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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Após um final de semana cinza, onde somente o Sport conseguiu um resultado positivo no Campeonato Brasileiro ( vitória de 2x1 sobre o Paraná), em jogo válido pela Série A, estamos vivenciando uma segunda=feira ingrata. Literalmente nublada, fato que conspira para que se faça uma reflexão sobre o tamanho do futebol pernambucano. Náutico, Santa Cruz e Salgueiro não foram bem na Série C, enquanto Central, Flamengo de Arcoverde e Afogados não brilharam na Série D.
Resultados são imprescindÃveis, têm uma importância vital, mas por conta do componente emoção, que é muito forte no futebol, qualquer análise se torna pueril quando embasada unicamente nos resultados dos jogos.
Domingo, ao chegar na Rádio Clube para comentar o jogo do Atlético/AC com o Náutico, um repórter bastante experiente tentou creditar à vitória (2x1) do Sport sobre o Paraná, lanterna da Série A, ao técnico Claudinei Oliveira. Evidente que ele estava sob efeito da emoção, uma vez que o jogo em Coritiba foi de uma pobreza técnica assustadora, e o time leonino apresentou um futebol abaixo do nÃvel da apresentação que fez no empate de 1x1 com o Botafogo, semana passada, na Ilha do Retiro, ainda sob o comando de Nelsinho Baptista.
O assunto dominante nas redes sociais é o vazamento de um áudio durante a transmissão do jogo do Náutico, quando o técnico Roberto Fernandes chamou um dos seus comandados de "Burro". Como o campeão pernambucano amargou uma nova derrota na Série C, e figura como lanterna da competição, o episódio transformou o treinador no vilão da vez. E todo o trabalho de recuperação que ele desenvolveu no clube alvirrubro, nos primeiros meses do ano, culminando com o resgate de um tÃtulo após 13 anos de jejum, foi posto de lado. Coisa da emoção.
A torcida do Santa Cruz não gostou da apresentação do time na estréia do treinador P C Gusmão, e protestou com uma sonora vaia ao final do jogo com o ABC, sábado, que terminou com um insosso empate de zero a zero. A emoção levou os tricolores a criar uma expectativa além do que o time poderia responder dentro das quatro linhas. Afinal, a simples troca de técnico não mudaria o cenário que observamos no Arruda desde o inÃcio da temporada.
Há muito tempo observamos os gritos de alerta emitidos através de sinais pelo mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que conhece como poucos a essência do futebol pernambucano. Nosso campeonato estadual não serve de referência para as competições nacionais. Não é de hoje que se fala isso. Mas coisas irrelevantes seguem maquiando uma realidade que se torna mais cruel a cada ano.
Fatos pontuais dão sinais de evolução, contudo, a regularidade é que dar sustentação ao crescimento. E é isto que falta ao nosso futebol. Não existe regularidade sem investimento em qualidade e mudança de paradigma. A saturação do modelo é uma realidade que nos leva a esta fragilidade.
Analisar os fatos através dos impulsos da emoção é o efeito provocado pela falência do nosso futebol. Nada acontece por acaso.
CLAUDEMIR GOMES
A falta de um Centro de Treinamentos tem causado prejuÃzos incalculáveis para o Santa Cruz. Sem falar nos transtornos causados. Nos últimos dias vimos as dificuldades encontradas pelo Tricolor do Arruda, para encontrar local para os profissionais treinarem. Os fatos se repetem a cada temporada por mais de uma década, sem que se coloque a construção de um CT como a prioridade maior do clube, que precisa de tal célula para poder retomar o seu crescimento voltando a explorar sua vocação de clube formador.
Apesar dos incansáveis, João Caixero de Vasconcelos e Rodolfo Aguirar, a CP me parece incapaz para lidar com o desafio gigantesco, que exige ações ousadas. A insistência de buscar recursos num varejo primário (venda de bolo de rolo e pequenos souvenirs), para poder tocar o empreendimento, ressalta o descaso com que os outros poderes tratam um assunto vital para a vida do clube. Dias atrás, mesmo estando ainda no nascedouro, o Centro de Formação de Jogadores Rodolfo Aguiar já esteve em pauta para ir a leilão.
O Santa Cruz volta a campo neste sábado, e, durante toda a semana foi uma luta para arranjar local para o time treinar. Também não foi fácil transferir o jogo para a Arena Pernambuco. Tudo por conta da falta de um CT. Sport e Náutico também passaram por esse sufoco quando não tinham centro de treinamentos. Enfim, o essencial na estrutura do clube ainda não foi priorizado pelos dirigentes corais.
Quando conversamos com os gestores do Santa Cruz chegamos a conclusão de que tudo é prioridade no Arruda. Mas a prioridade das prioridades é um consenso entre os três poderes: Comissão Patrimonial; Conselho Deliberativo e Diretoria Executiva. Para completar, Tonico Araújo, atual vice=presidente executivo, criou um quarto poder que funciona paralelamente, mas tem uma participação tão efetiva quanto os poderes oficiais: o chamado Grupo de Empresários. Trata=se de um grupo formado por empresários e altos executivos que estão sempre dando injeções financeiras no sentido de melhorar a "saúde" do clube. A fração de poderes criou várias vertentes de pensamentos, fato que inviabiliza a concentração em um só foco.
Nos últimos anos, os investimentos feitos são em paliativos que visam conquistas ou campanhas. Coisas do futebol de resultados. Quando o assunto passa ser patrimônio, a construção do CT, é como se a fonte tivesse secado. O que é de mais importante para um clube de futebol como o Santa Cruz tem sido tratado de uma forma amadorista inconcebÃvel nos dias de hoje. à bem verdade que já existe projeto encaminhado ao Ministério dos Esportes e Ministério da Educação, mas que andam a passos lentos, necessitando de uma interferência polÃtica.
Me desculpem os que esperavam que eu fosse falar da estréia do técnico P C Gusmão, mas é que para mim a falta de um CT é um assunto bem mais importante.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
O Conselho Deliberativo do Sport, sem analisar ou conhecer, o que o Balanço de 2017 tinha no seu conteúdo, o aprovou com apenas quatro votos contrários. Fato que acontece na maioria das entidades do PaÃs.
Já postamos um artigo sobre o tema, com base no relatório da auditoria que é paga pelo clube.
Por outro lado, ao analisarmos o Balanço Geral, observamos alguns detalhes que mereciam um maior debate e esclarecimentos.
O primeiro está relacionado aos membros do Conselho Fiscal que o aprovaram. Qual a razão de apenas um titular ter assinado, na companhia de dois suplentes? O Conselho Deliberativo deveria ter convocando=os para tomar conhecimento da razão dessas ausências.
O ponto mais importante está libado a uma manobra no Ativo ao superestimar o ATIVO INTANGÃVEL, que é aleatório, com algo não identificável, sem substância fÃsica.
Nesse balanço do Sport houve uma valorização dos direitos econômicos dos atletas no total de R$ 78.009,673, o que não condiz com a realidade.
A alocação do INTANGÃVEL foi para equilibrar o Ativo com o Passivo. Na verdade a situação era de um Passivo Descoberto, ou uma situação LIQUIDA NEGATIVA, quando o Ativo não é suficiente para cobrir as obrigações.
Uma maquiagem mal feita.
Enquanto isso o clube teve uma receita de R$ 105.471,727, que não conseguiu pagar as despesas, deixando um déficit de R$ 18.313,64. Na verdade quem cobriu esse rombo foram os empréstimos no total de R$ 15.810.836, e o adiantamento de Receitas de R$ 3.488.052.
Por conta dos financiamentos o Sport pagou R$ 16.323.436. de juros, que somados as despesas financeiras totalizam R$ 18.085.115. ou seja, mais de 10% das receitas que seguiram para o pagamento de tais encargos, que em factorings são exorbitantes.
Os custos com o futebol somaram R$ 62.592.868, que representa 60% da Receita Total.
Na realidade, o Balanço apresentado não mostra a realidade do clube, que é muito pior do que se imagina, e certamente a situação irá piorar, desde que não se vislumbra a captação de recursos limpos para leva=lo por um caminho menos tortuoso.
O ATIVO INTANGÃVEL foi o salvador da pátria e merece os aplausos.
CLAUDEMIR GOMES
O tÃtulo acima não é de anúncio de nenhum folhetim da Rede Globo, novela ou seriado, mas foi inspirado na arte, através da qual o Brasil conquista espaço no universo do entretenimento. ´
Os fatos que marcaram o inÃcio da semana, no Sport Club do Recife, foram tão bizarros que ficamos na dúvida se o que estávamos testemunhando era real, ou se tratava de uma cópia da arte cênica. As lambanças cometidas pela atual gestão do clube leonino promoveram um espetáculo grotesco, que os italianos chamariam de ópera bufa. Uma comédia tipo pastelão como dizem os brasileiros.
Há um bom tempo os rubro=negros tecem crÃticas a gestão do presidente executivo, Arnaldo Barros. O clube que apresentava um equilÃbrio financeiro elogiável, anos atrás, passou a exibir um balanço deficitário. O caos administrativo segue pelo futebol deixando o torcedor leonino com aquela sensação de "meu mundo caiu".
Com uma "turma de choque" no Conselho Deliberativo, o presidente do executivo conseguiu aprovar o balanço, apesar da contestação de alguns ex=presidentes. A formatação do Conselho, onde a maioria dos conselheiros é indicada pelo presidente do executivo, possibilita articulações de defesa no sentido de blindar o gestor maior.
Por se tratar de um clube onde o futebol é o "carro chefe", os fatos que ocorrem no campo reverberam mais que os erros administrativos que podem comprometer gestões futuras. Por tal razão, a coletiva de imprensa convocada pelo ex=técnico, Nelsinho Baptista, para dizer que estava deixando o Sport, ecoou mais que o debate ocorrido na reunião do Conselho.
A atitude do treinador expôs toda a fragilidade e incompetência dos que respondem pelo comando do futebol leonino. De forma açodada, e revelando completo desconhecimento dos bastidores de um clube de futebol, o diretor, Leonardo Lopes, concedeu entrevista a Rádio Clube, deixando claro que a demissão do treinador estava em curso. Isso ocorreu antes do jogo onde o Leão empatou em 1x1 com o Botafogo do Rio. Ao tomar conhecimento do fato, Nelsinho resolveu entregar o cargo. Marcou uma coletiva no CT do clube e, na toca do leão, não poupou crÃticas a diretoria, revelando o que se pode chamar de "tremenda bagunça", o que explica a queda de rendimento que se observa no Sport desde o ano passado.
Nelsinho Baptista não se preocupou com a força das palavras, pelo contrario, ciente dela, revelou fatos que servem como entrave para o crescimento do Sport no cenário nacional. O comportamento do ex=treinador se assemelha ao do atacante André, que ao deixar o clube da Ilha do Retiro não poupou os dirigentes. Para aumentar o cordão dos crÃticos podemos citar os treinadores, Vanderlei Luxemburgo e Osvaldo de Oliveira.
Resumo da ópera: clube profissional dirigido por amadores vira comédia.
CLAUDEMIR GOMES
O Sport recebe o Botafogo as 20h desta segunda=feira, na Ilha do Retiro, para fechar a segunda rodada do Brasileiro da Série A. Mais que um jogo para os leoninos que, dentro das quatro linhas, vão buscar três pontos para deixar a zona de rebaixamento, este confronto servirá para aquecer, ainda mais, os bastidores do clube, ou acalmar o clima na esperada reunião do Conselho Deliberativo que está programada para amanhã.
O trabalho de campo, comandado pelo treinador, Nelsinho Baptista, não vai bem, fato que, para muitos sócios e conselheiros, é decorrente da má gestão do presidente do executivo, Arnaldo Barros. A administração desastrosa reflete em todos os setores do clube. A reunião extraordinária do Conselho, programada para esta terça=feira, tem como pauta única, a análise do balanço da temporada 2017. Os números divulgados assustaram os leões, e levaram ex=presidentes a tomarem uma posição: vão exigir do presidente executivo, um planejamento financeiro, até o final de sua gestão, dentro do atual cenário.
Se a saúde financeira do clube não está boa, o futebol, que é considerado o "coração", bate descompassadamente, razão pela qual levou o Sport a fracassar logo na primeira fase da Copa do Brasil e a ficar de fora da decisão do tÃtulo do Pernambucano, competição onde era cotado para chegar a final.
Evidente que uma vitória hoje a noite, sobre o Botafogo, não levará o presidente, Arnaldo Barros, a equação de todos os problemas existentes, na Ilha do Retiro contudo, vai deixar o clima menos pesado na inquisição preparada pelo Conselho.
Atento aos episódios dos bastidores, o técnico Nelsinho Baptista sabe que o seu trabalho sofre interferência do que acontece fora do campo, e uma vitória sobre o Botafogo não apenas levará o torcedor a esquecer o vexame passado em Belo Horizonte, semana passada, quando o Sport foi humilhado pelo América/MG, na rodada de estréia, tendo que amargar uma derrota por 3x0, mas também poderá lhe dar a tranquilidade necessária para seguir com um trabalho que, até o momento, tem sido negativo.
O confronto com o alvinegro carioca não se trata de uma decisão, dentro das quatro linhas, para o Sport, mas pode vir a ser determinante para muitas decisões dentro do clube.
Para aumentar a expectativa do torcedor leonino, o Sport irá a campo com o terceiro goleiro: MaÃlson.