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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O amigo, Pedro LuÃs, - Pedrão - não se conteve e colocou no facebook, com muita sutileza, uma crÃtica sobre o vocabulário do técnico Tite, da Seleção Brasileira de Futebol. Na sua última coletiva, o "Encantador de Repórteres", como costuma chamar o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, se superou ao ressaltar as qualidades do novo titular da Canarinha, que nesta quinta-feira enfrentar o Paraguai, pelas quartas de final da Copa América: "Ele é um jogador reboteiro e infiltrador".
Senti falta de alguém para pedir aplausos a imprensa juvenil que sequer pestanejava com o eloquente orador.
Coisa do futebol brasileiro! Diria o saudoso Edvaldo Morais.
à inevitável ouvir Tite, e de imediato lembrar de Sebastião Lazaroni, comandante da Seleção Brasileira na Copa da Itália, em 90. O "Lazaronês" era um sucesso a época. O time não conseguia evoluir dentro das quatro linhas, mas as entrevistas do treinador da CBF eram por demais divertidas.
Após a convincente goleada que o Brasil aplicou no Peru (5x0), a euforia veio à tona e o ego do nosso treinador ficou ainda mais inflado. Nada a contestar do resultado do último jogo, mas convenhamos, o adversário se equivocou ao montar um esquema para encarar o Brasil de frente, ou seja, de igual para igual. à como se não conhecesse o exército adversário. Enfim, os peruanos subestimaram a seleção anfitriã, que até então, não havia apresentado um bom futebol. Pagou caro pelo imperdoável equÃvoco.
Alguns analistas evocam o passado para emoldurar o confronto com os paraguaios d dramaticidade. E logo vem a lembrança as desclassificações em cobranças de pênaltis e tudo o mais. Numa comparação direta de valores o time brasileiro está numa distância abissal da equipe paraguaia, que recebeu a classificação para esta fase da competição como um presente que lhe caiu no colo.
Evidente que estamos falando no pressuposto, contudo, não existe outra leitura, por mais ousados que venhamos a ser: vamos ter um jogo de ataque contra defesa, com o Paraguai jogando por uma bola e buscando a decisão por pênaltis. Me parece muito obvio.
Alguém pode pegar o retrospecto deste confronto - Brasil x Paraguai - na Copa América, e argumentar que as coisas não são tão obvias assim, ou seja, que na teoria o favoritismo brasileiro sempre existiu, embora não fosse consolidado na prática.
Respeito os fatos, mas mantenho o otimismo. Afinal, o Brasil vai ter um jogador "reboteiro e infiltrador".
Palavras do professor.
CLAUDEMIR GOMES
Quem viveu a infância no Interior, é um matuto raiz, não resiste aos encantos das festas juninas nas cidades interioranas. Seduzido por mil e um encantos culturais, fui dar VIVA a São João em Gravatá, no aconchego da famÃlia. Com a bola rolando na Copa da França de Futebol Feminino e na Copa América, cuja edição está sendo disputada em solo brasileiro, a agenda do forró tinha que abrir espaço para o futebol.
No hotel onde ficamos hospedados, a platéia se formou para assistir a acachapante e convincente goleada(5x0) que a Seleção Brasileira, comandada pelo técnico Tite, impôs ao equivocado time do Peru. No dia seguinte, foi a vez de torcer pela Seleção Feminina que ia enfrentar a favorita França nas oitavas de final da Copa do Mundo.
O público reunido no hall do hotel, defronte a televisão era bem menor que o do dia anterior, numa prova inconteste de que o futebol feminino ainda está no nascedouro. Ninguém conhecia as jogadoras. O time parecia ser formado por Marta, Formiga, Bárbara e Cristiane. As outras meninas eram coadjuvantes desconhecidas.
Não sei o que é pior: colocar cantor de funk em arraiá junino ou assistir jogo no meio de uma platéia totalmente desinformada. Duas torturas.
Logo cedo me aboletei numa cadeira que tinha posição privilegiada. InÃcio de partida e tudo transcorria confortavelmente porque o público era diminuto.
De repente o cenário começou a mudar. Educadamente um senhor olhou para mim e exclamou: "Eu lhe conheço!". E sem nenhuma cerimônia puxou a cadeira e se sentou ao meu lado. Não economizou nos comentários.
Meu silêncio, cada vez maior, não queria dizer nada para ele.
A platéia foi aumentando. A chegada do CHATO parecia iminente. E eis que ele apareceu. Olhou atentamente e escolheu uma cadeira vaga na fila atrás de mim. Fui o sorteado para aquela infindável ladainha ao pé do ouvido.
Meu exercÃcio de tolerância foi elogiado.
O telefone do Chato tocou e ele se sentiu encorajado a se espalhar cada vez mais. O sujeito era espaçoso ao extremo.
"Alô coração! Estou vendo o jogo das meninas. Tem muita gente por aqui".
Do outro lado da linha o "Coração" parecia aflito.
De volta ao jogo, o Chato passou a analisar a partida, tática e tecnicamente. TerrÃvel!
"Coração" não aceitava ser trocada por um jogo e insistia nas ligações. E o Chato se tornou um amante meloso.
Assistir o jogo que pela sua contextualização se tornou dramático, com aquele dialogo ao pé do ouvido foi torturante.
"Coração Perdemos!".
Foi a última frase do Chato, para alÃvio de todos os presentes.
O cidadão sentado ao meu lado, apesar do total desconhecimento sobre futebol feminino, era um sujeito de fino trato. Levantou-se e perguntou: "O que você vai escrever".
Minha resposta foi acompanhada de um sorriso:
"HAJA CORAÃÃO!".
CLAUDEMIR GOMES
O futebol feminino não será o mesmo depois da Copa da França. Se os avanços eram significativos, fato que assegura o sucesso da competição em todos os sentidos, principalmente em visibilidade e participação do público, doravante a modalidade receberá bem mais investimentos. Efeito da consolidação do esporte e da vitória das meninas que há décadas lutam para derrubar barreiras e penetrar em um universos que era restrito aos homens.
A evolução tática é incontestável. As meninas preenchem todos os espaços do campo; são eficientes na saÃda de jogo; disciplinadas e aplicadas. Evidente que num Mundial nós temos o suprassumo, e este detalhe torna as partidas agradáveis de se ver. à um futebol de excelência, com mais leveza do que o observado nos confrontos dos homens.
No futebol masculino as marcas são centenárias. Isto, por si só, é um alerta para que evitemos comparações. Acompanhamos o futebol feminino no nascedouro e estamos testemunhando sua evolução. Existem diferenças que precisam serem respeitadas. A questão não é apenas fÃsica, biológica. Os caminhos da evolução representam um diferencial a ser respeitado.
O futebol feminino já surgiu sem efeitos de guerras mundiais; com expansão imobiliária galopante; surfando na era digital, enfim, exige um tratamento diferenciado, coisa que paÃses onde o futebol é o esporte mais popular, como o Brasil, ainda não atentou.
Os grandes talentos do futebol masculino brotaram nos campos de várzea, que eram fontes de garimpos para os clubes. Quando o futebol feminino surgiu esse berço já estava em extinção. A proliferação da nova espécie tem que acontecer nas escolas; nos clubes.
Marta é a grande Dama da bola. O Pelé do Século XXI. à diferenciada pelo talento e pelas atitudes. Elegante até nos protestos. Incomparável no trato com a bola. à notória a reverência que todas as atletas, companheiras de equipe e adversárias prestam a ela. As marcas alcançadas por esta virtuosa as coloca no Olimpo do futebol como a deusa maior.
A melhor jogadora do mundo tem que ser usada como a grande divulgadora do esporte a nÃvel nacional. Quando se trata de futebol feminino tudo é muito tÃmido, singelo, discreto, fato que deixa a modalidade sem visibilidade. A Copa da França levou grandes redes de televisão a cair da real.
A evolução do futebol feminino vem de cima pra baixo. à uma construção que começa pela cuminheira. Esta é a dificuldade maior para o crescimento do esporte no paÃs.
CLAUDEMIR GOMES
Os 100 anos de um clube de futebol é um marco de resistência. Evidente que sua história é pontuada por glórias e insucessos, mas a condição centenária é a maior de todas as conquistas. Este o sentimento dos caruaruenses que neste sábado, 19 de julho de 2019, brindam os cem anos de fundação do Central Sport Club.
O mestre Lenivaldo Aragão nos presenteou com um post no seu blog - www.blogdelenivaldoaragão.com.br - no qual faz uma sÃntese da história do alvinegro caruaruense, a Patativa do Agreste. Ninguém melhor, e com mais conhecimento que Leni para relembrar fatos marcantes desses cem anos que estão sendo bem lembrados pela mÃdia com reportagens e programa especiais.
Dia desses, num almoço na casa do amigo, Gilberto Lyra, encontrei Edgar Aragão, ex-presidente centralino. De forma natural, o futebol foi um dos motes da nossa prosa. Não podia ser diferente. Estava diante de dois caruaruenses cujas famÃlias têm vários protagonistas de fatos relevantes da história do Central.
A Patativa foi assunto pra mais de dez léguas de conversa.
E vieram à tona nomes de jogadores que se tornaram Ãdolos em diferentes épocas; equipes memoráveis; dirigentes que foram responsáveis por saltos expressivos para o crescimento do clube, enfim, relembramos a história através de seus personagens.
Em determinado momento me dei conta de que nossa conversa tinha o verbo sempre no passado. Não provoquei os amigos, mas fiz uma indagação aos meus botões: E o futuro?
O torcedor alvinegro pode dizer que, no presente o Central foi vice-campeão pernambucano em 2018. Passado recente que atesta que o clube continua pulsando. Um pulsar que exige novos olhares, novas atitudes. Exige gestões que lhes coloque em sintonia com o novo tempo.
Num dos produtivos bate-papos com o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que tem um carinho muito grande para com o clube caruaruense, ele me falava sobre a necessidade da cidade adotar o Central, assim como Chapecó adotou a Chapecoense. Claro que a Patativa é o clube mais popular da Capital do Agreste, mas é preciso tornar tal realidade mais efetiva em prol do crescimento do clube.
Estamos num novo tempo e o desafio é se adequar a ele.
As comemorações dos 100 anos de fundação do Central Sport Club nos dão a certeza de que a Patativa criou uma grande plataforma que lhe permite grandes vôos no futuro. O centenário também é imperativo: exige novos saltos de qualidade e crescimento do clube alvinegro.
Afinal, reverenciar um passado de glórias é uma coisa bastante prazerosa e salutar, mas a alegria de um futuro promissor é incomparável.
CLAUDEMIR GOMES
A magra vitória do Sport (1x0) sobre o CRB, na rodada que marca o fechamento da primeira fase do Brasileiro da Série B - o campeonato será paralisado e somente volta a ser disputado no mês de julho - levou o torcedor leonino a cantar, em plena época junina, o famoso samba de Benito di Paula: "Tudo está no seu lugar, graças a Deus, graças a Deus...".
O Sport contabilizou 15 pontos nas oito partidas que disputou, ocupa a quinta posição na tabela de classificação com a mesma pontuação do quarto colocado. Resumindo, está bem na fita. Critério de desempate somente será observado quando o campeonato acabar, passar a régua e fechar a conta. Até que isto aconteça serão disputadas trinta rodadas, fato que provocará mudanças de cenário.
A competição vem sendo marcada pelo equilÃbrio de forças. Algumas equipes apresentaram uma evolução nas oito rodadas iniciais, com destaque para Ponte Preta, outras, seguem patinando, com dificuldade de encontrar o veio que lhe leve ao sucesso na disputa.
O técnico Guto Ferreira se esforça nos seus argumentos para justificar a oscilação do time que embora tenha construÃdo resultados satisfatórios, não foi convincente em relação a qualidade do futebol apresentado. Entendemos que, em Série B as atenções se concentram nos resultados, contudo, existe uma grande interrogação pela frente: como voltarão as equipes após a paralisação de trinta dias?
O pressuposto exige cuidados especiais contra as surpresas. Na sua coletiva, após o jogo, o treinador rubro-negro expôs sua preocupação em relação aos ajustes que se fazem necessários para melhorar a qualidade e produtividade dos seus comandados. Na vitória sobre o alvirrubro alagoano o Sport cometeu erros grosseiros individuais e no coletivo. Não resta dúvida de que o representante pernambucano na Série B possui um dos melhores elencos entre os 20 clubes disputantes, mas a máquina precisa ser azeitada.
Encerrar a primeira fase da Série B - oito rodadas - com um aproveitamento de 62,5% de aproveitamento é um alento para os clubes que têm como meta o acesso à Série A. O desafio é manter este percentual ante as dificuldades que estão por vir. Os números dão o norte das campanhas, mas o que aconteceu, até o momento, foi muito pouco para definir uma tendência.
A expectativa pelo reinÃcio da Série B será muito grande. A partir de sexta-feira as atenções se voltam para a Copa América, cuja edição acontece em solo brasileiro. A intertemporada vai interferir na competição. Isto é fato. E são muitos os fatores determinantes para as pretensas mudanças desejadas pelos clubes. Tudo começa com o poder de investimento de cada um.
"Tudo está no seu lugar!", canta o mestre Benito di Paula, mas no mesmo samba faz um alerta sobre o futuro:
"Quero ver quem vai, quem fica, ou quem chega de repente".
Eis o mote da segunda fase da Série B.