Histórico
Sport
Arbitragem afoga Sport na lama
postado em 29 de maio de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

A invencibilidade do Sport no Brasileiro da Série B se esvaiu na lama. Em condições normais, o Leão teria imposto ao Operário/PR seu melhor futebol, produto da melhor qualidade técnica. O que se viu no  estádio Germano Krüger, em Ponta Grossa, interior do Paraná, foi uma irresponsabilidade da arbitragem que colocou em risco a integridade dos jogadores.

Depois, veio um erro crasso na jogada que culminou no primeiro gol dos donos da casa. Uma falta incontestável no goleiro Maílson, do Sport, não foi anotada pelo árbitro carioca, Rodrigo Nunes de Sá. Na sequência do lance, nova falta, desta feita em favor do Operário/PR: pênalti.

As chuvas aumentaram e castigaram, ainda mais, o campo, no final do primeiro tempo e no intervalo do jogo. A parte final da partida foi toda disputada num lamaçal propicio a prática de motocross, nunca de futebol. Diante de tal cenário, o fato novo para o time leonino no campeonato (a perda da invencibilidade), não deve impactar, de forma negativa, no grupo comandado pelo técnico Guto Ferreira, independentemente de quantas casas o Sport venha descer na tabela de classificação ao final da rodada.

O técnico leonino, que tem em sua bagagem muita experiência e conhecimentos, vivenciou mais um exemplo de que em algumas situações ficam bem explicitas as diferenças entre homens e meninos. Ao acionar Hyuri e Juninho, Guto Ferreira não conseguiu obter dos jovens valores a resposta que buscava.

Aliás, já passou da hora de a diretoria do Sport dispensar uma atenção maior ao descontrole emocional do atacante Juninho. O jogador, que sempre foi tratado como um jovem promissor na Ilha do Retiro, patina na sua ansiedade. Isto fica bem claro nas suas encenações, nos pitis, sempre que desperdiça uma oportunidade de marcar um gol.

O empacotamento da Série B tem levado os times a darem saltos significativos na tabela quando contabilizam duas vitórias em sequência. O Sport terá como próximos adversários, CRB e Vitória, confrontos regionais onde o mando de campo tem um peso que funciona como ponto de desequilíbrio. Ambos os jogos serão na Ilha do Retiro.

A Copa América vai proporcionar aos clubes um tempo para balanços, reparações e ajustes. Certamente o campeonato reiniciará mais oxigenado, fato que nos levará a observar evoluções e quedas dos times. Portanto, é por demais importante para o Sport contabilizar os seis pontos que irá disputar antes da parada para a competição de seleções.

Por sorte, aqui no Recife nos estádios de futebol se pratica futebol, e não cross como em Ponta Grossa. Afinal, diferentemente do ouro, futebol não é o mesmo na lama.   

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Futebol Brasileiro
Dias e horários
postado em 26 de maio de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O torcedor brasileiro deve estar um pouco aturdido com os novos horários do futebol. Foi-se o tempo em que as tardes de domingo eram reservadas para o esporte mais popular do País. De repente, o seu time está jogando na segunda-feira a noite, e na semana seguinte ele é surpreendido com um jogo às 11h do sábado. Nada mais estranho do que ver quatro partidas da Série A, divisão de elite do futebol nacional, serem disputadas na noite do domingo.

Sinais dos tempos!

Nos dias de hoje tudo é feito para atender as grades formatadas pela televisão. E o torcedor virou massa de manobra. Os mais conservadores, que reservavam as tardes de domingo para o futebol, dançaram. O que importa é o pay per view. A grana vinda da turma da poltrona é maior do que a que é arrecadada nos estádios. E assim o cardápio é montado com jogos todos os dias da semana. O difícil é saber qual a competição que está na pauta do dia.

Neste cenário um tanto quanto confuso, ninguém está mais preocupado com a qualidade do futebol. O que importa é o resultado. Uma rápida passagem na tabela de classificação da Série B, vimos que o Sport deu um salto de quatro casas com a soma dos três pontos no confronto com o Londrina, na noite da sexta-feira. Os ganhos do Leão foram mais além que uma simples vitória: o time chegou a zona de acesso, se mantém como único invicto do campeonato após a disputa de cinco rodadas e tem o atacante Hernane Brocador, no momento, como um dos principais goleadores da disputa.

Os dados são imperativos, fato que leva o Sport a viajar escudado neles para enfrentar o Operário, no Paraná, nesta terça-feira, na abertura da sexta-rodada, última apresentação que os leoninos farão na condição de visitantes, antes da paralisação que o campeonato sofrerá para a disputa da Copa América.

A sequência de duas vitórias e o salto que o time de Guto Ferreira deu na tabela de classificação, abriu a possibilidade de o Sport concluir a primeira fase da Série B, consolidado no G4 e brigando pela condição de líder. A tabela lhe propicia vantagens para tal feito. O desafio é dar continuidade e sustentação ao crescimento apresentado nos dois últimos jogos.

Náutico e Santa Cruz, representantes pernambucanos na Série C, jogaram no sábado. Os alvirrubros foram a Sergipe e empataram (1x1) com o Confiança. Por se tratar de um empate fora de casa, o resultado é contabilizado como positivo. A vitória do Botafogo/PB sobre o Imperatriz/MA (2x1), levou o time de Gilmar Dal Pozzo a cair uma casa na tabela de classificação, embora siga no G4.

O Santa Cruz de Milton Mendes venceu o ABC (2x1), na noite do sábado, no Arruda. A estréia, com pé direito, do treinador fez com que o Tricolor desse um salto de quatro casas na tabela de classificação, com possibilidade de entrar no G4.

Náutico e Santa Cruz jogam no próximo sábado.

O Sport terá uma folga de onze dias separando seus jogos na sexta e sétima rodadas da Série B.

Coisas de um futebol programado para aquecer as poltronas de milhões de lares brasileiros.

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Artigos
Viva a dramaticidade!
postado em 21 de maio de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

De forma geral as pessoas são reticentes às mudanças. Algumas chegam a radicalizar em suas resistências. Entretanto, a nova ordem imposta pela quarta revolução industrial é imperativa. Os cenários mudaram no futebol, fato que nos leva a evitar comparações. Nos dias de hoje não se fala mais em  "arte", e sim, em "excelência". Futebol com padrão de excelência é o praticado na Europa, onde os clubes dispõem de grandes recursos para altos investimentos.

Tal realidade não quer dizer que o futebol perdeu o seu encanto. De forma alguma. Existe um elemento que pode tornar a mais tosca das peladas atrativa: a dramaticidade.

Acredito que este seja o motivo pelo qual o grande Nelson Rodrigues era tão apaixonado pelo esporte mais popular do País. O exemplo mais recente de dramaticidade é a vitória do Sport sobre o América/MG (2x1), de virada, construída nos três minutos finais do jogo.

O futebol apresentado pelos comandados de Guto Ferreira foi de péssima qualidade, mas a forma como aconteceu a primeira vitória do time rubro-negro levou o torcedor a loucura. No pós jogo nada se comentou sobre a partida, exceto os minutos finais. A atitude Guilherme, que após marcar o primeiro gol leonino, cobrando pênalti, abdicou da comemoração e pegou a bola para levar ao centro do campo, num claro recado aos companheiros de que havia tempo para uma reação maior. O gol de Hyuri aos 48 minutos pôs um ponto final a uma das páginas mais dramáticas da centenária história do Sport. Foram estes dois fatos que ficaram marcados na memória do torcedor. O resto foi deletado,

"Um final épico!". Ressaltou o empolgado repórter. A dramaticidade que rotulou a primeira vitória do Leão passou a ser garantia de um bom público, sexta-feira, na Ilha do Retiro, quando o Sport irá medir forças com o líder Londrina. Todos que marcarem presença no estádio estarão ávidos por novas emoções, episódios dramáticos de preferência.

O fantástico é que o drama está presente em todas as classes. Dos ricos clássicos oferecidos pela Champions League, até nos jogos em campos carentes de grama, é possível testemunhar confrontos marcados pela dramaticidade.

O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, conhecedor de futebol, e homem de gosto refinado, deve surpreender seus leitores, quando, vez por outra, faz alusão a jogos com a frase: "Foi um jogo bom de se ver". Coisa de quem gosta de futebol e não dispensa o viés da disputa, a entrega dos jogadores em busca da vitória. A qualidade técnica passa a ser subjetiva diante da determinação. É quando o jogo se torna dramático.

A "arte" que era a marca registrada da Escola Sul-Americana, ressaltada através do talento individual dos craques que proliferavam nos gramados brasileiros, faz parte de um passado que teve seu ponto final com a migração dos nossos virtuosos para o futebol europeu. Isto é fato. O fenômeno ocorre em todos os continentes. O maior exemplo é que, alguns elencos de clubes da Europa são verdadeiras seleções mundiais.

O alto poder aquisitivo dos clubes europeus, e os grandes investimentos que são feitos nas "perolas" que surgem pelo mundo afora, tornaram as competições interclubes mais interessantes que as Copas envolvendo seleções. Estamos falando de um esporte coletivo, onde o sucesso está atrelado a qualidade técnica dos atletas, e tempo para treinar e buscar a harmonia do conjunto. As seleções dos países têm qualidade, mas não dispõem de tempo para treinar.

Estamos as vésperas de mais uma edição da Copa América, onde desfilarão alguns jogadores que brilham no futebol europeu, mas que fatalmente não serão tão reluzentes defendendo as seleções de seus países.

Nos resta a dramaticidade que marcará alguns confrontos temperados pela rivalidade.

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Santa Cruz
Patinando no novo tempo
postado em 20 de maio de 2019

CLAUDEMIR GOMES


O mestre, Adonias de Moura, um dos maiores amantes do Santa Cruz que conheci, sempre me orientou a observar muito, ouvir bastante e falar o necessário, ou o indispensável. Seguindo a regra, são poucos os amigos com os quais converso sobre futebol. Naturalmente que surgem as provocações, mas evito alimentar qualquer prosa cujo mote seja esta paixão nacional.

Passar na padaria, na manhã do domingo, faz parte da liturgia do final de semana. A turma do café da manhã faz uma "resenha" espetacular. O assunto do dia não poderia ser outro senão a queda do técnico, Leston Júnior, do Santa Cruz. Uma morte anunciada, mas dispensa de treinador sempre provoca buchicho entre torcedores.

As opiniões estavam bem divididas.

Em clube de massa, quando não se chega a um consenso, o mais sensato é recorrer aos números. Para fortalecer a tese de que o Santa Cruz precisa, urgentemente ser repensado, e mudar os paradigmas, basta observa o desempenho do clube no Campeonato Brasileiro, no Século XXI:

Série A: 2001 - 2006 - 2016;

Série B: 2002 - 2003 - 2004 - 2005 - 2007 - 2014 - 2015 - 2017;

Série C: 2008 - 2012 - 2013 - 2018 - 2019;

Série D: 2009 - 2010 - 2011.

A trajetória é por demais esclarecedora: três participações na Primeira Divisão; oito na Segunda Divisão; cinco na terceira Divisão e três na Quarta Divisão. O encolhimento do clube é indiscutível.

O que aconteceu? Devem perguntar os tricolores em busca de explicações convincentes, principalmente os que tiveram o privilégio de vivenciar o clube no final da década de 60 até os anos 80, quando a agremiação do Arruda apresentou os maiores índices de crescimento no futebol brasileiro.

O sucesso dos anos dourados do Tricolor do Arruda era justificado através de um planejamento estratégico que foi seguido a risca por João Caixero de Vasconcelos; Rodolfo Aguiar; Aristófanes de Andrade; Andre de Paula; Henoch Coutinho; José Nivaldo de Castro e muitos outros dirigentes que pensaram o clube como uma grandeza nacional.

A justificativa do fracasso do presente é encontrada do lado oposto, ou seja, a falta de um planejamento estratégico. Afinal, há mais de dez anos que o futebol do Santa Cruz é pensado, e comandado, pelas mesmas pessoas, as quais se pode creditar a presença do clube em cinco edições da Série C e três edições da Série D.

Nos maiores "apertos" surge um iluminado para "sangrar" um grupo de empresários. Tem até que aposte numa rede de vendas de bolo de rolo e ovos de galinha de capoeira. As tímidas conquistas do Pernambucano, campeonato que não serve de referência para atestar crescimento e evolução, são comemoradas como feitos históricos. Enfim, os gestores de hoje diferem dos gestores de ontem a partir da definição dos horizontes.

Na atual década, ou seja, de 2011 para cá, esta é a décima-sétima vez que o Santa Cruz troca de treinador. Apenas um profissional conseguiu sobreviver duas temporadas: Zé Teodoro.

Está mais que visto que, a solução para os problemas do Santa Cruz não está na troca de treinadores.

O que precisa?

Mudar a forma de pensar para poder entrar em sintonia com o Século XXI. Afinal, o Tricolor está há 19 anos patinando. Nas três vezes que chegou no alto da pirâmide, não teve competência para dar sustentação ao crescimento.

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Sport
Afasta de mim este CALE-SE
postado em 17 de maio de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Numa varredura de final de dia na internet, me deparo com a notícia de que o repórter, Anderson Gomes, da Rádio Transamérica, havia sido proibido de fazer a cobertura do treino do Sport. Motivo: num programa da emissora, dois dos seus companheiros criticaram os dirigentes do clube.

Nos dias de hoje o fato é tão absurdo que pensei se tratar de uma das tantas fake news que são publicadas com objetivo de confundir a opinião pública. A "guerra" das inverdades e calúnias nas redes sociais se tornou insuportável. Para minha frustração o fato foi verídico.

Aderi à súplica do Chico Buarque e gritei para quebrar meu silêncio interior: Afasta de mim este CALE-SE!

A submissão da classe diante de um fato tão absurdo foi pior que a agressão. Afinal, a "Lei da Mordaça" faz parte de cultura do Clube da Ilha do Retiro.

Na década de 70, quando iniciava minha carreira jornalística, fui convocado pelo editor de esportes do DIARIO DE PERNAMBUCO, Adonias de Moura, para participar de uma assembléia na sede da Associação dos Cronistas Desportivos de Pernambuco - ACDP. A época o presidente da entidade era o jornalista, Francisco José, que se posicionou contra a tirania do presidente do Sport, Jarbas Guimarães. A queda de braço entre os dois ganhou uma proporção inimaginável.

Adonias de Moura, Ivan Lima, Lenivaldo Aragão, José Bezerra, Luís Cavalcanti, Sílvio Oliveira, Edvaldo Morais, Júlio José, Robson Sampaio, Gomes Neto, Paulo Morais, Amaury Veloso, José Santana, Walter Spencer, César Brasil, Bartolomeu Marinho, Haroldo Rômulo, Ivo Suter, Givanildo Alves, Lula Carlos, Hélio Pinto... Enfim, todos que faziam parte da ACDP marcaram presença na maior assembléia da história da entidade de classe.

Vitória da unidade!

Ainda na década de 70, o presidente do Sport, Jarbas Guimarães, não satisfeito com uma matéria feita pelo jornalista, Amaury Veloso, foi até o DP, pedir a cabeça do profissional. O diretor, Antônio Camelo, recebeu o presidente leonino e manchou chamar na redação, o editor de esportes, Adonias de Moura.

Após ouvir as queixas e as reivindicações do dirigente rubro-negro, Adonias de Moura o colocou para fora da sala do diretor, Antônio Camelo, e disse que Amaury seguiria como setorista na cobertura do dia a dia do Sport.

Sempre achei que liberdade de imprensa é uma coisa utópica, principalmente no futebol.

Na década de 80, quando Emerson Leão iniciou sua carreira como treinador, no Sport, o presidente rubro-negro, a época Homero Lacerda, comprou uma briga com o comandante de esportes da Rádio Clube, Barbosa Filho. A briga do "rochedo com o mar", sobrou para o repórter, Pedro Luís, que foi proibido de entrar no clube.

Após o treino, Leão me viu com o gravador de Pedrão e perguntou o que estava acontecendo. Lhe fiz um relato dos fatos. O técnico foi claro: "Ele não pode entrar, mas eu não estou proibido de sair. Darei entrevista a ele lá fora".

A atitude de Leão acabou com o entrevero.

Em 2008, quando o Sport descrevia campanha vitoriosa na Copa do Brasil, e foi jogar com o Vasco, no Rio, cortou o assessor de imprensa, Amaury Veloso, da delegação. Precisei de uma informação para fechar a coluna que escrevia na Folha de Pernambuco. Liguei para Amaury que não tirou minhas dúvidas por não ter acompanhado o grupo.

Critiquei a ausência do assessor de imprensa na delegação de um clube que caminhava para a conquista de um dos títulos mais importante de sua história. O presidente, Milton Bivar, não assimilou a crítica. Foi em cima do Amaury e depois ligou para mim. Na nossa conversa ele foi enfático, afirmando que, o trabalho que o assessor faria, qualquer um poderia fazer, "até Pelé".

Para quem não conhece, "Pelé", é um dos seguranças do clube. Com tamanho pensamento, não dava mais para alongar a conversa com o presidente.

Caro Anderson Gomes!

Foi louvável o seu esforço no sentido de deixar claro que a proibição não foi pessoal, ou seja, ao homem, e sim, ao repórter funcionário da Rádio Transamérica. Seja qual for o alvo, a "Lei da Mordaça" é uma coisa abominável, truculenta e inaceitável.

Lamento o silêncio dos inocentes.

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