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Maio 2012 ›› JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com
O mundo tornou-se chato em todos os segmentos e obviamente o futebol não poderia escapar.
Sentimos tal transformação quando os músculos começaram a valer mais do que o intelecto. Criou uma geração musculosa e que pensa muito pouco. Trocaram um bom livro pelas colunas de celebridades, e na sua maioria, embora com diplomas, escrevem xadrez com "ch". à a geração do pop-stars.
Hoje é proibido cantar "atirei o pau no gato", pois os "sábios" acham que é instigar a violência contra os bichanos.
As crianças enfurnadas em seus condomÃnios não sentem o prazer de uma pelada de rua. As celebridades são criadas da noite para o dia, e interferem com seus atos para que outros as transformem em seus Ãdolos.
Quanto mais uma B... de fora, mais seguidores no Instagram.
Na vida polÃtica, as novas mÃdias fabricam candidatos empastelados e que contam com marqueteiros para transformá-los em figuras que prometem até o cavalo de São Jorge.
O povo abestalhado os acompanham.
Mas o nosso sentido é o de falarmos sobre o futebol. Esse realmente nas pesquisas, mesmo com a famosa margem de erro, lidera a chatice. Nada mais chato hoje do que um jogo desse esporte. Pragmático, defensivista e com bolas alçadas na área.
O empate é o objetivo dos treinadores, que jogam para não ganhar e não perder. Nada mais chato ainda são os brucutus que assumiram o lugar dos antigos craques. A missão desses personagens é de pararem o jogo de qualquer maneira. Hajam faltas.
Chato mesmo é um jogo de 95 minutos, ter no máximo 50 de bola corrida. Os preços dos ingressos deveriam ser cobrados por minuto de bola rolando.
E as torcidas organizadas que transformaram o futebol como um meio de vida e uma praça de guerra. Verdadeiras gangs fascistas que se apoderaram do pedaço graças às benesses dos cartolas.
Mais chato do que entrevistas coletivas não temos conhecimento. No final de tantas perguntas o resultado é inexistente, pois ninguém perguntou nada, nem alguém respondeu alguma coisa.
Os programas de esporte viraram de humor, e dos mais baratos.
E assim nós vamos caminhando para esse mundo chato, movido a dinheiro, onde somos comprados, vendidos sem sequer sabermos. A internet dominou, e hoje é a porta voz de tudo.
O jornalismo tem o google como companheiro.
O escritor, Eric Honsbawn, já falecido, deixou um grande legado com os seus livros, mas esqueceu de escrever um bem importante, ou seja, a "Era da Chatice".
CLAUDEMIR GOMES
"Se o campeonato terminasse hoje..."
Uma rápida olhada na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro (Séries B e C), nos leva a rememorar a célebre frase do saudoso plantonista, Mané Queiroz, que a utilizava como um grito de alerta, independentemente da rodada que estivesse em curso na competição.
Evidente que não podemos fazer projeções sobre o futuro dos clubes numa disputa de tiro longo, que mal começou, contudo, é inegável o desconforto de observar que o Sport, ao final da terceira rodada, segue na parte de baixo da tabela da Série B, distante da zona de acesso; testemunhar a condição de lanterna do Santa Cruz na Série C, assim como ver o Náutico fora da zona de classificação, no Grupo A da Série C.
Enfim, "se o campeonato terminasse hoje", o futebol pernambucano estaria descendo mais um degrau, nenhum clube recifense alcançaria a meta desejada.
Se tomarmos por base a Série A, Pernambuco é, no momento, o quarto colocado no ranking nordestino: Ceará, Bahia e Alagoas, Estados com representantes na elite nacional, ultrapassaram o "Leão" que segue dormindo em berço esplendido enquanto os concorrentes avançam dentro dos conceitos da nova ordem.
O atual cenário deve ser analisado por várias óticas, o que nos assegura que haverá mudanças, que são imposições da dinâmica do futebol, principalmente porque este ano haverá uma paralisação por conta da disputa da Copa América.
O despreparo dos novos "cronistas esportivos", contribui de forma efetiva para a queda de qualidade. Segundo o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, "a imprensa juvenil se comporta como jurado de Escola de Samba, dando NOTA 10 a tudo". A coisa funciona assim. Afinal, tem rádio que transformou estagiário em comentarista, e seus comentaristas evitam ir ao estádio.
De repente, vejo no celular o renomado narrador dando uma de comentarista, sem a menor preocupação com o visual e o conteúdo. Levar para a telinha o modelo do rádio, sem a menor lapidação, chega a ser uma agressão.
A conservação dos estádios é um outro item que afugenta o torcedor.
Os motivos da queda do padrão de qualidade do nosso futebol são claros, mas soluções estão distantes por falta de conceito, principalmente no contexto de tudo o que acontece fora das quatro linhas.
"Se o campeonato terminasse hoje...", o futebol pernambucano não retomaria o crescimento, mas certamente a imprensa juvenil estaria dando Nota 10 ao apocalipse.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com
"O Sport Club do Recife comemora nesta segunda-feira, 13 de maio de 2019, 114 ano de fundação. Os amantes do clube rubro-negro louvam a data ressaltando feitos memoráveis do passado, e citam a conquista da Copa do Brasil de 2008, como um fato que tornou o clube contemporâneo do Século XXI. Quem acompanha o crescimento do Sport observa que, está faltando um "Plus", para que ele se posicione, de forma efetiva, entre os grandes do futebol brasileiro.
abaixo, transcrevemos artigo publicado hoje no blog do mestre José Joaquim Pinto de Azevedo, que conhece como poucos a história do clube da Ilha do Retiro, e que deixa bem clara as dificuldades dos dirigentes leoninos em assegurar um futuro promissor ao centenário Sport. (Claudemir Gomes)".
Na economia as empresas fazem os cálculos do seu Valor Agregado Bruto a fim de que os seus procedimentos sejam analisados.
O esporte moderno é um negócio como outro qualquer e deve ser tratado como tal, desde que os seus investimentos terão que ser focados na busca de um bom retorno financeiro.
Os dias do amadorismo e dos dirigentes com o talão de cheque nas mãos desapareceram, dando lugar ao planejamento estratégico, com linhas traçadas para que os clubes possam apresentar lucratividade no final de cada exercÃcio.
O valor agregado bruto aplicado no futebol é a percepção que o cliente (consumidor/sócio), tem de um bom produto ou serviços, que atenda o seu conjunto de necessidades, considerando o benefÃcio x preço, em comparação com outro bem disponÃvel na concorrência.
Para conquistar um cliente, existe a necessidade de se ter a junção do valor agregado ao seu produto. Em outras palavras, é fazer com que esse (ou fÃsico ou prestação de serviços) apresente um "algo mais", que atraia a sua atenção, tornando-se mais competitivo no mercado.
Os valores em um clube sócio-esportivo a serem agregados ao seu produto final, a prestação de serviços ao seu associado/consumidor, formam um conjunto bem extenso, que vão da formação de uma equipe competitiva, que participe com qualidade de eventos mais importantes, e que respeitem as regras pré-estabelecidas ao bom atendimento a todos que o frequentam.
Além disso, a infraestrutura local para o fornecimento de serviços representa um grande valor, e está representada por um estádio confortável, alimentação higiênica, sanitários dignos, facilidade de aquisição de ingressos, lugares marcados, estacionamento, etc.
Um outro ponto importante para ser agregado ao produto final, é o bom atendimento ao associado/consumidor, tornando o clube como uma segunda casa, e lhe dando atividades em todos os segmentos.
Um clube de Pernambuco que teve o maior valor agregado ao seu produto final foi o Sport, mas nos últimos anos esse foi reduzindo, motivado pela perda da qualidade da prestação de serviços e sobretudo da gestão do futebol.
Em dezessete Campeonatos da Série A, que é um agregador de valores, o clube participou de nove. O seu patrimônio foi abandonado e o sócio relegado a um segundo plano, reduzindo mais ainda a sua participação, o que provoca a queda de receitas. Para efeito de comparação, na década de noventa o rubro-negro participou de todos os Brasileiros da Série A.
O dirigente precisa ter uma idéia exata do que isso representa, visto que com a agregação de bons valores ao produto final, esse certamente será valorizado e vendido por melhores preços, inclusive a sua marca. Isso é a antiga lei do vale quanto pesa.
Nos lembramos desse assunto após assistirmos o grotesco jogo contra o Figueirense, no último sábado, quando ficamos convictos de que o clube não pode continuar com a mesma linha que vem sendo adotada no presente, pois acarretará, sem dúvida, no apequenamento de sua qualidade e levará o seu produto final a um preço aviltado em relação à potencialidade que apresenta.
CLAUDEMIR GOMES
IMPONDERÃVEIS!
Esta a melhor definição que encontrei para dois jogos que marcaram o inÃcio desta semana: a épica vitória do Fluminense (5x4) sobre o Grêmio, domingo, em Porto Alegre, partida válida pelo Campeonato Brasileiro, e a surpreendente goleada aplicada pelo Liverpool (4x0) no Barcelona, hoje a tarde, no estádio Anfield Road, na Inglaterra, resultado que levou os Reds à nova decisão da Champions League.
Os dois espetáculos não podem ser comparados através de uma ótica técnica. Neste item eles são dispares. Mas pelo viés da dramaticidade, ambos mereciam uma crônica do saudoso mestre, Nelson Rodrigues.
A manchete do jornal, O Globo, sobre o jogo Grêmio 4x5 Fluminense, na segunda-feira, foi perfeita. Sintetizada em uma palavra: POSSESSOS.
Os dois times pareciam possuÃdos por espÃritos guerreiros, e travaram uma das batalhas mais espetaculares das histórias das duas agremiações tricolores. A vontade vencer, a raça, a determinação e o espÃrito de superação de todos os jogadores levaram as torcidas a esquecerem as deficiências técnicas, que se tornaram subjetivas ante a entrega dos jogadores em busca da vitória. O resultado não poderia ser outro: 9 gols. A vitória do Flu era tida como um dos resultados mais improváveis da rodada. Aconteceu.
A Arena do Grêmio não recebeu um público a altura do jogo histórico, mas foi gratificante testemunhar, na manhã da segunda-feira, pelas ruas de Copacabana, o "desfile" de torcedores com a camisa do Fluminense. Crianças, jovens, idosos, todos, sem exceção, expressavam em seus semblantes a essência de uma paixão.
O torcedor raiz não sepulta sua paixão. Todos sabem que o Fluminense ainda não tem um elenco que alimente o sonho de um tÃtulo nacional. Sendo assim, aquela vitória épica (5x4), conquistada no OlÃmpico, foi mais que suficiente para colocar todos no "Olimpo das Laranjeiras".
Barcelona no seu dia de Ãbis.
O desafio não era outro senão golear o Barcelona de Messi, que no primeiro jogo das semifinais da Champions League construiu uma convincente vitória (3x0). Teoricamente a estrada para às finais estava asfaltada. Para aumentar o otimismo dos espanhóis, o adversário não contaria com Salah e Firmino, duas estrelas cujo brilho tem sido intenso nesta constelação que vem sendo montada há três anos.
Os torcedores ocuparam todos os lugares do Anfield Road. Se estivéssemos na década de 60 dirÃamos que se tratava de um show dos Beatles, os fantásticos garotos de Liverpool. Mas a ruidosa arquibancada parecia anunciar o show dos garotos de Jürgen klopp, o treinador alemão que há três anos desenvolve um trabalho irretocável no time inglês, a ponto de o admirável Pep Guardiola, declarar ser o "Liverpool o melhor time do mundo, no momento".
Créditos e esperanças se perdem nas teorias e suposições. Jogos se ganham dentro de campo. Nas quatro linhas o Liverpool tinha que fazer o link com o espetáculo que brotava nas arquibancadas.
O primeiro gol saiu rápido, como se fazia necessário. Após o segundo gol, já no segundo tempo, o Barcelona parecia atônito em campo. O grande Messi era um gigante desfigurado ante o crescimento dos Reds que a cada minuto acreditavam mais que tinham a força. No final, a goleada mais improvável desta edição da Champions League: Liverpool 4x0 Barcelona.
Perfilados, jogadores e comissão técnica, de mãos dadas, cantavam junto com o público que permanecia em seus lugares. Um cântico que anunciava o naufrágio do Yellow Submarine, do Capitão Messi.
O futebol segue sendo mágico.