Histórico
Copa do Nordeste
O péssimo nível do futebol
postado em 04 de fevereiro de 2019

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo

 

Embora seja difícil de acompanhar os jogos da Copa do Nordeste por conta da Tabela Pingadinha, estamos conseguindo assistir alguns desses em especial aqueles com a participação dos pernambucanos.

A competição tem a cara da pobreza do atual futebol nordestino, com pouca qualidade técnica e sem nenhuma emoção.

Na verdade os clubes estão utilizando os estaduais e esse torneio como laboratórios para os jogos mais importantes da Copa do Brasil e do Brasileirinho. Os time estão desorganizados, e o futebol rastejando nos gramados.

Como não assistimos o jogo do Botafogo/PB e Fortaleza, o vimos no dia de ontem pelo vídeo e ficamos decepcionados mais uma vez com o futebol apresentado pelos dois times, e em especial pelo tricolor cearense que faz parte da Série A Nacional.

O time paraibano bem frágil, mas jogou melhor e mereceu a vitória por 1x0, no estádio Almeidão. Rogério Ceni, técnico do Fortaleza, colocou em campo quatro estreantes, e povoou o meio de campo para evitar o ataque do Belo.

Quando a partida corria para terminar empatada, aos 43 minutos, Paulo Renê marcou o gol da vitória do alvinegro paraibano.

Pelo que vimos do Tricolor do Pici, se não melhorar será um saco de pancadas na maior divisão do futebol brasileiro.

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E se...6. Leônidas
postado em 04 de fevereiro de 2019

ROBERTO VIEIRA

 

O presidente da Confederação Brasileira de Desportos, Luís Aranha, prometeu uma casa para cada jogador brasileiro. Bastava vencer a Itália do técnico Pozzo. O irmão dele, o ministro de Getúlio Vargas, Osvaldo Aranha, achou um pouco exagerado aquilo tudo. Mas o próprio Vargas gostou da idéia. Vencer Mussolini não tinha preço. Leônidas estava machucado e seria poupado pelo treinador Ademar Pimenta do jogo semifinal. Para Pimenta, o Brasil já estava na final, e as passagens para Paris estavam todas compradas, de avião. Ninguém imaginava outro resultado.

Ninguém menos Leônidas.

Ele já era o maior jogador da Copa do Mundo. Ele já era uma lenda em território francês. Mas algo lhe dizia que apenas uma coisa poderia macular sua carreira para sempre. Parecer que fugira ou que recebera suborno dos italianos, caso o Brasil perdesse.

Pior. A briga entre Pimenta e Tim continuava. Sem Leônidas e sem Tim era dar muita sopa pro azar.

O telegrama chega do Brasil. Uma reunião acontece na madrugada de Marselha. Tim e Leônidas precisam jogar de qualquer maneira. Eles e Romeu ganhariam de Foni, Rava, Serantoni e de todos os camisas negras dessa Copa. Além do mais, se a torcida francesa já era toda brasileira, com a presença do elástico humano seria um delírio.

Mussolini se informa sobre a semifinal. Já era campeão do mundo e das Olimpíadas. No momento, era até mesmo considerado como o homem sobre o qual se equilibrava a frágil paz europeia. O contrapeso de Hitler. Um ditador com quem se podia conversar.

Mas Mussolini queria mais. Ele queria informações sobre a vida particular dos brasileiros. Todos tinham algum segredo.

A Itália era excepcional. Melhor que a campeã de 1934. Aldo Olivieri era o grande arqueiro da Copa, juntamente com Planicka. Meazza era deus e comandante da squadra. Silvio Piola era o maior atacante que a velha bota já produzira ou voltaria a produzir. Uma máquina de gols a serviço do Pro Vercelli. Não havia o argentino Monti para nocautear adversários, porém havia o uruguaio Miguel Ángel Andriolo Frodella que fazia tudo melhor e sem dar na vista dos juízes.

Mesmo assim%u2026 havia Leônidas. E Leônidas era a surpresa que Pozzo não queria ter pela frente.

Hoje tudo virou história. Mas até as primeiras horas da manhã do dia 16 de junho de 1938, os italianos juravam de pés juntos que Romeu, Tim e Leônidas não jogariam juntos.

Foi quando a equipe brasileira subiu dos vestiários pelo túnel helicoidal de Marselha que a surpresa ganhou contornos épicos. Como uma vingança abissínia fora de hora. Com Leônidas em cores etíopes aparecendo diante do marechal Pietro Badoglio.

Correto. As informações dos espiões de Mussolini e Pozzo sobre Domingos da Guia eram verdadeiras. Gripado, em péssimo dia, escalado numa formação tática obsoleta, o Divino Mestre desmoronava a cada ataque de Colaussi. Ele e Piola se aproveitaram da fragilidade defensiva do Brasil como Willimowski fizera na abertura da Copa quando a Polônia meteu cinco bolas nas redes brasileiras.

O problema italiano porém, como o dos poloneses, foi exatamente Leônidas. O Diamante Negro jogou o que sabia e o que não sabia sob o peso da responsabilidade de ser crucificado em caso de derrota do selecionado. E Leônidas não estava sozinho. Romeu se sentiu como se estivesse envergando a camiseta do Palestra Itália ou Fluminense. Fez gato e sapato de Foni. Tim, então? Feliz por participar da semifinal, Tim transformou Marselha num salão de baile on the rocks.

O resultado de 5×2 não diz realmente o que as imagens do youtube mostram a quem deseja testemunhar o jogo atualmente. Nem mesmo a manobra de Piola sobre Domingos da Guia, tirando o zagueiro do sério como haviam ensinado os espiões de Pozzo surtiram efeito. O pênalti que Domingos cometeu agredindo Piola sem bola foi convertido por um desconcertado Meazza segurando seu calção com um barbante %u2013 instantes antes o calção de Meazza se rasgara e ele ficara momentaneamente seminu em campo depois de uma caneta de Tim.

O árbitro marcou o pênalti e expulsou Domingos da Guia. Só que o placar já estava liquidado.

 Domingos jamais revelou o que ouviu de Piola, assim como Zidane fez em relação em relação a Materrazzi décadas depois. A tática italiana não levou ao título como em 2006. Nada conseguiria parar o Brasil naquela tarde.

Por um instante em Marselha, o mundo comemorou embevecido a derrota do fascismo e o triunfo das cores morenas longe das senzalas. O Brasil negro, mulato, imigrante, singelo, bateu os super-homens de Pozzo.

Leônidas terminou a partida com os músculos arrebentados.

 Mas havia um sorriso maroto nos lábios do atacante.

Um sorriso de garoto perdido em seus sonhos.

Afinal de contas, como bem recordou o gênio anos depois, Leônidas se sentiu em casa no Stade Vélodrome.

O campo de futebol era cercado por uma bela e histórica pista para corridas de%u2026 bicicleta.

Os deuses do futebol também sabiam fazer piada de vez em quando.

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E se...3. Cláudio Coutinho
postado em 01 de fevereiro de 2019

ROBERTO VIEIRA

 

Havia sido outro erro da juventude. Xingar Figueroa na estréia era uma coisa, sacudir a camisa nos pés do técnico Cláudio Coutinho ao ser substituído na seleção era fato bem diferente. O menino prodígio  do futebol brasileiro sabia que estava com os dias contados. Ainda mais para jogar a Copa da Argentina videlista. Bom mesmo se contentar com o manto colorado e ficar tomando chimarrão ao lado de Quintana.

Coutinho se debate na hierarquia.

A Copa será jogada em overlappings e pontos futuros no pretérito do continente. Falcão era o holandês perfeito para o meio campo. Com ele e Dirceu a seleção jogaria o futebol dos seus sonhos cibernéticos. Caso ele chamasse Marinho Chagas para a lateral esquerda, a mídia iria aplaudir e apenas Leão sairia bufando sua juba. Só que Marinho era bruxa demais para o escrete de capitães e almirantes. Ou não?

Noite carioca. O som de João Gilberto invade a madrugada do técnico. A música parece dizer ao treinador o caminho para a Copa.

Sem ninguém saber, Carlos Coqueijo Costa e Alcivandro Luz escalam a seleção.

Cláudio Coutinho surpreende até a si mesmo.

Cerezo, Falcão, Rivelino e Zico.

O moleque Careca com dezessete anos e nove meses na frente.

Dirceu nas onze.

Nelinho e Marinho nas alas.

Amaral e Oscar dando conta do recado.

Chicão, Gil e Edinho para o banco.

Leão agarrando tudo lá atrás.

Tirando foto abraçado com Marinho.

Amigos para sempre.

O Gigante de Arroyito anoiteceu com o Brasil que Videla não queria, Hijo de una... condores eram condores e deviam ser respeitados. Mas aquilo que se via no gramado era tudo o que a cúpula portenha não queria ver.

Tarantini atarantado. Ardiles procurando quem marcar, mas a pelota ia de pé em pé por sobre o papel higiênico sem se importar com o urro sepulcral de milhares de heramanos diante de Luque e Kempes adormecidos.

"Cadê Maradona, Menotti imbecil?".

Falcão fez o primeiro e correu para abraçar Coutinho. Marinho acertou o ângulo de Fillol da intermediária. Dirceuzinho correu duas maratonas em noventa minutos. O Brasil estava na final da Copa de 1978 com todos os méritos e deméritos da europeização com que o capitão decidira implantar na canarinha.

Claro que o oba, oba perdeu a final. Entre o jogo contra a Argentina e a final diante da Holanda, centenas de políticos, militares, empresários e chacretes invadiram a concentração. Todos querendo fotos com os novos campeões do mundo.

A Holanda já conhecia bem aquele carnaval. Caíra na mesma esparrela na Copa de 1974.

A vitória holandesa com gols de Rosenbrink e Neeskens foi justa. O placar poderia ter sido até mais dilatado.

Muitos juram até hoje que rolou muito dinheiro na conta dos jogadores do Brasil. Muitos se ajoelham e insistem que a Copa foi vendida por milhões e milhões de pesos e dólares. A Argentina queria a taça, mas também não estava ali para aplaudir o Brasil tetracampeão, bradavam muitos na mídia.

A multidão comprou a infâmia e sacudiu moedas na seleção que desceu no Rio de Janeiro.

Mas será que a seleção brasileira daria uma de peru, morrendo de véspera por um punhado de grana?

Será que é mesmo verdade que o general Videla esteve em pessoa no vestiário brasileiro antes do começo da partida?

Pra quem ama o futebol, muito melhor é ficar com as imagens do baile da seleção de Coutinho em Rosário. Um baile do futebol do passado mesclado com o futuro comandado pelo menino Falcão sob a batuta da revolução do saudoso Cláudio Coutinho.

Coutinho que aprendeu.

No futebol é preciso perdoar.

Sempre.

Principalmente, o craque.  

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