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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
As redes sociais são tribunas livres, e os torcedores aproveitam bem esse canal de comunicação para externarem alegrias e frustrações. As estréias de Sport, Náutico e Santa Cruz no Campeonato Brasileiro, Séries B e C, sem o registro de nenhuma vitória, provocaram uma onda de protestos. Apesar dos excessos, que são tolerados por serem frutos da paixão, a "voz do povo", que na era digital ecoa na internet, nos alerta sobre a transparência do que acontece dentro de campo.
Diante das possibilidades que são criadas para um time que joga na condição de mandante, o Santa Cruz tinha tudo para transformar o confronto com o Treze de Campina Grande numa oportunidade de sucesso. As circunstâncias do jogo, onde o time do Arruda fez um primeiro tempo bisonho, acabou transformando a disputa num desafio de superação. O empate de 2x2 acabou sendo "vendido" como um grande feito.
Diferentemente das reações dos torcedores nas redes sociais, chegou a ser surpreendente o esforço de cronistas esportivos que atuam na grande mÃdia, no sentido de atenuar o vexame dado pelo Time do Arruda.
"Você pensa que o povo não pensa, o povo pensa!".
A frase do saudoso, Dom Hélder Câmara, serve como grito de alerta para os profissionais das rádios e televisões não esquecerem que, nos dias de hoje, o torcedor tem acesso a muitas informações. A tecnologia nos conecta com o fato em tempo real. Os olhos dos comentaristas e dos repórteres deixaram de ser os olhos dos torcedores, ou seja, o público consumidor do produto futebol tem opinião própria.
O número de canais existentes no youtube é quase imensurável. A cada dia surge um novo "analista", e as besteiras, que porventura venham a ser proferidas, são rebatidas nas redes sociais.
As estréias dos representantes pernambucanos no Brasileiro foram catastróficas. Isto é fato. As apresentações dos três times, Sport, Náutico e Santa Cruz, em seus respectivos jogos, foram de extrema mediocridade, ao ponto de serem reconhecidas pelos treinadores, coisa rara de acontecer no futebol, onde os "professores" dificilmente admitem que cometeram equÃvocos.
Mestre José Joaquim Pinto de Azevedo!
Do jeito que a "Imprensa Juvenil" está se comportando, é mais interessante acompanhar a reação dos torcedores nas redes sociais. Sinais da nova ordem.
CLAUDEMIR GOMES
O final de semana foi marcado pelo inÃcio do Campeonato Brasileiro - Séries A, B e C - que nesta edição tem jogos todos os dias da semana para atender as grades de programação das redes de televisão. O fato de não existir nenhum clube pernambucano na Série A, me deixa com a sensação de frustração, desconforto que foi alimentado pelas péssimas estréias do Sport e do Náutico, nas Séries B e C, respectivamente.
Humberto Araújo, um dos maiores cartunistas do Brasil, rubro-negro de carteirinha, sempre que o assunto é futebol ele tenta sintetizar tudo com a frase: "Este é o nosso tamanho".
Embora não se possa fazer nenhuma previsão sobre o futuro dos nossos representantes na competição nacional, uma vez que, a primeira rodada será concluÃda nesta segunda-feira, fica difÃcil ter bons sentimentos em relação a pintura de um bom cenário após as primeiras pinceladas dadas por rubro-negros e alvirrubros.
à comum, mesmo antes de a bola rolar, se fazer uma análise sobre as possibilidades de sucesso de todos os clubes participantes. Naturalmente que tudo parte do pressuposto, até porque no futebol não existe verdade absoluta, e o que conta é o momento. Tudo começa com o peso das camisas: desempenho dos clubes nas cinco últimas temporadas; currÃculo, etc. A partir daà as equipes são divididas em três grupos:
A) - As que vão brigar pelo acesso;
B) - As que farão uma campanha de manutenção:
C) - As que vão brigar contra o descenso.
Por ter vindo de uma sequência de cinco anos na Série A, ao Sport foi concedido o creditado para descrever uma campanha que lhe assegure o retorno à divisão maior do futebol nacional.
Para ter o acesso garantido, um clube precisa contabilizar, ao longo do campeonato, 19 vitórias e 8 empates, que lhes assegurarão um montante de 65 pontos. Pode haver uma pequena variação para baixo, mas com tal marca se atinge a meta.
Para quem se apega aos estudos das mutações e probabilidades, o jogo inaugural com o Oeste, na Ilha do Retiro, era para colocar a vitória na conta do campeão pernambucano sem pestanejar. Mas o fraco futebol apresentado pelos comandados de Guto Ferreira, o qual erradamente foi atribuÃdo a falta de ritmo de jogo, acabou frustrando a torcida leonina com um empate de 1x1.
Se o problema foi falta de ritmo, como bem argumentou o treinador, tal deficiência também deverá prejudicar o Sport na sua segunda apresentação, que somente acontecerá na segunda-feira, dia 6 de maio, contra o Bragantino, em São Paulo, ou seja, dez dias após o trágico tropeço na estréia.
A primeira rodada da Série B será concluÃda nesta segunda-feira com o jogo do Coritiba com a Ponte Preta, em Curitiba. Nas nove partidas disputadas tivemos o registro de quatro vitórias de times visitantes; três empates e duas vitórias de mandantes, fato que revela o equilÃbrio de forças neste inÃcio de disputa.
Foi-se o tempo em que os times pernambucanos dominavam a cena no futebol regional. Sem o protagonismo marcante de outras épocas, atualmente, os clubes pernambucanos quando saem para cumprir jogar em outros estados nordestinos ficamos na expectativa porque tudo pode acontecer, inclusive nada, como ocorreu com o Náutico que estreou na Série C amargando uma derrota (2x0) para o ABC, no Frasqueirão, em Natal.
Bom! O Santa Cruz fecha a primeira rodada enfrentando o Treze de Campina Grande, nesta segunda-feira, no Arruda. A torcida é para que os tricolores reedite o bom futebol que o levou a uma convincente vitória sobre o Fluminense (2x0), jogo válido pela Copa do Brasil.
Caro Humberto Araújo!
Confesso que estou preocupado com o nosso tamanho.
Como diz o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, "Nos apequenamos demais".
CLAUDEMIR GOMES
Após a convincente vitória (3x0) sobre o ABC, que o técnico, Leston Júnior, classificou como a melhor apresentação do Santa Cruz na temporada, os torcedores corais passaram a indagar qual a melhor forma de o Tricolor do Arruda enfrentar o Fluminense, no Maracanã. A questão era: o time deve adotar uma postura defensiva, com três volantes na formação, ou seria melhor encarar o adversário de frente?
A questão dividiu os tricolores, entretanto, em um ponto a opinião era unânime: o Fluminense tem um grupo mais qualificado tecnicamente. Isto é fato. Tal realidade não entrava em discussão. A questão era o meio através do qual o Santa Cruz não se tornaria um presa tão fácil de ser abatida. Afinal, estávamos falando sobre um confronto entre um time da Série A com um time da Série C. Como nos advertia o mestre, Adonias de Moura, um dos maiores cronistas da história do jornalismo esportivo pernambucano, "primeiro é primeiro, e terceiro é terceiro em qualquer lugar do mundo". Enfim, não dá para fazer comparações.
No aniversário de Marquinhos Tricolor do Pina, a confraternização foi marcada pela "discussão". O Ãdolo, Zé do Carmo, cuja raça, determinação, entrega e espÃrito de superação foram as marcas registradas de sua vitoriosa carreira, revelava sua receita: "O time não pode ser mofino, seja qual for o adversário".
Todos concordaram. E não faltaram exemplos de jogadores que dignificaram a camisa tricolor com sua entrega e determinação, levando o Santa Cruz a buscar resultados que pareciam improváveis. O ex-presidente, José Neves, cuja empatia com os torcedores corais segue altÃssima, foi cirúrgico na sua tese: "O Santa Cruz sempre cresceu quando pensou grande".
Depois de muitos brindes com cerveja e Pitú, todos estavam certos de que, o que faria a diferença diante do favorito Fluminense não seria o planejamento tático, e sim, a atitude dos jogadores.
Chegada a quarta-feira, era grande a expectativa em relação ao comportamento dos "Guerreiros Corais" no Maracanã.
Frustração geral.
Os comandados de Leston Júnior se abstiveram de jogar nos primeiros 45 minutos. O Fluminense teve quase 90% posse de bola; trocou mais de 350 passes diante de uma equipe que não finalizou uma vez sequer em 45 minutos. O placa de 2x0 construÃdo na etapa inicial não traduzia a supremacia do Tricolor Carioca.
No segundo tempo, bastou o Santa Cruz acordar um pouco, deixar de lado a letargia que estava lhe enterrando, para o Fluminense esbarrar nas pedras que encontrou no caminho. Naturalmente que o Tricolor Carioca seguiu jogando melhor, tem mais qualidade técnica, contudo, do outro lado havia acordado um adversário que aceitou todas as suas propostas no primeiro tempo.
Nesta quinta-feira teremos o segundo confronto entre os dois times. O Fluminense segue como favorito, por ter uma melhor qualidade técnica, e também pela vantagem construÃda, fato que obriga o Santa Cruz a ter uma postura ofensiva.
O torcedor mais eufórico pode até citar a disputa com o ABC, na fase anterior da Copa do Brasil, como exemplo de superação do Santa Cruz. Diria que são episódios bem distintos. O time do Rio Grande do Norte é da estatura do Santa Cruz, portanto, as possibilidades de os comandados de Leston Júnior reverterem o quadro eram imensas. Tal fato não acontece na ordem do dia, ou seja, neste confronto com o Flu, mesmo ciente de que "para a torcida do Santinha não há o impossÃvel".
Sabe aquela atitude que o Zé do Carmo tanto fala?
Ela vale R$ 2,5 milhões nesta quinta-feira.
CLAUDEMIR GOMES
No espaço de oito dias torcedores do Sport e do Náutico vivenciaram uma verdadeira "Via Crúcis", ao constatarem tantos erros de arbitragem nos dois jogos finais do Campeonato Pernambucano. Para se ter uma idéia, dos quatro gols que aconteceram (um no primeiro jogo, e três na partida final, neste domingo, na Ilha do Retiro), três foram irregulares, mesmo assim foram validados, erradamente, pelos árbitros. E quando todos pensavam que o Sport seria liquidado na decisão por pênaltis, por não ter mais o milagroso Magrão no gol, eis que o jovem MaÃlson se agiganta, defende duas cobranças de tiro livre direto, garantindo uma Feliz Páscoa para a torcida leonina.
E a Ilha do Retiro festejou o seu novo "Messias" como o grande herói do 42º tÃtulo estadual.
As expulsões do experientes, Suéliton e Brocador, logo no inÃcio da partida, por conta de uma irresponsável troca de agressões, interferiram nos planos de jogos das duas equipes.
Os técnicos, Guto Ferreira (Sport) e Márcio Goiano (Náutico), não pouparam adjetivos para ressaltar as qualidades dos seus respectivos grupos. A valentia dos alvirrubros foi citada como uma virtude a ser destacada, visto que, foi através de uma entrega surpreendente, que o Náutico superou todas as adversidades e chegou a uma vitória pouco provável diante das circunstancias em que transcorreram os dois jogos decisivos.
A melhor qualidade do grupo do Sport é incontestável, mas algumas peças não corresponderam as expectativas neste jogo final. O grande número de erros de passes foi impressionante, a tal ponto de o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, me chamar a atenção sobre tal detalhe, ainda no primeiro tempo da partida, fato que deixa ressaltada a necessidade de investimentos nos dois times - Náutico e Sport - para que ambos consigam atingir suas metas no Brasileiro, que começa no próximo final de semana.
Após o jogo, durante duas horas de trabalho analisando lances e entrevistando os protagonistas desta página da história do futebol pernambucano, os comentaristas e analistas da Rádio Jornal do Commercio, se perderam numa discussão sobre os erros da arbitragem, colocando a análise de desempenho das duas equipes em segundo plano.
O rubro-negro Costinha, ex-diretor do Sport, é sempre lembrado por uma frase antológica após a conquista de um tÃtulo na década de 90: "Vencer é o céu".
Pois bem: O Sport comemora seu 42º tÃtulo do Campeonato Pernambucano; o técnico Guto Ferreira festeja um tÃtulo que ele conquistou em sete jogos, mas fica a interrogação sobre a musculatura do time para encarar o maior desafio da temporada: o acesso a Série A.
O Pernambucano não serve de parâmetro para o Brasileiro da Série B, fato que nos deixa com a certeza de que, se não reforçar o grupo, o Campeão Pernambucano sentirá muita dificuldade para alcançar sua meta na "maratona nacional".
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com
O errado e o maléfico, a incompetência e o desleixo, a estupidez e a má fé são próprios da condição humana. A diferença está entre os que se envergonham e os desavergonhados.
No Japão civilizado, a vergonha é o pior castigo para uma pessoa e sua famÃlia, mais temida do que as penas da Lei. Homens públicos se suicidam por pura vergonha.
Embora seja só meio caminho para não errar de novo, o sentimento de vergonha ajuda a civilizar. Já os que não se envergonham, nem por si nem pelos outros, são determinantes para que as suas sociedades sejam aquelas que mais sofrem com a corrupção, a criminalidade e a violência.
Começamos este artigo com um texto do professor Elton Simões, após esse analisar pesquisas internacionais sobre as relações entre o sentimento social, familiar e a criminalidade.
O nosso PaÃs, infelizmente se tornou um dos maiores celeiros de desavergonhados do mundo. A ética desapareceu e o sistema de levar vantagem em tudo tomou conta sob o silêncio profundo de boa parte da sociedade.
A polÃtica nos últimos anos apodreceu, polÃticos foram presos, um ex-presidente da República encontra-se numa cela por conta de chefiar uma quadrilha que tomou conta da nação, e que quase quebrou a Petrobras. O dinheiro público foi jogado pelas janelas.
Isso é um lado do Brasil que perdeu a vergonha.
Nos esportes, em particular no futebol, encontramos um Circo que foi dirigido por três presidentes com mais de trinta anos no poder, estando, no momento, um preso, enquanto os outros dois foram afastados por corrupção. Enriqueceram e os clubes ficaram à deriva. A estrutura atual é a mesma, desde que o novo comandante sempre parte desse grupo.
Hoje ao lermos o Jornal da Folha de São Paulo com relação a empresa Sport Promotion que ganhou uma licitação fraudada pela entidade que administra o futebol para a venda de publicidade, mostrando que essa possui sete empresas com os sócios ocultos distintos entre si registradas no mesmo endereço, a sede da companhia em São Paulo.
O sócio ostensivo sempre é José Francisco Coelho Leal, dono da empresa, que tem uma longa história de parceria com Marco Polo Del Nero. As empresas são legais mas na verdade são vacas em vários postes.
O mais grave é que não aparece uma viva alma, nos clubes e nas mÃdias para, pelo menos, solicitar informações sobre o assunto. Não existe indignação de nenhum setor. Estamos nos acostumando com o que não presta.
Os grandes empresários do futebol se apossam dos atletas desde a sua formação. As procurações são dadas, na maioria com a conivência de alguns dirigentes, e aproveitando-se da situação financeira das famÃlias.
A seleção do Circo transformou-se num balcão de negócios, um modelo que foi implantado pelo ex-presidente Ricardo Teixeira. O sistema afeta das convocações, e por milhões de dólares jogam com times sem expressão. à a falta de vergonha.
Em alguns jogos pelas diversas competições muitas das arbitragens determinam os resultados finais, principalmente pela falta de uma preparação adequada e muitas vezes dirigidas. O VAR foi implantado e como tudo que acontece no Brasil, está sendo desmoralizado.
As torcidas organizadas, financiadas pelos clubes e seus cartolas trouxeram a violência aos estádios de futebol, e todos fingem que nada acontece. à a falta de vergonha.
Infelizmente, a listagem é vasta e o espaço não comporta, entretanto como a maioria do nosso povo tem vergonha, caberia a esses um movimento contra os desavergonhados que pululam em torno de um esporte fantástico, afregador, e que se chama futebol.
Só podemos derrubá-los com o tempo, educação e lideranças com vergonha.
O resto é malhar em ferro frio.