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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Mesmo sabedor das "surpresas" do futebol, os números da primeira fase do Campeonato Pernambucano sinalizam para que a torcida rubro-negra comece a ensaiar o refrão: "O campeão voltou". Afinal, o Sport, após o tropeço na estréia, quando foi derrotado pelo Flamengo de Arcoverde (3x2), reagiu e se impôs como grande favorito ao tÃtulo. Ao final da fase de classificação figurou como lÃder exibindo o melhor ataque, a defesa menos vazada e com o artilheiro da disputa. Com tamanho saldo não há como não apostar no Leão.
Para obter sucesso na fase preliminar, o clube da Ilha do Retiro fez uma revisão nos seus conceitos, trocou de técnico, e soube tirar vantagem sobre os principais concorrentes ao tÃtulo estadual, por estarem disputando a Copa do Nordeste simultaneamente. Resumindo: o Sport teve tempo para corrigir as falhas, enquanto Náutico e Santa Cruz se deparavam com um excesso de jogos nas competições que estão sendo disputadas ao novo modelo "Pingadinho", como bem batizou o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo.
E o técnico, Guto Ferreira, poderá vir a ser campeão com apenas 7 jogos, isso porque, sob o seu comando o Sport disputou três partidas, e se chegar a final estará cumprindo mais quatro compromissos. Nunca foi tão fácil "enriquecer" o currÃculo. Por mais discreto que seja, na atual conjuntura do futebol brasileiro, ser campeão estadual é sempre importante para o currÃculo.
O melhor do Pernambucano está por vir, infelizmente as quartas de final seguem o modelo "Pingadinho", começam a ser disputadas nesta quarta-feira e somente serão concluÃdas na próxima semana. Apesar das expectativas em relação aos confrontos, sabemos que os clubes do Interior ainda não estão com musculatura para brigarem pelo tÃtulo doméstico. A disposição dos jogos na tabela nos mostram que, se o imponderável não entrar em campo, teremos uma semifinal protagonizada por Náutico e Santa Cruz, com o vencedor fazendo a final com o Sport. Central ou Salgueiro, um dos dois, será o sparring do Leão na semifinal.
"O futebol segue uma lógica", assegura o mestre José Joaquim Pinto de Azevedo. Nesta reta final do Pernambucano esta lógica parece bem delineada com Santa Cruz, Náutico e Salgueiro dividindo suas atenções entre a Copa do Nordeste e o Estadual, ficando Sport, Central e Petrolina focados apenas no Pernambucano. Coisa do "Pingadinho".
CLAUDEMIR GOMES
A internacionalização do futebol segue a passos largos. Isto é fato. Aos poucos vamos nos envolvendo com o que acontece em outros paÃses e continentes, e de forma natural, passamos a selecionar o que mais nos atrai como amantes e admiradores do esporte mais popular do planeta. De repente, nos surpreendemos com o apego a outras camisas, passamos a eleger novos Ãdolos, que necessariamente não falam nosso idioma, enquanto a realidade doméstica vai se perdendo na sua pobreza.
Na noite da quinta-feira acompanhamos o jogo, Santa Cruz 1x0 Central, pelo rádio, nos deliciando com a extraordinária narração de Bartolomeu Fernando, na Rádio Clube. Em seguida, vimos pela televisão, o confronto do Náutico com o CRB, pela TV Jornal, com a boa vitória do alvirrubro pernambucano (2x1). Afinal, é preciso dar atenção as coisas nossas.
Confesso, no entanto, que estava mais ávido por assistir ao sorteio das quartas de final da Liga dos Campeões da Europa, que aconteceu à s 8h desta sexta-feira, com transmissão direta pelo canal fechado TNT. Os confrontos se prenunciam como espetáculos inesquecÃveis: Ajax x Juventus; Liverpool x Porto; Tottenham x Manchester City; Barcelona x Manchester United. A ordem das semifinais também foi estabelecida e a grande final acontecerá no primeiro dia do mês de junho.
A cobiça do jogador brasileiro nos dias de hoje é se transferir para um clube europeu. A televisão coloca a nossa disposição um cardápio fantástico com várias competições da Europa. O Campeonato Argentino também passou a constar dessa agenda. As meses redondas, que acontecem diariamente, nos canais esportivos, passaram a discutir o futebol internacional na mesma intensidade que o futebol brasileiro. Enfim, vivemos aqui, mas nossa atenção está voltada para o Velho Continente. Coisa de um mundo sem barreiras.
A internacionalização é imperativa. Não há como desconsiderá-la. A FIFA anunciou na manhã desta sexta-feira, um novo modelo para o Mundial de Clubes, que a partir de 2021, passará a ser disputado por 24 equipes, a cada quatro anos, substituindo a combalida Copa das Confederações. O número de equipes por continente não foi definido, contudo, existe um pleito da Conmebol para que a América do Sul venha a ter seis vagas.
Tudo conspira para a unificação dos calendários. Aliás, o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, defende esta tese há muito tempo. à uma forma de o futebol brasileiro encurtar a distância do europeu, que nos últimos dez anos se tornou abissal. Observem que, no primeiro semestre, quando o calendário brasileiro é reservado para as competições estaduais e regionais, que são marcadas por uma lastimável pobreza técnica, os campeonatos na Europa estão na fase final, nos momentos decisivos, quando se tornam mais atraentes. Futebol em nÃvel de excelência. Eis a razão maior pela qual o torcedor brasileiro, a cada dia, prefere mais a poltrona de casa que as arquibancadas dos estádios.
Os efeitos da internacionalização está nos deixando com a sensação de que, assistir aos jogos do Pernambucano é mergulhar no nada.
CLAUDEMIR GOMES
O site da ZUKERMAN Leilões tem em pauta, para o dia 20/03/2019, o leilão da sede do CLUBE NÃUTICO CAPIBARIBE, juntamente com o Estádio dos Aflitos e outros equipamentos que fazem parte do complexo socioesportivo do clube alvirrubro. O preço: R$ 100.000.000,00 (1ª Praça).
Na 2ª Praça, programada para o dia 12/04/2019, o preço cai 70%, passando o valioso patrimônio a ser oferecido por R$ 30.000.000,00. O que representa um verdadeiro achado para os especuladores imobiliários.
O exequente não é outro senão a Fazenda Nacional, ou seja, sede e estádio estão indo a leilão para que o clube quite débitos com a União.
Não é a primeira vez, e gostaria que esta viesse a ser a última, que somos surpreendidos com o anúncio de que equipamentos do Náutico estão na pauta de leilões. O fato, que se tornou corriqueiro, não deixa de causar indignação por ser um reflexo da fragilidade das gestões do clube alvirrubro.
O não pagamento de tributos a União é a articulação de uma "bomba" que um dia vai estourar. Aconteceu na atual gestão. O que nos deixa perplexo é a facilidade que existe para se negociar este tipo de débito, mas os gestores de plantão preferem empurrar a coisa de barriga, comprometendo o futuro da agremiação.
Sempre que um equipamento de um dos clubes pernambucanos vai a leilão, a sensação é de que tudo será resolvido. à como se deixar a solução do problema para a última instância fosse o procedimento mais correto a ser adotado. Ledo engano. Além da negligência que macula a gestão causadora do caos, existe o risco de o clube vir a perder o seu patrimônio.
ImpossÃvel?
Não. Temos o exemplo do Santa Cruz que perdeu sua antiga sede, situada na Avenida Beberibe. O histórico equipamento tricolor foi adquirido por uma empresa que vende material de construção em um leilão. O clube recorreu, a pendenga segue na Justiça. Mas o fato é que o pior aconteceu.
A sede e o estádio do Náutico estão no coração dos Aflitos, um dos bairros mais cobiçados do Recife, onde o metro quadrado é um dos mais valorizados na Capital Pernambucana. Recordo que, há poucos anos, havia uma ala de alvirrubros embriagados pelo canto da sereia, que defendia a venda do Estádio Eládio de Barros Carvalho. Surgiram várias cartas com propostas. As ofertas nunca foram reveladas, até que o tempo varreu o que poderia ter sido uma insanidade coletiva.
Bom!
A sede e o estádio do Náutico estão na pauta de um leilão. Ninguém fala, até porque o assunto dominante nos jornais e telejornais é o leilão do Aeroporto dos Guararapes.
Que o clube não seja vitima do silêncio dos inocentes.
CLAUDEMIR GOMES
Após um perÃodo sabático estamos de volta. Foram 12 dias de reflexão buscando respostas que alimentassem meu otimismo e esperança de dias melhores para o futebol pernambucano. Encontro, nas redes sociais, anúncio da participação do presidente da FPF, Evandro Carvalho, no programa Roda Viva, comandado pelo jornalista, Aldo Vilela, na próxima quarta=feira.
O futebol pernambucano atravessa uma das piores crises de sua história secular. Mas, quem escuta as entrevistas do presidente da FPF, fica com a impressão de que estamos voando num céu de brigadeiro, sem nenhuma turbulência.
Evandro circula pelos bastidores do futebol há mais de três décadas. Chegou a FPF na companhia de Fred Oliveira, quando este foi eleito presidente da entidade numa acirrada eleição com o então Cel. Sebastião Rufino. Fred foi eleito pelo chamado "baixo clero". Anos depois, Carlos Alberto Oliveira sucedeu o irmão na presidência da casa, e manteve Evandro Carvalho na diretoria jurÃdica.
A fidelidade aos irmãos Oliveira elevou Carvalho ao cargo de primeiro vice=presidente da FPF, na última eleição disputada por Carlos Alberto, que teve uma morte súbita e foi substituÃdo pelo seu primeiro vice, seguindo o que reza no estatuto da entidade.
A partir daà começaram os equÃvocos e a queda vertiginosa do futebol pernambucano.
Habilidoso no trato das palavras, o novo comandante da Federação Pernambucana de Futebol, envolveu, com um discurso frágil, uma imprensa juvenil, enquanto os fatos nos mostravam que o futebol pernambucano mergulhava no caos.
Sem prestÃgio na CBF, embora tenha sido defensor de José Maria Marin, que segue preso nos Estados Unidos, e o seu sucessor, Del Nero, que foi deposto do cargo de presidente da entidade nacional para não ser encarcerado também, Evandro Carvalho passou a ver suas palavras se perderem ao vento.
A edição do Pernambucano 2019 é a pior da história do campeonato estadual; a interiorização que ganhou musculatura na administração de Carlos Alberto Oliveira, se desidratou, e são poucas as possibilidade de se achar um tônico revigorante neste cenário de devastação.
Contra fatos não há argumentos, mas vamos aguardar o discurso do comandante.