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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Episódio 1:
O futebol pernambucano vive o clima de uma final inédita de campeonato envolvendo Náutico e Central, um clube da Capital, que amarga uma jejum de 14 anos sem tÃtulo, e um outro do Interior que não tem nenhuma conquista da competição doméstica no seu currÃculo.
A torcida do Náutico já adquiriu todos os ingressos que foram postos a venda, fato que assegura um colorido alvirrubro, domingo, na Arena Pernambuco.
As 15h encontro Roberto, torcedor do Náutico, pertencente a uma classe média privilegiada, que de imediato foi externando sua confiança na conquista do tÃtulo. Entretanto, no meio da conversa deixou escapar esta pérola:
"Se o Náutico perder acho que a frustração levará a torcida a quebrar mais de cem cadeiras. Eu mesmo vou quebrar umas três", assegurou.
Episódio 2:
Juventus e Real Madri, dois gigantes do futebol europeu, se confrontam pelas quartas de final da Liga dos Campeões. O Allianz Stadium, em Turim, na Itália, com todos os seus lugares ocupados, foi palco de uma fantástica exibição do atacante, Cristiano Ronaldo, que marcou dois gols e deu a assistência para Marcelo marcar o terceiro na vitória (3x0) do time espanhol.
O camisa 7 do Real Madri marcou um gol antológico, de bicicleta, que levou o público presente ao estádio a lhe aplaudir de pé. A demonstração de civilidade foi tamanha que levou o astro a agradecer com muita lhaneza.
Detalhe: A frustração pela derrota, que fatalmente deixará a Juventus fora das semifinais da competição, não provocou nenhum comportamento agressivo na torcida, e nos jogadores do clube italiano.
Os dois episódios fazem parte dos muitos exemplos que revelam o choque de realidades que vivemos ao traçarmos um comparativo da realidade do nosso futebol com a realidade das competições européias que nos são mostradas pela televisão, ao vivo, em tempo real.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Na próxima semana o futebol brasileiro dará o pontapé inicial da segunda etapa das competições mais longas. Os Estaduais estão na reta final, e na sua maioria serão encerrados no próximo domingo, e não deixarão saudades.
As três principais divisões nacionais irão iniciar os seus jogos, sob o clima de lamúrias, comentários iguais aos dos outros anos, que já se tornaram parte efetiva do sistema.
Vamos começar de novo agarrados aos antigos problemas. Os anos passam e nada muda para melhorar, pelo contrario, a curva de descendência se acentua. Temos uma legislação esportiva alienada, e fora do contexto. Sofreu algumas alterações, mas sem uma maior utilidade. Tudo continuou como dantes.
Os clubes de futebol que continuam a gasstar mais do que arrecadam, embora seja limitado pelo Profut, legislação que ninguém atende.
A Influência dos empresários em algumas agremiações é tão grande, que muitos desses passaram a ser proprietários de dois ou mais times, inclusive emprestando dinheiro para as suas despesas. Na contrapartida colocam seus clientes como profissionais nos times.
O Circo Brasileiro de Futebol (CBF) exala péssimo odor. Os seus três últimos presidentes foram afastados por suspeitas de corrupção, inclusive um desses está numa cadeia nos Estados Unidos, no caso, José Maria Marin.
Todos ficaram mudos e surdos com relação a tais fatos.
Essa entidade só tem uma preocupação: a de ganhar dinheiro com a seleção, e assim encher as suas burras de ouro. O seu planejamento é totalmente equivocado, tendo a responsabilidade de um calendário pronográfico.
O futebol brasileiro é, e continuará a ser para a maioria dos clubes, uma safra agrÃcola. Após a sua colheita, fica esperando o próximo ano para voltar a atividade. à a chamada sazonalidade.
A distribuição de renda e criminosa. O abismo entre os de baixo, os de cima e os do centro é avassalador. Os do Sudeste/Sul ficam com tudo, enquanto os demais se contentam com pequenas migalhas, que calam as suas bocas.
à o verdadeiro sistema do "Cala a Boca", comum em uma sociedade que tem como parâmetro a Casa Grande e a Senzala.
Os clubes continuam mal dirigidos. Estão sempre com o pires nas mãos, apelando para receitas antecipadas, empréstimos bancários, salários atrasados, entre outras mazelas. Vivem de sonhos e ilusões, alguns contemplando boas receitas, que são torradas pela incompetência dos seus responsáveis.
E assim caminha o esporte brasileiro, e no ano da Copa do Mundo, quando todos esquecem as mazelas que o afligem, e ingressam no mundo da fantasia que é criado por esse evento. As mÃdias só falam no Hexa e esquecem da realidade apodrecida do futebol brasileiro.
O futebol é a verdadeira cara do Brasil, que também vive de utopias, de mentiras, desorganizado, e sobretudo abraçando de cabo à rabo, um dos piores males do mundo que é represenado pela corrupção que incentiva a violência.
O lema adotado em nosso território é: "Corruptos unidos jamais serão vencidos".
Estamos ficando convencidos de que os que gritam tal slogan tem razão.
Uma vergonha.
CLAUDEMIR GOMES
O primeiro de abril é considerado o DIA DA MENTIRA. Mas o que vimos ontem, no estádio LuÃs Lacerda, em Caruaru, foi pura verdade. Central e Náutico foram os protagonistas de um jogo pobre tecnicamente e desprovido de emoção, no primeiro confronto entre ambos, válido pela decisão do tÃtulo estadual de 2018. A final insossa moldura uma das piores edições do centenário campeonato, que foi marcada por uma final inédita e improvável.
Náutico e Central chegaram à final com justiça. Descreveram as melhores campanhas, e os números atestam que os dois times foram os mais equilibrados numa disputa de nÃvel técnico baixÃssimo. Num campeonato onde, nem mesmo o Sport, clube com uma receita bem superior aos outros participantes, escapou da mediocridade, o equilÃbrio na linda de baixo foi decisivo para levar dois clubes que não se planejaram a condição de finalistas.
A previsão é de que, no próximo domingo, o jogo final que apontará o campeão, atraia um público de quarenta mil torcedores, ou mais, a Arena Pernambuco, fato justificável pela sede de tÃtulo da torcida do Náutico, que há 14 anos traz preso na garganta o grito de à Campeão. Entretanto, não podemos deixar de observar que o jogo final é um ponto fora da curva. O Pernambucano 2018 teve a pior média de público da história da competição centenária.
"Deu liga!". A frase, muito usual no futebol dos dias de hoje, sintetiza a condição de finalistas de Náutico e Central, dois clubes que há três meses estavam montando um elenco, e, num passe de mágica, tudo conspirou a favor para que os dois conjuntos apresentassem acertos que transformaram ambos nos clubes mais regulares de um modesto campeonato. Não houve planejamento em nenhuma das duas agremiações. Afinal, não havia tempo para tal. Simplesmente "deu liga", nada mais que isso. Coisas de um futebol insipiente e amador.
Evidente que, o empate de 0x0 no primeiro jogo deixa a decisão em aberto. Tudo pode acontecer no próximo domingo. A vantagem do mando de campo é substancial para o Náutico que venceu todos os sete jogos que disputou na Arena Pernambuco. A ruidosa torcida alvirrubra pode funcionar como ponto de desequilÃbrio. Mas existe a possibilidade de o Central vir ao Recife e surpreender. Numa final tão pouco provável como era essa, tudo pode acontecer.
No futebol de resultados, tudo pode acontecer.