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Sucateamento do futebol brasileiro
postado em 20 de maro de 2018

Por Amir Somoggi  (Artigo copiado do blogdejjpazevedo.com)

 

Durante muito tempo o futebol brasileiro viveu da tese que o amadorismo e a falta de uma boa gestão eram os motivos de nosso baixo desenvolvimento. Assim, a ausência de nossas indústrias era resultado desta má administração.

Infelizmente isso não é verdade. Ainda que nosso mercado careça de boa gestão o seu sucateamento é proposital, orquestrado pela CBF e federações estaduais.

A manobra da CBF nas caladas da noite, para garantir uma chapa única para presidente da CBF, com o apoio imediato de 20 federações estaduais é a prova disso.

O sucesso de José Maria Marin vai conseguir colocar no seu lugar o seu braço direito no comando da entidade, em chapa única. Temos uma crise de credibilidade brutal, e o silêncio de clubes, patrocinadores, e até da imprensa é inaceitável.

As federações e seus estaduais com baixo apelo estão destruindo o futuro (o não futuro) de nosso futebol. As entidades mandam no calendário, nas decisões políticas, na relação com o governo e com o Congresso.

E os clubes assistem tudo sem nada fazer.

Um silêncio absurdo, como se o futuro do futebol brasileiro, e suas competições não os interessasse.

Os clubes representam hoje 87% do PIB do futebol nacional e simplesmente não se unem para exigir que seus direitos sejam respeitados.

As entidades não têm idéia de como perdem bilhões por ano, por não tomarem as rédeas de suas vidas.

A TV Globo, parceira das federações e da CBF, quer mesmo que o controle das decisões fique com ela e mantém esse status quo. Hoje a emissora gasta R$ 1,5 bilhão por ano com os clubes.

Num modelo de liga não teria acesso a todo o conteúdo que detém e não explora, participaria das concorrências e gastaria bem mais, algo como R$ 4,5 bilhões por ano.

Com o mercado publicitário em crise e com a queda acentuada dos assinantes de TV paga, por conta da Netiflix, seguramente teria dificuldade para viabilizar seu investimento, tendo que dividir o bolo, como ocorre nos Estados Unidos e na Europa.

Todos os mercados esportivos do planeta somente evoluíram quando houve a criação de uma liga totalmente profissional, independente e que negocie o conteúdo de forma a ampliar os ganhos dos times. Uma empresa tocada por executivos, que negocia todos os direitos comerciais da competição.

A livre concorrência entre os diferentes grupos de comunicação e a negociação de novos conteúdos como o mobile, streaming e games, somente é benéfica para o mercado.

Nesse ambiente há profundo interesse de todos os envolvidos e uma busca constante de mais receitas, no mercado doméstico e global.

Isso cria novas plataformas e formatos de comercialização das competições, em que as emissoras devem seguir regulações definidas pelos clubes, como sócios fundadores da liga.

Nesse momento, uma completa utopia.

Os patrocinadores da CBF são também responsáveis. Empresas como Itaú, VIVO, Ambev, Nike e outras marcas gigantes que valem bilhões de reais são na prática que financiam esse estado de coisas do futebol.

Imaginal que não estão afetando negativamente sua imagem, mas estão e muito.

Os patrocinadores representam 64% das receitas da CBF, um montante de R$ 411 milhões injetados na entidade. Sem o dinheiro dos patrocinadores ela não sobreviveria.

Ninguém poderia ser mais efetivo num processo de mudança.

A FIFA foi obrigada a muda exclusivamente por ter sofrido pressão de patrocinadores. Não se calaram para protegerem as suas marcas, que estavam sendo arranhadas pela gestão de Joseph Blatter.

Infelizmente aqui as marcas preferem o silêncio.

Nota: O autor desse artigo é administrador de empresas formado pela ESPM; especialista em gestão esportiva pela FGV, e pós graduado em marketing pela Universidade de Barcelona.

 

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Acontece
PRA FRENTE BRASIL
postado em 17 de maro de 2018

ROBERTO VIEIRA

 

Quando João Dantas matou João Pessoa.

Muita gente sonhou mudar o Brasil.

Adeus, República Velha.

Deu no Estado Novo.

Quando erraram o tiro em Gilberto Freire.

Acertaram Demócrito.

Demócrito não viu a democracia sonhada.

Demócrito nem viu a bala de capangas getulistas.

Capangas que testemunharam o Getúlio suicidado.

Pra salvar o Brasil enterrado no golpe de 64.

Veio Herzog.

Morto e torturado.

O Brasil seria enfim modificado por Tancredo.

Que morreu num bloco cirúrgico superlotado.

E a mudança do Brasil ficou na floresta.

Com Chico Mendes.

Assassinado por defender nosso chão.

Vieram os 111.

A Candelária.

Osasco.

Meninas trucidadas pelos pais.

Daniela Peres e Macarrão.

Um Brasil Vietnã por ano.

O Brasil do futuro perdido nas balas perdidas.

Mate ou deixe=0.

Brasil cordial, um cacete!

Casa Grande e senzala.

Somos o país da impunidade cajuína.

País de veraneio vascaína.

País do drible pau de arara.

País da máfia tupiniquim cheia de graça.

Pois quando a indignação ganha a praça.

Vem o miliciano de 9mm lembrar:

"Olha a Copa, meu irmão".

Para que todos juntos cantem.

Pra frente Brasil!

Salve a Seleção...

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Acontece
O outro lado do futebol nacional
postado em 15 de maro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO %u2013 blogdejjpazevedo.com

 

O Brasil tem vários Brasis em seu território, em especial no futebol.

Existem estados esquecidos por todos e vivendo apenas de sonhos e sobretudo de dificuldades.

Lemos uma matéria de algo que aconteceu, em Roraima, quando o Progresso de volta ao estadual local após cinco anos de ausência, na sua estreia entrou em campo com apenas nove jogadores no seu jogo contra o Náutico, e quando o placar já estava em 2x0 o time começou o cai-cai, e sem número para a continuação da partida o árbitro a deu como encerrada.

Tal fato aconteceu pela falta da regularização dos atletas na entidade local.

Na verdade apareceu em Boa Vista, o cidadão Alexandre Lindner, que apresentou-se com agente de jogadores e fez um contrato com a diretoria do clube para dirigir o setor do futebol em 2018.

Trouxe vários profissionais e nem o dinheiro para registra-los tinha.

Nas conversas com os dirigentes do cube deu o Novo Hamburgo-RS como uma referência, dizendo que tinha sido seu dirigente em 2017 quando esse conquistou o título gaúcho.

Tudo mentira.

Tentou uma fuga mas como o voo foi adiado, os jogadores levaram a policia que o prendeu juntamente com o filho. Foram liberados e desapareceram deixando para o Progresso o encargo de manda-los de volta, fato esse que tornou-se impossível por falta de recursos.

Golpes como esses acontecem sempre em locais mais distantes e com um maior distanciamento dos centros maiores.

Na realidade, mesmo nas regiões mais pobres existem condições para um bom trabalho esportivo, com o aproveitamento de atletas formados em casa, sem a necessidade de contratações de fora, ou de sofrerem constrangimentos como esse.

O basquetebol do Amapá estado também localizado na região Norte, nas décadas de 80 e de 90 serve como exemplo, quando participava das competições nacionais com dignidade, formado pelos locais oriundos das escolas. 

O futebol de Roraima não sai do lugar, e isso se dá por conta da longetividade do presidente da Federação, Zeca Xaud, com o mesmo tempo de poder da sua entidade, 43 anos, e sempre aliado do Circo.

Enquanto o esporte da chuteira agoniza em seu estado, lá estava ele em um hotel do Rio de Janeiro assinando o apoio para o Caboclo ser presidente da entidade maior do futebol brasileiro.

Na verdade o futebol de Roraima agoniza há muitos anos.

O profissionalismo é incipiente.

Uma boa parte dos jogadores trabalham em dias de jogos, desde que os clubes não tem condições para o pagamento de bons salários.

Enquanto isso a Federação de Xaud recebeu em 2016 um pouco mais de R$ 1,3 milhões para as suas despesas sem contar com o pró-labore destinado ao presidente. 

Tais recursos serviriam para a administração do futebol local, que não existe, apenas na brincadeira do cartola.

Uma frase de Xaud sobre o continuísmo exacerbado reflete muito bem a realidade: "Estou aqui  até hoje no cargo porque sou honesto e amigo de todos. Transformo o pouco em muito, e por isso eles me escolhem".

Este, sem duvida, é o outro lado do futebol nacional.

Merecemos o que temos, e diversos cartolas como esse habitam o mundo esperto do futebol.

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Acontece
O Expresso Caboclinho
postado em 11 de maro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Nos finais de semana a televisão nos apresenta um cardápio futebolístico para atender a todos os gostos. A oferta vai dos clássicos de alguns países europeus, onde o nível técnico é excelente, a pobreza dos campeonatos estaduais brasileiros e copas regionais, onde constatamos que estamos no fundo do poço.

Numa análise rápida da grade, abdiquei dos bons confrontos que aconteceram na Europa, e foram mostrados ao vivo, para ver as partidas da Copa do Nordeste, nas quais estavam envolvidos clubes pernambucanos.

Bom! Como eu ia fazer uma incursão pela "Lampions League", como é chamada por alguns, apelido que considero pejorativo, embora muita gente ache carinhoso, me preparei para viajar no "Expresso Caboclinho", com direito a paradas na Arena Pernambuco, para ver a vitória do Náutico sobre o Bahia (1x0); no Estádio Rei Pelé, em Maceió, onde o Santa Cruz empatou (1x1) com o CRB, e no Estádio Cornélio de Barros onde o Salgueiro empatou, sem gols, com o CSA, num jogo onde as mariposas roubaram a cena.

O "Expresso Caboclinho" é o retrato fiel do atraso, mas é possível encontrar algumas unidades trafegando na zona rural por esse Nordeste afora. Os narradores do EI se esguelavam na tentativa de vender um produto cuja qualidade técnica é drástica.

"Existe vontade no time do Náutico", pondera o torcedor alvirrubro que há 14 anos não vibra com nenhuma conquista do seu clube. Verdade. Os comandados de Roberto Fernandes jogam com vontade. Mas este é um comportamento fácil de se observar nas boas peladas.

O Santa Cruz foi a Maceió e empatou com o CRB, resultado que deixou o Tricolor do Arruda na condição de líder do Grupo A. Mas o futebol apresentado pelo líder foi da pior qualidade, somente sendo superado pelo que vimos na queda de braço entre o Globo e o Ferroviário/CE, onde o time da casa venceu por 1x0.

Apesar da poltrona confortável, a viagem no "Expresso Caboclinho" estava cansativa, mas eu precisava concluir aquela prova de resistência para chegar às conclusões sobre a Copa do Nordeste, cujas empresas de comunicação envolvidas na divulgação falam maravilhas, quando na realidade é um produto de péssima qualidade. O jogo do Salgueiro com o CSA, no Sertão pernambucano, parecia uma coisa surreal com a invasão das mariposas que buscavam o calor dos refletores.

O humorista, Zé Lezin, assegura que, "uma das melhores coisas da vida é mangar dos outros". Pois bem! Sentado na poltrona, e vendo os jogos pela "janela" do "Expresso Caboclinho", de onde deu para acompanhar quatro confrontos da rodada da Copa do Nordeste que se encerra nesta segunda=feira, me surpreendi rindo em várias oportunidades. Na verdade acho que estava mangando da conjuntura de uma competição que não atrai o público em virtude do baixo nível técnico.

É a realidade do futebol nordestino.

O mestre, Ariano Suassuna, dizia que "só não se pode mangar de uma pessoa na frente dela". No "Expresso Caboclinho", manguei muito do que estava vendo. Mas não foi na frente de ninguém.

Como disse, a televisão tem oferta para todos os gostos. Na terça=feira estaremos nos deliciando com a Champions League.

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Campeonato Pernambucano
Capital x Interior nas semifinais
postado em 08 de maro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

A fase de classificação do Campeonato Pernambucano foi encerrada ontem a noite, e a posição final dos clubes na tabela de classificação definiu os confrontos das quartas de final: Náutico x Afogados; Central x América; Sport x Santa Cruz e Salgueiro x Vitória. Se não acontecer nenhuma surpresa nos jogos entre Náutico e Afogados, e Central e América, as semifinais serão marcadas pelos confrontos de times da Capital com equipes do Interior. O mando de campo foi um fator determinante de sucesso na primeira fase, tendência que deve ser confirmada até o final da competição.

O Náutico não venceu nenhum jogo na condição de visitante, mas não perdeu nenhum clássico,  e teve um aproveitamento de 100% como mandante, razão pela qual terminou a primeira fase do Pernambucano como líder, condição que lhe dar a vantagem do mando de campo até a final do campeonato, caso siga avançando na competição.

O Central disputou 9 pontos com o Trio de Ferro da Capital, e teve um aproveitamento de 66%: venceu o Náutico e empatou com o Sport e o Santa Cruz. A Patativa também venceu o Salgueiro, que terminou a primeira fase como o quarto colocado. A regularidade do time comandado por Mauro Fernandes, que amargou apenas uma derrota na primeira fase, para o Vitória (1x0), lhe assegurou o segundo posto na tabela de classificação.

O Sport, que antes de a bola rolar era apontado como o grande favorito para liderar, com folga, a fase de classificação do Estadual, não venceu nenhum clássico, empatou os jogos que disputou com Central e Salgueiro, e, a exemplo do Náutico, não conseguiu somar nenhuma vitória jogando como visitante. A falta de objetividade da equipe comandada por Nelsinho Baptista lhe rendeu um discreto terceiro lugar na tabela de classificação. Pior: acabou tendo como adversário o Santa Cruz, no único clássico que acontecerá nas quartas de final.

Nas últimas cinco rodadas o Salgueiro perdeu apenas uma partida. Por outro lado, o Vitória conseguiu vencer apenas um jogo, fato que levou os dois times a inverterem suas posições na tabela de classificação. O Tricolor das Tabocas sofreu 10 gols nas três últimas apresentações, enquanto o Salgueiro reagiu de forma surpreendente após a mudança de técnico.

Náutico e Afogados jogaram na Arena Pernambuco, na primeira fase, com os alvirrubros construindo uma vitória pelo placar de 2x1. A condição de mandante credita o time dos Aflitos ser um dos semifinalistas desta edição do Estadual. Afinal, o mando de campo foi um fator determinante na campanha do time de Mauro Fernandes, que não somou nenhuma vitória nas cinco apresentações que fez como visitante, mesmo com o confronto com o Tricolor das Tabocas acontecendo na Arena Pernambuco.

O Central mediu forças com o América, na primeira fase do campeonato, no estádio Ademir Cunha, em Paulista, e mesmo atuando na condição de visitante construiu uma vitória pelo placar mínimo de 1x0. A regularidade do alvinegro caruaruense, que na fase de classificação só perdeu para o Vitória (1x0), lhe põe na condição de favorito para chegar às semifinais. Afinal, o Mequinha não contabilizou nenhuma vitória jogando fora do Ademir Cunha.

O Sport teve muitas oportunidades para vencer o Santa Cruz na última rodada desta fase de classificação, mas faltou precisão ao time da Ilha do Retiro, que mesmo jogando em casa, mais uma vez, não chega a receber o crédito de favorito no novo  clássico que disputará com os tricolores nas quartas de final. Os dois times ainda não se encaixaram dentro das propostas de jogo de seus respectivos treinadores. No confronto de ontem a noite, o Sport teve mais posse de bola, criou mais oportunidades, mas os erros de finalização pesaram no contexto. Os dois gols do clássico, tanto o do Sport quanto o do Santa Cruz, foram produtos de jogadas individuais.

Vitória e Salgueiro empataram em zero a zero na rodada de abertura do campeonato. O jogo foi disputado na Arena Pernambuco. Os dois times voltam a se enfrentar nas quartas de final, desta feita com o jogo acontecendo no Cornélio de Barros, no Sertão pernambucano, onde o Carcará se manteve invicto somando quatro empates e uma vitória nas cinco partidas que atuou como mandante. O Vitória surpreendeu até o momento que perdeu sua invencibilidade para o Sport num jogo que aconteceu na Ilha do Retiro, cuja a grande surpresa foi o placar elástico: 4x0. Um resultado que fez o Tricolor das Tabocas errar o passo e perder o compasso, fato que lhe levou a uma sequência de três derrotas no final da fase de classificação. O mando de campo é uma vantagem substancial para o Salgueiro.

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