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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Os campeonatos estaduais são enfermos a espera da extrema=unção, graças especiais, para que enfrentem as dificuldades que estão por vir. O prazo de validade dessas competições domésticas está prestes a se extinguir. à uma imposição da nova ordem do futebol.
Há muito que se fala da exclusão de tais competições do calendário do futebol brasileiro. O fato parece iminente, como bem traduziu uma matéria postada nas redes sociais, com declarações do presidente do Atlético Paranaense, Celso Petraglia, dando conta de que, a Rede Globo só patrocinará os Estaduais até 2019, ou seja, a edição do próximo ano será a última a receber recursos da rede de televisão.
O que estava ruim para ser administrado, sem o patrocÃnio da Globo se torna inviável.
Segundo dados da matéria, a Globo Nordeste, que banca o Campeonato Pernambucano, tinha um contrato vigente (2015/2018), com cota anual de R$ 3,73 milhões. O montante era dividido em duas cotas:
Cota 1 = Sport, Náutico e Santa Cruz, R$ 950 mil (cada).
Cota 2 = R$ 110 mil para cada um dos clubes restantes.
O atual modelo do futebol brasileiro se esgarçou. Sua fragmentação não aconteceu do dia pra noite. O processo foi lento, com os clubes envoltos sem esboçar nenhuma reação. CBF e Federações, em nenhum momento pensou em reformas e planejou o futuro com a chegada da Internet que promoveu a internacionalização do futebol.
Os desmandos tiveram vez e voz durante várias décadas. Até que um dia se descobriu que o rei estava nu. O ufanismo de grande parte da imprensa manipulou a massa que se contentava com firulas banais.
E os clubes pequenos, como irão sobreviver?
Eis a grande questão.
Na realidade os pequenos nunca foram protegidos pelas entidades nacional e estaduais. Basta analisar um pouco a distribuição de recursos. A nÃvel estadual, podemos indagar: como um clube que recebe uma cota de R$ 110 mil pode competir, em condições de igualdade, com um outro que recebe R$ 950 mil?
As distorções se tornam maiores quando passamos a analisar o cenário nacional.
A pobreza técnica matou os estaduais.
Campeonato Brasileiro; Copa do Brasil; Libertadores da América; Copa Sul=Americana; Copa do Nordeste (e outras competições regionais)... Faltou espaço para os Estaduais.
O primo pobre, o patinho feio, há muito que vinha sendo esmagado com o inchaço das outras competições. O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, deu vários gritos de alerta mostrando que, para tantas competições seria necessário aumentar os dias do ano. Como isso é impossÃvel, a exclusão de alguma disputa aconteceria de qualquer forma.
Resultado: os campeonatos estaduais serão deletados.
Enfim, o prazo de validade será decretado a partir de 2020, de acordo com a realidade de cada praça.
CLAUDEMIR GOMES
Desde que o Campeonato Brasileiro passou a ser disputado pelo sistema de pontos corridos, nunca aconteceu disputa tão renhida, para se livrar do rebaixamento, como a que estamos testemunhando nesta edição da Série A. No cenário atual, um clube pode driblar a Caetana, como diria o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, com 41 pontos ganhos, fato que torna de vital importância para o livramento do Sport, uma vitória, sobre o Ceará, no confronto que fechará a trigésima=segunda rodada.
Caso o Leão venha contabilizar os três pontos que disputará com o Vovô, deixará a desconfortável zona de rebaixamento, feito pouco provável há algumas rodadas atrás.
# EU ACREDITO
à dessa forma que a torcida leonina se expressa através das redes sociais, ressaltando todo o seu otimismo e esperança no grupo que reagiu após a chegada do técnico, Milton Mendes. Evidente que a do alvinegro cearense também se porta da mesma forma. Afinal, Sport e Ceará reagiram na competição utilizando receitas semelhantes, onde a troca de técnicos foi decisiva para as almejadas reações.
Evocações de todos os tipos são feitas para este confronto direto que traz no seu molho rivalidade histórica, bairrismo, rixas entre torcidas organizadas... tudo para que a soma se torne uma coisa real. Afinal, dos times que estão com a cabeça sob a alça de mira, Sport e Ceará foram os únicos que contabilizaram três vitórias nos últimos cinco jogos.
Os dois treinadores, Lisca e Milton Mendes, já foram protagonistas de feitos que surpreenderam até os mais otimistas torcedores dos dois clubes. Mas falta a ambos o pulo do gato, ou seja, a ultrapassagem do ponto de corte, razão pela qual este clássico regional tem importância fundamental para o futuro dos dois times na competição.
Naturalmente que a vantagem do mando de campo é incontestável, e se bem explorada funciona como ponto de desequilÃbrio. O torcedor do Sport por certo vai fazer a Ilha pulsar de uma forma que assuste o adversário. Mas o Ceará tem dado mostras de que não é um animal doméstico, encarou adversários em seus respectivos redutos, e superou o favoritismo que era creditado aos donos da casa.
Chapecoense e América Mineiro perderam seus jogos e entraram na zona de rebaixamento;o Vitória, com o ponto somado no empate com o Paraná, deixou o grupo de queda. O Corinthians perdeu para o Botafogo/RJ e começou a ver o fantasma do rebaixamento no seu retrovisor.
A segunda=feira é de Sport x Ceará.
Nunca se apostou tanto no rugido do Leão. Mas Lisca se diz pronto para reger o coro da torcida do Ceará numa vitória que, se vir a acontecer funcionará como o plus para o milagre a ressurreição que ele vem operando. Vale lembrar que quando ele aportou em Fortaleza, o Vovô já era dado como "morto" na lanterna do Brasileiro.
CLAUDEMIR GOMES
Adonias de Moura, uma das maiores referências da história da crônica esportiva pernambucana, corriqueiramente utilizava uma frase para colocar sua equipe de repórteres na rua: "A notÃcia não está aqui na redação, lugar de repórter é na rua". O mestre testemunhou os primeiros estágios da telefonia móvel, quando a mesma era privilégio de poucos, e a chegada da internet, mas não usufruiu das vantagens com as quais nos beneficiamos nos dias de hoje.
Ontem, primeiro dia do mês de novembro, de 2018, vivenciei um momento que me fez lembrar Adonias e sua célebre frase:"Lugar de repórter é na rua".
Após receber um convite/intimação de João Caixero de Vasconcelos, para testemunhar a chegada dos primeiros rolos de grama, que irão servir de tapete para o campo número um do Centro de Formação de Atletas Rodolfo Aguiar, me comportei de forma exemplar, e às 7h já estava a postos, no Arruda.
O momento era histórico, especial, para quem acompanha e conhece um pouco da história do Santa Cruz Futebol Clube, um clube que nasceu, cresceu e se fortaleceu com sonhos que foram transformados em realidade através da formação de mutirões.
Quando chegamos ao CT, o caminhão já estava devidamente posicionado para descarregar os primeiros rolos de grama que vieram de Sergipe.
A equipe de trabalhadores se energizou com a chegada do gramado, que era tratado como a "ameixa do pudim". Todos pareciam elétricos. Uma equipe de reportagem da Globo Nordeste registrava tudo, e garimpava detalhes. Era notória a emoção de João Caixero, AprÃgio Carvalho, Carlos Simião (Carlos da Vaca), Ricardo de Paula, César Augusto e Saulo Henrique, tricolores que fizeram questão de serem testemunhas da história.
O Centro de Formação de Atletas Rodolfo Aguiar será composto por três campos e mais a concentração. O primeiro equipamento a ser entregue, o campo número um, estará pronto para funcionar em janeiro. O próximo passo, após aposição da grama, será a colocação do alambrado, que foi orçado em R$ 65 mil.
"Há um ano isso aqui não passava de um terreno cheio de mato. Já foram investidos quase R$ 700 mil. Todo esse dinheiro veio através de doações. à um mutirão que funciona através das redes sociais. As pessoas vão vendo os equipamentos surgirem do nada e vão acreditando no sonho", comentou Caixero que é o grande responsável por levar o clube a vencer um desafio que o colocará em sintonia com o Século XXI.
Foi inevitável o mergulho no tempo. Lembrei quando, pela primeira vez, Adonias de Moura, me chamou e revelou: "Vamos ali que vou lhe apresentar o coração do Santa Cruz".
Deixamos a redação do Diário de Pernambuco, na Praça da Independência, e seguimos para a Av. Dantas Barreto. O domicÃlio da Comissão Patrimonial do Santa Cruz era no Bairro Santo Antônio, centro do Recife. Adonias foi tratado com muito carinho e respeito, tais deferências me deixaram cheio de orgulho do meu editor. E ele logo me apresentou a Marco Antônio Maciel, Rodolfo Aguiar, Aristófanes de Andrade, João Caixero, André de Paula, Enoque Coutinho... uma elite que, por si só, traduzia a grandeza do Clube das Multidões.
Mas aqueles senhores de grande representatividade na sociedade pernambucana, sabiam que eles eram apenas os "pensadores", canais imprescindÃveis para execução de obras que ressaltam a grandeza do clube em pedra e cal.
Afinal, a RAIZ do Santa Cruz não é outra senão os mutirões, movimentos populares. São eles que fazem o clube pulsar.
No primeiro dia de novembro, ao cair em campo, como nos bons tempos de repórter, descobrir que o Tricolor do Arruda segue fiel as suas origens. A diferença é que, na era digital os mutirões acontecem através das redes sociais.
O mestre Adonias de Moura sempre esteve com a razão:"A notÃcia está na rua". Com todo o respeito a geração do google.