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Maio 2012 ›› JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Com raras exceções, as mesmas de sempre, os estádios que abrigam os jogos dos estaduais estão ociosos, numa demonstração de que o torcedor perdeu a simpatia por este tipo de competição.
O Grêmio, na noite da última segunda=feira, jogou numa arena vazia, com um número reduzido de torcedores. Haja prejuÃzo.
O futebol nacional tem embutido um sadismo explÃcito, quando os clubes pagam para jogar e ficam alegres com o sofrimento.
Ano após ano, as respostas aos estaduais estão ficando mais claras, enquanto os anestesiados não percebem o que está acontecendo no seu entorno.
Fizemos uma radiografia nos moribundos estaduais pelo Brasil afora, e os números são chocantes, com médias de público de jogos de Ligas do Interior.
Apenas três Estados ultrapassaram a média de cinco mil pagantes por jogo: São Paulo = 7.641; Rio de Janeiro = 5.808, e por incrÃvel que pareça, o Pará com 5.358. Os demais a média de público ficou abaixo de 4 mil torcedores.
A Caravana da Miséria continuou a percorrer o PaÃs de Norte a Sul, e a cada Estado observamos a imagem da decadência que tomou conta do futebol brasileiro, em especial nessa competição.
Dois campeonatos tiveram médias acima de três mil pagantes por jogo: Minas Gerais = 3.938 e Rio Grande do Sul = 3.412.
Com média acima de dois mil torcedores aparecem cinco campeonatos: Bahia = 2.876; Paraná = 2.770; Santa Catarina = 2.590 e Alagoas = 2.141.
Em sete Estados os campeonatos apresentaram médias acima de mil torcedores por jogo: PERNAMBUCO = 1.950; Goiás = 1.858; Rio Grande do Norte = 1.827; Ceará = 1.473; ParaÃba = 1.479; EspÃrito Santo = 1.015 e Sergipe = 1.011.
Outros oito Estados somam público abaixo de mil pagantes por partida: Maranhão = 915; BrasÃlia = 754; Rondônia = 711; Piauà = 654; Mato Grosso = 540; Amazonas = 442; Mato Grosso do Sul = 418 e Acre = 217.
São números reais que foram tirados das imagens, e que comprovam o que estamos perguntando há vários anos: PARA QUE SERVEM OS ESTADUAIS?
As federações têm a obrigação de responderem a pergunta, pois são elas que mantém o moribundo ainda vivo numa UTI.
Pobre futebol brasileiro que vive no mundo de forma alienada, e realizando competições com os clubes pagando para jogar.
Nem Freud poderia explicar.
CLAUDEMIR GOMES
Semana passada, o amigo, Gilberto Lyra, torcedor do Santa Cruz, se preparou para assistir ao confronto do seu time com o Náutico, válido pela Copa do Brasil. A partida estava transcorrendo dentro de um nÃvel técnico tão baixo que ele tomou a atitude de desligar a televisão e passou a acompanhar o jogo pelo rádio.
"Os narradores têm a magia de repassar uma emoção que não existe na realidade", me confessou Gilberto como se estivesse justificando o seu comportamento.
No final de semana, assistir ao confronto do Barcelona com o Sevilla, com direito a um show particular de Messi, e a dois jogos do futebol inglês. Não me senti atraÃdo para ver nenhum jogo de campeonatos ou copas que hora acontecem pelo Brasil afora.
Desde a semana passada que o futebol pernambucano foi dragado pelo carnaval. Para se ter uma idéia, os assuntos que mais chamaram a atenção dos torcedores foram fatos que ocorreram extra campo: a divisão de renda e premiação entre Náutico e Santa Cruz, no clássico, e a insana tentativa da diretoria do Sport em querer trazer Diego Souza de volta para a Ilha do Retiro.
O Pernambucano, neste modelo conta=gotas, não desperta o interesse do torcedor, muito pelo contrário, o deixa mais perdido do que cachorro em caminhão de mudança. Vale lembrar que temos clubes no Estado disputando três competições simultaneamente: o Estadual, a Copa do Nordeste e a Copa do Brasil.
O primeiro semestre no futebol brasileiro é mais confuso que os grandes teoremas. As fases iniciais das competições não servem pra nada, razão pela qual os torcedores viram as costas para o que, em outras épocas, era prioridade para eles. Para piorar a situação, é justamente a melhor fase do futebol europeu, quando acontecem as grandes decisões.
Enfim, enquanto não houver um alinhamento de calendário, ficaremos perdidos no espaço.
à meu caro amigo Gilberto Lyra!
A alternativa é mesmo ligar o rádio e dar asas a imaginação. Apesar da televisão nos mostrar tudo ao vivo, e a cores, temos que valorizar o pressuposto.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo
O Conselho Deliberativo do Sport, na reunião da terça=feira (19), tomou conhecimento do Passivo do clube que foi deixado pela gestão anterior no total de R$ 118.530.187,43.
No primeiro olhar esse chocou pelo seu tamanho exagerado para um clube com poucas receitas, mas existem alternativas plausÃveis para reduzir o impacto na sua vida financeira.
Do total de débitos, quase 50% dos valores estão relacionados aos Tributos Atrasados (R$ 57.980.478,81), que poderão ser parcelados através de um acordo com órgãos credores.
Aliás, o Sport está pagando por mais um erro das gestões Martorelli e Arnaldo Barros, quando não aceitaram entrar no Profut, com, com o único objetivo: o de se livrarem da responsabilidade fiscal.
Com um parcelamento que deve ser feito dentro de sua capacidade de pagamento, o passivo ficaria no total de R$ 60.549,708,56, sendo que o rombo maior está nos itens:
Folhas de 2018: R$ 21.787.463,41;
Agenciamento/Luvas de Atletas, 2018/2019: R$ 13.997.452,13;
Rescisões 2018: R$ 7.129.566,95;
Agenciamento/Imagens/Distratos à Vencer: R$ 6.717.767,29;
TOTAL DOS ITENS: R$ 49.632.259,77.
Desta soma deverão ser excluÃdos, mais ou menos, R$ 13 milhões, por conta dos acordos que foram realizados na atual gestão, com alguns atletas que foram liberados, restando R$ 36.632.259,77 para que um bom negociador possa tratar de discutir com as partes como esses serão liquidados.
O resumo da história é que esse buraco tão profundo se deu por falta de uma boa gestão, e sobretudo de transparência, que escondeu nas profundezas do inferno tantas mazelas.
Não adianta mais chorar com o leite derramado, e sim começar a trabalhar com a cabeça no lugar, sem açodamento, e depois abrir um processo no Conselho do Clube por conta de tais acontecimentos.
O futebol brasileiro tem que ser escancarado, para que no futuro não tenhamos casos como esses.
CLAUDEMIR GOMES
A televisão nos oferta um cardápio fantástico de futebol. Do clássico ao grotesco, tem espetáculo para todos os gostos. Sem perceber vamos nos tornando escravos da poltrona. A comodidade; o receio da violência proporcionada pelas torcidas organizadas; a falta de conforto na maioria dos estádios, esses e outros fatores, aliados a desorganização e falta de qualidade que impera no futebol brasileiro, contribuem para uma mudança de hábito e comportamento.
O fascÃnio dos estádios cheios, o clima contagiante de festa, são marcas registradas do bom futebol que nos dias de hoje parece ser privilégio dos europeus. Evidente que a solidão da poltrona não nos proporciona nada disso, mas nos deixa com uma prerrogativa de mudança de cenário. Afinal, estamos na era digital. Com o controle na mão temos este poder. Se a partida do Campeonato Inglês não está me agradando, de imediato mudo de canal e vou me deliciar com o clássico espanhol...
Prometi a mim mesmo que, no final de semana não me conectaria com os jogos dos campeonatos europeus. As atenções estariam concentradas no futebol brasileiro. Nas nossas coisas.
Constatei que o amigo, José Joaquim Pinto de Azevedo, está coberto de razão quando afirma que "estamos vivendo a era da imbecilidade".
Nada mais patético e grotesco do que a briga de dirigentes do Vasco e do Fluminense por conta do posicionamento das torcidas no Maracanã. Uma coisa que começou em 1950, e que perdura até hoje. Insanidade total dos atuais gestores. A partir daà passamos a ver um festival de lambanças que culminaram com a explosão de uma violência inconcebÃvel.
Esqueçamos o Rio de Janeiro.
Vamos ao clássico pernambucano. O melhor deles: O Clássico das Multidões, o confronto entre os dois clubes donos das maiores torcidas do Estado.
Primeiro impacto negativo: Na Avenida Agamenon Magalhães, um dos maiores corredores de transito do Recife, a PolÃcia Militar escolta a torcida organizada do Sport. Os "aloprados", não estavam indo para um jogo. Se portavam como se fossem para uma guerra civil.
Segundo impacto negativo: A qualidade técnica do jogo. Estamos falando de dois times que são cotados para brigarem pelo tÃtulo estadual. à duro constatar o quanto o futebol pernambucano se apequenou. O Estadual é um caricato em comparação a competição que foi em décadas passadas.
Terceiro impacto negativo: O frangaço de Magrão. O goleiro do Sport havia falhado três vezes na derrota do seu time para o Tombense, no meio da semana, no Interior de Minas Gerais. Jogo válido pela Copa do Brasil. Chorou no vestiário. Pediu ao técnico Milton Cruz uma nova oportunidade. O passado lhe creditou a chance de se reabilitar. E o Ãdolo falhou mais uma vez. Não respeitou a imposição do tempo. A nova derrota do Leão foi posta na sua conta.
Quarto impacto negativo: O pênalti que não foi. O saudoso, Carlos Alberto Oliveira, costumava dizer que, "o diabo entra em campo no tempo da prorrogação". Foi justamente o que aconteceu. Num lance de pura interpretação, o jogador do Santa Cruz corta a bola, de cabeça, e ela resvala no seu braço. As opiniões se dividiram. A Fifa manda respeitar o primeiro toque, ou seja, a cabeçada. A confusão se formou e o protagonista passou a ser Juninho, um jovem que já vive sob alça de mira por conta de um comportamento violento que lhe desabona.
A solidão da poltrona me impõe uma clausura que não condiz com a alegria do futebol.
As asas da liberdade nos mostram que tudo está mudado. Aportamos na "Era da Imbecilidade".
CLAUDEMIR GOMES
O pano caiu!
As autoridades começaram a vistoriar os CTs, alojamentos e concentrações de base nos grandes clubes. Em São Paulo a Prefeitura deu um prazo de 90 dias para os clubes regularizarem seus equipamentos.
Não sei se a medida será copiada em outros Estados.
Segunda=feira, no Bem Amigos, o apresentador, Galvão Bueno, tirou o assunto da pauta de discussão com um simples: "Calma! à preciso muita calma neste momento".
Quando o assunto descamba para os clubes de futebol há sempre alguém evocando o "jeitinho brasileiro".
à o viés da emoção. Afinal, se apertarem o parafuso os clubes fecham. Este é o argumento chave.
E logo o viés polÃtico surge como solução para alinhavar a "cortina".
Acredito que todos, pelo menos os mais atentos, devem recordar que a grande CPI que foi instaurada com o objetivo de moralizar o futebol brasileiro deu em pizza.
O desfecho final foi imoral.
A época, a CBF montou uma espécie de Quartel General em BrasÃlia, com o intuito de fortalecer a "Bancada da Bola".
Um ou outro jornalista externou sua indignação, mas os "gritos" foram dragados pelo vento. Palavras ao vento não produzem eco.
O grande desafio do jornalista é não perder a indignação.
As frustrações acontecem de enxurrada. O repórter apura o fato e nem sempre consegue publicar. A "censura" vem de cima para baixo. O dono do jornal se encarrega de calar a boca do profissional para atender aos pedidos dos amigos. Afinal, os polÃticos e os empresários sempre têm razão. As empresas de comunicação sobrevivem de anúncios. Isto é fato.
E assim a bola vai rolando nas concentrações insalubres, que nunca receberam uma visita da vigilância sanitária; do Corpo de Bombeiros...
"à a confinação do gado", como bem diz o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo.
Certa vez fui apresentado a um executivo de uma multinacional. Ele falou que o seu filho era dono de um talento diferenciado e que gostaria de fazer um teste em determinado clube. A pedido, lhe abri as portas para que ele levasse seu rebento promissor. Dias depois ele me ligou e agradeceu a gentileza, mas ao observar as instalações da concentração ele declinou da idéia.
O garoto acabou sendo um grande piloto de kart.
A lama que escoa nos bastidores do futebol frustra sonhos de jovens em doses homeopáticas. Os dirigentes, os gestores, os procuradores e até a imprensa, com a exceção de raros profissionais, se acostumaram com o estado de coisas.
A morte de quase um time inteiro de jovens promissores do Flamengo fez o pano cair.
E todos começaram a ver que a cozinha precisa de um tratamento urgente.
"Coisas do futebol brasileiro", como diria o saudoso, Edvaldo Morais.