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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, está sempre ressaltando a importância dos números, assegurando que eles dão um norte a tudo. Com base nos números, suas análises sobre as campanhas e o futuro dos clubes nas competições em que estão envolvidos, são de uma precisão impressionante. Evidente que a margem de erro também é proveniente do imponderável, que faz parte do futebol.
Com base neste princÃpio, ao observarmos o desempenho do Náutico nas competições que já disputou na temporada (Campeonato Pernambucano, Copa do Nordeste e Copa do Brasil), e mais o Brasileiro da Série C, cuja participação do alvirrubro recifense começou com a disputa de um clássico com o Santa Cruz, podemos assegurar que, a estrada para o acesso do Clube dos Aflitos à Série B, será asfaltada através do mando de campo.
O Náutico foi o clube que mais disputou jogos nos primeiros quatro meses do ano. Como mandante, o time comandado por Roberto Fernandes não perdeu nenhuma partida. A Arena Pernambuco foi o palco de 15 apresentações dos alvirrubros que contabilizaram 12 vitórias e 3 empates, obtendo um extraordinário aproveitamento de 86%.
A Série C, embora abrigue 20 clubes, a exemplo do que acontece com as Séries A e B, tem uma forma de disputa diferente. Na terceira divisão nacional, os clubes são divididos em dois grupos, onde se busca uma regionalização. Eles se enfrentam entre si e se classificam para a próxima fase os quatro que obtiverem melhor pontuação. A partir da segunda fase a disputa passa a ser no estilo mata, mata, havendo um cruzamento entre os clubes dos Grupos A e B. Não se pode assegurar que, apenas com os bons resultados como mandante um clube possa atingir a meta da classificação. Quem quiser ascender para a Série B terá que ir buscar um plus como visitante.
Depois de estrear em casa, o Náutico sai para fazer dois jogos como visitante na Série C. Neste sábado enfrenta o Botafogo em João Pessoa, e depois vai ao Acre enfrentar o Atlético. Na primeira rodada da Série C aconteceram 6 vitórias de clubes mandantes, todas pelo placar de 1x0; 3 empates e apenas uma vitória de um clube visitante, também pelo placar de 1x0.
Por se tratar da terceira divisão nacional, a qualidade técnica é um detalhe. Os clubes procuram se superar através da determinação. A receita não é outra senão a da transpiração. E o mando de campo será o escudo a ser utilizado por todos os 20 clubes participantes. Neste expediente, o Náutico parte na frente.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Tudo o que foi publicado no caderno de Esportes do Jornal do Commercio sobre a situação do Sport, o nosso blog já tinha analisado e mostrado que os números apontavam para uma grave crise, que, só poderá ser contornada no médio prazo através de algumas mudanças no processo da gestão do clube.
Fazemos uma pequena ressalva com relação a queda das receitas de R$ 24.125.140,00, que na verdade aconteceu por conta das luvas da renovação do contrato com a TV que foram pagas no ano anterior, e as alavancaram nesse perÃodo.
Sem essas o clube voltou ao seu patamar real.
A atual administração escondeu a realidade. Faltou a transparência.
Se tivesse publicado os balancetes mensais, certamente iria aparecer alguém para chamar a atenção para os problemas financeiros. O seu modelo era para cobrir um santo, e ao mesmo tempo descobrir outros, e os recursos sumiram.
O binômio receitas x despesas não foi respeitado. As tentativas de melhoras no futebol levaram o clube ao fundo do poço, por conta de contratações e salários vultosos.
Uma folha salarial que chegou aos R$ 4 milhões mensais, seria obvio que iria abalar as finanças. Em 13 meses (13º), isso representou R$ 52 milhões, ou seja metade das receitas do clube só em salários dos profissionais.
Tornou=se em uma bola de neve.
No meio disso algumas contratações esquisitas.
O alto Passivo Circulante proibiu empréstimos, e resvalou no atraso salariais, como na quitação dos parcelamentos acertados com os cofres federais.
A bola rolava muito mal nos gramados, e pior ainda nos gabinetes dos diretores. Os impostos deixaram de ser pagos, inclusive com a apropriação indébita de alguns que foram recolhidos das fontes e que deveriam ser depositados nas contas governamentais.
O ano findou e só quem sabia da situação era o presidente Arnaldo Barros e seus diretores mais próximos.
Hoje a nação rubro=negra está em polvorosa, mas nada de positivo é feito para resolver a situação.
São palavras e mais palavras perdidas ao vento. Há anos que sempre repetimos uma frase: "O Sport é uma mina de ouro, se bem administrado". Por conta disso poderá dar a volta por cima, mas para que isso possa acontecer o modelo de gestão atual tem que ser rasgado, um projeto de recuperação implantado, e o afastamento do presidente que é o mais importante para o processo. Com a atual direção a vaca irá para o brejo.
Para uma mudança de cenário é necessário cabeças pensantes, que possam dar o norte em que o clube deverá caminhar.
De uma coisa temos a certeza: se continuar como está, o rubro=negro irá bater no inferno. Mudando o rumo chegará no final do ano no purgatório, com um balanço um pouco melhor.
Finanças, administração e marketing para a captação de recursos são as bases fundamentais para uma boa gestão, e no Sport esses setores são ineficientes.
CLAUDEMIR GOMES
A "Dança dos Técnicos" em um campeonato longo, como o Brasileiro, sempre chama a atenção. Os motivos da ciranda, que atinge Ãndices altÃssimos de dispensa, são os mais variados, mas os resultados dos jogos justificam a maioria das demissões, razão pela qual a torcida do Sport ficou sem entender a permanência de Nelsinho Baptista no comando do time leonino.
Por outro lado, mesmo se tendo consciência de que ele era um profissional que dividia as opiniões dos torcedores, a saÃda do técnico, Júnior Rocha, do Santa Cruz, após o clássico deste domingo, onde o Tricolor empatou em 1x1 com o Náutico, surpreendeu a torcida coral. Rocha foi seduzido por uma proposta do CRB, que disputa a Série B nacional, e se transferiu para o futebol alagoano. Na sua passagem pelo Arruda, Júnior Rocha contabilizou 5 vitórias, 11 empates e 3 derrotas.
O treinador é apenas uma peça da engrenagem. Peça importante, diga=se de passagem. Mas não se pode atribuir unicamente a ele o sucesso, ou o fracasso, de uma equipe, ou ainda lhe penalizar pelo insucesso de um projeto. O equilÃbrio entre a administração e o trabalho de campo é imprescindÃvel para que a passagem de um profissional pelo comando do futebol de um clube seja exitosa.
Emerson Leão iniciou sua carreira como treinador no Sport. Comandou o time leonino na vitoriosa campanha do Brasileiro de 1987. Em 2000 foi voltou ao comando técnico do clube da Ilha do Retiro. A brilhante campanha que o Sport descreveu na Copa João Havelange o credenciou para ser o treinador da Seleção Brasileira, que se preparava para a Copa de 2002. Passados nove anos, Leão foi trazido de volta à Ilha do Retiro pelo presidente, SÃlvio Guimarães, que não analisou, o momento do treinador que estava com sua carreira em declÃnio. Resultado: sua última passagem pelo Sport não deu certo, pois, além de outras coisas, não havia uma boa sintonia do treinador com os dirigentes de plantão.
Nelsinho Baptista levou o Sport a conquista da Copa do Brasil em 2008. Nove anos depois é recrutado novamente para trabalhar na Ilha do Retiro. A diretoria do Sport incorre no mesmo erro que os dirigentes cometeram quando contrataram Leão pela terceira vez, sem analisar o momento do profissional. Nelsinho passou quase uma década no futebol japonês, e desde que aportou de volta no Recife, não conseguiu entrar em sintonia com o momento do futebol brasileiro, fato que tem reprovado o seu trabalho no comando do time leonino na atual temporada.
Júnior Rocha foi uma aposta dos dirigentes do Santa Cruz, como tantas outras que já aconteceram, com sucesso, no Arruda. Apesar de trabalhos desenvolvidos em outros clubes lhes credenciar, o Tricolor do Arruda era o maior desafio de sua carreira. O clube com maior tradição, e de maior camisa. Por se tratar de uma aposta, nada se pode cobrar, até porque, sob o seu comando o Santa Cruz apenas permaneceu no estágio em que ele encontrou.
A "Dança dos Técnicos" é mais um desses mistérios difÃceis de serem desvendados, que o futebol nos apresenta com muita frequência. Nela, sai quem deveria ficar, e fica quem deveria sair.
CLAUDEMIR GOMES
Os números do balanço do Sport assustaram mais aos rubro=negros do que a Sexta=feira 13. Afinal, eles são reais. Para o azar daqueles que acreditavam que o clube estava num mar de rosas, a situação é preocupante, fato que motivou um grupo de 25 leoninos ilustres, entre eles oito ex=presidentes, a tomar a decisão de, mais uma vez, pedir explicações ao presidente executivo, Arnaldo Barros, que das vezes anteriores, fez ouvido de mercador, não atendendo a nenhuma reivindicação que lhe foi feita.
O grupo, capitaneado pelo ex=presidente, Jarbas Guimarães, se reúne desde o ano passado, "mas nunca se posicionou como oposição", assegurou o ex=presidente, Wanderson Lacerda.
O detalhamento do balanço do clube da Ilha do Retiro revelou parte do que foi tratado na reunião como "caixa preta".
Para os profissionais da imprensa que foram convidados para o encontro, no restaurante Amadeu, em Boa Viagem, zona sul do Recife, foi revelado que, o presidente Arnaldo Barros já havia participado de uma das reuniões, "mas não deu ouvidos as queixas e sugestões". O mandatário leonino também negou a lista dos sócios, no inÃcio do mês de janeiro, que teriam direito a voto na próxima eleição, uma vez que reza no estatuto do clube que, só terá direito a voto o associado com mais de doze meses de vÃnculo com o clube.
"Aqui não existe ninguém contra ninguém. Nunca se falou em nomes para a próxima eleição. Nossa preocupação maior é com as finanças do clube, a saúde financeira do Sport", ressaltou o ex=presidente, Fernando Pessoa.
Com o pragmatismo que lhe é peculiar, o ex=presidente, Luciano Bivar, ponderou para que, antes de se tomar qualquer medida judicial, se faça uma nova tentativa para um dialogo com o presidente Arnaldo Barros. "Me proponho a ir com outros ex=presidentes conversar com o Arnaldo. O Sport é como um grande transatlântico que saiu da rota, e para retomar o curso normal leva um tempo. Portanto, é melhor fazer uma nova tentativa para ver se o presidente quer nossa ajuda, pois está mais do que claro que ele tem encontrado muitas dificuldades", disse Bivar que foi apoiado por todos.
Apesar de algumas restrições feitas, por alguns dos presentes, ao presidente do Conselho, Homero Lacerda, Luciano Bivar fez questão de dizer que era importante "ter Homero como nosso aliado", e revelou que cometeu um grande equÃvoco, anos atrás, e que hoje está prejudicando o clube.
"Reconheço que cometi um grande equÃvoco quando sugeri, e trabalhei para que o número de conselheiros do Sport fosse reduzido. A época me convenceram de que seria o melhor para o clube, me deixei levar. Hoje vejo que isso está sendo prejudicial ao Sport. Temos que trabalhar para que o futuro presidente corrija esta falha", confessou Bivar.
Na última reunião do Conselho, realizada na terça=feira, dia 10, um grupo de conselheiros quis impedir o presidente, Homero Lacerda, de protocolar um documento através do qual pede uma série de explicações sobre fatos que ele considera nocivos ao Sport. Na oportunidade Lacerda foi taxativo: "A maioria dos membros desse Conselho foi indicação do presidente executivo com o objetivo de ter sua administração blindada".
Arnaldo Barros disse que o presidente do Conselho Deliberativo do Sport era omisso, e que esteve ausente na maioria das reuniões.
Ao consultar Homero Lacerda, na manhã desta sexta=feira, ele assegurou que, "das doze reuniões que foram realizadas, ano passado, eu presidi sete. Este ano, das quatro que aconteceram, eu presidi três. O presidente, Arnaldo Barros está equivocado, ou mal informado", respondeu Lacerda.
O Sport estréia na Série A do Campeonato Brasileiro neste domingo, enfrentando o América Mineiro, em Belo Horizonte. Nenhum dos presentes ao encontro desta sexta=feira, no Amadeu, tinha bom sentimento em relação a campanha do Leão na Primeira Divisão Nacional.
Todos, sem exceção, estavam mais para Jason Voorhees, personagem do filme de terror, Sexta=feira 13, ficção que fez sucesso nos anos 80, com sua aterrorizante serra elétrica.
Assim esperam fechar o cerco ao presidente, Arnaldo Barros.
CLAUDEMIR GOMES
Muito se fala de profissionalização no futebol brasileiro, e vez por outra, observamos mostras que nos levam a acreditar numa mudança na estrutura conservadora, arcaica, cheia de vÃcios, que alimenta práticas nocivas e impede o tão sonhado salto de crescimento. Movimentos que, normalmente morrem no nascedouro, pouco acrescentam, fato que levam as coisas a seguirem um curso histórico.
O poder seduz e embriaga. No futebol, por conta do componente emoção, ele se torna objeto de desejo mais cobiçado. Todos querem um clube para chamar de "MEU".
As transformações tecnológicas impuseram mudanças em todos os setores da sociedade, mas no futebol brasileiro encontra muita resistência. Apesar de a terceira revolução industrial, a era digital, estar em curso, a estrutura administrativa dos clubes segue o modelo do século passado. Tal realidade é observada através do comportamento dos gestores.
"Este clube unido é invencÃvel!".
Este mantra é repetido nos grandes clubes pernambucanos sempre que acontece uma grande conquista. Evidente que, em se tratando de uma sociedade, a união é um fator determinante de progresso e crescimento. O desafio é construir a unidade.
O exemplo mais vivo, e recente, é o do Sport, onde, no momento, o poder executivo vive as turvas com o poder deliberativo. O vulcão da Ilha do Retiro entrou em erupção por conta da individualidade, da arrogância, da omissão, da incompetência e da falta de dialogo entre os homens, fato que torna a falta de transparência uma marca registrada das últimas gestões. O termo, confidencialidade, passou a ser usual para justificar o injustificável.
Na época em que os clubes socioesportivos eram equipamentos super valorizados pela sociedade, havia uma preocupação das famÃlias em desenvolver uma fidelização nas futuras gerações. Durante décadas as sucessões polÃticas eram marcadas por grupos que vivenciavam os clubes. As mudanças de hábitos e comportamentos, o surgimento de outras alternativas de entretenimentos, e a dificuldade dos clubes de se ajustarem a nova ordem, provocou um distanciamento dos amantes com o clube.
Diferentemente dos seus pais, que vivenciavam as agremiações de forma efetiva, os jovens de hoje dizem, "eu sou Sport", mas não vivenciam o clube. No máximo, vão a um ou outro jogo no estádio da Ilha do Retiro. Este é o comportamento geral, evidente que existem as exceções.
Nos últimos anos, uma elite formada por empresários e grandes executivos, que costumam se encontrar em um rico condomÃnio na praia de Toquinho, litoral sul do Estado, resolveu "adotar" o Sport Club do Recife. Escudados no rótulo de que a diretoria do clube leonino reunia uma parte expressiva do PIB pernambucano, acharam que poderiam transformar água em vinho.
Avanços aconteceram. Entretanto, a arrogância e a falta de conhecimento da matéria futebol, impediram o equilÃbrio necessário entre o trabalho de campo e o trabalho executivo, ou seja, o extra campo. O desnivelamento impediu o salto que levaria o Sport a se posicionar entre os grandes clubes do futebol brasileiro.
A "Confraria de Toquinho" aos poucos foi se distanciando do clube que nunca foi vivenciado por ela. O Sport foi usado como vitrine para atender aos interesses pessoais de uns, e ocupado por outros como um mero passatempo. A profissionalização necessária nunca foi feita.
O episódio que podemos chamar de "ordem do dia", o confronto do Deliberativo com o Executivo, não é outra coisa senão a resultante de uma omissão que leva o clube ao desconhecido.
Sinais dos tempos.