Histórico
Campeonato Pernambucano
Leão com pinta de campeão
postado em 18 de maro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Mesmo sabedor das "surpresas" do futebol, os números da primeira fase do Campeonato Pernambucano sinalizam para que a torcida rubro-negra comece a ensaiar o refrão: "O campeão voltou". Afinal, o Sport, após o tropeço na estréia, quando foi derrotado pelo Flamengo de Arcoverde (3x2), reagiu e se impôs como grande favorito ao título. Ao final da fase de classificação figurou como líder exibindo o melhor ataque, a defesa menos vazada e com o artilheiro da disputa. Com tamanho saldo não há como não apostar no Leão.

Para obter sucesso na fase preliminar, o clube da Ilha do Retiro fez uma revisão nos seus conceitos, trocou de técnico, e soube tirar vantagem sobre os principais concorrentes ao título estadual, por estarem disputando a Copa do Nordeste simultaneamente. Resumindo: o Sport teve tempo para corrigir as falhas, enquanto Náutico e Santa Cruz se deparavam com um excesso de jogos nas competições que estão sendo disputadas ao novo modelo "Pingadinho", como bem batizou o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo.

E o técnico, Guto Ferreira, poderá vir a ser campeão com apenas 7 jogos, isso porque, sob o seu comando o Sport disputou três partidas, e se chegar a final estará cumprindo mais quatro compromissos. Nunca foi tão fácil "enriquecer" o currículo. Por mais discreto que seja, na atual conjuntura do futebol brasileiro, ser campeão estadual é sempre importante para o currículo.

O melhor do Pernambucano está por vir, infelizmente as quartas de final seguem o modelo "Pingadinho", começam a ser disputadas nesta quarta-feira e somente serão concluídas na próxima semana. Apesar das expectativas em relação aos confrontos, sabemos que os clubes do Interior ainda não estão com musculatura para brigarem pelo título doméstico. A disposição dos jogos na tabela nos mostram que, se o imponderável não entrar em campo, teremos uma semifinal protagonizada por Náutico e Santa Cruz, com o vencedor fazendo a final com o Sport. Central ou Salgueiro, um dos dois, será o sparring do Leão na semifinal.

"O futebol segue uma lógica", assegura o mestre José Joaquim Pinto de  Azevedo. Nesta reta final do Pernambucano esta lógica parece bem delineada com Santa Cruz, Náutico e Salgueiro dividindo suas atenções entre a Copa do Nordeste e o Estadual, ficando Sport, Central e Petrolina focados apenas no Pernambucano. Coisa do "Pingadinho".

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Acontece
Os efeitos da internacionalização
postado em 15 de maro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

A internacionalização do futebol segue a passos largos. Isto é fato. Aos poucos vamos nos envolvendo com o que acontece em outros países e continentes, e de forma natural, passamos a selecionar o que mais nos atrai como amantes e admiradores do esporte mais popular do planeta. De repente, nos surpreendemos com o apego a outras camisas, passamos a eleger novos ídolos, que necessariamente não falam nosso idioma, enquanto a realidade doméstica vai se perdendo na sua pobreza.

Na noite da quinta-feira acompanhamos o jogo, Santa Cruz 1x0 Central, pelo rádio, nos deliciando com a extraordinária narração de Bartolomeu Fernando, na Rádio Clube. Em seguida, vimos pela televisão, o confronto do Náutico com o CRB, pela TV Jornal, com a boa vitória do alvirrubro pernambucano (2x1). Afinal, é preciso dar atenção as coisas nossas.

Confesso, no entanto, que estava mais ávido por assistir ao sorteio das quartas de final da Liga dos Campeões da Europa, que aconteceu às 8h desta sexta-feira, com transmissão direta pelo canal fechado TNT. Os confrontos se prenunciam como espetáculos inesquecíveis: Ajax x Juventus; Liverpool  x  Porto; Tottenham x Manchester City; Barcelona  x  Manchester United. A ordem das semifinais também foi estabelecida e a grande final acontecerá no primeiro dia do mês de junho.

A cobiça do jogador brasileiro nos dias de hoje é se transferir para um clube europeu. A televisão coloca a nossa disposição um cardápio fantástico com várias competições da Europa. O Campeonato Argentino também passou a constar dessa agenda. As meses redondas, que acontecem diariamente, nos canais esportivos, passaram a discutir o futebol internacional na mesma intensidade que o futebol brasileiro. Enfim, vivemos aqui, mas nossa atenção está voltada para o Velho Continente. Coisa de um mundo sem barreiras.

A internacionalização é imperativa. Não há como desconsiderá-la. A FIFA anunciou na manhã desta sexta-feira, um novo modelo para o Mundial de Clubes, que a partir de 2021, passará a ser disputado por 24 equipes, a cada quatro anos, substituindo a combalida Copa das Confederações. O número de equipes por continente não foi definido, contudo, existe um pleito da Conmebol para que a América do Sul venha a ter seis vagas.

Tudo conspira para a unificação dos calendários. Aliás, o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, defende esta tese há muito tempo. É uma forma de o futebol brasileiro encurtar a distância do europeu, que nos últimos dez anos se tornou abissal. Observem que, no primeiro semestre, quando o calendário brasileiro é reservado para as competições estaduais e regionais, que são marcadas por uma lastimável pobreza técnica, os campeonatos na Europa estão na fase final, nos momentos decisivos, quando se tornam mais atraentes. Futebol em nível de excelência. Eis a razão maior pela qual o torcedor brasileiro, a cada dia, prefere mais a poltrona de casa que as arquibancadas dos estádios.

Os efeitos da internacionalização está nos deixando com a sensação de que, assistir aos jogos do Pernambucano é mergulhar no nada.

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Natação
Novo leilão em pauta
postado em 12 de maro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

O site da ZUKERMAN Leilões tem em pauta, para o dia 20/03/2019, o leilão da sede do CLUBE NÁUTICO CAPIBARIBE, juntamente com o Estádio dos Aflitos e outros equipamentos que fazem parte do complexo socioesportivo do clube alvirrubro. O preço: R$ 100.000.000,00 (1ª Praça).

Na 2ª Praça, programada para o dia 12/04/2019, o preço cai 70%, passando o valioso patrimônio a ser oferecido por R$ 30.000.000,00. O que representa um verdadeiro achado para os especuladores imobiliários.

O exequente não é outro senão a Fazenda Nacional, ou seja, sede e estádio estão indo a leilão para que o clube quite débitos com a União.

Não é a primeira vez, e gostaria que esta viesse a ser a última, que somos surpreendidos com o anúncio de que equipamentos do Náutico estão na pauta de leilões. O fato, que se tornou corriqueiro, não deixa de causar indignação por ser um reflexo da fragilidade das gestões do clube alvirrubro.

O não pagamento de tributos a União é a articulação de uma "bomba" que um dia vai estourar. Aconteceu na atual gestão. O que nos deixa perplexo é a facilidade que existe para se negociar este tipo de débito, mas os gestores de plantão preferem empurrar a coisa de barriga, comprometendo o futuro da agremiação.

Sempre que um equipamento de um dos clubes pernambucanos vai a leilão, a sensação é de que tudo será resolvido. É como se deixar a solução do problema para a última instância fosse o procedimento mais correto a ser adotado. Ledo engano. Além da negligência que macula a gestão causadora do caos, existe o risco de o clube vir a perder o seu patrimônio.

Impossível?

Não. Temos o exemplo do Santa Cruz que perdeu sua antiga sede, situada na Avenida Beberibe. O histórico equipamento tricolor foi adquirido por uma empresa que vende material de construção em um leilão. O clube recorreu, a pendenga segue na Justiça. Mas o fato é que o pior aconteceu.

A sede e o estádio do Náutico estão no coração dos Aflitos, um dos bairros mais cobiçados do Recife, onde o metro quadrado é um dos mais valorizados na Capital Pernambucana. Recordo que, há poucos anos, havia uma ala de alvirrubros embriagados pelo canto da sereia, que defendia a venda do Estádio Eládio de Barros Carvalho. Surgiram várias cartas com propostas. As ofertas nunca foram reveladas, até que o tempo varreu o que poderia ter sido uma insanidade coletiva.

Bom!

A sede e o estádio do Náutico estão na pauta de um leilão. Ninguém fala, até porque o assunto dominante nos jornais e telejornais é o leilão do Aeroporto dos Guararapes.

Que o clube não seja vitima do silêncio dos inocentes.

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Futebol Pernambucano
A espera de mudanças
postado em 11 de maro de 2019

CLAUDEMIR GOMES

 

Após um período sabático estamos de volta. Foram 12 dias de reflexão buscando respostas que alimentassem meu otimismo e esperança de dias melhores para o futebol pernambucano. Encontro, nas redes sociais, anúncio da participação do presidente da FPF, Evandro Carvalho, no programa Roda Viva, comandado pelo jornalista, Aldo Vilela, na próxima quarta=feira.

O futebol pernambucano atravessa uma das piores crises de sua história secular. Mas, quem escuta as entrevistas do presidente da FPF, fica com a impressão de que estamos voando num céu de brigadeiro, sem nenhuma turbulência.

Evandro circula pelos bastidores do futebol há mais de três décadas. Chegou a FPF na companhia de Fred Oliveira, quando este foi eleito presidente da entidade numa acirrada eleição com o então Cel. Sebastião Rufino. Fred foi eleito pelo chamado "baixo clero". Anos depois, Carlos Alberto Oliveira sucedeu o irmão na presidência da casa, e manteve Evandro Carvalho na diretoria jurídica.

A fidelidade aos irmãos Oliveira elevou Carvalho ao cargo de primeiro vice=presidente da FPF, na última eleição disputada por Carlos Alberto, que teve uma morte súbita e foi substituído pelo seu primeiro vice, seguindo o que reza no estatuto da entidade.

A partir daí começaram os equívocos e a queda vertiginosa do futebol pernambucano.

Habilidoso no trato das palavras, o novo comandante da Federação Pernambucana de Futebol, envolveu, com um discurso frágil, uma imprensa juvenil, enquanto os fatos nos mostravam que o futebol pernambucano mergulhava no caos.

Sem prestígio na CBF, embora tenha sido defensor de José Maria Marin, que segue preso nos Estados Unidos, e o seu sucessor, Del Nero, que foi deposto do cargo de presidente da entidade nacional para não ser encarcerado também, Evandro Carvalho passou a ver suas palavras se perderem ao vento.

A edição do Pernambucano 2019 é a pior da história do campeonato estadual; a interiorização que ganhou musculatura na administração de Carlos Alberto Oliveira, se desidratou, e são poucas as possibilidade de se achar um tônico revigorante neste cenário de devastação.

Contra fatos não há argumentos, mas vamos aguardar o discurso do comandante.

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