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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
A cada edição de Copa do Mundo fico mais convicto de que nada liberta mais a imaginação do ser humano que o futebol. E agora, com as redes sociais a todo vapor, é que passamos a ter noção da diversidade de pensamentos e comportamentos através de opiniões que são expressas através de posts que são feitos sem o menor constrangimento, ou inibição, mostrando que o mundo é habitado por milhões e milhões de profundos conhecedores da matéria.
O sábado foi fechado com a disputa do oitavo jogo do Mundial da Rússia. A competição é composta por 64 partidas, sendo que 48 acontecem nesta fase de grupos. Pois bem! Esta pequena mostra parece ter sido suficiente para os "gênios" chegarem as suas conclusões. As análises são feitas por diferentes óticas. E todos têm explicação para tudo. Este é o efeito dos movimentos de rotação e translação que a bola faz durante 90 minutos, ora contrariando lógicas, ou referendando prognósticos que nos levam a crer que no futebol tudo é óbvio ululante, como diria Nelson Rodrigues.
A Copa do Mundo sempre foi tratada como um protótipo. O torneio, que começou em 1930, no Uruguai, com cara de uma competição sul-americana com alguns convidados europeus, tinha como proposta colocar em confronto, o que a época se chamava de escolas. O principal atrativo era a queda de braço entre as escolas européia e sul-americana. A cada edição, de quatro em quatro anos, surgiam novidades: novos esquemas de jogo, propostas táticas que eram copiadas pelos clubes durante todo um ciclo, até o próximo Mundial.
Quando a internet passou a ser de domÃnio público as distâncias foram encurtadas. Com as barreiras quebradas, todos passaram a ser alimentados com informações que antes dos anos 90 não se tinha acesso. A abertura de mercado, que promoveu o êxodo dos melhores jogadores dos outros continentes para a Europa, promoveu muitas quebras de paradigmas. Para simplificar todas as mudanças, uma frase se tornou bastante usual: "Não existe mais time bobo".
Desde a quinta-feira, quando a Rússia, que vinha de um jejum de vitórias que durava meses, aplicou uma sonora goleada (5x0) na Arábia Saudita, que verdadeiras "pérolas" enriquecem as redes sociais, onde Cristiano Ronaldo foi exaltado pela sua exuberante atuação no empate (3x3) de Portugal com a Espanha, no melhor jogo até o momento, mesmo porque reuniu as duas melhores seleções; e Messi foi execrado por não ter convertido em gol o pênalti que foi defendido pelo goleiro da retrancada Islândia.
Além da ansiedade que interfere no desempenho das equipes nos jogos de estréia em qualquer competição, desde que o futebol foi inventado, a nova ordem nos mostra que clubes e seleções adotam posturas que se tornaram padrões. A maioria das seleções vão a campo com a proposta de não perder, razão pela qual o futebol de retenção, com poucas exceções, imperou neste inÃcio de disputa na Rússia.
O talento fará sempre a diferença. Evidente que existem outros fatores que devem ser avaliados: a Argentina está com uma média de idade muito alta. O talento de Messi, como única alternativa de desequilibrar, pode não fazer efeito, como ocorreu diante da Islândia, uma seleção que não propõe jogo em nenhum momento da partida. Gol para os islandeses é obra do acaso.
A arte de Cristiano Ronaldo foi ressaltada no empate de Portugal com a Espanha, porque os dois times tinham propostas ofensivas. CR7 é um atacante letal, cirúrgico, e com uma precisão extraordinária. Três falhas individuais do adversário foram suficientes para ele mostrar porque, no momento, é o melhor do mundo.
Brasil e Alemanha estréiam neste domingo, mas tem muita gente falando que a seleção de Tite é imbatÃvel. A conclusão foi por conta dos oito jogos que aconteceram até o momento.
Apesar de ser uma competição de tiro curto, a Copa do Mundo também proporciona mudanças de cenário. Enquanto isso não acontece, as redes sociais seguem bombando com as análises dos senhores sabe tudo.
CLAUDEMIR GOMES
Que placar foi esse: Rússia 5x0 Arábia Saudita?
Nem mesmo o mais otimista dos russos cravou 5x0 numa casa de apostas em favor de sua seleção. Para um time que não vencia há cinco meses, a estréia não poderia ser mais auspiciosa. Um placar a altura dos presentes dos czares, mas que não chega a ser o prenúncio de uma nova revolução russa. Afinal, a fragilidade da Arábia Saudita não deixa os anfitriões se embriagarem com tanto otimismo. Mas foi o resultado que toda seleção deseja, as que são candidatas a protagonistas, e as que participam do Mundial como simples coadjuvantes.
Portanto, aos vencedores um brinde com as boas vodkas russas.
Esta é a 21ª edição da Copa do Mundo. De 1930, no Uruguai, até a bola cruzar as estepes russas muita coisa mudou. Doravante a metamorfose deverá ser maior. Afinal, o futuro nos reserva um aumento de 50% no número de participantes. Ao invés das 32 seleções atuais, na edição de 2026, a ser promovida conjuntamente pelos Estados Unidos, México e Canadá, serão 48 equipes. Um dos efeitos previstos será uma queda do nÃvel técnico da competição, que terá jogos envolvendo seleções com qualidade bastante sofrÃvel. Mas algumas coisas parecem imutáveis dentro daquele espaço retangular de 110m x 75m, onde os virtuosos têm vez.
A seleção da Arábia Saudita, que tinha no banco um pernambucano, o massagista Catatau, que trabalhou no Sport, e em seguida foi levado para o futebol saudita pelas mãos do técnico Hélio dos Anjos, cometeu erros primários, inadmissÃveis a um time que se propõe a disputar um Mundial, por mais modestas que sejam suas pretensões. O resultado não poderia ser outro senão a acachapante goleada imposta pela seleção da casa.
Durante várias edições da Copa do Mundo, quem fazia o jogo de abertura era a seleção campeã da edição anterior. Se a regra fosse mantida a Alemanha é que faria as honras de abrir o mundial russo. Pelo que vimos na primeira mostra, os sauditas são candidatos a saco de pancadas deste Mundial. A Rússia construiu uma boa gordura (saldo de gols), que pode lhe valer para assegurar sua classificação para as oitavas de final.
O primeiro grande confronto está programado para a tarde desta sexta-feira, quando teremos Portugal x Espanha. Os lusos, capitaneados por Cristiano Ronaldo, o melhor e mais midiático jogador do mundo, vai tentar tirar proveito da crise que foi instaurada na seleção espanhola com a dispensa do técnico as vésperas do evento. O impacto que isso pode ter causado no favorito time espanhol, somente saberemos quando a bola rolar.
Tive a oportunidade de cobrir quatro edições de Copa do Mundo, todas como enviado especial do Diário de Pernambuco, e a soma de conhecimentos me deixou com a certeza de que em Mundial não há espaço para elucubrações, nem adivinhações com base no pressuposto.
Os russos nos mostraram isso saudando o mundo da bola com uma goleada.
CLAUDEMIR GOMES
à tempo de Copa do Mundo!
Quando isso acontece, de quatro em quatro anos, tudo o mais sobre futebol passa para um segundo plano, razão pela qual a décima-segunda rodada do Brasileiro da Série A, que começou ontem a noite com a vitória (3x0) do São Paulo sobre o Vitória/BA, e será concluÃda nesta quarta-feira, ocupa pouco espaço nos noticiários esportivos.
Mesmo com as pesquisas apontando uma queda de interesse do povo brasileiro pela competição da FIFA, é incontestável o fascÃnio que a competição exerce sobre grande parte da população mundial. Os números atestam a grandeza do evento que alcança Ãndices imensuráveis a cada edição na era digital.
Este ano estamos comemorando os 60 anos da primeira conquista brasileira, fato que nos arremete a um comparativo sobre a comunicação utilizada no Mundial da Suécia, em 1958, e a dos dias atuais que nos leva ao conhecimento dos fatos, em tempo real, de tudo o que acontece na Rússia.
Despertamos nesta quarta-feira com as notÃcias da queda do técnico da Espanha, Julen Lopetegui, a dois dias da estréia da Fúria no Mundial. A dispensa teve como motivo uma quebra de contrato, uma vez que o treinador, que em maio havia renovado seu vÃnculo com a Federação Espanhola, anunciou um contrato com o Real Madrid.
A Espanha será comandada por Fernando Piero. A saÃda do comandante gerou uma crise numa das seleções cotadas a brigar pelo tÃtulo.
A outra novidade foi o anúncio da vitória da candidatura tripla, apelidada de United, que viabiliza a realização da Copa de 2026 por três paÃses: Estados Unidos, México e Canadá. Um inchaço previsto, que visa aumentar o lucro da FIFA, que na Copa do Brasil foi em torno de 6 bilhões de dólares, para 15 bilhões no mundial norte-americano.
A partir de 1994, quando a Copa do Mundo aportou pela primeira vez nos Estados Unidos, o futebol passou a ser tratado como um dos negócios mais lucrativos do mundo. Com a internet passando a ser de domÃnio público, e a evolução da telefonia móvel, as distâncias foram encurtadas e a internacionalização levou as grandes competições a se sobreporem aos torneios nacionais. Uma nova realidade passou a ser vivenciada no mundo do futebol.
O primeiro questionamento a ser feito em relação ao aumento de participantes, que passará de 32 para 48 seleções, é técnico: Qual o impacto que causará na qualidade do produto. O segundo é sobre o futuro da Copa. Afinal, com esse inchaço, poucos paÃses terão condições financeiras e estrutura para bancar o evento sozinho.
Vem aà a era das promoções casadinhas.
CLAUDEMIR GOMES
Semana passada, o Fluminense brigava pela vice-liderança do Brasileiro da Série A. Agora, passadas duas rodadas, o Tricolor carioca se encontra na parte de baixo da tabela. O Sport alcançou a vice-liderança, mas uma rodada depois caiu cinco casas na classificação. O Flamengo, que vem de uma sequência de vitórias impressionante, construiu uma vantagem de seis pontos sobre o Atlético Mineiro, o novo vice-lÃder do campeonato. A regularidade fez a diferença para o rubro-negro carioca que segue livre, leve e fagueiro na condição de lÃder.
Após a parada para a Copa da Rússia acontecerão muitas mudanças de cenário. Não se pode assegurar que alguns clubes irão evoluir de forma radical, enquanto outros apresentarão quedas inesperadas. Esta intertemporada forçada servirá para os clubes recuperarem jogadores e ajustar os elencos dentro das filosofias implantadas pelos treinadores.
A maioria dos clubes não tem suporte financeiro para investir na busca de uma melhor qualidade técnica. Não há como competir com o mercado do exterior. Os paÃses sul-americanos foram transformados em grandes garimpos, com destaque para Brasil e Argentina. Os clubes europeus levam nossas melhores pepitas para lapidarem. Eis a razão pela qual o nosso produto interno perdeu a qualidade.
Apesar da carência temos visto bons jogos, com uma entrega muito grande dos dois times em busca do melhor resultado. A média de gols da 11ª rodada é uma prova inconteste da competitividade, e da forma de jogar da maioria. Os treinadores colocaram os times pra frente e isso é muito bom.
Quando não se tem uma técnica apurada, a vontade de vencer faz a diferença. Apenas cinco pontos separam o Atlético Mineiro, vice-lÃder da Série A, do Vasco, o décimo colocado. O emparedamento nos mostra que não existe uma equipe tecnicamente tão diferenciada na disputa. A atitude dentro das quatro linhas é que faz a diferença.
O Sport tem se especializado em levar gols nos minutos finais dos jogos. Uma deficiência que o técnico Claudinei Oliveira terá que corrigir na intertemporada que começa a partir de quinta-feira.
PAULO CEZAR CAJU - O GLOBO
Olha posso estar enganado, mas pelas últimas conversas que tenho ouvido, não estou mais sozinho nessa história de "não estar nem aà para essa Copa". Sinto que outras ranzinzas juntaram-se a mim. Não sei se eles chegaram a usar uma camisa da SuÃça, como venho usando, mas juntaram-se.
Usar uma camisa da SuÃça é mais ou menos como votar no Macaco Tião, uma forma de protesto. Me perdoem os torcedores fanáticos, mas essa seleção não me representa.
A CBF, FIFA,dirigentes, empresários, e o técnico, nada me representa. Qual o sentido do filho de Neymar descer de helicóptero no campo? Para que essa ostentação desnecessária em um momento como esse?
A seleção virou um produto de marketing exagerado, pernas de pau valorizados, discursos para boi dormir, e blá blá blá. O Felipe Luiz durante uma entrevista coletiva de imprensa, disse que, hoje, a relação entre jogadores e torcedores é bem mais próxima por conta das redes sociais. Isso só pode ser piada.
Antigamente, se eu jogasse mal, o torcedor reclamava comigo, direto, olho no olho, na rua, na praia, ou no "Noites Cariocas", evento no Morro da Urca, onde eu sempre marcava presença. Como eu posso ligar para essa Copa depois de tudo o que fizeram com o Maracanã? E os elefantes brancos que espalharam para todo o paÃs? Ficou tudo por isso mesmo!
Qualquer pesquisa aponta o torcedor se afastando dos estádios. à preço, o horário, é violência, e é a péssima qualidade do espetáculo. Quem resiste? O que mudou na vida do torcedor após termos vencido a OlimpÃada? Ele ficou mais confiante? Zero!!! E se vencermos a Copa? Zero!!!
O que se discute é esse distanciamento, a perda de identidade, e como conduziram de forma tão desleixada a maior paixão do brasileiro.
Por isso, reforço que o Macaco Tião é a salvação!!!
OBS: Material tirado do blogdejjpazevedo.com