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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Um anúncio grotesco, postado nas redes sociais, comunicava a transmissão do amistoso do Treze com o Santa Cruz, pela Fox, canal fechado de televisão. A peça nos chamou a atenção pela pobreza de sua confecção; pela falta de clareza nas informações, e, principalmente, pelo fato de uma rede de televisão investir numa partida de pouco atrativo, num mercado como o Nordeste, onde o futebol está cada vez mais encurralado.
As chegadas do Fortaleza e do CSA à Série A, do Campeonato Brasileiro, foram bastante comemoradas no final da temporada passada. Contudo, é preciso observar que, os dois clubes apenas ocuparam as vagas deixadas por outros nordestinos: Sport e Vitória/BA, que foram rebaixados para a Série B.
Acompanho, com bastante curiosidade, os noticiários sobre os clubes pernambucanos. à inevitável de que nossos clubes, assim como os demais da região, com raras exceções, estão encurralados. Os horizontes foram reduzidos e as possibilidades de evolução diminuÃram pela ausência de referências.
Campeonato Pernambucano; Copa do Nordeste; Copa do Brasil e Brasileiro das Séries B e C. Eis o nosso calendário.
O nÃvel técnico do Pernambucano, a exemplo dos outros estaduais da região, não serve de parâmetro para avaliar o potencial das equipes que vão disputar o Brasileiro das Séries A e B. A Copa do Nordeste, depois que foi inflada, sofreu avarias na parte técnica, enquanto a Série C, que abriga a maior parte dos clubes da região, parece um prolongamento das competições domésticas.
O atual modelo da Copa do Brasil descartou qualquer possibilidade de um clube nordestino vir a disputar o tÃtulo, embora saibamos que no futebol não existe uma verdade absoluta. Mas é tão desproporcional as forças dos clubes que entram na competição a partir das oitavas de finais, que para uma equipe do Nordeste conseguir o feito do Sport em 2008, é necessário que tudo o que existe no universo futebolÃstico conspire a seu favor.
"Nordeste Independente" é um dos grandes sucessos da cantora, Elba Ramalho. Mas não podemos esquecer que é uma obra de ficção. Neste caso especÃfico, a vida não copia a arte. O atual modelo do futebol brasileiro, não sei se com planejamento ou não, acabou criando uma segregação para o futebol nordestinos. Nossos clubes morrem de inanição por terem sido encurralados na Copa do Nordeste, na Série C e nos famigerados Estaduais.
GILBERTO PRADO
"Tamanduá come
formiga e elefante leva a culpa".
O jargão jocoso aplica-se, como metáfora, à atual situação
principais jornais de Pernambuco.
Não precisa ser pitonisa ou tampouco pisar em rastro de
cigano para prever que dentro de pouco tempo os três estarão fora de circulação.
Isso tudo diante de uma irritante explicação para o triste
epÃlogo.
O avanço da informática.
O que daria asas à televisão e redes sociais, transformando o
jornal impresso em um produto obsoleto.
Isso quando as verdadeira razão é outra.
Chama-se incompetência.
Deliberada, o que caracteriza má fé, ou incompetência mesmo.
Desconhecimento total do exercÃcio profissional.
A questão é que inverteram os papéis. Deixaram grupos
empresariais transformarem os avanços tecnológico em armas mortais contra a
existência da "comunicação raiz". A impressa. Mãe de todas.
Como efeito, o papel ridÃculo que o jornalismo pernambucano
está fazendo. Transformando o que veio para aperfeiçoar em instrumento de
destruição.
Com um agravante.
A anomalia tem sempre a assinatura de um jornalista
profissional de carreira.
Com toda certeza, ninguém disse aos empresários envolvidos
que o jornal. além de um bom "balcão de negócios", é um órgão
rentável. Desde que acompanhe as transformações.
Que em paÃses desenvolvidos os jornais ainda são as
principais referências. Que houve apenas uma nova forma de condução, diante das
inovações.
Nos EUA, por exemplo, os grandes matutinos --
"Washington Post", "New York Times", "US Today",
entre outros -- assumiram o noticiário macro.
Por sua vez, os jornais dos estados priorizaram para os seus
leitores os acontecimentos locais ou regionais.
Deu certo.
Isso com o suporte das TVs e rádios, que são parceiras e
nunca concorrentes.
Daà o lógico resultado.
O número de leitores é crescente. Havendo leitores há
anunciantes. Havendo anunciantes, há superavit. Havendo superavit, desaparecem
as demissões.
No Brasil não é diferente. Nos Estados cujos proprietários
"são do ramo" ou assessorado por profissionais competentes já aplicam
essa receita.
Aceitam as lideranças de "O Globo",
"Estadão" ou "Folha de S. Paulo", por exemplo, e priorizam
o noticiário local.
Lamentavelmente, no Recife, ocorre o inverso. Aqui, "o
rabo balança o cachorro". Os jornais se autodestroem subestimando os
leitores. .
Que em paÃses desenvolvidos os jornais ainda são as
principais referências. Que houve apenas uma nova forma de condução, diante das
inovações.
Nos EUA, por exemplo, os grandes matutinos --
"Washington Post", "New York Times", "US Today",
entre outros -- assumiram o noticiário macro.
Por sua vez, os jornais dos estados priorizaram para os seus
leitores os acontecimentos locais ou regionais.
Deu certo.
Isso com o suporte das TVs e rádios, que são parceiras e
nunca concorrentes.
Daà o lógico resultado.
O número de leitores é crescente. Havendo leitores há
anunciantes. Havendo anunciantes, há superavit. Havendo superavit, desaparecem
as demissões.
No Brasil não é diferente. Nos Estados cujos proprietários
"são do ramo" ou assessorado por profissionais competentes já aplicam
essa receita.
Aceitam as lideranças de "O Globo",
"Estadão" ou "Folha de S. Paulo", por exemplo, e priorizam
o noticiário local.
Lamentavelmente, no Recife, ocorre o inverso. Aqui, "o
rabo balança o cachorro".
Os jornais se autodestroem subestimando os leitores.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Estamos assistindo alguns jogos da Copa São Paulo e poucos são os talentos apresentados em um universo de mais de 2.500 atletas. As goleadas são grotescas e a bola vem sendo maltrata nos gramados.
O berço do futebol é a sua formação, e essa na quase totalidade vem sendo realizada nos clubes de forma equivocada. Já começa quando o trabalho é entregue a um treinador sem grande experiência no setor, muitas vezes são ex=jogadores. Continua errando na sua formatação, desde que os atletas são preparados para a conquista de tÃtulos, o que na verdade de nada valem.
O objetivo do trabalho de base é o de preparar. à o de substituir o campo de várzea, e não ser formatado na obrigação de se ganhar um Brasileiro. O futebol se apequenou.
O Brasil produz raros craques, e a maioria é de brucutus que entram em campo determinados a atender as "táticas" dos seus treinadores, com o novo sistema de nunca perder e ganhar se puder.
O driblador é deixado de lado, dando lugar ao marcador, aquele que não perde a jogada, fazendo uma falta para conter o adversário.
Não existe o trabalho de aperfeiçoamento técnico e dos fundamentos do futebol. O jogador formado na base não sabe conduzir uma bola, ou mesmo cabecea=la, desde que não recebe o ensinamento para tal.
A conversa hoje dos responsáveis pelas bases está resumida a pegadas e pegadas. Quem não pega, não joga. Aquele número 8 que carregava a bola e partia para cima dos adversários desapareceu, foi assassinado. O mesmo aconteceu com os pontas.
Enquanto não houver conscientização de que o objetivo da formação é o de revelar, e não de conquistar grandes tÃtulos, já que muitas vezes um time é campeão e não consegue alimentar o profissional com novos talentos, que na verdade é a essência do trabalho, iremos continuar nessa mesmice que estamos vivenciando.
Uma revolução na formação é o ponto de partida para a melhora do futebol brasileiro, para que não tenhamos o constrangimento de assistirmos tantos jogos com passes errados, muitas faltas, chutões, que mostram de forma clara a falta de preparo na fase inicial dos jogadores.
CLAUDEMIR GOMES
A internacionalização do futebol nos brindou, neste terceiro dia do novo ano, com um jogo antológico do Campeonato Inglês: Manchester City 2x1 Liverpool. Confronto que aqueceu a briga pelo tÃtulo da Premier League. Com a vitória o Manchester pôs fim a uma invencibilidade de 21 partidas do adversário e diminuiu para quatro pontos a distância que o separa do lÃder. Agora, é aguardar para ver como o time de Jürgen Klopp vai reagir ao fato novo.
A briga de gigantes não tem nada a ver com o que acontece na nossa aldeia, que já foi chamada de PaÃs do Futebol, e apresentava uma arte que era cobiçada por todos. Vale lembrar que o talento do jogador brasileiro segue em alta. Afinal, neste clássico internacional, em determinado momento, haviam seis jogadores brasileiros em campo e mais um no banco de reservas: Alisson, Ederson, Danilo, Fabinho, Firmino, Fernandinho e Gabriel Jesus.
A matéria prima existe, e é de boa qualidade. Isto é fato. Assim como é real a distância que separa o nosso futebol do europeu no quesito organização.
Tudo o que estamos testemunhando não aconteceu num piscar de olhos. O processo de internacionalização começou há quatro décadas, mas os dirigentes da CBF, com a conivência dos clubes, que nunca se insurgiram contra as desastrosas gestões da entidade maior, e das federações, nunca se importaram em entrar em sintonia com a nova ordem do futebol mundial.
Só para o prezado leitor se situar, o primeiro jogador brasileiro a disputar uma edição do Campeonato Inglês foi Mirandinha, que atuou no Náutico e depois se transferiu para o Palmeiras. Isto aconteceu na década de 80.
Quando a internet passou a ser de domÃnio público, as distâncias foram vencidas e o mercado internacional abriu as suas portas. A Europa estava pronta para a transformação que pegou os paÃses da América do Sul de calça curta. Citamos a América do Sul porque até então, o futebol mundial era alicerçado em duas escolas: a européia e a sul=americana. A Europa se restabelecendo de duas guerras mundiais, enquanto a América do Sul lutava por uma soberania através do futebol arte, que ressaltava o talento do jogador brasileiro.
O cochilo dado pelos dirigentes da CBF nos deixou a reboque da evolução apresentada por vários paÃses da Europa.
Quem assistiu ao épico (Manchester City 2x1 Liverpool), hoje a tarde, chegou a conclusão de que, tal como acontecia há cinco séculos, nossas "riquezas" estão indo todas para a Europa. Nos nossos campos apenas o futebol tupiniquim.
CLAUDEMIR GOMES
No futebol pernambucano não se planeja acontecimentos. A sensação é de que ninguém enxerga fora da caixa. Mudanças exigem ousadia. Para ser ousado é necessário enfrentar os próprios medos. A falta de atitude mantém uma falsa zona de conforto que a cada ano se torna menor neste retrato em preto e branco. O fim e o começo de temporadas representam uma rotina que não empolga.
Ligo o rádio em busca de notÃcias que nos inspirem uma crônica, e me deparo com um modelo de resenha esportiva que vejo há 50 anos, com o agravante de que, os repórteres de hoje não correm atrás da informação como os que lhes antecederam. Por medo ou conivência, o fato é que ninguém se insurge, procura sair do quadrado que cada dia se torna mais restrito por imposição dos clubes e dos podres poderes do futebol nacional.
Um comportamento abjeto, que tem transformado programas esportivos em revistas de humor. Uma mudança tosca, sórdida, que nada acrescenta ao desporto, até porque só revela a falta de conhecimento e o despreparo de profissionais que são colocados em frente das câmeras de televisão.
O primeiro dia útil do ano tem como principal fato a posse de Milton Bivar na presidência executiva do Sport Club do Recife. A expressiva vitória nas urnas lhe dá legitimidade. A exitosa passagem no cargo (2007/2008), lhe colocou na preferência de 8 entre 10 leoninos. O presidente tem consciência de que, os desafios de hoje são maiores que os desafios de 11 anos atrás. A partir daà surge a pergunta: Qual a proposta do novo presidente para a reconstrução do Sport?
Até o momento, tudo o que foi anunciado não passa de medidas emergenciais para estancar sangramentos. Algumas ações a serem desenvolvidas darão a impressão de uma volta ao passado. Esperamos que sejam necessárias, e que este recuo represente o impulso para um avanço mais na frente. O desafio de Milton, e seus pares, é implementar no clube uma nova filosofia que o recoloque no caminho do crescimento.
O momento do Sport exige adequações. Os gestores que hoje se despedem dos cargos, não tiveram a sensibilidade necessária para enxergar tal necessidade, e foram ceifados pelo veneno da soberba.
Estamos começando um novo ano. Não é fácil renovar as esperanças diante de um medo coletivo que impede as pessoas de pensarem de forma diferente.
Apesar de tudo: Feliz Ano Novo.