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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O amigo, Dado Cavalcanti, me convidou para participar do Primeiro Congresso do Futebol Pernambucano, que acontece nesta segunda=feira, primeiro dia do mês de outubro. O momento é mais que propÃcio para se abrir uma discussão sobre o futebol local, que tem se apequenado nos últimos anos e, equivocadamente, os dirigentes atribuem o fracasso, a extinção do programa do governo, Todos com a Nota.
Os temas escolhidos para serem debatidos foram:
* FUTEBOL DE BASE E CLUBES INTERMEDIÃRIOS
* PERFIL E IDENTIDADE DO CLUBE MODELO
* IMPRENSA E MARKETING
* GESTÃES E CALENDÃRIOS
As duas últimas décadas do Século XX nos premiou com mudanças que foram impostas pela chegada da internet. O mundo mudou, e muitos setores da sociedade sentem dificuldade para se adaptarem às mudanças e transformações.
Entrar em sintonia com o Século XXI não é fácil. Não estamos falando apenas em avanços tecnológicos, mas em mudanças de hábitos e comportamentos. Para ser contemporâneo do novo século, da era digital, é necessário ter sensibilidade e percepção, assim como, se adequar as novas tendências.
A incompetência da CBF em gerir o futebol brasileiro, provocou um movimento dos grandes clubes do PaÃs, que culminou com a criação do Clube dos 13. A época, a Confederação aceitou em ficar responsável apenas pela Seleção, repassando para o Clube dos 13 o gerenciamento do Campeonato Brasileiro.
Teoricamente este seria o princÃpio da nacionalização do futebol brasileiro. As dificuldades para se chegar a um modelo racional, para um campeonato num paÃs continental, fizeram com que os gestores dos clubes e da CBF, assim como os formadores de opinião, que não atentaram para o que se passava na Europa, continente formado, em sua maioria por paÃses do chamado, Primeiro Mundo. Esta "venda" que estava sobre os nossos olhos nos impossibilitou de enxergar a chegada da internacionalização do futebol, que nos foi trazida pela internet e consolidada nessas duas primeiras décadas do Século XXI.
A internacionalização atropelou a nacionalização do futebol brasileiro.
Hoje temos uma infinidade de perguntas sem respostas, o que é bastante natural em um paÃs que trata o futebol feminino como um subproduto e tem uma jogadora escolhida, pela sexta vez, a melhor do mundo. Esta é apenas uma das muitas discrepâncias que temos no futebol verde e amarelo.
"Coisas do futebol brasileiro", diria o saudoso, Edvaldo Moraes.
Espero que, no Primeiro Congresso do Futebol Pernambucano não se perca tempo discutindo o sexo dos anjos, tampouco a tribuna seja usada para se contar causos e histórias pessoais.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
O futebol brasileiro se programa contando com o ovo ainda dentro da galinha, quando não sabe se este está estragado e já vendeu no mercado. O planejamento é uma piada, os orçamentos são fictÃcios e não são obedecidos, a gastança é bem maior do que o Caixa é capaz de cobrir.
Esse exemplo se dá em 92% dos clubes brasileiros que gastam mais do que as suas receitas, e no final terminam com salários atrasados, os compromissos não pagos, e os resultados negativos.
Nada acontece por acaso, e sim por conta dos erros e acertos de uma gestão. Não se pode programar um orçamento anual com um sistema aleatório, do chute, do ovo dentro da galinha. Se a projeção de arrecadação é X, tem que se gastar menos, deixando uma reserva para as necessidades prementes.
Dirigir um clube de futebol não é uma brincadeira de criança, desde que mexe com milhões de pessoas que cobram os resultados, e por conta disso existe a necessidade da participação de profissionais.
Os cartolas querem promoção, querem as páginas de jornais, querem as telinhas das televisões, e para se projetarem entram numa roda viva e partem para as gastanças. São capazes de desfilarem nas ruas com uma melancia pendurada no pescoço.
Já cansamos de mostrar que existe um binômio importante para ser cumprido por uma gestão, o da receita e despesa, que deve ser respeitado. Todo dirigente deveria ter uma placa em sua mesa com essas duas palavras, para que possam se lembrar da realidade.
Com raras exceções os clubes brasileiros estão tecnicamente falidos por conta das insanidades dos seus dirigentes. Se tem um projeto, esse não é cumprido. Hoje as suas notÃcias estão relacionadas aos seus débitos, seus problemas, do que algo com sucesso.
Obvio que o dinheiro é bom, mas não é tudo, e os exemplos estão bem latentes. Uma agremiação bem planejada, mesmo com recursos menores pode ter uma melhor vida do que aquelas com maiores, e para tal basta uma boa aplicação.
Viver com empréstimos bancários com altos juros, muitas vezes sem condições de paga=los é um crime financeiro. Mais grave ainda são as antecipações de receitas. No final da gestão alguns cartolas saem execrados, e os clubes sem perspectivas de algo melhor.
O futebol é como o Brasil, que afundou por conta de uma polÃtica errônea e sobretudo corrupta.
O sócio de uma agremiação, quando do processo eleitoral, não deveria votar por amizade, e sim por aquele que mostra que tem condições de dirigi=lo.
CLAUDEMIR GOMES
A presença de mais de 18 mil torcedores na Ilha do Retiro, domingo a noite, para testemunhar a 14ª derrota do Sport nesta edição da Série A, foi mais que um atestado de fidelidade da torcida leonina para com o seu clube do coração, foi a comprovação de que a nação rubro=negra não desiste do Sport nunca. Afinal, um clube centenário já vivenciou inúmeras crises: iguais, menores e até maiores que essa, cujo prazo de validade está perto de se expirar, pois no final do ano haverá eleições presidenciais no clube da Ilha do Retiro, e estão sendo aguardadas como prenúncio de um novo tempo.
à certo que a maioria dos torcedores já admite que o rebaixamento para a Série B é inevitável. Os números conspiram a favor da consolidação de tal "desastre", mas como existem chances matemáticas, muitos se agarram a elas. Eis a razão de o fato da saÃda do técnico, Eduardo Baptista, e de toda a diretoria de futebol, não ter repercutido tanto entre os torcedores leoninos, que creditam ao presidente, Arnaldo Barros, todos os erros cometidos, e que levaram o Sport a um momento tão angustiante com a iminência da queda.
As opiniões divergem sobre um ou outro detalhe, contudo, a grosso modo, todos reconhecem que, nenhum presidente na história do Sport, se mostrou tão equivocado quanto Arnaldo Barros. A herança que ele deixará para o seu sucessor é assustadora.
Dias atrás, o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, postou uma matéria no seu blog falando sobre o momento difÃcil que atravessa o Sport. E chegou a sugerir isso que aconteceu hoje: a saÃda de todos os responsáveis pelo trabalho de campo do Sport, que este ano não apresentou nenhuma resposta positiva. Agora, é jogar com a sorte para ver se o Leão consegue o que, dentro da lógica é pouco provável: somar 7 vitórias nas 12 partidas que disputará até o final do campeonato. Os próximos dois jogos, contra Atlético/MG e Internacional, respectivamente, serão decisivos na busca da salvação.
Durante sua gestão o presidente, Arnaldo Barros, mudou a direção do futebol do Sport várias vezes, contratou inúmeros treinadores, e trouxe para a Ilha do Retiro uma infinidade de jogadores que não corresponderam as expectativas. No seu último tiro, o presidente espera acertar na mosca. Uma façanha que até mesmo Deus duvida.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Quando se elege um presidente de um clube, na boa parte através do voto direto do associado, muito embora existam alguns casuÃsmos eleitorais com manobras não institucionais, o dirigente esquece dos eleitores e assume o papel de um suserano a frente do seu feudo.
Aqueles que o conduziram para o poder máximo de uma agremiação são relegados, e apenas convocados para uma próxima eleição.
O associado é a alma de um clube sócioesportivo. Deixam milhões por ano em seus cofres com o pagamento de suas mensalidades e na compra dos produtos ofertados, mas nada disso é reconhecido.
Os clubes de Pernambuco nos dão exemplos de tal distanciamento, quando as suas gestões os levaram ao abismo, sem o conhecimento dos maiores interessados, os associados.
Obvio que esses não os levaram a bancarrota. Não os endividaram. Não anteciparam receitas. Não oneraram as folhas salariais, desde que nunca foram ouvidos.
Os sócios deveriam ter o direito de conhecer todos os contratos, que poderia ser feito através de um Conselho Gestor eleito em separado de forma independente.
Se isso acontecesse de forma correta, certamente o Sport não estaria na atual situação.
Os sócios não colocaram os seus clubes na pindaÃba, com atrasos salariais, débitos com o fisco, débitos trabalhistas, passando por vergonha perante os seus torcedores. Nunca foram consultados sobre os temas.
Democracia é algo importante para uma sociedade, mas no futebol essa não existe em pleno vigor. Temos uma meia democracia, quando os sócios podem eleger os seus dirigentes, mas não podem ter acesso a tudo aquilo que se passa nos seus intramuros.
Há pouco tempo os acionistas da SAD (sócios) do Sporting de Lisboa deram o impeachement do presidente, e participaram de uma eleição para o novo comando, com 25 mil eleitores, a maior de sua história.
Se a compararmos hoje com os clubes brasileiros, com exceção dos gaúchos que sempre têm a presença de um bom número de eleitores no seu colégio eleitoral, embora com um percentual no máximo de 30%. As agremiações do nosso Estado, quando elegem o Executivo, não têm o comparecimento de 10% dos eleitores.
O mais grave nesse sistema é que elegem acoplado ao Executivo, o Conselho Deliberativo, que é um apêndice do primeiro, e aprova tudo que lhes é apresentado.
Na maioria dos clubes do Sudeste e Sul, esse órgão tem a presença de representantes de todas as chapas concorrentes, de acordo com o número de votos, e tal fato pelo menos permite um debate mais amplo sobre os mais diversos temas.
Um outro bom exemplo do clube luso é o voto à distancia, que permite, via internet, que o eleitor mais longe possa participar do processo.
O associado é o maior poder de uma entidade, e deveria fazer valer esse privilégio, porque são na verdade os seus donos, enquanto os dirigentes são seus agentes, mas nos esportes brasileiros, esses só servem para quitar as suas mensalidades.
Ou se modernizam ou morrem.
CLAUDEMIR GOMES
"A DERROTA EU JÃ TENHO!".
Este tem sido o lema do Sport no Campeonato Brasileiro da Série A, pós Copa do Mundo. Em 13 jogos disputados o time leonino contabilizou 10 derrotas, 2 empates e apenas uma vitória. Portanto, não é por acaso que os sites que estudam as probabilidades de sucesso, das equipes nas diferentes séries do Brasileiro, apontam o representante pernambucano com 90% chances de rebaixamento para a Série B. Com um total de 13 derrotas, e um saldo negativo de 17 gols, a tendência é de que o Leão alcance a marca de 19 derrotas até o final do campeonato, número que inviabiliza a permanência do Leão na elite do futebol brasileiro.
A 25ª rodada, que será concluÃda hoje a noite com o confronto entre Chapecoense e Internacional, força os torcedores e gestores do Sport a uma reflexão. Afinal, nas primeiras 12 rodadas, que foram disputadas antes da parada para a Copa do Mundo, o time leonino havia somado 5 vitórias, 4 empates e 3 derrotas. Quando a bola voltou a rolar, após o Mundial da Rússia, em 13 partidas o Leão somou apenas uma vitória, tendo sido o time que mais somou derrotas neste perÃodo: 10.
O trem não diminuiu a velocidade, ele simplesmente descarrilou.
A pergunta é: O que o técnico, Eduardo Baptista, deve fazer para o time reagir de imediato e, nas 13 rodadas restantes, apresentar um percentual de aproveitamento similar ao apresentado na primeira fase da competição, ou seja, antes da paralisação que ocorreu durante a disputa da Copa da Rússia?
Os adversários em campo serão os mesmos. Diante dos próximos 4 adversários, nos jogos de ida, o Sport emplacou uma sequência fantástica, quando contabilizou 3 vitórias e um empate: venceu o Palmeiras por 3x2 em São Paulo; superou o Atlético/MG por 3x2 na Ilha do Retiro; empatou, sem gols, com o Internacional, em Porto Alegre, e venceu o Atlético/PR por 1x0 na Ilha do Retiro.
Performance invejável, e pouco provável que seja reeditada pelos comandados de Eduardo Baptista, que ora lutam contra adversários ocultos: ausência da autoconfiança; pressão por resultados, que induz a erros coletivos e individuais, e o desaparecimento da autoestima.
Tomando a Copa do Mundo como divisor de águas, facilmente se chega a conclusão que, o que levou o Sport a sair do compasso não foi o trabalho de campo, e sim, a gestão dos bastidores.
Afinal, era mais que previsÃvel, que após a intertemporada, o nÃvel da disputa seria mais elevado devido aos ajustes ocorridos nos times. Fato que não aconteceu na Ilha do Retiro.
E assim foi criado o lema do descenso: "A DERROTA EU JÃ TENHO".