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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O torcedor brasileiro passou 64 anos refém do fantasma do maracanazo. A perda do tÃtulo do Mundial de 1950, para o Uruguai, numa decisão com o Maracanã lotado, foi uma espécie de prisão perpétua para inúmeras gerações que não conseguiram superar aquele que foi o resultado mais devastador, e que trouxe maiores consequências para o futebol verde e amarelo.
Evidente que a goleada de 7x1 imposta pela Alemanha, no Mundial de 2014, no Mineirão, foi mais vergonhosa. Como diria o mestre, Adonias de Moura, "foi a avacalhação da guerra". Impactou momentaneamente por conta da frustração e da humilhação, mas a conjuntura atual do novo tempo levou o torcedor a assimilar a queda e não alimentar um novo fantasma.
Evidente que muitos fatores contribuÃram para a mudança de comportamento do torcedor brasileiro. A vergonha dos 7x1 jamais será apagada, mas diferentemente do que aconteceu durante décadas, com o grupo de jogadores, não há cobranças nem perseguição, muito menos se elegeu um vilão como grande responsável pelo "desastre".
O avanço da comunicação, a transformação do futebol num dos negócios mais rentáveis do planeta, o fato de 99% dos jogadores da Seleção Brasileira estar vinculados a clubes da Europa, tudo, contribuiu para atenuar a cobrança. Evidente que o sucesso do time brasileiro, pós chegada do técnico Tite, foi determinante para a reconquista da confiança do torcedor brasileiro.
Afirmar que o Brasil tem a melhor seleção do mundo, somente porque venceu a Alemanha por 1x0 num amistoso, onde o adversário mandou a campo um time alternativo, é mergulhar num ufanismo barato. Mas não podemos deixar de reconhecer os acertos. Se o resultado fosse negativo, não tenho dúvidas de que estarÃamos alimentando o fantasma do século XXI.
A possibilidade de acompanhar outros amistosos, onde desfilaram várias seleções que estarão medindo força na Copa da Rússia, nos permitiu observar que o time brasileiro está posicionado entre os melhores. A ponderação tem que ser feita para todos. A Espanha tem uma boa equipe, mas a Argentina não me parece tão frágil quanto ficou ressaltado na acachapante derrota 6x1 sofrida no confronto com os espanhóis. Um resultado que deixou os hermanos de orelha em pé. A pouco creditada seleção do Peru apresentou um bom futebol nos dois amistosos que disputou. A França entra no grupo das mais cotadas. Enfim, os confrontos que acontecem neste perÃodo de aproximação do Mundial de 2018 nos deixa com a quase certeza de que o nÃvel técnico da Copa da Rússia será melhor que o observado na Copa do Brasil.
CLAUDEMIR GOMES
O campeão chegou!
E tem nome: Clube Náutico Capibaribe. Não se trata de uma preconização, e sim, da resultante de uma análise da dinâmica das duas semifinais: Central 1x0 Sport e Náutico 3x2 Salgueiro. Evidente que no futebol as coisas não são tão precisas, mas se levando em consideração que o mando de campo tem sido determinante para o sucesso do time alvirrubro, e o jogo final da decisão será na Arena Pernambuco, onde os comandados de Roberto Fernandes contabilizaram sete vitórias nesta edição do Estadual, aposto no Timbu.
Evidente que, se deitar em berço esplendido por conta do que foi construÃdo até agora, o castigo pode vir com uma frustrante derrota. Mas se existe um cidadão consciente de tal condição, ele se chama Roberto Fernandes.
O técnico alvirrubro é o grande protagonista deste momento que Náutico não vivencia há 14 anos. Assumiu o desafio de comandar o time que vinha em queda vertiginosa na Série B, e só não evitou a queda para a Série C por falta de tempo. Entendeu as dificuldades financeiras do clube e partiu para formar um grupo dentro desta realidade. Sua virtude maior foi a transparência. Em momento algum vendeu ilusões para a torcida alvirrubra.
O lema de Roberto Fernandes: futebol de resultados. Não havia porque cobrar qualidade técnica a quem não tinha dinheiro para investir. Superação sempre foi a palavra de ordem. E os resultados foram chegando. O grupo foi adquirindo autoconfiança; a torcida redescobriu o que é autoestima, e todos entenderam que os resultados levam o clube ao sucesso. O treinador acertou com a tese e o pragmatismo.
O comandante sabe que o último salto é o mais desafiador. à o salto da glória. Aquele que leva o time a colocar a mão na taça. Neste momento é proibido escorregar nos detalhes. A derrota (3x0) para o Central na fase de classificação é o registro no qual Roberto vai se escudar para mostrar ao grupo que o perigo está a alguns quilômetros acima da Serra das Russas. O desafio até domingo, dia do primeiro confronto da final, é impedir que a euforia das arquibancadas invada o vestiário.
O Central é um adversário de respeito. Isto é fato. O técnico Mauro Fernandes deu um equilÃbrio impressionante ao time caruaruense. Mas o Náutico é mais eficiente. Os alvirrubros têm sido de uma eficiência elogiável no aproveitamento dos erros cometidos pelos adversários. A vitória (3x2) sobre o Salgueiro foi uma demonstração inconteste de tal realidade.
Ao longo dos anos ouvi muitos dirigentes empolgados afirmar que, "quando um time está na iminência de ser campeão sentimos o cheiro ao abrir as portas do vestiário". Confesso que, apesar da experiência e conhecimento somados, nunca senti esse cheiro revelador. Talvez tenha me faltado percepção. Mas através da leitura que fizemos do que aconteceu dentro das quatro linhas, até as semifinais, o Náutico fatalmente colocará a faixa de campeão.
Há controvérsias. E eu as respeito.
CLAUDEMIR GOMES
Em ano polÃtico as coisas reverberam com mais intensidade nos clubes. Isto é fato. Principalmente os acontecimentos negativos, razão pela qual podemos afirmar que o vulcão chamado Ilha do Retiro está na iminência de uma erupção. As várias facções da tribo leonina fazem reuniões para definir veredictos visando o futuro, ou seja, as eleições que acontecerão em dezembro.
O Sport está fracionado.
O presidente executivo, Arnaldo Barros, amarga uma solidão que lhe foi imposta pela arrogância. Há muito que não se via no clube de maior torcida do Estado um presidente com Ãndice de rejeição tão alto.
"Há dois, três anos o Sport vive uma orgia administrativa", bradou o ex=presidente, Luciano Bivar, uma das lideranças mais respeitadas do clube, em entrevista ao radialista, André LuÃs Cabral, do sistema JC de Comunicação. E atribuiu o caos administrativo que leva o Sport a uma queda livre, ao amadorismo dos atuais gestores que foram facilmente ludibriados por "empresários profissionais" que venderam gato por lebre aos inocentes dirigentes de plantão.
Enquanto Bivar tornava público seu descontentamento com a administração do Sport, que inexplicavelmente tirou o clube de uma situação confortável e passou a exibir um balanço negativo com mais de 160 causas trabalhistas e receitas comprometidas até o ano de 2022. Um outro grupo capitaneado pelo ex=presidente do Conselho, Jarbas Guimarães, grande comandante do emblemático tÃtulo de 1975, considerado um dos mais importantes na história do clube, arquitetava ações no sentido de conclamar a torcida para externar sua insatisfação com a atual gestão do clube. A ordem é ocupar todos os espaços na mÃdia. Para isso foram convocados novos e antigos correligionários.
Para tentar acalmar os ânimos, o presidente, Arnaldo Barros, que mesmo transitando na linha de baixo, deu um show de soberba na coletiva onde tentou explicar o inexplicável, convidou o filho do ex=presidente, Luciano Bivar, para fazer parte do Departamento de Futebol.
"Não é porque seja meu filho não, mas Lucianinho conhece bem a matéria futebol. Ele vai emprestar a sua inteligência. Acho que esse é um dever de todo rubro=negro. Agora, se não lhe escutarem, cai fora", sentenciou Bivar com a sinceridade que lhe é peculiar.
De repente, no reino encantado da Ilha do Retiro, após se ouvir o canto da patativa, foi descoberto que o rei está nu. Sua caravana provocou estragos irreparáveis por quase dois anos, e vai deixar um legado drástico para o seu sucessor. Afinal, do alto de sua soberba, segue adotando medidas equivocadas, como a manutenção do Sport fora da disputa da Copa do Nordeste, num ano em que não estará mais como presidente.
Os tambores silenciosos anunciam que a tribo leonina está em pé de guerra, num prenúncio de que este ano poderá acontecer uma das eleições mais acirradas dos últimos anos. Ou não! Afinal, na Ilha da Fantasia tudo pode acontecer, tal como foi a chegada de Arnaldo Barros a condição de mandatário.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
O jornalista Diego Garcia, do jornal Folha de São Paulo, descobriu que Rogério Caboclo, que irá assumir o Circo do Futebol Brasileiro, multiplicou o seu patrimônio após ingresso nas lides esportivas.
Em 2001 quando começou a trabalhar na Federação Paulista tinha um patrimônio declarado de R$ 570 mil. Após 17 anos já acumula R$ 8,6 milhões, ou seja, 15 vezes a quantia original. O roteiro da evolução segundo o jornalista é o seguinte:
2012 = Membro do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo;
2014 = Além do COL se tornou diretor executivo da CBF, cargo que exerce até hoje.
Nesse perÃodo adquiriu apartamento no valor de R$ 4,5 milhões; um carro BMW (R$ 320 mil) e uma Mercedes (R$ 360 mil). Além disso tem 16,8% de cinco imóveis adquiridos por R$ 7,2 milhões, que estão em nome de uma empresa de sua famÃlia da qual é sócio. As suas empresas tiveram um crescimento bem vertiginoso após a participação do cartola no COL e no CIRCO.
Segundo Rogério Caboclo o seu patrimônio é compatÃvel com as suas rendas. Como dirigente da entidade do futebol nacional recebe mensalmente R$ 120 mil, sem os descontos legais.
São coisas do futebol brasileiro.
CLAUDEMIR GOMES
E o Sport foi pequeno para conquistar o tÃtulo do Pernambucano 2018.
Assim como foi pequeno para avançar na Copa do Brasil, competição da qual foi eliminado na primeira fase pelo Ferroviário/CE, um clube que, a exemplo do Central, irá disputar o Brasileiro da Série D, ou seja, a quarta divisão nacional. As comparações são inevitáveis quando vemos em campo, se confrontando, um time da Série A e um outro da Série D. Afinal, primeiro é primeiro, e quarto é quarto em qualquer lugar do mundo.
Mas o Leão não aprendeu que o status no futebol é transitório. Apesar de o clube já ter vivenciado vários acessos e descensos, os atuais gestores esqueceram que a soberba funciona como um carrasco para quem se embriaga com o sucesso. E contaminaram um vestiário sobre o qual não tinham mais domÃnio. Os jogadores de melhor qualidade técnica deixaram o clube, e o treinador, Nelsinho Baptista, que passou nove anos vinculado ao futebol japonês, parece não ter a receita para transformar esse angu de caroço no manjar que a torcida leonina deseja.
O Sport se apequenou. A edição 2018 do Pernambucano foi de uma pobreza técnica absurda. Uma das piores da centenária história da competição. Em seis apresentações que o Leão fez como visitante amargou quatro empates e duas derrotas, numa demonstração inconteste de que o trabalho de campo não vai bem. Sinais são emitidos há dois anos, quando o clube esteve na iminência de cair para a Série B, mas a soberba impede que os dirigentes enxerguem o buraco negro que foi criado por eles próprios.
A cidade de Caruaru dormiu embalada com o gol de Leandro Costa, que provocou um fato na centenária história do Pernambucano, que pela primeira vez terá o Central como finalista. E abriu a possibilidade de um outro fato inusitado: uma final com dois clubes do Interior como protagonistas. Mas para que isto aconteça será necessário que o Salgueiro vença o Náutico na outra semifinal que será disputada domingo.
A Patativa, até o momento, se portou como um pássaro abarrancado. Segue imbatÃvel no seu habitat, o estádio LuÃs Lacerda. Contra o favorito Sport, passou todo o tempo buscando uma bola, que lhe caiu no colo aos 14 minutos do segundo tempo, após uma falha grotesca do zagueiro Ronaldo Alves, que foi seguido pelo goleiro Magrão. O atacante, Leandro Costa, agradeceu o presente e entrou para a história do clube como um personagem relevante de um feito que parecia pouco provável antes de a bola rolar no Estadual.
O que está por vir não importa. O momento é de se comemorar o feito inédito: a chegada à decisão do tÃtulo.
O Sport tem 40 tÃtulos estaduais no seu currÃculo. Um número por demais expressivo, que acabou inflando o ego dos amadores dirigentes de plantão na Ilha do Retiro. Como o futebol não aceita desaforo, o time da Ilha do Retiro se mostrou pequeno na competição que o seu presidente tanto desprezou.
O canto da Patativa foi o que lhe restou.