que alimentaria a esperança de cada um: "Passa sim, o mando de campo fará a diferença".
Foi-se o tempo em que o torcedor alvirrubro aguardava a tarde do domingo com a certeza de uma matinê festiva nos Aflitos.
Bom! Torço para neste domingo testemunhar a retomada do crescimento.
CLAUDEMIR GOMES
O Náutico desembarcou, no seu retorno de Belém do Pará, no terminal norte do aeroporto dos Guararapes numa calmaria impressionante. A falta de torcedores ruidosos para recepcionar os alvirrubros, que se saÃram ilesos do primeiro confronto com o Paysandu, no mata, mata que vai decidir o acesso de um dos dois clubes a Série B em 2020, nos mostra o quanto está em aberto a decisão. Não tenho dúvidas de que, caso tivesse acontecido uma vitória do time pernambucano, e a vantagem para o segundo jogo fosse efetiva, a recepção aos jogadores teria sido bem calorosa.
Torcedor é louco por vantagens!
Coisa da paixão.
Mas vale lembrar que as vantagens aproximam do sucesso, mas não chegam a ser uma garantia de que a meta será alcançada.
O mando de campo será o ponto de desequilÃbrio a ser explorado pelo time comandado por Gilmar Dal Pozzo. Decidir a sorte na casa do adversário, se não chega a assustar, ao menos intimida. Com o respaldo da torcida o grupo se sente seguro, encorajado, e passa a ser mais aguerrido e ousado.
Em nove partidas que o Náutico disputou, até o momento, nesta edição da Série C, como mandante, contabilizou sete vitórias, um empate e uma derrota, obtendo um aproveitamento de mais de 70%. Números de campeão. Não tem porque não apostar na receita caseira.
Por outro lado, o Paysandu do técnico Hélio dos Anjos, é um visitante enjoado: nas nove vezes que saiu para atuar na casa dos adversários contabilizou apenas uma derrota. Somou quatro vitórias e quatro empates. Uma campanha imperativa, que exige respeito.
Não sei qual o coelho que Dal Pozzo irá tirar da cartola para surpreender o Paysandu, assim como desconheço qual a carta que Hélio dos Anjos trará na manga para tentar um Royal Straight Flush. Numa decisão tão equilibrada, fica difÃcil antever os fatos. Até porque desde cedo aprendi com o saudoso, Rubem Moreira, que "repórter reporta". Adivinhar é outra estória.
Tudo nos leva a crer que a decisão será marcada por um jogo travado, estudado, com os dois times abusando da cautela. Ninguém vai querer arriscar. Entretanto, não podemos descartar a possibilidade de um dos dois times tomar a iniciativa do jogo logo de saÃda para tentar surpreender o adversário. Em decisão tudo acontece. E ainda tem aquela possibilidade de um gol no inÃcio da partida. Quando isso acontece bagunça todo o planejamento tático dos professores.
Decisão é coisa de louco! Principalmente dessa qualidade que não define um campeão, mas decide o futuro do clube.
Pois bem!
Sabe aquela expressão, "faltou um cabelinho de sapo!". Nem isso pode faltar ao Náutico no próximo domingo.
Portanto, caro torcedor que não se habilitou a ir ao aeroporto dar seu apoio e externar seu carinho com os jogadores alvirrubros, que cumpriram bem o papel em Belém do Pará, sua presença nos Aflitos, para este "jogo do ano", pode ser o ponto de desequilÃbrio que vai mexer com o fiel da balança.
Afinal, necessariamente o fator determinante não está dentro das quatro linhas.