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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
A bola esbarra na trave várias vezes, mas um dia vai entrar. O futebol nos mostra isso há mais de cem anos. Tem quem não acredite, e siga dando bolas pro azar. Os poucos torcedores que foram ao Arruda, ontem à noite, com a certeza de que testemunhariam a classificação do Santa Cruz para as semifinais do Pernambucano, se renderam a uma verdade imutável.
Quem acompanhou, com atenção, o desempenho do Tricolor do Arruda nas suas últimas apresentações, observou que o time do técnico Leston Júnior caminhava com a lanterna dos afogados nas mãos.
Confesso que lembrei do Skank:
"à pacato cidadão, te chamei a atenção
Não foi à toa, não...".
Vamos louvar a quem merece ser louvado! Portanto, o momento é do técnico do Afogados, Pedro Manta.
Viva Manta! Palmas pra Manta!
Lembro de quando ele trabalhava na Federação Pernambucana de Futebol, como um dos assistentes técnicos do José Joaquim Pinto de Azevedo, e falava sempre da necessidade de as equipes intermediárias terem uma "pegada forte no meio campo".
O tempo passou, Pedro Manta abandonou o serviço burocrático e foi fazer o que mais gosta: trabalhar no campo, onde coloca em prática os seus conhecimentos, com lisura, seriedade e honestidade.
Manta aprendeu a lidar com dificuldades e limitações, com estruturas deficitárias, e sob a pressão natural, constante e permanente da superação pela sobrevivência. Esta é a realidade dos clubes do Interior cuja fragilidade das estruturas é incontestável.
Dentro de sua realidade, Pedro Manta já podia ser coroado como o "melhor treinador do Pernambucano 2019", ao levar o time de Afogados da Ingazeira a conquistar uma vaga no Brasileiro da Série D de 2020. Fato inédito na história do clube sertanejo.
Foi além da meta: conquistou uma vaga para as semifinais do Estadual, medindo forças com o Santa Cruz, no Arruda.
A alquimia utilizada por Manta foi a da pegada forte, aprimorada com uma ousadia que surpreendeu o adversário no primeiro tempo de jogo.
Bom! Depois de bons trabalhos desenvolvidos em Serra Talhada, em Petrolina e agora em Afogados da Ingazeira, só me resta saudá-lo como "Herói do Sertão".
"à pacato cidadão, te chamei a atenção
Não foi à toa, não...".
CLAUDEMIR GOMES
Aguardo, com relativa ansiedade, o amistoso que a Seleção Brasileira fará hoje a tarde, com a República Checa, em Praga. O adversário foi goleado, semana passada pela Inglaterra, jogo válido pelas Eliminatórias da Eurocopa. Por outro lado, o Brasil deu vexame no amistoso com a frágil seleção do Panamá, quando amargou um empate de 1x1. Naturalmente que, diante de tal cenário não estou vivendo a expectativa de um jogão de bola, quero apenas ver se o Brasil se desvencilhou da letargia que foi o seu grande adversário no sábado.
Esta data FIFA em curso, nos permitiu fazer uma avaliação de algumas seleções, sem muito aprofundamento, evidentemente, mas o suficiente para chegar a conclusão de que o grupo comandado pele técnico Tite segue patinando, sem sair do lugar.
Vimos apresentações da Inglaterra, Portugal, Bélgica, Holanda e França, fato que nos proporcionou traçar um paralelo entre o time brasileiro e os conjuntos citados. Mesmo considerando o grande desfalque de Neymar, não é possÃvel alimentar bons sentimentos sobre o futuro do futebol verde e amarelo. O Brasil continua sendo um grande celeiro, mas não tem conseguido evoluir, dar o salto necessário para deixar a condição de paÃs formador.
Em junho vamos ter mais uma edição da Copa América. As seleções estarão recheadas de jogadores que são titulares em seus respectivos clubes europeus. Contudo, a sensação que fica é de que os "craques" regridem quando vestem as camisas das seleções sulamericanas. Messi não consegue o mesmo protagonismo que tem no Barcelona quando veste a camisa da seleção argentina. Firmino, no amistoso do Brasil com o Panamá sequer foi um caricato do atacante que é quando vai a campo defender o seu clube, o Liverpool. Numa linguagem popular podemos afirmar que, "as seleções sulamericanas não estão dando liga".
Fazer uma comparação técnica entre uma edição da Eurocopa, competição que reúne 24 seleções, e uma edição da Copa América, vamos observar que existe uma distância abissal, fato que torna as seleções européias, cada vez mais favoritas aos futuros tÃtulos mundiais.
A jovem seleção francesa, atual campeã do mundo, tem envolvido seus adversários com um futebol arte e uma objetividade impressionante. A harmonia e a força do conjunto deixam evidenciada a conscientização dos jogadores em relação a importância do coletivo. O talento individual se sobressai de forma natural, contudo, a responsabilidade da vitória é do grupo que possui vários pontos de desequilÃbrio.
Semana passada, numa dessas mesas redondas que a televisão nos oferece, vi uma discussão entre Júnior, Tite, Caio, Murici, Róger... sobre a qualidade dos times brasileiros.
"Não podemos comparar os times brasileiros com os europeus porque lá eles têm seleções", observou Júnior em dado momento. De pronto foi compreendido e apoiado por todos. Mas a qualidade dos jogadores foi reconhecida.
Entendemos que, os outros paÃses também têm jogadores de qualidade, talentos inquestionáveis. O que não se conseguiu na América do Sul foi enxergar fora da caixa quando o quesito é tático. A movimentação das seleções da Bélgica, França e Inglaterra impressionam. Outras estão no processo de reformulação, para seguir com a evolução. à isto que não vimos nos selecionados do nosso continente.
Bom! Nos resta alimentar a esperança na dinâmica do futebol e numa metamorfose que mude todo o cenário. O que é pouco provável.

ROBERTO
VIEIRA
O Estádio do Morumbi acaba de ser tombado pelo patrimônio público bandeirante. Obra que demorou mais de uma década para ser concluÃda pelos apaixonados tricolores, mercê de treze anos sem tÃtulos e com times chinfrins, o antigo estádio é memória quase viva da paixão nacional.
Aqui em Pernambuco, o Estádio dos Aflitos, que está completando cem anos de existência, monumento mais antigo do futebol nordestino, e dos mais antigos do Brasil ainda em atividade, verdadeiro vovô dos campos de futebol nacionais, também deveria merecer a distinção.
Por honra, merecimento, história, cultura, tradição e preservação. Os Aflitos com seus dramas e alma imortal é cada de todos os torcedores que amam a bola no pé. à casa não só dos alvirrubros.
Para que não aconteça ao nosso singelo coliseu o mesmo que aconteceu a tantas outras construções deste Recife luso-holandês. Como a Casa Navio de Aderbal Costa Carvalho, destruÃda por um progresso medieval, obscurantista. Pré-histórico.
PAULO CEZAR CAJU - O GLOBO
Depois da ligação direta, lado de campo e jogador agudo, a nova criação do jornalismo esportivo é dizer que determinado time tem a digital do treinador. E basta um falar para todos os outros seguirem a cartilha. Tinha uma campanção antiga de João da Praia que se encaixava bem nesse momento: "aonde a vaca vai,o boi vai atrás".
Se você zapear e parar um pouquinho em cada uma das mesas redondas, entenderá que nossos comentaristas também estão engessados: grande parte pelo menos. "O Palmeiras tem a digital do Felipão", atestou um deles. Na verdade, "aode a vaca vai, o boi vai atrás" tem tudo a ver com a escola dos nossos treinadores. E justamente Felipão lidera a lista, afinal, é o mais velho, foi campeãodo mundo jogando na retranca e continua em atividade. à seguido por Tite e todos os outros que vocês já conhecem.
AÃ, quando surge um Sampaoli, o "analista da bancada" diz que o seu time joga de forma previsÃvel. Pior ainda, quando surge um artilheiro, artigo rarÃssimo no futebol atual, e a comentarista que "Gustagol não faz bem ao Corinthians porque o time é obrigado a jogar em função dele...". Ué, vai jogar na função de quem não sabe fazer gol? Outro dia, uma falou que não aprovava a contratação de Cuervas porque o Santos já estava cheio de jogadores baixos. Eu escalo um time só com jogadores baixos e que dificilmente perderia.
Saindo do Brasil, o Atlético de Madrid tem a digital de Simenone. Se não tivesse, o craque Griezmann não seria tão subaproveitado. Os comentaristas atuais amam Carille, Felipão e cia, e torcem o nariz para quem tenta resgatar nossa essência, como Fernando Diniz e Sampaoli. Atualmente moro em Floripa e é duro ver o Figueirense de Hemerson Maria, e o Avaà de Geninho, jogarem. Entram para não perder e ponto. Alberto Valentim usou um time de reservas contra a Cobofriense e perdeu. Qual outra competição importante o Vasco joga para agir assim? No Flamengo, o jogador mais caro da história do clube briga para ser titular!!!
Com Vitinho não é diferente. Essa não vou entender nunca! A grande verdade é que o torcedor atual também enxerga o futebol de outra forma. Nas redes sociais, um jovem disse outro dia que aquela série de dribles de Clodoaldo contra a Itália, na Copa de 70, não aconteceria hoje porque a marcação era fraca. Ai eu pergunto: por que com a marcação forte de hoje Iniesta faz a mesma coisa? Jairzinho são sobreviveria, dizem outros. Então porque Messi, acima dos 30 anos continua deixando os seus marcadores para trás?
Como não sei desenhar,
tentarei explicar mais uma vez: quem é craque será sempre craque e quem é
crucutu será semre brucutu. O problema de hoje é que os treinadores valorizam
mais os brucutus, ainda mais se eles tiverem barbonas enormes, fizerem cara de
mau e derem socos no ar após cada carrinho. Sou nostálgico mesmo, do tempo em
que digital era só na carteira de trabalho, as vacas que puxavam a fila eram
premiadas e os bois não se deixavam domar facilmente.
OBS: MATERIAL COPIADO DO BLOG DE JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO
CLAUDEMIR GOMES
A diretoria do Sport sofreu sua primeira baixa, com a renúncia, em caráter irrevogável, do vice-presidente de patrimônio, Guilherme Albuquerque, fato que ocorreu na noite da segunda-feira quando o titular da pasta entregou carta-renúncia ao presidente executivo, Milton Bivar.
Trata-se de um desfalque substancial. Guilherme Albuquerque é uma referência na Ilha do Retiro, tanto pela história de sua famÃlia dentro do clube, quanto pelos serviços que prestou como atleta e dirigente, tendo ocupado diversos cargos, dentre eles a presidência do Conselho Deliberativo.
"Tudo ao nosso redor é patrimônio!".
Foi com esta frase simples, que Guilherme justificou sua decisão. Ao entregar minucioso relatório da atual situação do patrimônio do clube rubro-negro, o ex-comandante da pasta do patrimônio, arquiteto por formação, expôs que se faz necessário interferências em todos equipamentos existentes no complexo sócioesportivo da Ilha do Retiro.
Como recuperar tal patrimônio?
Este o desafio. Com parcas receitas e um turbilhão de prioridades, os atuais gestores não fizeram nenhum planejamento. Atuam como "bombeiros", apagando focos de "incêndio". Sem orçamento para investir nos reparos, consertos e recuperação dos equipamentos, os dirigentes ligados a diretoria de patrimônio têm atuado como perfeitos "ouvidores", uma vez que, não dispõem de recursos para equacionarem os problemas.
De mãos atadas, e com a certeza de que não poderia corresponder as expectativas numa das diretorias mais importantes, mas sem orçamento, Guilherme se desvencilhou do peso das cobranças, e deixa a diretoria sem ser chamuscado pelas acusações de não ter realizado um bom trabalho, o que fatalmente acontecerá.
Os esforços do presidente, Milton Bivar, em busca de recursos e investidores, são notórios, mas a prioridade das prioridades, no momento, na Ilha do Retiro, é recolocar o Sport na Série A nacional, e resgatar o passivo com o pessoal.
Como diriam os navegadores de antigamente: "Navegar é preciso, viver não é preciso".
Para Guilherme Albuquerque, investir no patrimônio também é questão de sobrevivência para o clube.