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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Nada mais prazeroso do que iniciar a semana com a sensação de que estamos com a taça nas mãos, e o grito de à CAMPEÃO já escapando da garganta. à assim que a torcida do Náutico está se sentindo. Afinal, a vantagem construÃda pelo time dos Aflitos no primeiro jogo da decisão desta edição da Série C é substancial. A vitória por 3x1 sobre o Sampaio Corrêa deu autoridade aos comandados de Gilmar Dal Pozzo.
Mesmo com os pessimistas dando agourentos gritos de alerta, prefiro seguir a cartilha de Santo Agostinho que nos ensina: "O presente do futuro é a esperança". Pôxa! Se meu time abre uma vantagem de dois gols numa decisão, jogará por três resultados (vitória, empate e até derrota por diferença de um gol) para ficar com o tÃtulo, não tem como não apostar no melhor.
Hoje pela manhã, na roda da gréa, na Padaria Diplomata, um poeta do apocalipse bradou: "Cuidado! à preciso calçar as sandálias da humildade". Confesso que fazia tanto tempo que não ouvia aquela frase, que o timbre de voz do cidadão cortou meus ouvidos como uma navalha na carne.
Xô Urubu!!! Que bicho mais agourento.
Evidente que o clima das ruas não pode tomar conta do vestiário. Isto é uma sabedoria que os campeões carregam para garantir o sucesso. Dal Pozzo e seus pares de comissão técnica sabem disso. Mas o momento é para o torcedor extravasar.
"Vencer e o céu!". Já dizia o "profeta" Costinha, que mesmo sendo rubro-negro, esta sua frase antológica serve para todas as torcidas.
Estamos falando de uma decisão de um campeonato de Terceira Divisão e ainda tem gente se perdendo no varejo. Ouvi vários analistas falarem da qualidade do futebol apresentado.
Gente! Só para refrescar a memória, a final da Champions League, que é o top dos torneios interclubes, sofreu a interferência de vários fatores, e o futebol não atendeu as expectativas. Portanto não me venham fazer cobrança de qualidade numa decisão de Série C.
O que vale é o resultado Mané! E priu.
A tribo vermelha e branca está em festa. E haja gente bonita e alegre. Dizem que os Aflitos, ontem a tarde, cheirou mais a perfume francês do que o Maracanã no show de Frank Sinatra. Aroma embriagador. Não podemos esquecer que a raiz do Náutico é a aristocracia. Muita coisa mudou com o tempo, mas nem tudo.
As manifestações dos alvirrubros com a iminente conquista do tÃtulo da Série C, são bem diferentes das que testemunhamos quando o Santa Cruz levantou o tÃtulo nacional da mesma categoria. No Arruda quem dita as regras é o povão.
Cada tribo dá evasão à alegria ao seu modo, ao seu jeito. Os alvirrubros têm colorido belos quadros nesta reta final da Série C. Próximo domingo é pegar o restinho da tinta e pintar: "à CAMPEÃO, à CAMPEÃO".
E viva a alegria do momento!
CLAUDEMIR GOMES
A vitória (3x1) sobre o Operário/RS consolidou o Sport no pódio da Série B. O resultado levou o Leão a abrir sete pontos de vantagem sobre o quinto colocado, o Coritiba, fato que lhe dá uma gordura substancial na corrida pelo acesso à Série A. Ainda como recompensa de um resultado que revela sua identificação e amadurecimento na competição, viu seus artilheiros, Hernane Brocador e Guilherme adicionarem mais um pontinho em suas respectivas contabilidades. à importante ressaltar que o rubro-negro, no ciclo das últimas cinco rodadas, foi o clube que mais pontuou: doze dos quinze disputados.
Em sÃntese: neste momento do campeonato o Leão voa em céu de brigadeiro. Evidente que tudo não passa de uma vantagem, uma vez que ainda restam 15 rodadas a serem disputadas, mas as tendências passaram a ser claras e evidentes. Mesmo respeitando a verdade de que o futebol não é uma ciência exata, não é errado afirmar que ele segue uma lógica.
No momento, os três clubes que já ultrapassaram a marca dos 40 pontos - Bragantino, Atlético/GO e Sport - apostam na regularidade para atingirem suas metas que é o acesso. A disputa da quarta vaga envolve oito equipes: do CRB, atual quarto colocado com 38 pontos, ao Paraná que está na décima primeira colocação com 35 pontos. Um equilÃbrio que cria possibilidades para todos os postulantes, que a esta altura devem estar atentos a todos os detalhes, pois a vaga pode vir a ser conquistada através dos critérios de desempate.
A briga para fugir do descenso não está menos acirrada: nove equipes estão sob a alça de mira, do décimo segundo colocado, o Brasil de Pelotas, hoje com 30 pontos, ao Figueirense, vigésimo colocado com 23 pontos, todos correm risco. Evidente que uns mais que outros, contudo, matematicamente, todos esses que estão na parte de baixo da tabela lutam por uma sobrevivência.
O pragmatismo dos números nos transporta a uma burocracia que não é condizente com a alegria e o imprevisÃvel que torna o futebol o esporte mais apaixonante do planeta. Realidade que nos leva a não esquecer uma regra básica: "Primeiro é primeiro, e segundo é segundo em qualquer lugar do mundo". Nós estamos analisando o cenário de um campeonato de Segunda Divisão, onde existe uma carência técnica notória na maioria das equipes. O que faz o futebol ser imprevisÃvel é a qualidade técnica do conjunto, cujo diferencial está na habilidade, na genialidade individual dos jogadores.
Quanto mais baixo for o nÃvel técnico das competições; quanto menos qualidade tiverem as equipes, aumentam as possibilidades de um acirrado nivelamento. Neste cenário imperam a truculência; e os brucutus de contensão passam a ser os queridinhos dos "mestres" de esquemas de retranca.
O Sport venceu um adversário equilibrado, teve maturidade para superar as adversidades surgidas durante a partida e construiu um placar que lhe deu uma autoridade absurda, bem traduzida nos números da tabela de classificação.
Não foi a vitória da classificação, é cedo para tal afirmação, mas foi um passo decisivo para o objetivo maior da temporada.
CLAUDEMIR GOMES
Gols em profusão!
à disso que o torcedor gosta, seja em que idioma for. Acredito que tal verdade nasceu junto com o futebol. São gêmeos siameses. O gol é a alegria plena do esporte mais apaixonante do planeta. Ficamos boquiabertos com os dribles; nos encantamos com as fintas, o preciosismo dos passes milimétricos, a precisão dos passes, mas nada se compara à explosão do gol. E tudo que estava contido, retido e pressionado dentro da gente transborda em gritos, risos e lágrimas.
Está explicado porque jogadores de linha, avançados e artilheiros são mais valorizados que os de contensão. Todos são importantes para a harmonia e o equilÃbrio dos conjuntos, mas quem coloca a bola nas redes conquista a alma do torcedor. Coisa do futebol que nem Freud explica.
O artilheiro necessariamente não é o jogador mais virtuoso do grupo. Ele é preciso no fundamento, letal na última bola. Aprendemos isso com Dadá Maravilha, Serginho Chulapa, Roberto Coração de Leão e tantos outros que alegraram torcidas pelos campos do Brasil afora.
Certa vez, fui escalado pelo mestre Adonias de Moura para fazer o comentário de um clássico entre Santa Cruz e Sport, no Arruda. No final, vitória do Tricolor (1x0 gol de Nunes). A época vivÃamos a expectativa da convocação de Nunes para a Seleção Brasileira. No retorno à redação do Diário de Pernambuco, Adonias indagou: "Como foi o Nunes?".
De pronto lhe respondi: Andou em campo, de bom só fez o gol.
E o mestre me deu mais uma lição: "Se o jogo foi 1x0 ele fez tudo".
O artilheiro é a ameixa do pudim. Ninguém questiona tal verdade.
Afinal, não é por acaso que na época do extraordinário time do Santos, capitaneado por Pelé, alguém sentenciou: "A melhor defesa é um bom ataque".
Trocando em miúdo, se a turma de trás sofre um gol, a linha de frente marca dois. Uma receita que se mostrou infalÃvel no passado, funciona no presente e será eficaz no futuro. Futebol sem gols fica mais insosso que chuchu.
Está explicado porque todos estão gostando de ver o Flamengo jogar. Além da boa qualidade do conjunto, o técnico Jorge de Jesus soltou os meninos. E haja gols.
Os números da Série B nos mostram que o Sport tem o segundo ataque mais positivo da competição com 32 gols, ficando atrás apenas da artilharia do lÃder Bragantino que marcou 40 gols. O diferencial é que o Leão da Ilha do Retiro tem dois goleadores: Hernane Brocador (11 gols) e Guilherme (9 gols). Juntos, são responsáveis por mais da metade dos gols leoninos. Os dois artilheiros do Sport somam 20 gols, são mais eficientes que os ataques do Paraná (19); Brasil de Pelotas (19); Guarani (18); Figueirense (18); Vila Nova (16) e Criciúma (15). A dupla também marcou a mesma quantidade de gols que todo o elenco do Vitória: 20.
Benditos artilheiros!
Nos seus pés estão depositadas todas as esperanças de acesso dos torcedores do Sport.
Ah! Recado para Guto Ferreira: time que tem dois artilheiros não pode jogar recuado.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
No último sábado tivemos uma conversa proveitosa com um técnico de futebol que milita, há um bom tempo, em nosso Estado, sempre no comando de times menores , que nos deu o mote para uma postagem.
Ele sempre tem feito bons trabalhos e com pouco reconhecimento.
Como convivemos com muitos desses treinadores, alguns com bons currÃculos, nos lembramos do fosso que os separam daqueles que atuam em grandes agremiações, com contratos vultosos, carteiras assinadas, direitos de imagem e multas contratuais de milhões.
Na maioria dos clubes menores do futebol brasileiro não existe contrato assinado entre treinadores e clubes. Os acordos não são respeitados, e no final, são demitidos sem receberem salários.
A grande maioria termina na Justiça do Trabalho na busca dos seus direitos, e embora ganhem as causas não os recebem por conta das situações financeiras das agremiações.
As condições de trabalho são precárias, e esses profissionais atuam em diversos setores, e na primeira derrota se tornam os culpados e já começam a ser preparados para a degola.
São contemplados com salários que variam de conformidade com a situação de cada clube, e que vão de R$ 10 mil a um mÃnimo, mas na maioria são virtuais, existem apenas nas promessas e não chegam aos seus bolsos.
Noventa por centro desses profissionais não possuem direito aos benefÃcios trabalhistas, e vivem muito diferente dos treinadores das Séries principais, que contam com tais direitos, muito embora os clubes quando os demitem fazem acordo e muitos deles atrasam ou não pagam nos seus cumprimentos.
Todos têm um sonho grande ascenderem na profissão, mas vivem submetidos a um cartel que pouco permite que esses possam chegar a uma equipe de maior porte, desde que no Brasil existe uma reserva de mercado nesse segmento.
Os profissionais de clubes menores são os heróis de nosso futebol, e por incrÃvel que pareça, protegidos por uma Lei, a 8560 de 1993, do governo Itamar Franco, que determina que todos os contratos dos treinadores com os clubes sejam registrados nas federações, fato esse que não é respeitado. Os que disputam as divisões maiores os registram no Circo do Futebol. Trata=se de uma Lei daquelas que não são acatadas. Estão no sistema virtual.
Esse é um Brasil que poucos conhecem e que tivemos a oportunidade de vivenciarmos, onde o abismo entre os grandes e pequenos é profundo nas carreiras dos treinadores de futebol.
CLAUDEMIR GOMES
Os dois últimos jogos do Náutico nos Aflitos foram testes para cardÃacos. O mestre, Roberto Vieira, um dos maiores amantes do clube alvirrubro, escreveu no facebook tão logo a partida foi encerrada: "Duas decisões por pênaltis em 15 dias é muito". Verdade. à emoção pra valer. E existe a possibilidade de, nos próximos 15 dias haver mais uma decisão dessas de levar o torcedor para a emergência cardiológica. Afinal, se ocorrer a terceira ela valerá o tÃtulo.
A emoção é a essência maior deste jogo jogado dentro das quatro linhas. Após o Náutico conseguir o acesso, naquela decisão dramática com o Paysandu, confronto no qual o conjunto alvirrubro não conseguiu apresentar um futebol a altura do seu potencial técnico, o comandante, Gilmar Dal Pozzo nos falava do peso da decisão, fator que levou a bola "queimar" nos pés dos mais jovens.
Diante do Juventude o time alvirrubro deu mostra de maturidade. Não se abateu com a vantagem construÃda pelo adversário no primeiro confronto do mata, mata, e fez o dever de casa explorando as vantagens do mando de campo. Tal como manda o figurino. Que venha a final.
à preciso que o torcedor alvirrubro entenda o contexto das três decisões: Na primeira, onde o adversário foi o Paysandu, os clubes tinham como meta a definição do futuro (seguir na Série C no próximo ano, ou ascender à Série B), razão pela qual o sucesso foi qualificado como sendo até mais importante que o tÃtulo da competição.
No segundo mata, mata, não havia um acesso, ou um tÃtulo a se buscar. Náutico e Juventude lutavam pelo direito de ir a final. Tal detalhe tirou um pouco do peso emocional que atormentou alguns jogadores no primeiro mata, mata. O time se mostrou mais leve e confiante do seu potencial.
Agora, na decisão com o Sampaio Corrêa, existe um tÃtulo em disputa. A ambição pela conquista aumenta a pressão psicológica, que por conseguinte vai interferir no comportamento dos jogadores. Este sujeito oculto é um adversário a ser enfrentado pelos dois times que, por méritos, estão credenciados ao tÃtulo. E surge a máxima: "Decisão se vence nos detalhes".
Náutico e Sampaio Corrêa se confrontaram duas vezes na fase de grupos, com o registro de duas vitórias do time pernambucano. Tal feito, como carta de apresentação, pode até servir de intimidação, impõe respeito ao adversário, mas não chega a definir um favoritismo. Numa decisão de tÃtulo tudo é diferente. Treinador e comissão técnica precisam estar atentos a todos os sinais. O primeiro detalhe a ser observado é que a partida final será na casa do adversário.
Para o Náutico, a construção de uma boa vantagem no primeiro jogo, que acontece no próximo final de semana, nos Aflitos, será fundamental para a conquista do tÃtulo.
Vale lembrar a PolÃcia Militar, instituição que orgulha os pernambucanos, que o ato de omissão nos Aflitos, neste jogo com o Juventude, foi imperdoável. Uma deslealdade para com o torcedor. Uma verdadeira demonstração de descaso com a vida humana. Lamentável.