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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O jogo já estava na fase dos descontos, o empate assegurava o inédito tÃtulo de Campeão da Copa do Brasil ao Atlético Paranaense, mas os deuses do futebol resolveram derramar suas graças sobre Marcelo Cirino, que tirou da cartola o futebol raiz. Mágico como o saudoso Mané Garrincha, descobriu espaço onde não havia, entortou dois marcadores que estavam colados nele, em seguida, com uma finta desconcertante, deixou mais um para trás e serviu, de bandeja para Rony emoldurar a jogada com um toque preciso que redundou no gol da vitória (2x1) sobre o Internacional, em plena Arena Beira Rio, em Porto Alegre.
"Nada substitui o talento!".
Inevitável não lembrar da frase antológica do mestre, Paulo Jardel. A jogada de Cirino foi uma louvação a ginga do craque brasileiro. Seu virtuosismo já havia lhe tirado do lugar comum numa partida onde as duas equipes tentavam se impor através da força do coletivo. A diferença não poderia acontecer senão pelo talento individual. O Atlético/PR teve em Marcelo Cirino o ponto de desequilÃbrio. Ao Internacional lhe faltou o semeador de grandes jogadas: D'Alessandro.
Meu Brasil brasileiro pode até não ser mais chamado de "PaÃs do Futebol", entretanto, os bons jogadores brotam nos nossos campos igualmente as tulipas brotam nos campos da Holanda. Por mais que se exporte haverá sempre um virtuoso colorindo os gramados. Ontem foi a noite de Cirino.
Enganou=se aquele que assistiu a magistral apresentação de Di Maria, que comandou a vitória do Paris Saint Germain (3x0) sobre o Real Madri, na rodada de abertura da fase de grupos da Champions League, ontem a tarde, e pensou que havia testemunhado o melhor do dia. O feito do argentino foi memorável, mas a ginga do jogo foi vista do lado de cá do Atlântico, as margens do Rio GuaÃba.
Como o monstro do lago, Marcelo Cirino calou o Gigante da Beira Rio com seu talento. A bola não poderia ter sido mais submissa a sua "molecagem" que foi a assinatura maior da conquista atleticana. Coisa de menino travesso que se sente bem jogando no quintal de casa.
O Atlético Paranaense entra para o grupo dos campeões da Copa do Brasil. Um tÃtulo que serve de chancela para o seu crescimento e afirmação no pelotão dos grandes clubes do futebol brasileiro.
O jogo?
Nada a comentar. Fiquei embriagado com a jogada do Cirino.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Pesquisa nacional realizada pelo Datafolha mostrou que o Flamengo contra com a maior torcida do Brasil. Segundo esse levantamento, o time rubro-negro tem a preferência de 20% dos brasileiros, seguido pelo Corinthians, com 14%.
Foram ouvidas 2.878 pessoas, todas com mais de 16 anos, em 175 municÃpios de todo o PaÃs, entre os dias 29 e 30 de agosto.
Há predomÃnio de torcedores do Flamengo em três das cinco regiões brasileiras. Ele tem a preferência de 39% no Norte; 28% no Centro Oeste e 27% no Nordeste. No Sudeste é registrado um empate técnico com o Corinthians, com 18% para o clube paulista e 17% para os cariocas.
Na região Sul, as equipes com mais torcedores são: Grêmio (23%), Internacional (17%), seguidos pelo Corinthians (11%), Flamengo (4%), São Paulo (4%) e Santos (4%). Os gaúchos sempre dando lições.
A região Nordeste é dominada pelos times do Rio e São Paulo. Dos clubes nordestinos, os únicos que aparecem com mais de 1% são: Sport (4%), Bahia (4%), Santa Cruz , Vitória, Fortaleza e Ceará, todos com (2%). Os que não torcem por nenhum time somam 24%, número bem expressivo.
No computo geral são 22% de brasileiros que não acompanham o futebol. Outro ponto que deveria ser destacado, está na Seleção do Circo, que só conta com o apoio de 2% dos brasileiros.
Os times do Nordeste que aparecem no total com 1% são: Bahia, Vitória, Sport, Santa Cruz, Fortaleza e Ceará.
Na verdade tudo que foi demonstrado nessa pesquisa faz parte da realidade do futebol nacional. O que mais nos preocupou com esse resultado é o fato de ver o Nordeste com 62% de torcedores de clubes de outras regiões, sendo 36% do Flamengo e 9% do Corinthians, e apenas 16 % dos nativos.
Com esses números que foram apresentados jamais iremos sair da segunda página das competições nacionais.
O cenário do Norte é mais grave: quando os clubes locais não somam 6%. Uma vergonha.
O bom exemplo vem do Rio Grande do Sul, quando 40% dos torcedores estão ligados aos seus dois times maiores, enquanto o Flamengo tem 4% e o Corinthians tem 11%.
Os que não gostam de futebol mostram também que o Brasil não é o PaÃs da Chuteira.
CLAUDEMIR GOMES
Ninguém tem dúvidas de que estamos assistindo a uma das edições da Série B de nÃvel técnico mais baixo. Existe um empacotamento, tanto na parte de cima da tabela, quanto na parte de baixo. A igualdade de forças coloca os times no lugar comum, fato que leva as equipes a terem um comportamento similar em seus jogos. Como resultante deste cenário, a sensação de que os clubes serão perseguidos pelo fantasma do "QUASE" até o final da disputa.
Dentro deste contexto, a regularidade será determinante para o sucesso dos clubes. Afinal, estamos a 16 rodadas do final do campeonato e as tendências começam a serem definidas. Bragantino, Atlético/GO e Sport ocupam os três primeiros lugares na tabela de classificação, com o rubro-negro pernambucano, que ocupa a terceira posição, com a vantagem de cinco pontos sobre o quinto colocado que é o CRB. Nos últimos cinco jogos o Leão da Ilha do Retiro contabilizou três empates e duas vitórias, mesma campanha do time de Goiás e do Paraná. Neste ciclo o melhor desempenho foi do América/MG que somou três vitórias e dois empates, performance que explica sua reação dentro do campeonato. Vale lembrar que o time mineiro já esteve na zona de queda e hoje se encontra na 11ª posição a uma vitória do 7º colocado.
Por outro lado, o Coritiba, que já figurou como vice-lÃder, não somou nenhuma vitória e acumulou três derrotas, performance que lhe levou a perder toda gordura caindo para a quarta posição com apenas um ponto de vantagem sobre o quinto colocado, o CRB, que tem a mesma pontuação do Paraná: 33 pontos.
Na parte de baixo da tabela, apenas quatro pontos separam o lanterna, São Bento de Sorocaba/SP (20 pontos) do 15º colocado, o Vitória/BA (24 pontos). São seis clubes ameaçados pela guilhotina, e a dificuldade que todos estão encontrando para somar um maior número de vitórias, mantém uma indefinição absurda no quadro do descenso.
A tendência é que Bragantino, Atlético/GO e Sport garantam o acesso a Série A, contudo, o que vai definir o alcance da meta é a regularidade. Numa competição de nÃvel técnico tão baixo, o que se exige dos times é o pragmatismo do resultado. O grande exemplo desta realidade foi a vitória do Sport (2x1) sobre o Figueirense, no final de semana. O rubro-negro recifense fez uma apresentação muito aquém do que é capaz, mas foi eficiente nas conclusões, fato que lhe levou a contabilizar uma vitória determinante para sua consolidação no G4.
Determinadas coisas são imutáveis no futebol. Vão mais além das regras definidas para as competições. Num campeonato de tiro longo, como é o Brasileiro da Série B, a regularidade é o objetivo mais perseguido pelos treinadores. Regularidade positiva, evidentemente, porque existe também aquela campanha linear que não lhe deixa sair do atoleiro.
O jogo do Sport com o América/MG, próxima sexta-feira, na Ilha do Retiro, nos arremete ao prognóstico de um bom confronto, uma vez que, o objetivo dos dois times será reforçar a regularidade apresentada nas últimas rodadas.
CLAUDEMIR GOMES
O mestre, Adonias de Moura, sempre nos dizia que, "escrever também é cortar palavras". O enxugamento de um texto não é tarefa fácil porque passa pela subtração de palavras, frases e até de perÃodos. A subtração, seja ela qual for, é sempre difÃcil numa cultura onde a soma é imperativa. Somos criados, educados para somar, conquistar. Afinal, desde cedo ouvimos dizer que o mundo pertence aos vencedores.
A convite do jornalista e amigo, Roberto Nascimento, participei da gravação do programa Bate Papo na Internet, cujo convidado central foi o técnico do Náutico, Gilmar Dal Pozzo. Também presente na mesa, o parceiro/irmão, Beto Lago. Um bom programa onde ficou ressaltada a simplicidade e transparência do protagonista que viabilizou para a torcida alvirrubra a exorcização de vários fantasmas.
Dal Pozzo em momento algum se fez de rogado. Embora reconheça que a definição do destino do Náutico, com o acesso à Série B, se sobreponha a importância do tÃtulo da Série C, foi taxativo: "Quero este tÃtulo sim. Quero por a estrela no peito de campeão brasileiro". Nada mais justo e compreensÃvel. Afinal, o tÃtulo é a chancela do bom trabalho que vem desenvolvendo no clube.
Em determinado momento lhe indaguei sobre a dificuldade de um treinador que, após uma conquista encara a dura realidade de ter que fazer subtrações no grupo. Alguns não conseguem executar tal tarefa com sucesso em virtude de uma coisa chamada gratidão. Mas no futebol o pragmatismo é imprescindÃvel para se obter êxito a frente de um trabalho.
"Confesso que não é uma tarefa fácil, mas sei como executar. Sigo a vertente da meritocracia. A conquista não é um mérito de todos que estão no grupo. Vamos separar os que têm méritos para compor o grupo que irá disputar a Série B, e os que não corresponderam as expectativas", assegurou o treinador alvirrubro.
Gilmar Dal Pozzo, mesmo levando o Náutico ao almejado acesso, não sabe se continuará no comando do time dos Aflitos, mas assumiu a responsabilidade de dar inÃcio a reformulação do elenco. Limpeza é uma tarefa que poucos gostam de executar, principalmente de material humano. Muitas vezes o componente emoção induz técnicos e dirigentes a cometerem equÃvocos que prejudicam o clube mais na frente.
O amigo, Edson Nogueira, cuja experiência no futebol é inquestionável, costuma dizer que, "o ruim de você manter uma peça sem qualidade no grupo é que um dia será obrigado a utilizar". Eis o Q da questão! Encarar uma Série B com jogadores de perfil de Série C é dar um tiro no próprio pé.
Dal Pozzo vem escrevendo uma bonita história no Náutico e espera pontuar o capÃtulo da Série C com a conquista do tÃtulo. Depois, ele sabe que precisará cortar palavras para poder se encaixar, com sucesso, na contextualização da Série B.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
O retrovisor do futebol pernambucano mostra de forma bem clara que esse rolou numa ladeira Ãngreme, cuja velocidade não permite um freio. Continua rolando.
Para que possa servir de espelho para uma análise mais profunda, resolvemos pesquisar todo o perÃodo da Primeira Divisão Brasileira partindo do ano de 1971, que foi o seu primeiro ano.
Começamos a participação do Sport.
De 1971 a 1980, o rubro=negro disputou nove edições ficando de fora apenas em 1972. De 1981 a 1990 foram oito participações na divisão maior, e apenas duas na Série B: 1984 e 1990.
De 1991 a 2000 foram nove participações na Série A, e uma na Copa João Havelange, em 2000. Em três décadas o clube participou por 26 da elite nacional (86%), e apenas três temporadas na Segunda Divisão e um na Copa João Havelange, no grupo considerado como Primeira Divisão.
No novo Século, ou seja, de 2001 em diante, até 2019, exatamente 19 anos, o time da Ilha do Retiro esteve no grupo maior por dez anos (52%), e na Segundona por nove anos (48%), números bem reduzidos se compararmos com o percentual das três décadas anteriores.
Com relação ao Náutico, os números são interessantes. Na década de 70, o alvirrubro participou de nove campeonatos da principal divisão, e um na Série B (1971). De 1981 a 1990 foram oito as suas atuações na A, e apenas duas na B.
De 1991 a 2000 começou a queda do time alvirrubro, quando esteve em quatro campeonatos da maior divisão, cinco na Segunda Divisão e um na Série C, em 1999. Nestas três décadas foram 21 presenças entre a elite do futebol nacional (70%), oito na Segunda Divisão e um na terceira.
De 2001 a 2019 o Náutico disputou apenas cinco edições do Brasileirão (26%), doze da Série B e duas da Série C, uma queda vertiginosa.
Com relação ao Santa Cruz, o espelho é mais cruel, quando apresenta uma curva descendente que levou o clube, no Século XXI, a última divisão do Brasileiro.
Na década de 70 o Tricolor do Arruda disputou as dez edições do Brasileiro da Série A. Na década de 80 o clube começou a dar os primeiros sinais de queda, com cinco participações no grupo da elite nacional, uma em um dos módulos da Copa União em 1987, e quatro na Série B.
Daà em diante começou a rolar de ladeira abaixo, desde que, no perÃodo de 1991 a 2000, a presença do Santa Cruz na elite nacional foi desaparecendo, com apenas um ano de disputa na Série A (1993) e na Copa João Havelange em 2000, e oito vezes na Série B.
No Século XXI o Tricolor do Arruda só esteve na Série A em três edições: 2001, 2006 e 2016. O clube do Arruda passou oito anos na Série B; cinco na Série C e três na Série D.
Somando=se os dados observamos que o Tricolor, nas três últimas décadas do século passado, esteve na Série A em 16 edições; doze na Série B, uma na Copa União e outra na Copa João Havelange.
Nos 19 anos do Século XXI, perÃodo de 2001 a 2019, participou da elite por três vezes, ficando 16 anos nas divisões menores.
Contra fatos não existem argumentos, e esses retratam muito bem que já estivemos em um patamar muito melhor, mas nos últimos anos, o futebol do nosso Estado reduziu o seu tamanho por conta das péssimas gestões.