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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Sábado passado aconteceu mais uma edição do "Encontro dos Boleiros", confraternização que tem como objetivo agrupar o maior número possÃvel de ex=jogadores. O evento faz parte do calendário esportivo pernambucano e é sempre marcado pela recordação de fatos e histórias que marcaram as carreiras cada um.
Evidente que o verbo é sempre conjugado no passado, fato que nos permite traçar um paralelo entre o praticado no século passado e o que ditado na nova ordem.
Nesta segunda=feira, no programa Bem Amigos, apresentado por Galvão Bueno, no SporTV, o comentarista, Caio Ribeiro, falou sobre o "Muro da Intolerância", que vem alimentando um apartheid entre os profissionais da imprensa e jogadores profissionais, separação que tem sido danosa para ambas as partes, principalmente para o futebol.
As observações feitas por Caio Ribeiro foram acatadas por todos os presentes, embora o assunto, de grande relevância, não tenha evoluÃdo por não constar na pauta do programa.
Posso dizer que sou um privilegiado por ter vivenciado a época da liberdade de Circulação, que nos deixava Ãntimos dos fatos e das notÃcias. O respeito ao direito de ir e vir dos repórteres aproximava a mÃdia dos jogadores, técnicos e os dos outros profissionais ligados ao esporte mais popular do PaÃs. O estreitamento dos laços de amizade sempre foi visto como uma coisa salutar. E foi assim, juntos e misturados, que o futebol brasileiro viveu os seus melhores momentos.
"Por trás de um jogador, de um treinador e de um repórter, há um cidadão, um ser humano que precisa ser respeitado", enfatizou Caio Ribeiro.
Não sei de quem foi o brado, mas um dia, algum iluminado gritou que era preciso separar os dois grupos. O conceito equivocado ecoou, e foi levantado o fictÃcio "Muro da Intolerância".
O repórter não tem mais o direito de ir e vir. Os espaços da mÃdia foram limitados, fato que deixou a todos sem informações precisas dos fatos. Jogadores e treinadores passaram a tratar profissionais da imprensa como inimigos numero um.
As entrevistas passaram a ser enviadas as empresas de comunicação pelas assessorias de imprensa. Enfim, o que chega ao conhecimento do público é o que os clubes acham convenientes. As coletivas de imprensa são de uma pobreza lamentável porque os profissionais da mÃdia não têm conhecimento dos bastidores.
O mestre, José Joaquim pinto de Azevedo, com muita propriedade afirma que estamos vivendo a "ERA DE IMBECILIDADE".
Ao proibir os repórteres de vivenciarem os bastidores, os iluminados dirigentes e incompetentes treinadores, que foram decisivos na criação deste apartheid, provocaram uma crise sem precedentes na imprensa esportiva, cada dia mais pobre de pensamento e atitude.
Pior ainda: colocaram um ponto final naquilo que somente é possÃvel observar no encontro de jogadores do passado, a amizade sincera entre os profissionais dos dois lados.
O "Muro da Intolerância" empobreceu o futebol.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Os clubes nordestinos mais uma vez não fizeram uma boa campanha no Brasileirinho. Dos quatro participantes dois dançaram, Sport e Vitória, o Ceará escapou da Caetana na bacia das almas, e o Bahia com uma campanha de mediana para baixo.
Somos meros figurantes, sem direito à fala durante o filme. Os times jogam para a manutenção, sem nenhuma perspectiva de algo mais, e isso influência na captação de investimentos, que os deixam na linha da pobreza.
O prazer que o torcedor sente numa competição é de masoquismo, desde que vão aos jogos para torcerem contra uma queda, nunca pela conquista de um resultado maior. Além das diferenças de receitas, sofremos com péssimas gestões que ensejaram uma queda na qualidade do futebol regional.
Na verdade fingimos que temos futebol, quando somos apenas figurantes que trabalham de graça em busca de uma pontinha, para serem descobertos pelos agentes.
Quando olhamos para a parte mais alta do mapa do paÃs, a região Norte, no perÃodo dos pontos corridos só teve três participações na maior divisão, nos anos de 2003, 2004 e 2005, que foi o último ano. São 14 temporadas sem uma única presença de um clube do Pará, que é um estado com uma boa demanda.
No Nordeste, nenhum clube da ParaÃba, Alagoas, Sergipe, Piauà e Maranhão. Do Rio Grande do Norte apenas em 2007 com o América/RN, rebaixado no mesmo ano. Dai em diante o estado foi riscado do mapa maior do futebol nacional. Na Bahia, Vitória e Bahia se reversam, algumas vezes participando juntos. Nos anos de 2005, 2006 e 2007, o estado não teve representantes.
A situação pernambucana se agravou no Século XXI. Nos anos de 2003, 2004, 2005, 2010 e 2011, o estado não teve nenhum representante, fato que voltará a ocorrer na próxima temporada.
O Santa Cruz no perÃodo dos pontos corridos jogou apenas por duas vezes na Série A (2006 e 2013), sendo rebaixado nos mesmos anos. O Náutico tem apenas cinco presenças.
O Sport teve o seu melhor momento entre 2014 e 2018 quando participou na maior divisão. Em 17 temporadas (incluindo 2019), tem 9 participações na elite nacional.
O mais preocupante com relação a esse tema, é que os dirigentes dessas regiões não acordaram, e continuam sendo submissos ao atual sistema medieval implantado pelo Circo do Futebol, que não vislumbrou a demanda dessas regiões, e continua trabalhando para o Sudeste.
Norte e Nordeste não existem, e quando participam de uma festa maior é para divertimento sem maiores pretensões, resultante de uma péssima distribuição de renda e de uma cartolagem sem a menor noção do que seja uma gestão esportiva.
Quando assistimos no último domingo o sofrimento do torcedor do Sport que acreditava no impossÃvel de que o clube iria fugir da Caetana, ficamos na certeza de chegamos ao fundo do poço.
CLAUDEMIR GOMES
A desistência do candidato da situação, Augusto Carrera, em disputar as eleições presidenciais do Sport, gerou um fato novo na centenária história do Clube da Ilha do Retiro: um pleito apenas com concorrentes de oposição. Mais ainda: abriu espaço para o aumento de especulações sobre a real "saúde" financeira do Leão.
Bom! Para se mensurar o tamanho do buraco negro em que se encontra o clube, não há outra alternativa senão uma auditoria fiscal e contábil. à a forma de abrir a "caixa preta" que vem sendo guardada a sete chaves.
Embora alguns integrantes da atual diretoria assegurem que, pelo fato de o Sport ter disputado o Brasileiro da Série A era obrigado a divulgar um balancete trimestralmente, as queixas de que faltou transparência na administração do presidente, Arnaldo Barros, são muitas, e acontecem há muito tempo.
Quando acontece um acirramento entre situação e oposição, em eleições de clubes, e os oposicionistas vencem o pleito, fatalmente acontece a famosa, e temida, "caça as bruxas". No cenário do momento, na Ilha do Retiro, onde a situação retirou o seu barco da raia, é possÃvel observar uma sutil troca de farpas entre os grupos liderados por Milton Bivar, apontado como grande favorito na corrida presidencial, e Eduardo Carvalho, que desde o inÃcio procura fortalecer sua musculatura como candidato alternativo, tentando pregar o rótulo do "novo."
Os nomes das duas chapas chegam a confundir o eleitor leonino: "SPORT DE TODOS" e "SPORT DO POVO". Como não se tem uma leitura real do passivo do clube, muito menos do que ele tem a receber, a dedução lógica é de que o futuro presidente somente conseguirá êxito em sua gestão se houver um trabalho coletivo de forma efetiva. Portanto, esse apoio verbal que vem sendo hipotecado por ex=dirigentes, serve apenas para aumentar a contabilidade dos votos. O importante é que todos repassem, aos futuros gestores, um pouco de suas experiências exitosas, quando ocuparam cargos no clube.
Quem transita pelos corredores da Ilha do Retiro há muitos anos, deve ter ouvido, muitas vezes, a máxima de que: "O Sport unido jamais será vencido".
A formação de novos grupos, nas últimas duas décadas, na Ilha do Retiro, deixou o Sport dividido em frações. O discurso da modernidade, e da necessidade de adequar o clube a nova ordem, provocou um acirramento maior na disputa interna pelo poder. E nesta briga de leões contra leões, foram cometidos equÃvocos, que no decorrer do tempo, se mostraram danosos ao clube, como a agressiva mudança nos Estatutos, elaborada com um viés ditatorial capaz de fazer inveja a qualquer déspota.
Como não há mal que dure para sempre, nem bem que se eternize, surge um novo sol no horizonte da Ilha do Retiro.
Que venha um novo tempo.
CLAUDEMIR GOMES
Enganam=se aqueles que afirmam ser a edição de 2018 a mais insossa da história do Campeonato Brasileiro, desde que a competição passou a ser disputada pelo sistema de pontos corridos.
à bem verdade que ninguém fala mais na conquista do Palmeiras, campeão por antecipação. A campanha linear do clube paulista tornou o tÃtulo tão óbvio que a magia do futebol parece ter sido sufoca por uma burocracia lógica e sem graça.
Daquilo que aprendi em mais de 40 anos trabalhando como cronista esportivo, nem tudo me deu clareza. à fundamentado neste principio que passei a buscar os sinais, e descobri que os encantos estão na outra extremidade da tabela, onde cinco clubes: Sport, América/MG, Chapecoense, Vasco e Fluminense, chegam a última rodada lutando desesperadamente contra o rebaixamento.
Escapar da "Caetana", como diz o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, a esta altura do campeonato, é tão prazeroso quanto a conquista do tÃtulo. Esqueçam a qualidade do futebol, os ganhos financeiros e sigam apenas o viés da emoção, célula que leva o futebol a ser diferente de todos os outros esportes.
De repente, milhões de torcedores, de diferentes camisas, vivenciam momentos de ansiedade que tornaram angustiantes os dias que antecedem o domingo, segundo dia do mês de dezembro: Dia do JuÃzo Final para os cinco times que tentam escapar do fantasma da degola.
A dramaticidade pode, e normalmente está, na ponta de cima da tabela, com os clubes disputando o tÃtulo, fato que enaltece, alegra, emociona e leva torcedores ao êxtase. Mas também é observada na luta desesperada pela sobrevivência. Emoções diferentes, reais, dentro daquele conceito de que, "o que dá pra rir, dá pra chorar".
Se vivo estivesse, o francês, Victor Hugo, aproveitaria o mote desta edição do Campeonato Brasileiro para dar uma nova roupagem a sua imortal obra: "Os Miseráveis". A contextualização é a emoção encontrada no sofrimento das torcidas diante da incerteza dos resultados que poderão levar seus clubes ao céu, ou ao inferno.
Nenhum outro esporte seria capaz de criar tantas possibilidades numa rodada final de campeonato como o futebol. Evidente que, o fato de toda essa emoção estar concentrada na parte de baixo da tabela, com os clubes lutando contra o rebaixamento, é o maior atestado do baixo nÃvel técnico da competição, contudo, o caráter decisivo, eliminatório, apesar da inversão de valores, tornou o último ato bem atrativo, embora já se saiba quem é o campeão.
à como se estivéssemos assistindo a um espetáculo da Paixão de Cristo e a platéia aguardasse com mais expectativa o enforcamento do Judas, do que a ressurreição de Jesus Cristo.
Como futebol é pura emoção, neste domingo as atenções estarão voltadas para o "vale da morte", onde tudo pode acontecer, inclusive nada. Coisas de uma decisão envolvendo cinco clubes.
Pimenta é o que não falta nesta última refeição.