Histórico
Copa da Rússia
Com o coração no bico da chuteira
postado em 12 de julho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

"Colocar o coração no bico da chuteira!".

A frase é antológica, e já emoldurou muitos comentários na época do "futebol romântico", quando grandes escritores encontravam espaço para mostrar suas habilidades no trato com as palavras através de crônicas que tinham como mote o esporte mais popular do País.

Ontem, durante a disputa do jogo entre as seleções da Croácia e da Inglaterra, numa das semifinais da Copa da Rússia, o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, me manda uma mensagem via Whatsapp: "A Croácia joga com a Alma".

Ao final do encontro, os jogadores croatas foram comemorar o feito histórico - classificação para uma final de Copa do Mundo - perto da torcida, e o zagueiro, Domagoj Vida, pegou seu filho e colocou no ombro. A imagem virou símbolo daquela conquista. Correu o mundo. Era a tradução do quanto aquela vitória representava para um povo. Era como se o triunfo estivesse anunciando um novo tempo, que vai mais além que o simples fato novo no futebol.

Os jogadores croatas, literalmente, colocaram o coração no bico da chuteira. Eles têm uma identificação com a nação, e expressaram, através do futebol, o quanto é importante a unidade. O conceito de família croata, onde todos são iguais, foi observado através dos gesto da presidente, que pagou suas despesas de viagem, e descontou os dias em que esteve fora do país, em viagem de lazer para ver a seleção do seu país jogar, e pela entrega e doação de uma geração de profissionais comprometidos com a história de um povo que procurou sempre se superar nas lutas em busca de uma soberania.

A Croácia não chegou à final por acaso. Apresentou um bom futebol. Teve capacidade para aproveitar os poucos erros cometidos pelo qualificado time inglês, mas conquistou o mundo pelo sentimento expresso através de atitudes dentro e fora das quatro linhas.

Já tivemos isso por aqui. Afinal, a frase - "Colocar o coração no bico da chuteira" - não foi criada aleatoriamente. Ela traduzia o sentimento dos jogadores que mantinham uma relação de amor e gratidão com seus clubes de origem.

Os protocolos criados para traduzir uma organização, que não existe no futebol brasileiro, servem apenas para distanciar os profissionais dos torcedores. Os beijos nos escudos, quando da apresentação dos jogadores em novos clubes, não são nada mais que exercício demagógico de hipocrisia.

A Seleção Brasileira já não sente mais o cheiro do seu povo, como acontece com o heróico "exército croata" que foi a Rússia mostrar ao mundo que, em plena era digital ainda é possível "Colocar o coração no bico da chuteira".

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Acontece
DNA Africano
postado em 10 de julho de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

 

Uma pesquisa do jornal "Olé", da Argentina, mostrou que a primeira semifinal da Copa da Rússia, entre as seleções da França e da Bélgica, tem um DNA africano. Entre os 46 atletas que fazem para dos seus times, 20 tem a ascendência desse continente.

Quando a bola rolar hoje, Romelu Lukalu, descendente do Congo Belga (atual República Democrática do Congo), e Kilyan Mbappé, que carrega a República dos Camarões em seu sangue, estarão lutando por uma vitória que possa levar os seus times a grande final da Copa.

Uma rivalidade que apareceu após a partilha da África. Camarões foi colonizado e ficou com o território anexo do Congo, atual República do Congo.

Devemos lembrar que a França em 1998 conquistou o título mundial com um time com muitos jogadores descendentes de imigrantes africanos, liderados por um argelino: Zinedini Zidani.

Continua hoje com seus "negros maravilhosos" que poderão levar para o território francês o seu segundo campeonato. A organização do time e o futebol europeu ganhou muito com a inclusão dos filhos de imigrantes africanos. Tais jovens se tornaram em vários casos os principais jogadores de suas equipes.

Os belgas, além de Lukalu, tem Vincent Kompanny, Dedrick Boyata, Youri Tielemans e Michy Baishani, com ascendentes no Congo.

Marouane Fellaini e Nacer Chadi tem sangue marroquino e Mousa Dembéle, malês.

Três outros jogadores também são descendentes de imigrantes de outros continentes: Yannick Carrasco, da Espanha; Axel Wiltsel, de Martinica e Adrian Januzaj, do Kosovo.

No time da França, além de Mbappé, que já citamos, que tem pai camaronês e mãe argelina, tem Pogba com raízes em Guiné, enquanto N'Golo Kanté leva para jogo a herança do Mali.

Outros astros têm DNA africano: Samuel Umtiti (Camarões), Adi Rami (Marrocos), Benjamin Mendy e Djibril Sibidbé (Senegal), Presnel Kimpembe (RDC) e Nabil Fékir (Argélia).

O goleiro Mandanda é franco-congolês, enquanto Blaise Matudi tem herança do Congo e de Angola, e Ousmane Dembélé, de Senegal, Mali e Mauritânia.

O novo mapa do futebol europeu mostra a força dos imigrantes que deram uma nova vida ao futebol.

O mais interessante de todo o processo, é que os herdeiros dos imigrantes poderão conquistar o título mundial de futebol, em um momento político de restrições e de criação de leis duras na Europa restringindo as imigrações.

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Seleção Brasileira
Campeões do açodamento
postado em 09 de julho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Existe um mantra popular que diz: "O futuro a Deus pertence". Tal sabedoria sugere a se ter calma em determinadas situações. Mas, dentro da dinâmica do futebol a precaução parece fora de cogitação. Essa é a dedução lógica a que chegamos após ouvir inúmeras opiniões sobre o futuro do técnico Tite, dos jogadores, e quais as medidas a serem adotadas pelos gestores da CBF.

O açodamento passou a ser uma marca registrada das mesas redondas, com os "senhores da verdade" arriscando até indicações para a Copa de 2022, ou seja, com quatro anos e meio de antecedência, visto que, no Qatar, o Mundial será no final do ano.

Foi por conta de açodamento que o Dunga foi guindado ao cargo de técnico da Seleção Brasileira, pela segunda vez, após a Copa de 2014. Tite perdeu apenas um jogo oficial no comando da seleção. Tal fato, no entanto, não lhe exime de culpa na derrota do Brasil para a Bélgica. Também não acho que o fato de o nosso selecionado não ter avançado para as semifinais, seja motivo para se formar um pelotão para jogar bosta na Geni. O momento exige uma reflexão.

Os problemas do futebol brasileiro começam pela gestão da CBF. Por mais que o treinador seja habilidoso para separar as coisas, ele não consegue blindar o grupo porque o trabalho precisa ser planejado com os gestores. E é neste quesito que começam as ingerências.

Na era digital a comunicação tem uma importância vital para qualquer profissional. No futebol não é diferente. Hoje, com as redes sociais a todo vapor, o cidadão recebe informações a cada minuto, fato que lhe facilita formar opinião sobre o assunto em pauta. As palavras ganham força a partir de quem as proferem. Comunicação nunca foi um forte da CBF.

E o caldo entorna quando passamos a observar o comportamento e a conduta dos profissionais de comunicação propriamente dito. "Os donos da verdade" atropelam princípios éticos num esforço insano de impor pontos de vista que vão de encontro a veracidade dos fatos. E buscam argumentos fundamentados em estatísticas passadas, como se o futebol fosse uma ciência exata com verdade absoluta.

O açodamento passou a ser uma marca registrada da imprensa brasileira. Uma boa apresentação parece ser o suficiente para transformar um jogador em craque. Uma sequência de vitórias, não importa o nível dos adversários, eleva o técnico a condição de mestre maior.

A discreta participação das seleções sulamericanas, na Copa da Rússia, tira um pouco do brilho da campanha brasileira nas Eliminatórias. A qualificação dos adversários na fase preparatória é fundamental para se ter parâmetros, mas a CBF nunca se preocupou com isso, e recebe o apoio de uma imprensa marcada pelo ufanismo.

Amanhã começam as semifinais da Copa da Rússia, mas do lado de cá do oceano já se fala na permanência, ou não, de Tite no comando da Seleção Brasileira. O treinador sequer apresentou o seu relatório, mas os "senhores da comunicação"  já falam em formação de grupo para a próxima edição da Copa América, que será no próximo ano, no Brasil. Detalhe: todos falam da necessidade de o treinador conquistar o título do torneio continental, como se tal façanha tirasse a Seleção Brasileira do limbo.

Meu caro José Joaquim Pinto de Azevedo!

O "Circo" a que o mestre tanto se refere, me parece que vai bem mais além da CBF.  

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Copa da Rússia
O campeão está no braço forte
postado em 04 de julho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

"O Sertanejo é, antes de tudo, um forte."

Em plena era digital, parodiando a célebre frase de Euclides da Cunha, podemos dizer que, o brasileiro é, antes de tudo, um gozador. As redes sociais foram transformadas no novo reduto da gréa. O mote do momento não é outro senão a Copa da Rússia. Agora, com o Brasil apresentando um futebol que lhe credita ao título, a galera deu asas a imaginação.

O fato de o futebol ser movido pela emoção faz com que o imaginário do torcedor seja uma fonte inesgotável de possibilidades. Moscou se transformou numa autêntica Torre de Babel, mas no burburinho da diversidade de idiomas, todos se entendem. E se acham próximos do título. A turma da camisa amarela mais ainda.

Nesses dias que antecedem as quartas de final, uma pergunta me tem sido feita com uma frequência impressionante: "Quem vai ser o campeão?". É como se o cronista esportivo conhecesse os mistérios do futebol.

A elaboração da tabela da Copa do Mundo segue uma engenharia precisa. Sua formatação, pós fase de grupos, cria dois braços com oito clubes cada um, gerando uma única possibilidade de duas seleções se enfrentarem duas vezes: a primeira na fase de grupos e a segunda na final, decidindo o título.

A formatação dos dois braços, que tem início nas oitavas de final e vai se diluindo até a final, quando sobram dois times, um de cada lado, independe de sorteio, razão pela qual tivemos, nesta edição da Copa do Mundo, quatro campeões mundiais de um lado: Brasil, Argentina, França e Uruguai, e do outro, Espanha e Inglaterra, que também são países detentores de títulos. Os campeões sempre se escudam em suas conquistas, embora algumas tenham acontecido há décadas.

Os títulos do Uruguai foram conquistados em 1930 e 1950, mas a Celeste tem uma zaga de respeito de uma dupla invejável de atacantes: Soáres e Cavani. A França, a última campeã do Século XX (1998) aposta no talento de uma juventude que tem o atacante Mbappé como principal cartão de apresentação. E os "diabos vermelhos", como são chamados os belgas? Dos emergentes parece ser os mais credenciados a protagonizarem uma surpresa. Proposta ofensiva eles têm de sobra para isso. Para completar o "braço forte", a Seleção Brasileira, que se chegar a final, estará decidindo o título pela quarta vez nas últimas sete edições. O grupo comandado por Tite, portanto, terá a oportunidade de somar três títulos em sete edições, fato que a tornará a Canarinha, ainda mais, soberana no universo do futebol.

A Inglaterra, campeã de 1966, reviu seus conceitos, investiu numa reformulação, e surge como a mais credenciada das seleções que avançaram para as quartas de final do seu lado. Croácia, Suíça e Rússia apostam no improvável, com os donos da casa sendo empurrados por uma energia que emana das arquibancadas.

Sem nenhum conhecimento dos mistérios do futebol, o máximo que arrisco é dizer que o campeão sairá do lado onde estão França, Uruguai, Brasil e Bélgica. Teoricamente, o "braço forte". Um raciocínio lógico que nem sempre é respeitado pela bola.

De uma coisa temos certeza: seja qual for o campeão, as piadas já estão prontas nas redes sociais, o novo reduto da gréa.   

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Copa da Rússia
O despertar de sonhos adormecidos
postado em 03 de julho de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Muitos são os que classificam a Copa do Mundo como o "Maior Espetáculo da Terra".

Particularmente prefiro chamá-la de "Mundo Mágico". E pego uma carona no poema de Sidney Nicéas, para tentar entender esse fenômeno provocado por um único esporte, de quatro em quatro anos: "Quando sonhos dormidos retornam".

O cartunista, Humberto Araújo, do alto de sua sensibilidade revelou: "Me emociono a cada momento com a Copa do Mundo". Evidente que sua emoção não se restringe às vitórias da Seleção Brasileira, mas com toda a aura que envolve o planeta promovida por uma disputa esportiva.

Tudo começou dentro das quatro linhas, lá atrás, em 1930, com um perfil de competição continental reforçada por poucos convidados. Passou por cima dos escombros deixados pela Segunda Guerra Mundial, e entrou em sintonia com a era digital com o mesmo charme e fascínio. O fenômeno pode ser explicado por antropólogos, sociólogos e psicólogos. Afinal, não existe uma explicação simples e única para o "Maior Espetáculo da Terra".

Fatos políticos e sociais, de grande relevância para a história da humanidade, refletiram no evento que superou as adversidades, aportou em vários continentes atingindo uma amplitude inimaginável, fato que exalta sua vitalidade dentro da nova ordem. Quem vivenciou uma Copa do Mundo sabe o quanto ela é capaz de quebrar barreiras, superar preconceitos e unir povos e culturas.

"Coisas do Futebol!", simplificaria o comunicador, Edvaldo Morais.

Na era digital, com o futebol se rendendo aos avanços tecnológicos, o volume de informações repassado, desperta um maior interesse do torcedor pela disputa, fato que justifica os números estratosféricos de acessos a aplicativos e redes sociais. O mundo está interligado a Copa da Rússia. E nos intervalos, enquanto a bola não rola, as cortinas são descerradas para que o mundo tenha um conhecimento maior sobre a rica cultura do país que parecia submersa nas montanhas de gelo, ou perdida na imensidão de suas estepes.

Bailarinos virtuosos; gladiadores implacáveis; atiradores letais e estrategistas revolucionários protagonizam jogam inesquecíveis que fazem despertar sonhos adormecidos que vão muito além das quatro linhas.

Verdade! A Copa emociona mestre Humberto Araújo.      

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