Histórico
Futebol Pernambucano
Ninguém pensa, nem cria coisas novas
postado em 15 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Todo e qualquer movimento no sentido de mudar o atual cenário do futebol pernambucano é válido. Portanto, considero louvável a iniciativa dos treinadores, Roberto Fernandes e Dado Cavalcanti em provocar a realização de um seminário para se debater o momento, discutir as causas da "queda" e sugerir saída para o caos.

Torço para que tudo não passe de um encontro onde serão contadas histórias e causos; que a discussão seja ampla, que a proposta do encontro vá mais além das teses técnicas buscando soluções para a pobreza do que está se oferecendo dentro das quatro linhas.

As mudanças começam com a conscientização de cada um da necessidade de mudar. A mudança de paradigma parece simples, mas não é fácil.

Na década de 90, ainda no Século XX, o então presidente da Federação Pernambucana de Futebol, Carlos Alberto Oliveira, estava a beira de um ataque de nervos com a baixa média de público nos estádios. A saída seria o Programa Todos com a Nota. Em princípio o governador, Miguel Arraes, não abraçou a idéia, mas depois foi convencido pelo seu neto, a época secretário de Estado, Eduardo Campos, e por Milton Coelho, que teve uma participação efetiva no processo que levou o governador a adotar o programa.

E todos foram beneficiados: Governo porque o torcedor passou a exigir a nota fiscal das compras para trocar por ingressos; os clubes que passaram a ter uma receita assegurada; a FPF que recebia um percentual da verba bruta, e a mídia que era reembolsada com os cachês dos testemunhais.

Quando Jarbas Vasconcelos assumiu o Governo do Estado, o programa passou a se chamar, Futebol Solidário. Os ingressos para os jogos não eram mais trocados por notas fiscais, e sim por alimentos que eram repassados para entidades sociais filantrópicas. Neste processo surgiram algumas distorções: no Interior foram flagradas pessoas revendendo os ingressos.

Ao assumir o Governo do Estado, Eduardo Campos rebatizou o programa com o nome original: Todos com a Nota.

Com quase vinte anos em curso, o programa se transformou num grande guarda chuva. Todos queriam mamar nas tetas do Governo via o Todos com a Nota: cronista que não tinha vínculo com nenhuma rádio; o marido da professora que era cabo eleitoral; o cunhado do deputado...

E o futebol não melhorava. A FPF maquiava público nos borderôs, mas os estádios estavam vazios, como bem denunciou o DIARIO DE PERNAMBUCO em várias reportagens. Com tantas avarias, não havia porque manter um programa que não obtinha respostas, servia apenas para distribuição de dinheiro.

Recentemente vi o presidente do Santa Cruz, Constantino Júnior, afirmar que a "crise do futebol pernambucano se deve ao fato da extinção do Todos com a Nota".  Uma afirmação totalmente equivocada. Afinal, nos 18 anos do Século XXI, o Tricolor do Arruda só disputou duas edições do Brasileiro da Série A. E contava com o subsídio do programa do Governo.

O clientelismo foi um legado negativo deixado pelo programa. Ninguém quer tirar a fenda dos olhos para enxergar mais adiante. Ninguém pensa, nem busca soluções para os problemas, achando que essa é uma tarefa do Governo.

A parceria público privada é por demais salutar quando o governo tem uma contrapartida. Os clubes não estavam dando nada em troca, mas insistem em azeitar suas máquinas com um combustível por demais poluente.

Que surjam novos pensadores porque a pobreza de idéias é franciscana no nosso futebol.    

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Artigos
Novas veias do futebol brasileiro
postado em 15 de setembro de 2018

*RODRIGO R. MONTEIRO DE CASTRO = Site MIGALHAS

 

A insistência com que se trata nesta coluna, da crise estrutural do futebol brasileiro é motivada pelos evidentes e recorrentes sinais internos e externos de deterioração do ambiente. Não bastasse o desperdício de  atividade econômica única, pujante e universal, ainda se joga pelo ralo a possibilidade de sua utilização como instrumento de desenvolvimento social.

No plano interno, algumas pessoas ganham, eventualmente muito, com essa situação, oferecem toda sorte de obstáculos para evitar o surgimento de um novo marco regulatório do futebol.

Aliás, o modelo vigente, construído por pilares que deixaram de cumprir função de sustentação serve, paradoxalmente, para manutenção do status quo.

O dogma maior é o sistema tributário. Não que seja algo simples, pois não é. A passagem do modelo associativo para o de marcado tem consequências relevantes que somente se compensam enquanto o rojeto do SAF não se torna lei, pela organização de uma empresa econômica futebolística e eficiente e competitiva.

Esses requisitos, porém, deveriam estimular e não obstaculizar o processo. A potencialidade, aliás, é comprovada pelo sucesso organizacional do futebol europeu, que superou o mesmo dilema, e se posicionou como o principal = e talvez único = marcado realmente relevante do planeta.

No plano externo, as evidências de que a nova ordem empurra o Brasil para a mais distante periferia são inequívocas.

O Movimento se iniciou com a ruptura de um modelo clientelista e a compreensão de que além do jogo, o futebol é um negócio global.

Daí a concepção e a adoção de mecanismos de financiamento da empresa, que viabilizam inicialmente a importação de jogadores formados, e na sequência a exportação em massa de jogadores de formação.

Esse modelo reforça a desigualdade de que se revela nos confrontos entre clubes ou seleções. Esta solução, no entanto, decorre menos da localização geográfica e da instabilidade das moedas ou governos locais, do que da ineficiência mantida e defendida pelos donos ocultos do futebol.

O propósito, nos dias atuais, está muito claro: países como o Brasil devem fornecer matérias primas para o desenvolvimento europeu.

Nada muito diferente do que se passa desde as invasões e conquistas ibéricas, como ensina Eduardo Galeano: "Os metais arrebatados nos domínios coloniais estimularam o desenvolvimento europeu e até se pode dizer que o tornaram possível".

Não bastasse a redução dos times brasileiros a exportadores de matéria prima, pretende=se ademais, aniquilar o símbolo cambaleante da resistência, uma espécie de Palmares, abalada pelas interferências dos mesmos donos ocultos do futebol: a seleção.

O instrumento é a Liga das Nações da UEFA, que servirá para isolar ainda mais a periferia do centro mundial do futebol, e reduzir as seleções sulamericanas apenas a indesejadas, porém necessárias coadjuvantes.

Portanto, o problema passou a ser também da CBF, e não apenas dos clubes. Seus dirigentes têm a oportunidade de impor um novo modelo e reconquistar o prestígio perdido, ou ficarão marcados na história como os algozes do futebol brasileiro.

(*) O autor é presidente do MDA. Professor de Direito Comercial da Mackenzie. Doutor em Direito Comercial pela PUC.

OBS: MATERIAL RETIRADO DO blogdejjpazevedo.com

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Sport
Dependência Bivariana
postado em 13 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Dentre os ex=presidentes do Sport, Homero Lacerda é o que tem mais empatia com o torcedor leonino. Por tal razão, as palavras, quando proferidas por ele, ganham força, reverberam e ecoam de forma estrondosa na Ilha do Retiro. Ontem, ele surpreendeu a tribo leonina ao declarar, em alguns programas de rádio, que existe um movimento, no qual estão envolvidos vários ex=presidentes do clube, no sentido de tentar convencer o empresário, Luciano Bivar, a se candidatar, mais uma vez, a presidente executivo do Sport.

Os argumentos apresentados por Lacerda são pertinentes e inquestionáveis, mas geram muitos questionamentos, principalmente, porque Milton Bivar, que apesar de ser irmão, é desafeto de Luciano, já anunciou que é candidato, e segundo seus pares, "não abre para ninguém". Milton colocou sua tropa na rua escudado no título da Copa do Brasil, conquistado há dez anos.

Teríamos então o embate BIVAR x BIVAR nas eleições do Sport?

A julgar pelo pleito dos oposicionistas, tal possibilidade foi criada, embora a intenção seja de que, Luciano Bivar seja apresentado como candidato único, para suceder Arnaldo Barros na executiva do clube leonino.

É pouco provável que os dois irmãos venham a bater chapa. Quase impossível. O bom senso sugere que tal confronto seja evitado. Mas, em se tratando de eleições clubista, onde surgem incendiários de todos os lados, tal possibilidade não pode ser descartada. Afinal, em política, e em futebol, o improvável sobe ao palanque e surpreende os de raciocínio lógico.

Luciano Bivar, que está envolvido numa campanha para deputado federal, e é um dos escudeiros do candidato a Presidente da República, Jair Bolsonaro, já deixou claro que somente fala sobre eleições do Sport a partir do dia 8 de outubro. Até lá os bastidores da Ilha do Retiro vão fervilhar, mas sem a presença daquele que, para muitos, é o candidato ideal para tirar o Sport do buraco negro em que se encontra.

A primeira vez que Luciano Bivar assumiu a presidência do Sport foi em 1988, quando sucedeu Homero Lacerda após a conquista do título brasileiro de 1987. Nesses 30 anos ele se consolidou como a liderança mais forte do clube. Em três décadas assumiu a presidência executiva do clube várias vezes, tendo livrado o Leão de situações vexatórias. Seu apoio foi decisivo em todas as eleições realizadas neste período. Na história do clube aparece como o homem que mais assumiu a presidência executiva do Sport, e o que mais renunciou também.

O indiscutível poder econômico e político de Luciano Bivar criou a dependência bivariana na Ilha do Retiro. A incapacidade de se preparar novas gerações para um processo natural de sucessão deixou o clube refém do empresário.

O movimento, "volta Bivar", que está sendo capitaneado pelo ex=presidente, Jarbas Guimarães, e que ganha força a partir do momento que Homero Lacerda se apresenta como defensor número um, revela a incapacidade dos leoninos de gerir o clube sem a tutela do grande líder.

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Artigos
Obrigado Carpina!
postado em 11 de setembro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Há quase duas décadas o 11 de setembro passou a ser sinônimo de um dos maiores atentados terroristas da história da humanidade, que culminou com a destruição das duas torres do World Trade Center, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. Uma tragédia que parece não ter fim por conta dos desmembramentos.

Particularmente, o 11 de setembro é sinônimo de festa. Minha cidade natal, Carpina, comemora no dia de hoje, 90 anos de sua emancipação política. A data sempre foi muito festejada. As comemorações tinham como ponto alto o desfile cívico das escolas da cidade e de outros municípios. Desfilar na festa de Carpina era um prêmio para as bandas marciais.

Nos últimos dias, tenho visto muitas postagens nas redes sociais que remota uma Carpina de décadas passadas. Inevitável não recordar do Santa Cruz de Carpina, que viveu seu apogeu nas décadas de 60 e 70 do Século XX.

Os primeiros jogos que acompanhei do Tricolor do Planalto foram num campo aberto, conhecido como "Campo do enchimento de João Vermelho". Bastante conhecido na cidade, o meu pai, Jaime Gomes, sempre conseguia um lugar em cima de uma carroceria de caminhão, que funcionava como um camarote. Depois, os jogos passaram a acontecer no Campo do Curtume. A partir daí o Santa Cruz começou a ganhar musculatura.

E veio o campo da pista, que ficava por trás da maternidade.

Tudo me chamava muito a atenção

Os campos eram abertos, e as arrecadações eram provenientes de doações espontâneas. Quatro pessoas pegavam o pavilhão do clube e circulavam entre os torcedores que estavam sempre dispostos a ajudar. Os mais abastados chegavam a ser generosos. Mas tudo dependia da forma como o time estava jogando. Como o Santa Cruz construiu uma sequência invicta de mais de 50 jogos, todos na cidade passaram a ser solidários com sua causa.

A doação do terreno pela família Freire, a construção do Estádio Oswaldo Freire, com campo gramado, cabine de rádio... A evolução era notória.

A época tive o privilégio de conviver com os meus primeiros ídolos. Posso assegurar que isso não tem preço.

Aos domingos, Humberto, Mário e Luís Doidinho, titulares absolutos do Santa Cruz de Carpina, almoçavam e iam para minha casa onde, assistíamos aos tapes dos jogos dos campeonatos Carioca e Paulista. Depois, íamos juntos para a sede do clube, no centro da cidade e, de lá todos já saiam vestidos para o estádio.

Foi com os meus primeiros ídolos que aprendi a fazer as primeiras leituras de jogo. Eles "cantavam" o que acontecia dentro das quatro linhas. Quando entravam e campo tentavam reproduzir o que achavam mais bonito no futebol arte e romântico praticado nos anos dourados do futebol bi e tricampeão mundial.

Depois, surgiram as revelações que vieram defender o juvenil do Náutico: Lula (goleiro), Zé Leite (volante), Edvaldo (Lateral Esquerdo), Jairo (goleiro) e Wilson (Ponta Esquerda).  E eles me oportunizaram a conviver com outros ídolos: Bita, Ivan, Fraga, Lula Monstrinho. Aquela convivência me aproximava ainda mais do futebol.

A concentração dos juvenis era sob o setor de cadeiras do Estádio dos Aflitos. Chegava cedo, tomava café com o grupo treinado pelo seu Cido e ainda assistia aos jogos sem pagar ingresso, no setor privilegiado: as cadeiras.

Com tamanho alicerce, o futebol já estava consolidado em mim.

Obrigado Carpina!  

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Futebol Brasileiro
Uma safra que não saiu do silo
postado em 07 de setembro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO

 

A renovação é algo fundamental em todos os setores que fazem uma sociedade.

Até as células de um corpo humano passam por transformações.

O futebol brasileiro promoveu, por conta de problemas financeiros, uma mudança radical no perfil dos treinadores, dando espaço para os mais novos, que seria salutar se esses tivessem um preparo adequado para tal.

Na realidade foi uma safra decantada por todos como o futuro do esporte da chuteira no país, onde achavam que os mais experientes estavam com os dias contados.

Existe algo que não foi observado de que líderes são feitos com esforço, estudo e trabalho diário, e não com um passe de mágica.

Em qualquer profissão se exige uma formação adequada, através de cursos, de contatos com profissionais experientes, e sobretudo de estágios em clubes de ponta.

Um diploma de técnico de um curso do Circo é apenas um pedaço de papel, desde que em nível mundial não é levado em consideração. Ser ex=jogador de futebol também não é a garantia de que esse será um bom técnico.

Quando a renovação começou, que deu certo no seu início em alguns clubes, só ouvíamos, e líamos, os mais diversos elogios e projeções para um novo futebol brasileiro. Finalmente a casa caiu por falta de um bom alicerce.

As novidades de então não deram certo, e aos poucos foram sendo substituídos por aqueles com mais experiência de vida.

Fizemos uma relação de 16 profissionais que tinham esse perfil, e somente um está tendo sucesso, Odair Helmann, do Internacional, desde que os demais ou já dançaram, ou continuam pendurados em um fio tênue perto de quebrar.

Idade não é documento, e sim a capacidade.

Existem profissionais jovens e competentes em todas as profissões, mas com as bases sólidas de formação através de cursos dos mais diversos, de experiências em lugares mais adiantados.

Na noite da quarta=feira mais um desses jovens caiu na dança das cadeiras, Osmar Loss, do Corinthians, outro está perto de ser degolado, Maurício Barbieri, do Flamengo. Ambos assumiram um compromisso mais longo do que as suas pernas poderiam alcançar.

Os jovens fazem parte do futuro da nação, mas as suas capacitações são fundamentais para que os objetivos sejam alcançados.

Não se pode ser um bom técnico de futebol tendo como experiência apenas as categorias de base dos clubes, ou de auxiliares no setor profissional, isso vai mais além, inclusive estágios de pelo menos um ano em clubes europeus que tenham bons profissionais, ou mesmo na Argentina que tem uma escola da mais alta qualidade no futebol mundial.

Roger Machado, Marcos Paquetá, Eduardo Baptista, Zé Ricardo, Alberto Valentim, Jorginho, Thiago Larghi, Rogério Micale, Marcelo Chamusca, Guto Ferreira, Fernando Diniz, Jair Ventura, Osmar Loss e Claudinei Oliveira, alguns ainda no batente, outros fora do sistema, fazem parte de uma safra que poderia ser boa, mas ficou encalhada em um silo por conta do açodamento.

Enquanto isso os mais maduros brilham, como é o caso de Luiz Felipe Scolari, com o seu futebol pragmático ressuscitou o Palmeiras, ou seja, voltamos a repetir: IDADE NÃO É DOCUMENTO.

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