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Maio 2012 ›› JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Quando estamos viajando sempre mandamos mensagens para alguns amigos para sabermos sobre as notÃcias do nosso Estado. Uma das fontes utilizadas é o jornalista, Claudemir Gomes, que já tem uma resposta pronta: "nenhuma, pois aqui nada acontece". Eis uma verdade verdadeira.
O grande problema do futebol local é a mesmice patológica que tomou conta de todos os seus segmentos. Nada de novo acontece, não existe o planejamento adequado para mudanças que possam consolidar o seu futuro. Vive de ilusões, que são vendidas pelos ilusionistas.
Os bons projetos acontecem com um espaço de tempo bem longo, e o último foi na década de 90, o que demanda hoje 18 anos na espera de uma novidade.
O esporte da chuteira em Pernambuco estagnou.
O Náutico na década de 60 tinha um grupo composto pelos Josés que deu um novo formato a polÃtica do clube, levando=o a conquista do hexacampeonato local, e trazendo para os Aflitos novos torcedores.
Dez anos após, algo de novo surgiu na década de 70, quando o Santa Cruz viveu a época de ouro de sua história, contando com a presença de um colegiado que implementou um novo projeto, e os resultados positivos demonstraram o acerto.
O hiato foi bem mais longo, desde que somente vinte anos após, na década de 90, o Sport implantou um novo modelo de gestão, com profissionalismo e obedecendo a um projeto de longo prazo. Sem dúvida foi a era de ouro do Clube da Ilha do Retiro.
Por uma feliz coincidência o sucesso nesses perÃodos dos três clubes teve como força motriz o trabalho de base, e o aproveitamento da prata de casa, e da região.
Passaram=se 18 anos e nada de novo aconteceu. Os clubes regrediram, se apequenaram, raras conquistas e sem um trabalho de formação procedido de forma profissional.
O futebol de Pernambuco parou no tempo e no espaço, perdeu a sua força e sobretudo o respeito por falta de projetos, desde que os exemplos do passado poderiam servir como ponto de partida para que algo melhor pudesse ser implantado.
Como podemos evoluir se temos que esperar espaços longos para injetarmos no futebol algo novo?
Uma pergunta que necessita de uma resposta imediata, pois as transformações são coisas de profissionais, esses estão em falta no mercado.
Com esse presente, não teremos um futuro promissor, e o futebol local continuará sendo aquele que nada de novo acontece.
Os segmentos envolvidos nesse esporte fazem parte da Idade da Pedra.
CLAUDEMIR GOMES
A quinta rodada do Brasileiro será concluÃda na noite desta segunda=feira, com a disputa do clássico carioca envolvendo Botafogo e Fluminense, e o confronto entre Ceará e América/MG. Apesar das pendências já é possÃvel fazer uma análise do primeiro ciclo (cinco primeiros jogos), cuja grande surpresa pode vir a ser o emergente América Mineiro, que em caso de vitória, hoje em Fortaleza, dará um salto considerável na tabela de classificação, passando a figurar na quarta posição. Antes de a bola rolar tal cenário era pouco provável.
O nÃvel técnico da competição neste seu inÃcio é baixÃssimo, fato que leva técnicos, jogadores, dirigentes e parte da imprensa a destacar coisas subjetivas, como a invencibilidade do São Paulo, na tentativa de valorizar a competição que é o reflexo da decadência do futebol brasileiro.
Ter clubes de massa como Flamengo, Corinthians e Atlético Mineiro dividindo a liderança do campeonato, com o mesmo número de pontos ganhos, é o combustÃvel ideal para uma divulgação cujo objetivo único é ressaltar o futebol de resultados, sem a mÃnima preocupação com a qualidade do produto apresentado. A verdade é que, nos quase cinquenta jogos realizados até o momento, nada chama a atenção além do bom entrosamento do time do Grêmio.
Dentro de sua proposta de campanha de manutenção, uma vez que não tem elenco qualificado para pensar grande, o Sport depende de tropeços do América Mineiro e Botafogo, em seus respectivos jogos hoje a noite, para ter um saldo positivo no primeiro balanço da Série A, fechando o primeiro ciclo na parte de cima da tabela de classificação. O mesmo desempenho não se vislumbra para o time comandado por Claudinei Oliveira no segundo ciclo, onde, teoricamente, terá adversários de melhor qualidade técnica: Corinthians, Palmeiras, Atlético/MG, Internacional e Atlético/PR.
O primeiro ciclo da Série A deixou bem claro as dificuldades que os clubes do Nordeste terão para sobreviver na competição, ou seja, escapar do rebaixamento. Após as cinco primeiras rodadas, Bahia, Vitória e Ceará formam o grupo da degola junto com o Paraná.
Naturalmente que, até chegarmos a 38ª rodada acontecerão muitas mudanças de cenário, e serão criadas possibilidades diferentes das existentes no momento, entretanto, é mais provável a formação de tendências do que o surgimento de pontos fora da curva.
Enfim chegou o sábado!
Sábado é um dia especial, como nos mostra VinÃcius de Moraes em "O Dia da Criação". Talvez, por essa razão, o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, tenha programado o seu retorno ao blog para hoje. Estava desfrutando de alguns dias de descanso em Portugal, paÃs do qual ganhou cidadania, e nos deixou órfãos de uma boa leitura num curto espaço de tempo. O suficiente para fazermos uma reflexão, e valorizarmos, ainda mais, o trabalho que ele presta ao desporto nacional, em especial ao futebol, através de suas análises que são servidas como apetitosas crônicas.
Abaixo, o primeiro artigo escrito pelo mestre na sua aguardada volta. (Claudemir Gomes)
ENFIM O SÃBADO
JOSÃ JAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Enfim o sábado chegou nos trazendo ao convÃvio dos visitantes que estão conosco todos os dias, e que na verdade são os responsáveis pelo sucesso desse site.
No retorno vimos que o futebol de Pernambuco continua o mesmo onde nada se cria, na se transforma, e o mais grave, nada se copia, ou seja, tudo continua como dantes na Casa de Abrantes: Clubes no sistema de pré=falência, vivendo dias amargos e sem uma luz no fundo do poço em que se encontram.
Os três que já foram grandes (Sport, Náutico e Santa Cruz), continuam contratando jogadores que são tirados do fundo do baú, sem espaço pelo Brasil afora.
O Sport, dono de uma clÃnica de recuperação trouxe um atacante que há dois anos não consegue de firmar. Rafael Marques, com 34 anos chegou à nossa Capital para a alegria do Cruzeiro que irá pagar parte dos seus salários, mas com a outra metade sendo quitada pelo velho Leão.
O Náutico arrumou nas suas bases um treinador, que irá ajudar o time a afundar mais ainda na competição (Série C), e o Santa Cruz, quebrado nas finanças, está tentando sair da sÃndrome do empate. Jogar e não ganhar é o sistema tricolor.
Enquanto isso, o Salgueiro não é mais aquele Salgueiro, e sim um simples time do Interior, sem lenço ou documento, nada no bolso ou nas mãos. Está penando na Série C.
Para que se tenha uma idéia da realidade do futebol de Pernambuco, em 10 anos os três times da Capital tiveram uma receita lÃquida negativa de R$ 11 milhões.
O Sport, como sempre, é o que perdeu mais, com R$ 51 milhões negativos, seguido pelo Náutico com R$ 43 milhões negativos e do Santa Cruz com R$ 17 milhões negativos, ou seja, estão vivendo de prejuÃzos acumulados, e o retrato final está pendurado em suas sedes.
Com relação ao futebol brasileiro muito embora o Brasileirinho esteja com uma boa média de público, que há muito tempo não acontecia ( 700.661 pagantes e uma média de 17.965 torcedores por jogo), com exceção do Grêmio, os demais clubes estão maltratando a bola.
Os torcedores gostam de coisa ruim, que é sem dúvida a realidade dos jogos apresentados.
Tivemos na última quinta=feira um cartão de visita homenageando o nosso retorno ao PaÃs, com um jogo tão medÃocre, válido pela Copa do Brasil, entre Flamengo e Ponte Preta, que terminou em 0x0. Por incrÃvel que parece, o rubro=negro carioca é o lÃder do Brasileirinho (Série A).
à o que temos, e somos obrigados a conviver.
As mÃdias esportivas continuam lindas, desligadas da realidade, com as mesmas notÃcias, declarações de dirigentes do nada para o nada, de treinadores que falam e não deixam nenhum recado, e dos jogadores que estão amando os seus clubes, e que o time está se entrosando.
Quem acompanha o futebol europeu, até em Portugal, embora cada vez mais esse esteja se elitizando, o Brasileiro tem uma distância da Terra à Lua na qualidade técnica.
Há pouco assistimos dois jogos finais do Campeonato Português com a participação dos seus três maiores clubes, com torcida mista, futebol de qualidade e, sobretudo, a bola sendo bem tratada, sem necessitar de prestar queixa a Delegacia do Torcedor.
O mais grave de tudo isso é que não temos a menor perspectiva de uma melhora e que o reino da Dinamarca continuará bem estranho para a infelicidade de todos.
CLAUDEMIR GOMES
A exemplo do que acontece em todas as competições, no Brasileiro da Série A os clubes são divididos em três grupos: os considerados Grandes; os Médios e os Pequenos. A partir de tal classificação começam a serem feitas as projeções com vários fatores a serem considerados, dentre eles, distâncias a serem percorridas. Entretanto, os mais determinantes são as cotas a serem recebidas e a qualidade técnica dos elencos.
Nas duas últimas edições da Série A, o Sport, que há quatro anos se mantém na elite nacional, brigou até a última rodada contra o fantasma do rebaixamento. A fragilidade exposta pelo time leonino em 2016 e 2017 lhe levou ao pelotão dos pequenos em 2018, ou seja, passou a figurar entre os candidatos ao rebaixamento nas bolsas de apostas. Dentro desta ótica, e plagiando o dito popular, podemos afirmar que, para sobreviver o Leão da Ilha terá que "matar um leão" a cada rodada.
Como dissemos em postagem anterior, por se tratar de uma competição longa, formatada com 38 rodadas, as mudanças de cenário ocorrem com relativa frequência, fato que nos leva a dividir a disputa em ciclos. Cada ciclo com cinco partidas. O primeiro ciclo será concluÃdo no próximo domingo, quando o Sport enfrenta o Cruzeiro, à s 11h, no Mineirão. Com um aproveitamento de 58%, o time leonino figura na oitava posição, na tabela de classificação, com a mesma pontuação do terceiro colocado, o Corinthians. Resumindo: até o momento o Sport conseguiu o que para muitos era improvável: uma pontuação para brigar por uma vaga na Libertadores.
Como as probabilidades e as mudanças de cenário mudam a cada ciclo, a sequência de jogos a ser encarada pela equipe comandada por Claudinei Oliveira será das mais difÃceis. Se nos quatro primeiros jogos os desafios foram compatÃveis ao "tamanho" ao Leão, após medir forças com o Cruzeiro, o Sport vai disputar sete partidas, num perÃodo de 25 dias até a paralisação para a Copa do Mundo. à como se o representante pernambucano entrasse a campo a cada três dias e meio. Detalhe: os jogos serão intercalados com viagens a São Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, onde enfrentará o Palmeiras, o Internacional e o Vasco. Nesta sequência o Sport joga no Recife com o Corinthians, o Atlético/MG, o Atlético/PR e o Grêmio.
O jogo com o Cruzeiro, próximo domingo, que fecha o primeiro ciclo da Série A, teoricamente é o mais difÃcil do Sport nesta primeira fase de avaliação. O time mineiro está na 14ª posição na tabela de classificação. Deixou a zona de rebaixamento na última rodada quando contabilizou sua primeira vitória na competição. A Raposa, portanto, é um dos muitos "leões" que os rubro=negros terão que "matar" para sobreviver na elite. Esta é a meta dos considerados Pequenos.
Ceará e Sport são os clubes que vão percorrer as maiores distâncias nesta edição da Série A.
CLAUDEMIR GOMES
A saÃda do técnico, Roberto Fernandes, do Náutico, foi o assunto dominante nesta segunda=feira, no futebol pernambucano. Afinal, há um mês ele estava sendo festejado como o protagonista maior de uma conquista memorável, a do Pernambucano 2018, tÃtulo que pôs fim a um jejum de 13 anos, e que vinha torturando a torcida alvirrubra.
Na chegada, em agosto de 2017, e na saÃda, domingo passado, Roberto Fernandes, apesar do feito que colocou seu nome na galeria dos heróis do clube dos Aflitos, dividiu a opinião dos torcedores. A fraca campanha que o time vem descrevendo no inÃcio da Série C foi o suficiente para os torcedores menos tolerantes elegerem o técnico campeão pernambucano como o vilão do momento.
Roberto Fernandes fez o possÃvel para repassar ao público que encarou os fatos com naturalidade. O vai e vem no futebol é tão corriqueiro como o vai e vem de pessoas na estação a espera do trem que chega, que é o mesmo da partida. O ex=treinador alvirrubro foi vitima do futebol de resultados. Por ironia foi justamente no futebol de resultados que ele se baseou para definir seus conceitos na disputa do Estadual.
Ao não conseguir livrar o Náutico do rebaixamento para a Série C, quando assumiu o clube no mês de agosto, o passivo negativo na Série B era assustador, e Roberto, apesar do bom trabalho desenvolvido, não operou o milagre da salvação. A queda do Náutico para a terceira divisão nacional não lhe tirou o crédito para realizar o trabalho de reformulação de elenco com o clube sem uma boa saúde financeira. Sem dinheiro para priorizar a qualidade técnica, Roberto Fernandes recrutou profissionais que conheciam o desafio da superação, e respaldou as promessas da base. A receita funcionou no Pernambucano, e surpreendeu na disputa da Copa do Brasil.
Os mesmos princÃpios não se aplicavam no Brasileiro da Série C, onde bastaram apenas quatro jogos para ressaltar os defeitos, que pareciam se multiplicar diante das poucas virtudes de um campeão que ainda festejava o tÃtulo.
Coisas do futebol de resultados.