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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
O esforço da mÃdia esportiva no sentido de promover as competições e motivar o torcedor para que ele vá a campo, e prestigie os jogos, é louvável, mas esbarra na falta de bom senso dos organizadores, cujo objetivo único é atender as televisões que pagam barato por um produto que lhe dar um bom retorno. Dentro deste pensamento, estádio cheio passa a ser apenas um mero detalhe.
Hoje, terça=feira, começam as disputas da fase de grupo da Copa do Nordeste. Amanhã é a vez de a bola rolar no Pernambucano 2018. Até domingo teremos jogos todos os dias. "A pisada é essa", diria o saudoso tricolor Capiba.
Existe demanda para isso? Indaga o torcedor perplexo com a "overdose de jogos", programada pelos iluminados promotores. A fraca presença de público nos estádios faz parte do contexto. Afinal, os números decrescem ano após ano.
Se criou a máxima de que "o torcedor brasileiro só gosta de decisão". Portanto, não precisa se preocupar com horário, com a qualidade do espetáculo, com as condições dos campos e dos estádios, com a falta de segurança urbana... O produto oferecido é para ser consumido em casa, pela telinha. à como se tudo o que fosse cuspido no colo do telespectador ele aceitasse de bom grado.
"De graça até ônibus errado!".
Mas será que o torcedor fica acordado até a meia noite para assistir a um jogo de terceira categoria, tendo que se levantar cedo, no dia seguinte, para ir trabalhar? Ninguém perguntou isso ao público consumidor. Afinal, estamos no paÃs do Big Brother.
Mas o futebol não é um entretenimento, como tantos outros, para se ver in loco? Isso é o que acontece em vários paÃses europeus, onde se pratica o melhor futebol interclubes do planeta, mas aqui no Brasil a cartolagem está pouco se lixando pra isso.
O amigo, Ival Saldanha, tem feito umas postagens saudosistas no facebook, mostrando craques dos anos 60 e 70. Maravilhas que hoje não se encontram mais nos gramados do futebol brasileiro. Tudo mudou. "Tudo se apequenou", como diz o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo.
E o futebol virou a Novela das Dez. O enredo é péssimo, mas a audiência é satisfatória nos capÃtulos finais. Sinais dos tempos.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
O futebol brasileiro vive no reino do absurdo, onde de tudo acontece, e sem a mÃnima reação dos seus habitantes. ara os seus cartolas os grandes são grandes e merecem tudo, e os pequenos são pequenos e tratados com chibata.
à o reino comandado por um dirigente que o FBI não permite que saia do paÃs, e por uma cartolagem que não pensa no todo, e cada um olha apenas para o seu umbigo. Na verdade o pensamento é o de sempre aumentar a sua fatia, e se distanciar dos demais.
Tudo isso com o apoio total de um monopólio que já perdura por mais de trinta anos da Rede Globo de Televisão. Quanto mais altas forem as cotas do Flamengo e do Corinthians, é óbvio que as chances de conquistas serão bem maiores. Ambos nessa temporada irão receber R$ 4,4 milhões por cada jogo, enquanto o Sport terá que se contentar com R$ 105 mil. São diferenças gritantes.
Por outro lado, o Campeonato Mineiro receberá da televisão R$ 37 milhões para a transmissão dos seus jogos. O absurdo está na sua divisão, quando Cruzeiro e Atlético terão uma participação de R$ 21,3 milhões para cada um, o América/MG, R$ 2,9 milhões, e os menores entre R$ 850 e 875 mil. Sem dúvida mais uma distribuição indecente. Deveria haver mais equilÃbrio.
Um fato interessante está no tamanho do futebol de Pernambuco, que receberá da televisão R$ 4 milhões, 9 vezes menos do que o de Minas Gerais.
Não somos nada no reino do absurdo.
No Brasil existe a sÃndrome do egoÃsmo, desde que trata o clube como um produto e não a competição. Há anos que mostramos aos nossos visitantes os modelos das Ligas norte=americanas como ideais para serem aplicados em nosso paÃs, e em especial a NBA, a National Basketball Association, que tem no seu campeonato o produto, e não os times.
Qual a possibilidade que tem um clube menos no Brasil de conquistar o tÃtulo do Brasileirão por conta das diferenças técnicas produzidas pela péssima distribuição das suas receitas, que é precedida de forma desproporcional e injusta?
A NBA adota um plano de divisão dos recursos para que a competitividade seja garantida. à um trabalho efetuado para o fortalecimento de todos os participantes, não apenas aqueles com maiores audiências, como acontece no Brasil.
Em geral todos os times formam elencos capazes de surpreender.
Além do sistema draft, existe um teto salarial para as equipes, e um complexo sistema de controle dos vencimentos oferecidos a cada jogador. A intenção é o evitar a supremacia dos mais ricos.
O abismo técnico entre os ricos e os pobres é bem reduzido, e o sucesso de cada temporada reflete muito bem que se trata de algo proveitoso, devidamente comprovado.
O sistema adotado no Brasil tem uma única intenção, inclusive à nÃvel estadual, a de se perpetuar os grandes clubes, que hoje já não são mais grandes, e matar os menores de inanição.
Os recursos distribuÃdos de forma mais igualitária geram um equilÃbrio nas competições, onde um time menor fica em condições de uma boa participação. A solução para viabilizar o futebol brasileiro, e tirá=lo do reino do absurdo, é o da criação de uma Liga que poderia ser uma das maiores do mundo pela potencialidade do paÃs.
Enquanto isso não acontece, o nosso esporte da chuteira a cada dia se transforma em um verdadeiro lixo.
CLAUDEMIR GOMES
As crÃticas parecem até um clichê. Todo o inÃcio de temporada, o excesso de jogos, com os clubes disputando várias competições simultaneamente, nos leva a debruçar nas tabelas e as análises se tornam repetitivas. à como se estivéssemos escrevendo a crônica de uma morte anunciada. Afinal, o ano é formado por 12 meses, 52 semanas e 365 dias. Isto é fato. Não muda. Mas no futebol brasileiro existe a polÃtica do inchaço. A resultante desta zorra total é o atropelamento de normas, regras e regulamentos. Tudo é empurrado com a barriga. Afinal, a impunidade faz parte deste "jogo". As entidades de classe, associações e sindicatos, se mostram impotentes diante dos abusos. Quando acontecem "vitórias" através de acordos, esses não são cumpridos.
A agenda para o torcedor pernambucano, na próxima semana, não poderia ser mais intensa. Vamos ter jogos na terça=feira, quarta, quinta, sexta, sábado e domingo. à que começam as disputas do Campeonato Pernambucano e da Copa do Nordeste. Nas normas gerais das competições da CBF consta que um clube tem que respeitar o espaço de mais de 60 horas entre uma partida e outra. Mas tudo indica que esta normal foi criada para não ser respeitada, como acontece com inúmeras leis municipais, estaduais e federais que são criadas neste Brasil brasileiro.
Então vejamos: O Santa Cruz estréia na Copa do Nordeste no dia 16, terça=feira, enfrentando o Confiança, em Sergipe. Dois dias depois (48 horas) inicia sua participação no Pernambucano medindo força com o Vitória, no Arruda. A situação ficará mais complicada para o Náutico, caso o time alvirrubro se classifique para a fase de grupo da Copa do Nordeste. O primeiro jogo do Clube dos Aflitos na competição regional (fase de grupo) está programado para a próxima quarta=feira, dia 17, quando receberá o Altos/PI, na Arena Pernambuco. No dia 19 fará sua estréia no Pernambucano enfrentando o América, na Arena Pernambuco. Mais ainda: menos de 48 horas depois os alvirrubros voltarão a campo para o seu segundo compromisso pelo estadual, desta feita contra o Central, em Caruaru. Resumindo: o Náutico, caso se classifique para a fase de grupo da Copa do Nordeste, na próxima semana jogará na quarta=feira, na sexta e no domingo.
Ontem, a CBF divulgou as datas dos jogos da primeira rodada da Copa do Brasil. Santa Cruz, Salgueiro e Náutico estréiam na competição nacional no dia 31 de janeiro. O Sport teve o seu primeiro jogo marcado para o dia 7 de fevereiro. Acontece que, o Tricolor do Arruda tem compromisso agendado pela Copa do Nordeste para o dia 30 de janeiro. "Coisas do futebol brasileiro", como diz o amigo, Edvaldo Moraes.
CLAUDEMIR GOMES
Partindo do princÃpio de que, "na vida pouco se cria, tudo se copia", o projeto lançado pelo Palmeiras no inÃcio da semana, o "Palmeiras Camp", que não é outra coisa senão o acampamento de férias oficial do clube, bem que poderia ser copiado, e desenvolvido, pelos nossos clubes com o objetivo de aproximar o sócio e torcedor. A proposta palmeirense é fazer com que o interessado se sinta como um jogador. Para isso no perÃodo em que estiver "concentrado", terá uma convivência diária com ex=Ãdolos do clube.
Sempre que um clube pernambucano lança uma campanha de sócio eu fico a perguntar aos meus botões: "O que eles vão oferecer ao sócio?". Basicamente não oferecem nada, razão pela qual as campanhas são sempre marcadas pelo insucesso. No inÃcio podem até atingir números que impressionam, entretanto, não há ações para fidelizar o sócio, fato que leva as campanhas a não terem sustentação. O "Palmeiras Camp" utiliza a figura dos Ãdolos que escreveram páginas da história do clube para valorizar o projeto.
Imaginem um programa como este nos clubes recifenses! Quem não gostaria de concentrar com Luciano, Ramon, Kuki, Roberto Coração de Leão, Denô, LuÃs Neto, Zé do Carmo, Gena, Ivan Brondi... treinar com eles, ouvir suas histórias, trocar idéias. Enfim, vivenciar momentos que seriam inesquecÃveis. O simples fato de conhecer a estrutura do clube, centro de treinamento, concentração, seguir uma agenda de treinos, fará com que cada um liberte o jogador que existe dentro de sim.
Na década de 90, José Joaquim Pinto de Azevedo, criou no Sport um projeto que convocava o sócio para passar um dia inteiro na Ilha do Retiro. Nesse dia eram desenvolvida uma série de ações. Foi um sucesso. O que mais o sócio e o torcedor quer é se aproximar do seu clube e dos seus Ãdolos. Isto é fato. Mas os nossos clubes desprezam aqueles que têm seus nomes em suas gloriosas histórias.
A idéia do Palmeiras é tão simples quanto a que Colombo teve para por um ovo em pé. E fácil de por em prática.
CLAUDEMIR GOMES
A temporada do futebol começa quando a bola rola dentro das quatro linhas. Antes disso, temos que nos contentar com os muitos boatos e especulações dos bastidores. Com verdades também, evidentemente. Portanto, dentro deste "conceito", a temporada 2018 do futebol pernambucano começa hoje, com o Náutico indo a campo no estádio Etelvino Mendonça, para medir força com o Itabaiana, no Interior Sergipano. O jogo é válido pela pré Copa do Nordeste.
As competições vão inchando e surgem essas disputas por direito. Direito a participar do torneio. Bom! Não vamos aqui, discutir o certo ou o errado de tal alternativa. A consequência é que os times iniciam o ano participando de uma decisão. O técnico, Roberto Fernandes, fez referência a pressão por resultados por trabalhar num clube do Recife, sua cidade natal, onde está cercado de familiares e amigos. A cobrança, segundo ele, se torna maior. Mas, mesmo sem a análise pela ótica sentimental, não é fácil iniciar o ano encarando uma decisão,
O primeiro jogo de uma temporada, funciona como o primeiro passo de uma caminhada em busca de sonhos e metas. Todo jogador sonha em ser protagonista das campanhas exitosas de seus respectivos clubes. Neste caso de pré copa, quem não alcançar a meta da classificação vai ter que encarar a frustração do insucesso logo no inÃcio do ano. E começam a surgir cobranças açodadas que podem obstacular a sequência de um trabalho que se mostrava positivo.
O torcedor alvirrubro não conhece o "novo" Náutico. O clube investiu na aquisição de um número exagerado de jogadores para o inÃcio de temporada. O técnico, Roberto Fernandes, promoveu uma varredura radical. E buscou jogadores desconhecidos, mas que no seu entendimento são adequados para encarar os desafios da Copa do Nordeste, do Pernambucano, da Copa do Brasil e do Brasileiro da Série C. O primeiro teste é essa famigerada disputa da Pré Copa do Nordeste. Tudo o que se falar sobre este confronto entre Náutico e Itabaiana, composto por dois jogos, um no Etelvino Mendonça, hoje a noite, e o outro na Arena Pernambuco, próximo sábado, não passa de mera especulação. As análises são frutos do famoso "EU ACHO", sem nenhum embasamento concreto.
A única coisa que sabemos é que neste confronto o que importa é o resultado. Nada mais que isso.