Histórico
Acontece
Torcedor gosta de privilégios
postado em 04 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

O Cruzeiro acaba de lançar um novo programa de sócio: Sócio 5 Estrelas. O que o clube oferece a nova categoria não é outra coisa senão privilégios, principalmente na aquisição de ingressos, de forma antecipada. Vale lembrar que já existem várias categorias de sócios no clube mineiro. Portanto, a novidade se resume ao aprimoramento de um projeto que vem dando certo, e cujo objetivo não é atrair o torcedor para o estádio.

O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, tem nos mostrado, através de vários artigos postados no seu blog, um considerável aumento da presença de público nos jogos do Campeonato Brasileiro. Atribuo dados tão positivos, ao trabalho que vem sendo desenvolvido pelos clubes, que cada vez mais, estão se colocando como prestadores de serviço.

Com a chegada da Internet aconteceram as mudanças de conceitos, de hábitos, de comportamento, que levaram a população a pensar e agir diferente. O desafio está em descobrir as exigências da nova ordem. Nos dias de hoje o indivíduo não se associa a um clube pelas vantagens sociais que a agremiação lhe oferece. O torcedor do clube de futebol quer saber apenas do futebol. E quanto mais canais forem criados para que ele se aproxime, interaja e vivencie as coisas do futebol, mais ele se entrega a sua paixão. É o sócio torcedor.

A era digital tem obrigado os clubes a serem cada vez mais criativos. O sócio marca sua presença física apenas nos jogos, mas ele acompanha toda a vida do seu clube do coração através das ferramentas digitais que são colocadas a sua disposição.

Os três grandes clubes do Recife, e do Estado, ainda engatinham neste sentido, até porque o departamento de comunicação nunca foi alvo de grandes investimentos em nenhum deles. Tudo funciona de forma muito incipiente, embora tenhamos, aqui no Recife, o Porto Digital, referência de tecnologia de ponta, através do qual se poderia desenvolver uma série de projetos.

Os torcedores de ontem, e os de hoje, têm uma coisa em comum: gostam de privilégios. Mesmo estando em sintonias diferentes.

leia mais ...

Santa Cruz
A favelização do Arruda
postado em 03 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Hoje a tarde estive no Arruda. O pouco movimento me possibilitou ver coisas que passam despercebidas em dias de jogos, quando nossa atenção fica concentrada na movimentação dos torcedores.

Uma breve incursão na parte interna do patrimônio, sede social e estádio, e uma volta por todo o quarteirão que abriga o complexo socioesportivo do clube tricolor, foram suficientes para mostrar a má  conservação e a degradação dos equipamentos que pedem socorro.

Dirigentes e empresários que tanto colaboram com o futebol não visitam o clube!

Esta a dedução lógica que se chega ao observar a forma como o patrimônio do Santa Cruz vem sendo cuidado. Lamentável.

Ao circular pela parte externa, observando o estádio por vários ângulos, Avenida Beberibe, pela Beira Canal, rua das Moças, enfim, por todos os lados é notória a favelização e o processo de deteriorização a que foi submetido um equipamento que, em décadas passadas era uma referência nacional. O Santa Cruz sempre se orgulhou de ter um dos maiores estádios particulares do futebol brasileiro.

Os remendos, os puxadinhos, são verdadeiras agressões ao projeto arquitetônico. A sujeira, a falta de limpeza, de bom gosto e de sensibilidade são traduzidas através de uma calçada de chão batido; de tapumes sem reboco; na falta de limpeza da caixa d'água que expõe plantas saindo do concreto. No parque aquático, um guarda=sol de acrílico que remota da sua inauguração, deixa claro o descaso com a conservação, o mesmo acontecendo com um muro que separa o equipamento de um mini campo.

A sujeira deixa o cenário ainda mais cinza.

De imediato me veio a pergunta: qual a prioridade, restaurar este grande patrimônio, cuja requalificação deve custar uma fábula, ou concluir o Centro de Treinamento?

As necessidades são reais.

O Santa Cruz é um clube formador e não pode seguir sem um Centro de Formação de Atletas. É de fundamental importância, para o seu futuro, entrar em sintonia com o presente. A nova ordem exige que clubes da dimensão do Tricolor do Arruda tenha um CT, sob pena de se tornar invisível no cenário.

O clube não tem recursos para requalificar o Estádio do Arruda, e nem o seu complexo social e administrativo. Não é preciso ser engenheiro, arquiteto ou mestre de obra para observar a precariedade em que se encontra o patrimônio.

 

Um convite aos tricolores: dêem uma passada pelo Arruda num dia comum, sem a movimentação dos torcedores, e o calor das disputas dos jogos. Com certeza conseguirão enxergar a gravidade dos fatos.

A tragédia do Museu Nacional na Quinta da Boa Vista, no Rio de Janeiro, cujo incêndio foi uma espécie de morte anunciada, pode servir de grito de alerta.

O complexo socioesportivo do Santa Cruz começa a agonizar, mas ninguém escuta o seu grito por socorro.

leia mais ...