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Maio 2012 ›› Por ROBERTO VIEIRA
O Twitter do Arquivo Coral foi sensacional na sua lembrança. No dia 18 de março de 2979 virou parte importante na história do Terror do Nordeste...
O ano de 1979 foi inusitado para o Santa Cruz e o Náutico. As duas equipes fizeram as malas e saÃram pelo mundo árabe, América Central e Europa atrás de dinheiro. Por incrÃvel que pareça, o negócio deu muito certo, principalmente para o Santa Cruz que naqueles tempos tinha uma das melhores equipes do Brasil.
Sob o comando técnico de Evaristo de Macedo, que naqueles tempos tinha o maior salário entre os treinadores brasileiros, o Tricolor saiu ganhando de tudo e de todos, primeiro nas terras das mil e uma noites. Mas um jogo em especial acaba de entrar para a história do clube. O encontro diante do Selecionado de Al Ain, no dia 18 de março de 1979.
Citado erroneamente nos jornais pernambucanos como selecionado de Al Halin, o encontro do Santa Cruz ocorreu diante da equipe do Al Ain, cidade distante cento e poucos quilômetros de Dubai.
O Al Ain naqueles tempos tinha onze anos de idade e ainda não era a equipe onde iriam atuar Sheik, Dodô e Michel Bastos. Provavelmente, a equipe do Al Ain foi reforçada por alguns jogadores locais, daà a receber o nome de selecionado. O fato também ocorria no Brasil nos anos 30 e 40.
Como já vinha acontecendo na excursão comandada pelo empresário Elias Zacour, o Santa Cruz não se fez de rogado. Partiu para cima, perdeu duas chances de cara com Deinha e após chute despretensioso do ataque árabe, que não assustou o goleiro Joel Mendes, Neinha (sim tinha Neinha e Deinha), balançou as redes duas vezes antes dos 20 minutos de jogo.
A defesa com Vassil, Paranhos, Lula e Alfredo Santos não deu espaço pra nenhuma surpresa local. Tanto que o jogo ficou morno como o calor do deserto e só foi despertar na segunda etapa quando cruzamento de Betinho encontrou Volnei livre para decretar os definitivos 3x0.
Corre=corre. Malas enviadas previamente do Hotel Excelsior para o avião da Gulf Air. Delegação chega em Riad ainda de chuteiras e segue ganhando de todo mundo. Na equipe ainda brilhavam os ponteiros Zé Roberto, o endiabrado Joãozinho que chegou a atuar no Corinthians e no Sport, o lateral Carlos Alberto Barbosa, falecido precocemente no auge da sua carreira, além de Givanildo, que atuou na Seleção Brasileiro em 1976.
Para quem imagina que aquela equipe é história das mil e uma noites, uma lembrança:
Antes da excursão de 1979, que terminou de forma invicta com doze jogos e dez vitórias, sendo a despedida um 2x2 diante do PSG, em Paris. O Santa Cruz goleou a seleção da Tchecoslováquia em Recife por 4x0.
E a Tchecoslováquia era a campeã européia de seleções, bicho!
CLAUDEMIR GOMES
Mesmo antes das inscrições das duas chapas, a candidatura de Milton Bivar, à presidência executiva do Sport, se apresentava emoldurada com a faixa da vitória. O advogado, Eduardo Carvalho, sem nenhuma base polÃtica na Ilha do Retiro, funcionou como um contraponto que serviu para dar a conotação de uma disputa, visto que, o sentimento que nos foi repassado ontem, pela maioria das pessoas presentes na sede do clube, durante o pleito, era de confraternização pela "REDENÃÃO" do clube leonino.
A vitória de Milton era certa. Faltava apenas os números: 2.447 votos, contra 329 votos do seu opositor.
O novo presidente chega ao cargo pela segunda vez. O tÃtulo da Copa do Brasil, conquistado pelo Sport em 2008, sob o seu comando, lhe credenciou ao sucesso na disputa pelo voto dos rubro=negros. E de forma avassaladora, fato que ressalta a credibilidade do sócio na sua capacidade de gerir o clube num dos momentos mais desafiadores de sua centenária história.
Por ironia, no final da manhã, quando um expressivo número de sócios marcava presença na sede do clube, na Ilha do Retiro, uma pane elétrica tornou inviável a frequência no restaurante, que sempre funciona como ponto de encontro nas eleições. Era como se o Sport estivesse devastado. Por ali tivesse passado um furação.
E passou.
Há seis anos que o clube leonino sofre um desgaste lento. Os equÃvocos administrativos foram corroendo todos os setores. O patrimônio está dilapidado. Qualquer parecer contábil dirá que o Sport é um clube insolvente. O caos no futebol, que é considerado o coração da agremiação da Ilha do Retiro, foi instaurado, e as soluções para tantos problemas não parecem fáceis.
Nas suas primeiras palavras como presidente eleito, Milton Bivar destacou que, a quantidade expressiva de votos a seu favor dá "legitimidade" a sua vitória.
Verdade. Os números são incontestáveis.
Tão incontestáveis quanto a expressa vontade dos eleitores de, nos próximos dois anos, ter uma administração transparente no clube. Aliás, este foi um dos desejos mais revelados por aqueles que transitaram pela Ilha do Retiro neste dia de eleição.
Vencer é o céu presidente! Que o diga seu amigo, Costinha, que fez questão de lhe dar um abraço após votar na sua chapa.
Mas não é preciso ser um administrador de empresa para saber que, o momento do Sport vai exigir que o senhor cobre o escanteio e corra para fazer o gol de cabeça. Sem falar nos pênaltis que também serão de sua responsabilidade.
Sucesso!
à o que lhe deseja milhares de leoninos.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Nunca na história das corporações de mÃdia no Brasil tivemos tanto enxugamento nos seus quadros jornalÃsticos, em especial na imprensa escrita, que é a que vem sofrendo mais abalo na sua competição com as redes sociais.
Procedemos diariamente com a leitura de vários jornais brasileiros e internacionais, e não entendemos que o nosso jornalismo ainda não percebeu que para continuar ativo precisa acompanhar as tendências e os sinais do seu próprio público.
Os jornais europeus foram os que mais evoluÃram na busca de alternativas para os seus leitores, enquanto no Brasil poucos mudaram nas suas editorias, publicando matérias por todos lidas um dia antes pela internet.
Não somos jornalistas, mas temos a percepção de um leitor que não deseja a repetição da notÃcia, e sim o aprofundamento sobre a sua repercussão na sociedade. O que vale repetir que João de Deus foi preso no domingo, ou seja um dia após o fato?
Na verdade esse ponto, que chamamos de mote, deveria servir para um debate maior na imprensa em geral e sobretudo na escrita, com uma análise de que existem vários personagens como esse.
Um tema que sempre temos destacado em algumas postagens é o da necessidade de um maior número de colunistas formadores de opinião, com a capacidade de observarem que além das notÃcias existe um algo maior a ser discutido. São essas interpretações que motivam o debate e prendem o leitor.
O futebol é um setor que sofre mais, desde que os bons articulistas desapareceram e não foram substituÃdos a altura. Não foi por acaso que os jornais e as revistas esportivas sumiram do Brasil, por conta da ausência do novo em suas matérias que se reportavam a fatos que aconteceram por muito tempo atrás, quando na verdade essas poderiam ser enaltecidas e sobretudo discutindo temas importantes sobre os diversos segmentos do setor.
A Sports Ilustrated é um com exemplo nos Estados Unidos. Um outro exemplo existe em Lisboa. Portugal, com três jornais diários sobre esportes, com grande aceitação. Os veÃculos lusos são procurados nas bancas, e logo cedo estão esgotados. O metrô nos dá uma amostragem com os passageiros lendo as notÃcias do dia.
Obvio que os jornais não irão morrer, porque existem há muitos séculos, mas a necessidade de mudanças é viável, desde que não poderão continuar com uma linha editorial do repetindo o repetido por muitas vezes, um dia após a sua edição.
A era digital chegou e esse é o caminho que será tomado.
O bom colunismo será a peça de resistência dos veÃculos impressos brasileiros.
CLAUDEMIR GOMES
Nos últimos dias, o assunto dominante nos meios esportivos do nosso Estado é a reabertura do estádio dos Aflitos. A praça de esportes do Clube Náutico Capibaribe tem o nome oficial de Estádio Eládio de Barros Carvalho. Mas na boca do povo é "Estádio dos Aflitos" e priu.
Pois bem! A história dos Aflitos se confunde com a história do Náutico. Este é aquele tÃpico estádio que não chega a ser um apêndice. à órgão vital. Afinal, as grandes conquistas alvirrubras aconteceram naquele pedaço de chão.
Lembranças de um passado glorioso se misturam as esperanças de um futuro que irá colocar o clube em sintonia com o novo tempo. Este "encontro" de passado com o futuro torna o presente excitante.
A história dos Aflitos tem sido revivida através das lembranças de fatos, de momentos inesquecÃveis e marcantes. Evidente que a volta pra casa tem traços de saudosismo, até porque os laços de ternura nas narrativas são reais e emocionantes.
Revendo os feitos do Náutico na década de 60, foi inevitável lembrar da abertura de um canal que ligou o clube alvirrubro ao Santa Cruz de Carpina. Tudo começou quando o atacante Rinaldo foi defender o Náutico. O carpinense fez tanto sucesso que, pouco tempo depois, se transferiu para o Palmeiras, numa troca com o meio campista, Ivan Brondi. Rinaldo chegou a Seleção Brasileira, e quis o destino, que Brondi viesse a se tornar uma referência na história do Clube da Rosa e Silva.
Na mesma década, o juvenil do Náutico, treinado por seu Cido, foi fazer um amistoso com o Santa Cruz de Carpina. O goleiro do Tricolor Carpinense, Lula, foi o destaque do jogo. De imediato foi garimpado pelo treinador alvirrubro. Como pagamento, o Náutico se dispôs a fazer um outro jogo em Carpina, sem nenhum ônus para o Santa Cruz.
O Tricolor Carpinense vivia o melhor momento de sua história. Além de jogadores renomados como Mário de Pirulito, Humberto, Pelado, Telbaldo... havia uma nova geração de grandes talentos surgindo. O Náutico investiu pesado nos jovens carpinenses: Jairo (goleiro); Zé Leite (volante), Edvaldo(lateral esquerdo) e Wilson (ponteiro esquerdo).
A concentração do juvenil alvirrubro, que ficava sob o setor de cadeiras do estádio dos Aflitos, parecia uma república de carpinenses. O objetivo de todos era vestir a camisa do time principal. Jogar ao lado de Ivan Brondi, Bita, Nino, Fraga, substituir Lula Monstrinho...
Os jovens carpinenses copiavam os seus Ãdolos no jeito de vestir: calças boca sino, feitas pelo alfaiate de nome Barbosa. E todos sonhavam em ter o carro da moda: Karmanguia da Wolksvagen, com rodas largas e toca fita roadstar auto reverse. As caminhadas pelas ruas da Angustura, Espinheiro e Santo Elias, onde ficava a concentração dos profissionais, eram preenchidas por bate papo revestido de esperança. A época, os juvenis faziam as refeições junto com os profissionais, na concentração da Santo Elias.
O Santa Cruz de Carpina sempre cedeu suas revelações para o Náutico. Walmir, um apoiador de grande habilidade, também morou na concentração sob as arquibancadas dos Aflitos.
A reabertura dos Aflitos acontece num momento de recesso do futebol brasileiro, fato que oferece um espaço generoso para os alvirrubros relembrarem o passado e fazerem planos para o futuro.
"A memória do passado, o olhar do presente e a espera do futuro". Esta a trilogia do tempo que foi ensinada por Santo Agostinho e que está sendo vivenciada pelos alvirrubros ao ver o futebol novamente sendo praticado em casa.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Um tema que já discutimos por várias vezes e que voltamos a abordar nesse artigo, está relacionado a necessidade de se refundar o futebol de Pernambuco.
Esse esporte é um bom negócio que precisa de demanda, e os clubes essa necessidade, desde que possuem boas torcidas, as quais formam um valioso mercado consumidor.
Quando observamos as campanhas de nossos times, especialmente aqueles que são chamados de grandes nas diversas competições, verificamos que as gestões não estão sendo delineadas para atender as suas necessidades. O amadorismo impera.
O futebol de nosso estado, como na maioria do Brasil continua atolado no imediatismo, na insensatez das cobranças. O debates são paupérrimos e não levam a nada.
Na realidade os times de Pernambuco não entenderam a necessidade de mudar o sistema atual, que dá muita validade a um Estadual que nada representa, e que não pode, nem deve servir de parâmetro para projeções futuras.
A própria Copa do Nordeste, que poderia ser um bom torneio, a qualidade técnica é baixa, e a conquista do tÃtulo não pode servir como referência para as disputas em competições maiores.
O futebol pernambucano teve bons momentos, quando cuidava de suas bases, e os elencos eram formados na maioria por jogadores produzidos internamente, ou então na própria região. TÃnhamos boas participações nos eventos nacionais.
O modelo foi abandonado, dando a preferência as importações de pouco conteúdo, e os resultados são bem visÃveis. Os clubes no inÃcio da temporada contratam caminhões de jogadores.
Existe uma necessidade de se refundar o futebol local, ouvindo todos os seguimentos e sobretudo especialistas do setor, para que possam debater idéias na busca das modificações necessárias. A derrocada técnica e financeira é absurda. Todos os segmentos que o envolvem tem conhecimento, mas nada fazem para a mudança do sistema.
Termina um Estadual e mesmo uma Copa do Nordeste, quais os talentos que são aproveitados? Isso demonstra que não existe trabalho de base, e quando acontece é mal feito, para atender os empresários.
O futebol brasileiro se apequenou no geral, mas o de Pernambuco está na zona do rebaixamento, em função de uma linha de procedimento e, sobretudo, de um projeto a longo prazo para que volte a ser o que já foi um dia.
O Interior foi destroçado.
Enquanto existir uma parede separando os clubes profissionais, que não conseguem conversar entre si, só irá beneficiar a Federação local, que pouco se importa com o que acontece, e em janeiro irá dirigir um Estadual destruidor para todos os participantes.
Todos são culpados pelo momento atual, inclusive a imprensa e os torcedores, que nada fazem para que o sistema seja alterado.
Lamentável.