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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O mestre, Adonias de Moura, sempre nos chamou a atenção para a importância das entrelinhas. Nelas vamos encontrar informações, citações e afirmações que podem ser decisivas para interpretação de textos. Os desatentos seguem na mesmice que os mantém no lugar comum dos alienados.
Dois fatos me chamaram a atenção, esta semana, ao exercitar a leitura: primeiro, uma nota no blog do mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, onde ele destacou o incidente envolvendo um jovem jogador do Cruzeiro, que foi pego, numa blitz, portando maconha. Com sua visão diferenciada, José Joaquim, de imediato dispensou a vertente policial e passou a analisar o fato pela vertente social, observando a carência de uma melhor atenção dos clubes com os jovens craques que não estão preparados para mudanças sociais bruscas, que acontecem dentro da dinâmica do futebol.
Também nas entrelinhas, desta feita numa matéria publicada na edição de quarta=feita, no caderno de esportes do Jornal do Commercio, sobre a preparação do Sport para a estréia no Campeonato Pernambucano, tendo o atacante Juninho como o personagem central. A matéria tinha o enfoque no factual, que era a lesão sofrida pelo jogador, até então, tido como titular no time montado pelo novo treinador, Milton Cruz. De repente, para enriquecer o texto, ou por pura maldade, o jornalista cita o fato de Juninho responder a um processo por ter agredido a namorada (ou mulher), a época. O fato aconteceu há quase um ano, ou mais, e o rapaz paga um preço alto pelo seu destempero.
Juninho errou. Isto é fato. Que se cumpra a Lei Maria da Penha. Mas a sociedade, na sua hipocrisia doentia, mantém o jogador num tribunal aberto, júri popular permanente, lhe julgando e sentenciando, como se o jovem não tivesse direito a uma segunda oportunidade. A pena é não jogar.
Os ex=diretores do Sport foram de uma falta de habilidade lamentável no caso de Junhinho. Deixaram o jovem exposto, jogado as feras. Sacudiram ele para outros clubes, mas as tentativas foram frustradas porque houve pressão de movimentos de torcidas femininas que impediram a sua contratação. E Juninho se transformou num anticristo. E todas as portas se fecharam para ele.
Após passar meses enclausurado na Ilha do Retiro, treinando longe do foco dos holofotes, os novos dirigentes leoninos resolveram investir no rapaz. A ordem é salvar o talento. Afinal, não é marginalizando o jogador que vai se salvar o homem. O problema agora são os "paladinos da justiça", de uma sociedade que estende o tapete vermelho para dezenas de criminosos, mas tenta impedir a recuperação de um jovem.
Para vencer as maldosas entrelinhas, existe apenas um caminho para Juninho: GOLS EM PROFUSÃO.
Quando isso acontecer, ao invés de jogarem bosta na Geni, todos irão gritar: "Palmas para a Geni".
GILBERTO PRADO
Radiante, José Pereira da Silva recebeu a notÃcia. Como prêmio pela sua atuação de vendedor, ganhara uma hospedagem de 15 dias no mais luxuoso resort de Porto de Galinhas.
"E com todas as despesas pagas", detalhou o seu chefe, também feliz com o sucesso do seu funcionário.
Já no sábado seguinte, lá estava Zé Pereira, junto com a "nega véia", no praÃso turÃstico de Pernambuco.
De saÃda, um pouco de água fria na sua fervura: "Todas as despesas pagas" sobre as quais lhe falara seu patrão, tinha limites.
"O senhor e sua esposa tem direito à hospedagem e ao café da manhã. As demais despesas; almoço, jantar, lanches, refrigerantes e bebidas alcoólicas, são por sua conta", lhe explicou o simpático recepcionista do luxuoso hotel.
Sentiu, logo em seguida, "gosto de gás", quando ouviu um hóspede gritar, em um barzinho próximo à recepção, na maior intimidade com a bebida que ia consumir.
"Traz o joãozinho (John Walker) pra mim! Do "crioulo" (selo preto)"!
Ao mesmo tempo observou um cardápio onde constavam os preços "dolarizados" das bebidas.
Deduziu logo que, ali, não lhe seria possÃvel tomar a sua latinha de Pitú, como o fazia diariamente no boteco do Hélio.
Voltou ao trabalho e evitou ser "premiado" com um resort outra vez. referiu uma pousada dentro das suas condições financeiras.
Quem quiser que discorde, mas acho esta historinha fictÃcia, de quem não tem o que fazer, bem semelhante à participação dos clubes pernambucanos na Série A do Campeonato Brasileiro nos moldes atuais.
CLAUDEMIR GOMES
Em inÃcio de temporada, a Copa do Nordeste rouba a cena num mercado pouco valorizado no futebol brasileiro. A competição que achatou os campeonatos estaduais, começa nesta terça=feira com o Náutico enfrentando o Fortaleza, nos Aflitos; enquanto o Santa Cruz vai a João Pessoa medir força com o Botafogo/PB. No Rei Pelé, em Maceió, o CSA, que este ano irá disputar o Brasileiro da Série A, recebe a visita do Vitória/BA, que foi rebaixado para disputar a Série B.
A primeira edição da Copa do Nordeste aconteceu em 1994, logo após a conquista do tetra pela Seleção Brasileira, no Mundial dos Estados Unidos. O mentor de um modelo que se apresentou como revolucionário, foi o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo. A proposta de uma competição de tiro curto, sendo disputada num único Estado, foi coroada de sucesso. Mas já na segunda edição, clubes, federações e a CBF desconsideraram o êxito e apostaram no lugar comum.
Sem nada de novo a apresentar, o torneio regional passou a concorrer diretamente com os estaduais. As competições domésticas, fieis a um modelo secular, logo começaram a perder terreno para o "novo" cujo único atrativo era a rivalidade entre os grandes clubes da região. O sucesso da Copa do Nordeste levou seus gestores a promover um inchaço na disputa, colocando clubes que nada agregaram, pelo contrario, baixaram o nÃvel técnico da competição.
As disputas simultâneas dos estaduais com a copa regional provocaram choques de datas que acabaram interferindo nos jogos finais das competições. A resultante de tal tragédia foi a perda de interesse dos torcedores pela ameixa do pudim.
A edição 2019 vem com alguns ajustes na forma de disputa, num esforço para deixar o torneio mais atrativo. Como a maioria dos clubes participantes disputam a Série C nacional, a Copa do Nordeste passa a integrar um "ciclo vicioso" que surgiu com o excesso de confrontos entre os mesmos clubes nos estaduais, no regional e no Brasileiro da Série B.
A mesmice afugenta os torcedores dos estádios.
Surge a pergunta: Quantos clássicos disputarão Náutico e Santa Cruz nesta temporada em que vão se confrontar nas disputadas da Copa do Nordeste, do Pernambucano e da Série C?
A falta de estudo e planejamento no sentido de tornar o calendário do futebol brasileiro mais racional e atrativo, nos leva a uma realidade que só enfraquece a região Nordeste. Afinal, falamos apenas de uma agenda de inÃcio de ano onde ainda teremos a Copa do Brasil; Campeonato Brasileiro, Sul=Americana e Libertadores.
Ah! Este ano também teremos Copa América.
A televisão ainda nos oferta os melhores campeonatos europeus; os jogos da Champions League...
O cardápio é vasto, mas neste inÃcio de temporada só serão servidos carne seca, tareco e mariola.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Os artigos que estamos postando sobre o trabalho de formação em nossos clubes, suscitaram alguns questionamentos sobre o tema, e sempre com a mesma pergunta: O que fazer?
Durante esses anos no blog já comentamos várias vezes sobre o assunto e, em especial, da necessidade da interligação escola/clube no trabalho de formação dos atletas.
No Brasil os procedimentos são feitos de cima para baixo, sempre com objetivos mercantilistas, quando deixam de lado a base no processo de formação, que deveria estar incluÃdo no sistema educacional, como acontece em paÃses mais desenvolvidos, e que contribui para o alcance dos objetivos do desenvolvimento e de educação integral dos jovens.
Cuba, que é um paÃs pobre, com muitos defeitos e entre esses a ausência da democracia, é um bom exemplo para a comprovação dessa integração. Conhecemos o trabalho efetuado na Ilha, e sem duvida é excelente. Por sua vez, a Coréia do Sul, um paÃs democrático também apresenta um sistema de educação que visa a interligação escola/esporte.
Não se pode colocar uma criança em um campo de futebol, correndo atrás de uma bola com uma idade tenra, sem que esteja preparada para tal. Isso acontece em nosso paÃs.
Na escola a criança começa a se motivar para a prática desportiva, com conscientização de que o esporte poderá dar=lhe uma excelente contribuição para o seu futuro. Todas as opções são oferecidas. Trata=se da animação esportiva, que não irá formar praticantes de qualquer modalidade esportiva, contemplando crianças de 6 a 10 anos.
Após esse perÃodo, os jovens na faixa de 11 e 12 anos que já descobriram os esportes fazem uma opção de pelo menos dois segmentos, para que tenham a iniciação esportiva em um grau maior de maturidade, e entre os de 13 e 16 anos enfim estarão prontos para o trabalho técnico de formação, quando se fixarão em uma única modalidade.
Nesse momento entra a parceria com um clube, onde irão ter a especialização no esporte escolhido, iniciando o processo que termina no alto nÃvel.
Esse último sistema é o que se chama de categorias de base, que necessita de um apoio logÃstico, com profissionais de qualidade, que irão trabalhar nos aspectos técnicos, fÃsicos e táticos, com o acompanhamento do trabalho psicológico, nutricional para uma preparação completa.
Trata=se de uma cadeia simples de ser aplicada, mas no Brasil esbarra no açodamento, pela falta de qualidade da escola que não oferece nenhum desses conteúdos, inclusive o educacional.
A integração escola/clube é fundamental para o processo, mas tem a necessidade de um gerenciamento profissional competente, e esse é sem dúvidas o maior dos seus problemas.
Enquanto isso não acontece, iremos continuar com atletas mal formatados sendo entregues ao mercado, e que no passar dos anos desaparecem do sistema, sem deixar nada de produtivo, levando consigo enormes frustrações.
CLAUDEMIR GOMES
A nove dias do inÃcio do Campeonato Pernambucano, jornais, rádios e televisões do Recife só repassam para os torcedores notÃcias do Trio de Ferro da Capital: Sport, Náutico e Santa Cruz, fato que nos leva a um desconhecimento total do que acontece com os outros sete clubes participantes. Muitas são as explicações, os argumentos apresentados, para justificar a falta de foco dos noticiários numa competição que vem sendo "enterrada" pela mÃdia local.
Falta de visibilidade, de conhecimento por parte do público consumidor, decreta o fim de qualquer competição, em qualquer lugar do mundo. Isto é regra internacional. Afinal, ninguém consome o que não tem conhecimento. Pior: nenhum investidor aposta num produto que foi empurrado para debaixo do tapete.
Evidente que, Santa Cruz, Sport e Náutico são os donos das maiores torcidas, mas sem os outros clubes não se pode promover um campeonato. No máximo terÃamos um triangular insosso.
Por serem disputados simultaneamente, Campeonato Pernambucano e Copa do Nordeste, a competição doméstica, que já vinha em queda livre, por conta da nacionalização e internacionalização do futebol, foi empanada pela disputa regional. Definitivamente o Pernambucano passou a ser um apêndice, um estorvo.
Consultei os jornais em busca de notÃcias sobre o América, Central, Vitória, Afogados, Salgueiro, Petrolina e Flamengo de Arcoverde. Nenhuma informação. Mas fiquei sabendo que CR7 vai fazer DNA; que Neymar vai trocar de cabeleireiro; que o clube de Moscou mas investir uma fábula em reforços; que o Liverpool ainda não acertou o passo na Inglaterra... Enfim, o foco da imprensa local não está nas coisas nossas.
O equÃvoco na definição de focos é o que tem levado a imprensa pernambucana a patinar na crise que tem provocado centenas de demissões nos últimos anos. à preciso enxergar fora da caixa. Os jornais abandonaram o noticiário local e passam a repetir um noticiário internacional e nacional que a internet oferece com mais velocidade. Os Estados Unidos é um paÃs tão continente quanto o nosso e os jornais, com exceção das "locomotivas" que cobrem todo o paÃs, se voltaram para o noticiário local. à justamente isso que falta no Recife, mas os gestores não querem enxergar.
Desculpem por ter dado essa tergiversada, mas é que a falência do Pernambucano também está ligada diretamente ao descaso como a competição vem sendo tratada pela grande mÃdia.
No final da temporada passada participei de um Seminário para discutir o futebol pernambucano. A idéia foi dos treinadores, Roberto Fernandes e Dado Cavalcanti. Na mesa que tratou da comunicação, pouco, ou quase nada, foi discutido sobre o modelo em curso. As filigranas foram mais valorizadas que o conteúdo da obra.
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, canta essa pedra há muito tempo. Não foram poucos os gritos de alerta dados por ele em relação a criação desenfreada de competições; ao inchaço das disputas e a queda do nÃvel técnico que afugenta o público consumidor.
O Pernambucano é disputado pelos grandes clubes do Recife e mais sete coadjuvantes que numa comparação direta com os reais postulantes ao tÃtulo, são indigentes em busca de uma janela que lhes permitam uma maior visibilidade.
Não é fácil imaginar demanda para um produto que é depreciado em todas as vertentes.