Histórico
Brasileiro da Série C
"Me ajuda a te ajudar!"
postado em 10 de julho de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

"Me ajuda a te ajudar!". A expressão que se tornou bastante usual, é uma forma de ressaltar que determinado atleta precisa melhorar seu desempenho para obter melhor projeção na mídia. Ela se encaixa como uma luva nas análises das campanhas de Náutico e Santa Cruz na Série C do Campeonato Brasileiro. A disputa, que este ano tem um viés regional bem acentuado, nos surpreende pelo equilíbrio de forças, fato que deixa abertas muitas possibilidades na reta final da fase de classificação.

No Grupo A, onde figuram os dois representantes do futebol pernambucano - Náutico e Santa Cruz - temos seis clubes brigando por três vagas no G4. O único que se desgarrou foi o Ferroviário/CE, que se apresenta numa situação confortável na condição de líder, com cinco pontos a frente do seguidor mais próximo. No Grupo B a situação é mais complexa, visto que, apenas três pontos separam o líder do sexto colocado. Com tamanho equilíbrio, fica difícil até para as previsões de Mãe Diná e Pai Léo sobre o cenário final.

Estamos a sete rodadas da conclusão da fase de classificação. No momento Santa Cruz e Náutico estão fora do G4, mas com chances reais de classificação. O mesmo acontece com o líder Ferroviário/CE; Confiança/SE; Sampaio Correa/MA; Botafogo/PB e Imperatriz/MA. O emparelhamento impõe uma valorização maior aos detalhes. Existe uma regra oriunda das arquibancadas que é bastante antiga no futebol: "Clássicos e decisões se ganha nos detalhes". Por conta da expressa igualdade de forças, os sete jogos restantes da fase de classificação serão de caráter decisivo.

Quando passamos a elencar os detalhes, o primeiro que se apresenta é o mando de campo. E é nesta vibe que o bicho pega para os pernambucanos. Tricolores e alvirrubros estão longe de alcançarem boas notas no dever de casa. Isto é o que nos mostra a análise de rendimento nas onze rodadas disputadas até agora. A fase de classificação é projetada e montada em dezoito rodadas. Portanto, já se foram mais de 50% dos jogos.

Nos seis jogos que disputou no Arruda o Santa Cruz perdeu 7 pontos, ou seja, teve uma perda de 40%, percentual que lhe puxou para fora do G4. Nos sete jogos que irá disputar, o Tricolor do Arruda fará três apresentações como mandante: contra o Botafogo/PB, que no momento figura no G4; com o Imperatriz, que também está na briga por uma vaga, e com o Globo/RN.

A campanha do Náutico, até o momento, ainda foi mais deficitária que a do Santa Cruz, nas onze rodadas disputadas. O time alvirrubro perdeu 7 pontos jogando nos Aflitos, atingindo um percentual de 46% de perdas. Os números deixam o cenário do clube da Rosa e Silva em preto e branco. Para mudar a coloração e alimentar o otimismo da torcida alvirrubra será necessário uma melhora acentuada de aproveitamento nos quatro jogos que fará como mandante contra Treze/PB, Confiança/SE, Sampaio Correa/MA e Santa Cruz.

A julgar pelo peso das camisas, teoricamente as classificações dos dois representantes pernambucanos eram tidas como favas contadas. Contudo, a igualdade de forças nos mostra que, dentro das quatro linhas a realidade é outra. Passado e tradição não asseguram sucesso. O ufanismo da mídia também não determina vitórias.

Sendo assim, "me ajuda a te ajudar".

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Campeonato Brasileiro
De volta a nossa realidade
postado em 08 de julho de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Acabaram as Copas!

Durante o mês de junho as atenções estiveram voltadas para a Copa do Mundo de Futebol Feminino, realizada na França, e a Copa América, disputada em solo brasileiro, cujo título foi conquistado pela Seleção Brasileira. A competição continental teve uma das edições de menor brilho da história, fato notório através da pouca empolgação do torcedor brasileiro. O sentimento foi bem observado pela mídia internacional, mas pouco comentado nos nossos meios de comunicação.

Bom! Voltemos as nossas coisas. Vamos viver nossa realidade porque Copas e Seleções são nuvens passageiras que não retratam o nosso cotidiano. O aroma de perfume francês deixa as arquibancadas que voltam a ser marcadas pelo cheiro do povo. É o futebol raiz na sua luta para sobreviver diante de tantos equívocos.

Na volta ao nosso dia-a-dia, a segunda-feira nos traz uma agenda por demais interessante com o Sport voltando a campo, após uma intertemporada de quase um mês na Série B; e o Náutico fechando a décima-primeira rodada da Série C. Ambos jogam na condição de visitante.

Tudo o que se falar, em relação ao desempenho futuro dos vinte participantes da Série B, neste retorno da competição é no pressuposto. Não existe análise com base em clarividência. O técnico do Sport, Guto Ferreira, considerou a intertemporada positiva para o grupo. Uma oportunidade de recuperação física e de atenuar a pressão psicológica que leva alguns profissionais a um nível de stress insuportável, prejudicial.

Nos oito primeiros jogos disputados o Sport apresentou um equilíbrio por demais positivo, alcançando um percentual de mais de 60% de rendimento, faixa que lhe rende o crédito de brigar pelo acesso. O desafio agora é manter, e melhorar tal rendimento. A tendência natural é que o cenário da competição seja alterado, com a reação de alguns clubes e a queda de produção de outros. A parada de quase 30 dias funcionará como um tiro no escuro para todos os clubes, razão da expectativa dos torcedores, e da ansiedade dos jogadores nesta primeira rodada que marca o retorno da disputa.

Os números creditam total favoritismo ao Sport neste confronto com o São Bento de Sorocaba. Os rubro-negros somaram, até o momento, mais que o sobro dos pontos contabilizados pelo adversário. O mando de campo é o trunfo maior do time do Interior Paulista para equilibrar as forças. Dentre todos os confrontos que marcam o recomeço da Série B, o Sport é um dos clubes que se encontra em situação de maior conforto.

O mando de campo se torna mais determinante no jogo do Náutico com o Imperatriz, válido pela Série C. Os dois times descrevem campanhas bem parecidas, com o alvirrubro pernambucano tendo apenas três pontos de vantagem sobre o adversário maranhense. O Imperatriz tem um ataque mais positivo, por outro lado o Náutico apresenta uma defesa menos vulnerável. Ambos têm o mesmo saldo de gols.

Se contabilizar os três pontos em disputa o Náutico dá um salto na tabela de classificação e retorna ao G4. Caso contrario, se a vitória pertencer ao Imperatriz, o time maranhense se iguala ao alvirrubro pernambucano na soma de pontos, mas passa a ter um melhor saldo de gols. Em suma: este é o famoso jogo de seis pontos.

Nesta fase de subtração de oportunidades na Série C, uma vez que a disputa em grupos caminha para o final, os jogos passam a ser disputados num clima de dramaticidade, onde é imperativo ter o mando de campo como ponto de desequilíbrio.

A noite da segunda-feira promete. E assim voltamos a nossa realidade.

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Acontece
A dolorosa saída dos holofotes
postado em 02 de julho de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Certa vez, numa conversa com Emerson Leão, ele me falava da dificuldade de um jogador bem sucedido em sua carreira, sair do foco dos holofotes. Mas o tempo é imperativo para todos, e a aposentadoria é inevitável na meteórica carreira de atleta. Alguns profissionais chegam a recorrer a ajuda de psicólogos para superar a torturante escuridão do anonimato. Não é fácil, para quem já teve tanto brilho, se tornar "invisível".

Há alguns anos as aposentadorias de Magrão e Durval, dois jogadores que eram referências no elenco do Sport, ídolos da torcida rubro-negra, se tornaram iminentes. A oxidação no corpo dos dois profissionais era notória através da queda de rendimento. Mas a exaltação ao passado impedia uma visão clara sobre o futuro, fato que dividiu a opinião dos torcedores; levou os profissionais a se equivocarem quando ao momento certo de pendurar as chuteiras, e fez os dirigentes cometerem uma série de erros por não serem pragmáticos e planejarem o inevitável, ou seja, a despedida.

Quando o discurso não condiz com a prática, o que era para ser mingau vira angu de caroço. Foi o que aconteceu com a litigiosa saída do goleiro Magrão, sem dúvida, o maior ídolo da torcida leonina nas primeiras décadas do Século XXI.

A história nos mostra que Magrão é merecedor de todas as honrarias reservadas aos grandes ídolos. E chegou a se falar em jogo de despedida, estátua para o grande goleiro... Nada aconteceu porque a palavra planejamento soa como uma praga dentro dos clubes. Ao invés de afagos, que seriam os reconhecimentos aos memoráveis feitos do atleta quando esteve defendendo as cores do clube, vieram os atrasos de salários; a falta de recolhimento do FGTS, do INSS e a torturante condição de RESERVA, que para quem sempre foi louvado como o número um, ardia mais que o fogo do inferno.

E o "Paredão" se transformou numa duna de areia que fatalmente será dragada pelo tempo. Os erros da diretoria podem ser traduzidos pela falta de compostura do presidente do Sport que chegou a insinuar, num programa de rádio, que havia repórteres ganhando dinheiro para falar bem do goleiro.

Lamentável !

E nos turbulentos bastidores rubro-negros surge a notícia da aposentadoria de Durval, outro profissional que escreveu uma bela página a rica história do Sport Club do Recife. A discrição sempre foi uma de suas marcas registradas, embora dentro das quatro linhas tenha se consagrado como um "gigante". Dessa forma, ele deixa o clube sem ouvir aquele couro uníssono que ecoava na arquibancada: "... é o melhor zagueiro do Brasil!".

Leão falou com propriedade: "A hora do adeus é dolorosa".

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Acontece
Os equívocos da Conmebol
postado em 01 de julho de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Três dos quatro jogos das quartas de final da Copa América terminaram com o placar em branco, resultados que forçaram as partidas a serem decididas através da cobrança de tiros livres diretos (pênaltis). A seleção da Argentina foi a única a assegurar sua presença nas semifinais com uma vitória (2x0), sobre a Venezuela, no tempo normal de jogo. Neste cenário de igualdade, o que mais me chamou a atenção foi a qualidade técnica que oscilou entre o sofrível e o ruim.

Os vendedores de ilusão ancoram seus comentários na vibe da evolução. E tudo é atribuído a uma provável evolução técnica dos selecionados sul-americanos pelo fato de os países terem exportado muitos jogadores para o futebol europeu. O êxodo dos jogadores para o Velho Continente agregou valores, mas não determina nivelamento extremo.

Esta edição da Copa América tem servido para ressaltar os equívocos da Conmebol, com o apoio das confederações, com relação ao calendário; preço de ingressos...

O crescimento técnico, individual, dos jogadores sul-americanos que passaram a jogar em clubes europeus é indiscutível. Entretanto, o desequilíbrio entre os calendários impede um salto maior de qualidade dos selecionados do nosso continente. É notório o desgaste dos profissionais que estão vindo de um final de temporada para defender as seleções de seus países. Existe uma fadiga individual e coletiva. Isto ficou bem evidente no confronto das seleções do Uruguai e do Peru.

A qualidade dos elencos do Brasil e da Argentina é melhor que a de outros conjuntos, mesmo reconhecendo o salto dado pela Colômbia, Chile e Uruguai, contudo, o cansaço dos jogadores basicamente determina o equilíbrio das forças. A falta de gols em vários jogos é muito em decorrência de um esforço físico em busca de uma igualdade que determine a decisão por pênaltis. O que vimos, e a tônica deve ser a mesma nas semifinais que começam a serem disputadas a partir desta terça-feira, foi esquemas de jogo defensivos com as equipes jogando por uma bola. Isso no caso dos times de qualidade técnica inferior.

A unificação dos calendários é imprescindível para a evolução das seleções sul-americanas. A manutenção do atual cenário seguirá interferindo no aumento da distância entre as seleções européias e sul-americanas.

Os "senhores" da Conmebol e das confederações seguem apostando única e exclusivamente no talento dos jogadores, na evolução individual que acontece quando eles passam a defender clubes europeus, mas esquecem detalhes técnicos que são fundamentais para o coletivo.

Se manter fiel aos equívocos, que foram escancarados nesta edição da Copa América, é anunciar a morte de uma escola que em épocas passadas disputou a condição de melhor do mundo. E as futuras edições do torneio continental de seleções é disso que estamos vendo para pior.

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