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Maio 2012 ›› JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Não somos profissionais da área de educação fÃsica ou saúde, mas a experiência e estudos sobre os esportes nos levaram a analisar o modelo totalmente equivocado utilizado em nosso paÃs para iniciação de jovens talentos.
Hoje vivenciamos uma enorme ansiedade para a formação de um atleta, principalmente no futebol. Tudo por conta das necessidades sociais, transformando=se um jovem em tábua de salvação de sua famÃlia.
Existe um fato claro e indiscutÃvel com relação ao desporto infantil, que esse não seja orientado para se fazer campeões, pois tais objetivos são para competições com idades mais avançadas.
Quando se fala em trabalho escravo, nos lembramos que no Brasil se obriga uma criança a se tornar campeã, com o mesmo procedimento de lhe colocar numa fábrica e se exigir uma produtividade.
Dirigimos o Comitê Nacional de Mini=Basquetebol, e observamos na ocasião que nas escolas, nas escolinhas dos clubes, o padrão de treinamento das crianças era o mesmo aplicado para os adultos, e as competições eram para transforma=las em vencedores.
Mudamos a linha e orientamos que, tudo ligado a esse esporte, até 12 anos, fosse feito de forma pedagógica, ensinando para que os participantes gostassem do que estavam fazendo.
No futebol, as escolinhas dos clubes e outras que proliferam pelo paÃs afora, formatam treinamentos para crianças como se fosse praticantes de alto nÃvel.
A forma ideal para começar com menores de 12 anos, principalmente nas escolas, é deixa=las livres para optarem por uma atividade favorita, que depois poderá ser modificada para outra, e assim por diante. à o primeiro passo para a formação de um atleta.
A necessidade, a ânsia dos pais para que tenham um filho um objeto de promoção, induzem para que esses comecem a se aprimorar no esporte que foi escolhido, em especial o futebol, submetendo=os a treinamentos longos, tirando=os do foco escolar, na sua formação cultural inicial que será a sua base para o futuro.
Aprendemos nessa longa jornada esportiva, que a criança além do esporte, tem a necessidade de participar dos seus jogos infantis para a consolidação da sua personalidade.
Hoje já estão começando muito cedo a se dedicarem a um esporte induzidos por profissionais e sobretudo pelos pais, e se no futuro os resultados forem negativos, serão alimentados por fatores de fracassos e desilusões, que vão persegui=los por anos em quem sabe pela vida.
O grande problema é a necessidade e o sonho de ser um Messi, e por conta disso todo um procedimento é alterado, causando um grande mal à formação de uma criança.
Na verdade, a escola deveria ser o ponto de partida, mas no Brasil essas são degradadas, o ensino é precário, quanto mais os esportes.
CLAUDEMIR GOMES
Com mais de cinquenta anos vividos no futebol, o professor, Adelson Vanderlei, nos assegura que o pior adversário que um time pode enfrentar é a "pressão por resultados". Um inimigo oculto capaz de desarticular qualquer trabalho. Por conta dele a ansiedade atinge nÃveis estratosféricos, levando jogadores de bom nÃvel técnico a protagonizarem momentos dignos dos piores pernas de pau. Jogadas bizarras que levam os próprios autores a duvidarem de tais façanhas. à quando o jogo passa a ser jogado no psicológico de cada um.
E haja tons de cinza. O mundo escurece.
Com Santa Cruz e Náutico ociosos, sem nenhuma atividade nos quatro últimos meses do ano, as atenções do futebol pernambucano se voltam para o Sport, que faz uma campanha trágica no Brasileiro da Série A, fato que torna iminente a sua queda para a Série B.
Chega a ser comovente o esforço do torcedor leonino para se manter otimista diante do pragmatismo dos números. Mesmo com os sites especializados apontando um percentual acima de 90%, de probabilidade de rebaixamento, o torcedor do Sport vive a buscar um fio de esperança que possa vir livrar seu clube do coração desta morte anunciada.
E mesmo não estando dentro das quatro linhas, o torcedor rubro=negro se sente torturado pela pressão por resultados.
Há alguns dias, o cartunista, Humberto Araújo, um dos maiores amantes do clube da Ilha do Retiro, na atualidade, mesmo consciente da impossibilidade de reação do time agora comandado por Milton Mendes, arriscou com o seu ilimitado otimismo: "Se conseguirmos vencer o Palmeiras e o Internacional criamos a possibilidade de escaparmos do rebaixamento".
As palavras de Humberto soaram como a mais fiel tradução da dor da esperança.
A derrota para o Palmeiras deixou claro que não convém sonhar com o que não é factÃvel. O time do Sport está assustado com o fantasma do rebaixamento. A degola lhe bateu a porta em 2016 e 2017. Este ano, a soma dos erros cometidos pela diretoria, que foi de uma incompetência imperdoável, asfaltou o caminho para a Série B.
A primavera rubro=negra não aconteceu na temporada 2018, fato que levou o torcedor do Sport a conviver com a dor da esperança.
Eis o que oferece um time atormentado pela pressão por resultados, o implacável inimigo oculto.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Os anos vão passando, o Século XXI está próximo de completar 19 primaveras, e o futebol brasileiro continua estagnado, clubes com problemas financeiros, jogadores sem apego as camisas, jovens talentos fugindo para o exterior, e sem craques no gramado.
O ano de 2018, que está chegando na reta final, foi trágico, com o futebol sendo tragado pela mediocridade em todos os seus segmentos. Isso é o testamento desses quase 19 anos do novo século. O mais grave é que tudo isso acontece, e nada se faz para que a situação seja revertida.
Qualquer estudiosos sabe muito bem que todos os problemas que afetam o futebol nacional, além dos péssimos gestores, estão relacionados a falta de uma melhor regulamentação na legislação esportiva que forneça uma segurança aos clubes formadores.
O fim do passe foi sem dúvida um avanço, mas o golpe foi dado quando a legislação deixou de proteger o trabalho de base, e os clubes que o fazem, ou seja, deu o pontapé inicial para a atuação dos empresários que passaram a dominar o setor.
O jogador formado poderia ir para um outro clube, desde que o direito de ir e vir faz parte da democracia, mas as cláusulas penais deveriam ser maiores garantidoras para os clubes de origem.
As ações dos empresários de futebol têm vários tentáculos. São os responsáveis por transferências nacionais, internacionais milionárias e se apossam dos jovens talentos desde a infância. Os jogadores se transformaram em simples mercadorias nas suas mãos, enquanto os clubes são sucateados.
Entidades com problemas são mais frágeis, e o poder do dinheiro atua com intensidade, e hoje são reféns do poder econômico, que está nas mãos do novo personagem do futebol. Esse é o atual modelo.
Conhecemos de perto alguns fatos que mostram a realidade de tais atuações. Muitas vezes jovens são reprovados pelos clubes nas peneiras e posteriormente se apresentam na companhia de um empresário que já é dono do seu passe. Assinam contratos, aparecem no mercado, e no final aqueles que os apresentaram ao mundo do futebol (clubes), recebem uma pequena fatia pela hospedagem.
O jogador que seria uma descoberta no clube foi terceirizado por um agente de plantão. O lucro final muitas vezes é dividido com dirigentes dos clubes, que fazem parte do esquema.
A decadência do futebol brasileiro se deve em muito pela falta de um trabalho de base, que vem sendo feito apenas para atender os empresários, que substituÃram os clubes como donos dos atletas, e por conta disso seus ativos despencaram, enquanto os passivos foram incrementados com os gastos do futebol.
Hoje não temos clubes, e sim times de futebol montados por um ano, desmontados no final pelos verdadeiros donos.
Na realidade faltam cabeças pensantes para que possam debater esse tema. Estamos em pela "Era da Burrice".
Existe uma promiscuidade nessa atual relação, visto que vários interesses estão em jogo. Uma das soluções seria a da criação de um órgão gestor de carreiras, administrado pelo próprio clube sem a interferência de terceiros que daria um grande passo para a reestruturação do futebol.
Do jeito que estamos caminhando o futuro é incerto, e a falência do futebol será decretada enquanto as diversas contas bancárias dos agentes estarão cada vez mais recheadas.
CLAUDEMIR GOMES
Sim! Nós somos formadores.
Foi com esta consciência que todos que participaram do 1º Congresso do Futebol Pernambucano, voltaram para casa após um dia de debates e trocas de experiência. Evidente que ninguém estava em busca da descoberta da pólvora, tampouco se tratava de um encontro para se fazer um "caça as bruxas", buscando culpados pela debacle do futebol pernambucano.
A consciência de que o evento não vai mudar o atual cenário foi outro ponto importante, assim como, o reconhecimento de que, todos os setores envolvidos precisam ser repensados, inclusive o comportamento adotado por alguns profissionais da imprensa.
Representantes do Fortaleza, e do CSA de Alagoas, revelaram as receitas que levaram os trabalhos, ora desenvolvidos nos dois clubes, ao sucesso.
Mais importante do que a formatação de um documento sobre o que aconteceu no 1º CFUT/PE, é sair da verbalização para a prática. Eis o grande desafio.
A negligência dos clubes com o trabalho de base; as cobranças e a falta de atenção da imprensa com este trabalho; o equÃvoco na definição de prioridades; a falta de investimento na formação e capacitação de profissionais (técnicos, fisicultores...).
De repente, todos que foram convidados e se fizeram presentes, se surpreenderam com a realidade do que vivenciam em debate.
O que fazer para mudar?
Evidente que nada acontece como num passe de mágica, num piscar de olhos.
O primeiro passo é se conscientizar de que é preciso mudar de comportamento. A quebra de paradigmas é fundamental.
A semente foi plantada. à preciso regar a planta da esperança. Afinal, sem encarar os problemas de frente, nada de positivo pode acontecer. à isto que estamos assistindo nos últimos anos.
Todos com a boca aberta esperando a morte chegar.