Histórico
Campeonato Pernambucano
O ex-Clássico dos Clássicos
postado em 24 de janeiro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO - blogdejjpazevedo.com

 

Nove entre dez dos torcedores do futebol de Pernambuco não sabem que hoje será realizado mais um ex-Clássico dos Clássicos, envolvendo o Clube Náutico Capibaribe e o Sport Club do Recife. Já se foram os bons tempos em que as ruas da cidade contemplavam torcedores com as camisas dos dois times. Era uma festa, e não contava com a presença das organizadas.

Recife está mudo e surdo, não emite nenhum som, considerando que o encontro que será realizado na Arena Pernambuco é apenas mais um entre os que vêm acontecendo no campeonato estadual sem a menor emoção.

Aliás, esses campeonatos maltratam os clubes que são considerados grandes, embora existam controvérsias sobre o fato, desse que uma conquista do título é desvalorizada por um fracasso nas competições nacionais. Quando um clube perde um estadual a crise bate em suas portas, com dispensa de jogadores e treinador. Se tal fato não ocorrer no meio dessa. Os números comprovam.

Um jogo com um favorito absoluto, no caso o time rubro-negro, contra um adversário que deseja um resultado positivo para minorar a péssima impressão deixada nas rodadas iniciais.

Para o Sport a vitória é pura obrigação, enquanto para o Náutico, uma necessidade.

O que nos diverte são as manchetes publicadas pelas mídias locais, quando citam que os ingressos para o Clássico dos Clássicos estão à venda. Na realidade será difícil encontrar torcedores que os comprem. O futebol pernambucano, entre os Estados com maior demanda tem a segunda pior média de público dos estaduais, passando por pouco o futebol carioca que está igual à antiga cantiga da perua: "De pior à pior". Até o momento foram disputadas 10 partidas no Pernambucano, com um total de 13.838 torcedores, o que nos dá uma média de 1.384 por jogo. Sem dúvida, um retorno a década de 50.

Os resultados dos clubes da Capital não motivam os seus torcedores. O Sport empatou com o Flamengo de Arcoverde pelo placar de 0x0; o Santa Cruz foi derrotado pelo América (2x0); o Náutico foi goleado pelo Central por 3x0.

Os pequenos melhoraram, ou os "grandes" pioraram?

No Rio de Janeiro, em 29 jogos realizados, o público total é de 31.227 torcedores, com uma média de 1.201 por jogo, que para um futebol que tem grandes torcidas é sem dúvida a maior demonstração da falência do modelo brasileiro. O Vasco, que jogou duas vezes com portões fechados, perdeu para o Bangu por 2x0; o Botafogo empatou com a Portuguesa em 2x2, e o Boa Vista derrotou o Fluminense por 3x1.

Os resultados de alguns jogos desses dois campeonatos refletem muito bem o que vem acontecendo no futebol brasileiro, quando obrigou aos clubes iniciarem a temporada sem a menor preparação. Jogos ruins, sem a devida qualidade afugentam os torcedores, e isso está sendo sentido através do desaparecimento do público.

Além desse ex-Clássico dos Clássicos, teremos: Pesqueira x Vitória; Salgueiro x América e Afogados x Belo Jardim, que certamente irão acumular prejuízos para os mandantes, cujas rendas sequer darão para pagar as despesas com o protocolo.

A terceira rodada do Pernambucano será fechada amanhã, quando o Santa Cruz recebe o Central, no estádio do Arruda. A Patativa do Agreste deseja aproveitar esse bom momento para disparar na tabela.

Hoje será mais um dia da televisão sem som, que é a única maneira de assistirmos essas partidas.

Cansamos de FEBEAPÁ.

 

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Campeonato Pernambucano
Só os gols da rodada
postado em 22 de janeiro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

O amigo, Ricardo Medeiros, tem 38 anos e gosta muito de futebol. Torce pelo Sport, mas não dispensa um bom jogo, independentemente de quais times estejam se confrontando. Valoriza o espetáculo, se o nível for elevado, evidentemente. Neste domingo, enquanto me preparava para ver o jogo do América com o Santa Cruz, ele optou por ir jogar tênis com o filho, Guilherme, de 7 anos. Foi brincar, se divertir. Horas depois, ao tomar conhecimento dos resultados da segunda rodada do Campeonato Pernambucano, viu, pelo celular, os gols da rodada.

As mídias se completam! Tal realidade trouxe novas alternativas para as novas gerações de torcedores, e criou novos hábitos. A nova ordem é não desperdiçar tempo com coisas ruins. O conceito define novos padrões de condutas, fato que ainda não se tornou perceptível para quem dirige o futebol pernambucano e brasileiro. A resposta está na irrisória presença de público nos estádios e na fraca audiência das jornadas esportivas do rádio e da televisão.

Assim como Ricardo Medeiros, milhares de jovens adotaram esse comportamento. Isso não quer dizer que deixarão de gostar de futebol. Os institutos que aferem as audiências do rádio e da televisão nos mostram que, quando o jogo é de bom nível, a demanda é representativa. Não é à toa que a cada dia aumentam a audiência por jogos das competições européias.

O Pernambucano é de uma pobreza franciscana. A simples mudança na forma de disputa, não iria transformar água em vinho. Os estádios são precários, a qualidade técnica da competição caiu assustadoramente e o nível das transmissões do rádio acompanhou a queda. Alguns profissionais estão se comportando como há 50 anos, quando só existia o rádio e a história era contada com verdades e mentiras, pois ninguém estava vendo o que acontecia dentro das quatro linhas. Hoje, no esforço de valorizar o produto, alguns profissionais dizem coisas que não condiz com o que a televisão mostra.

A internacionalização, a globalização, a chegada de novas mídias, tudo,  representa a nova ordem que é imperativa. Isso mexeu muito com a indústria do entretenimento, da qual o futebol faz parte, mas ainda não deixamos a realidade do século passado. Para completar o cenário degradante, ao ser indagado, ao final do jogo no qual o Náutico amargou uma derrota por 3x0 para o Central, em Caruaru, o treinador alvirrubro, Roberto Fernando, sai com uma frase grotesca: "Depois dessa é para colocar o rabo entre as penas, lamber as feridas e partir para a reação".

Ricardo Medeiros tem razão: é para assistir só os gols pelo celular.    

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Acontece
Estádios vazios
postado em 19 de janeiro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Nos primeiros jogos da Copa do Nordeste o destaque foi a ausência de torcedor nos estádios. Fato esse que ocorreu em 2016, e poderá ter a sua continuidade na atual temporada. Não ficamos surpresos com o fato desde que houve um açodamento para o início da competição, com os clubes ainda em formação, e seria bem óbvio que teríamos jogos de qualidade muito duvidosa, e em especial por ser uma competição com poucos participantes da divisão maior do futebol nacional.

Sem contarmos com os jogos de ontem, e com o público de Confiança e Santa Cruz, que até hoje não foi divulgado, a maior participação da torcida foi no jogo do Treze com o CRB, com 4.118 pagantes.

Enquanto isso o Globo/RN, mesmo jogando contra um clube da Série A Nacional, o Vitória/BA, recebeu apenas 728 testemunhas; o Salgueiro, que estreou em casa contra o Ceará, contou com o apoio de 2.199 torcedores, muitos desses do time cearense, e o Náutico, em seu jogo contra o Altos/PI, teve apenas 1.350 ingressos vendidos na Arena Pernambuco.

Nesse jogo foi divulgado um público acima de 2 mil torcedores, que não condiz com a realidade, desde que no movimento financeiro entregue à imprensa constam 663 cortesias, que não são pagantes.

O ufanismo comercial com a Copa do Nordeste é bem latente, mas na verdade a competição está mal formatada, tem a ausência de clubes com demanda, que levam torcedores aos estádios. A distribuição das partidas na tabela, os horários, são fatores que motivam a ausência dos consumidores nos estádios. Quem irá salvar essa edição da Copa serão os dois clubes da Bahia, Vitória e Bahia, e o Ceará que são bons de públicos.

Por outro lado, o Campeonato Pernambucano, como era de se esperar, começou com os seus estádios  vazios, o que demonstra, mais uma vez, que o torcedor não tem mais o sentimento de amor com relação aos estaduais, que se tornaram obsoletos e sonolentos. Sofreu o mesmo problema da competição regional ao começar com os times despreparados para a competição.

Em Arcoverde, com a presença do Sport, atual campeão estadual e único representante do Estado na Série A, os ingressos foram todos vendidos: 3000. É triste um estádio com essa capacidade no futebol profissional.

A cidade de Afogados da Ingazeira, através do seu time, o Afogados, não conseguiu incentivar a ida dos seus habitantes ao estádio, mesmo enfrentando um rival do Interior, o Central, e suas arquibancadas receberam apenas 1.200 testemunhas.

A cidade de Pesqueira que em épocas anteriores abraçava os jogos de futebol, em seus confrontos contra o Belo Jardim, só vendeu 487 ingressos, público bem menor do que os de muitas peladas. O nosso futebol parou no tempo e no espaço, e cometeu um suicídio coletivo ao não acompanhar a globalização.

A Copa do Nordeste é uma excelente fonte de demanda, mas como está sendo administrada irá morrer de inanição, fazendo companhia aos estaduais. Essa competição terá que ser o carro chefe do início de temporada da região, com duas divisões, e isso já estamos repetindo mais uma vez, e que poderá ajudar a melhorar a competitividade dos clubes.

O maior problema do nosso futebol tem um nome bem simples que se chama má gestão, cujo sistema vem de cima para baixo, começando pelo Circo e terminando nos clubes. Uma boa gestão tem que acompanhar as inovações oferecidas pelo mundo, as novas tendências, e o futebol não fica isento de tais fatos, desde que é um produto que tem que ser bem comercializado e bem gerenciado para a obtenção do sucesso.

Estaduais são coisas do passado, e a Copa Regional do presente e do futuro, e por conta disso terá que ser tratada com carinho pela cartolagem.

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Campeonato Pernambucano
Torcidada do Náutico dividida
postado em 18 de janeiro de 2018

CLAUDEMIR GOMES

 

Os insatisfeitos observam que o Náutico contabilizou seu terceiro empate em sequência. E se manifestaram com vaias ao final do jogo com o Altos/PI, ontem a noite, na Arena Pernambuco, que terminou com o placar em branco. Os otimistas rebatem alegando que o time alvirrubro segue invicto na temporada 2018, e aplaudiram os comandados de Roberto Fernandes. Reações distintas que servem para ressaltar o risco do futebol de resultados, que não leva os torcedores a análises de causas e efeitos.

Antes mesmo de o time dos Aflitos disputar a classificação para a Copa do Nordeste com o Itabaiana, falávamos em debate na Rádio Clube, do absurdo daquele torneio pré classificatório que colocava o clube numa decisão em momento inadequado = primeiros jogos do ano = com o conjunto sem nenhum condicionamento físico e técnico. Uma insanidade. Coisa de um futebol sem o mínimo planejamento.

Após conseguir a classificação para a fase de grupos, o técnico Roberto Fernandes fez questão de ressaltar que "tem que ser futebol de resultado". Ontem, após constatar que, a evolução diante de tanta pressão se torna mais difícil, procurou ajustar o seu discurso se posicionando contra as cobranças que surgiram na arquibancada.

A primeira coisa a massificar é a importância da torcida exercitar a tolerância e externar seu apoio ao grupo que está sendo montado. Ser transparente, mostrar as dificuldades e deixar bem claro que oscilações irão acontecer. Não importa até onde o Náutico chegue no Pernambucano, na Copa do Nordeste e na Copa do Brasil. Essas competições servirão para ajustar o elenco visando o desafio maior que é a Série C, onde o clube terá a obrigação de ser vencedor.

Esta pregação tem que ser diária para o torcedor se conscientizar de que não é da noite para o dia que se monta um grupo, com poucos recursos financeiros e o sucesso vem de imediato num esporte coletivo. O torcedor age pelo impulso da emoção, razão pela vem surgem as cobranças em cima de resultados, sem análise de metas.

 Enfim, é preciso dar uma atenção especial a comunicação. Uma campanha "educacional" é de fundamental importância para conquistar a fidelidade do torcedor em momento difícil e desafiante. Afinal, a qualidade do futebol é por demais sofrível.

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Futebol Brasileiro
Os Estaduais e o provérbio português
postado em 17 de janeiro de 2018

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

Nas mesmas praças, nos mesmos jardins, os campeonatos estaduais estão iniciando, ou já iniciaram no país. Trata=se da repetição da decadência de um evento que despertava emoções nos tempos antigos que a globalização enterrou, e que só sobrevivem por conta da ausência de inteligência que fazem o futebol brasileiro.

Existe um velho ditado português que pode ser aplicado à essas competições: "A lua e o amor quando não crescem diminuem".

Realmente os estaduais foram reduzindo e a sua demanda encolhida, perderam o amor dos seus consumidores. Em Pernambuco, hoje a noite, o pontapé inicial será dado com três jogos e a rodada só termina na sexta=feira, ou seja, algo que mostra a falta de visão dos que fazem uma tabela, posto que, em menos de 48 horas alguns clubes estarão atuando pela segunda rodada.

O mais grotesco é que nessa abertura não haverá nenhum clube jogando na Capital, com o Sport, atual campeão, atuando em Arcoverde contra o Flamengo local.

Iremos continuar vivendo uma grande mentira que é absorvida pelos veículos de mídias, logicamente pelos seus interesses financeiros na venda de um produto em extinção, e que é bem modificado por uma maquiagem enganadora.

Reservar dezoito datas para uma competição falida, que leva do nada para o nada e cujo campeão é esquecido em dois meses, é uma perda de tempo, principalmente por que essas deveriam ser ocupadas por um torneio regional com duas divisões.

No encerramento desse evento, diversos clubes irão hibernar por sete meses, e o desmanche será total. Esses poderiam disputar uma divisão nacional durante toda a temporada que poderia lhe dar uma nova dimensão no contexto global do futebol.

Em alguns Estados a competição doméstica já foi iniciada, entre esses o Rio de Janeiro e o Ceará. ara que se tenha uma idéia exata da realidade, no seletivo carioca a média de público em 15 jogos foi de 514 testemunhas, enquanto na Terra de Iracema, sem jogos do Fortaleza e Ceará a média foi de 602 pagantes (6 partidas). Nada mais para caracterizar que alguma coisa deve estar errada, e necessita de uma mudança.

As competições nacionais assim como as continentais reduziram os estaduais, desde que o foco passou totalmente para essas, que são realizadas em paralelo.

Além disso, o acesso mais amplo para os jogos dos campeonatos europeus escancaram um choque de realidade, o pay=per=view, a pobreza técnica da quase total maioria dos clubes do Interior; estádios sem condições; a overdose de jogos saturando o torcedor com torneios sobrepostos, levaram os estaduais a falência.

Aliás, isso já estava escrito há muito tempo nas tábuas de Moisés.

A maioria desses jogos não tem interesse, e que, no final não servem de parâmetro para outras competições, pois os clubes acreditam que estão em boa situação e quando encaram adversários com um pouco mais de potencialidade se arrebentam.

Torna=se necessário o repensar desse esporte, com o cotejo entre os erros e os acertos, e no debate que seja resolvido o problema mais sério que é o da continuidade dessa competição que foi consumida pelo tempo.

Os nossos "Napoleões Retintos" do Bloco Sanatório Geral, ainda não tiveram a percepção que as datas da temporada brasileira é a mais extensa do mundo, e mal aproveitada na sua distribuição. As 18 datas consumidas pelos estaduais são jogadas fora, e poderiam ser mais bem aproveitadas.

Na realidade o futebol brasileiro necessita de pessoas sérias que pensaem nele como um excelente produto, e não como uma grade de televisão, e em segundo lugar, que seja analisado o modelo das ligas dos países europeus.

As disputas regionais existem e seguem dentro da normalidade, mas com divisões inferiores. Os clubes são perenes e não sazonais.

Na Inglaterra, elas começam a partir da sexta divisão, na Alemanha desde a quarta. No Brasil poderia ser criada uma nova Série, a E, que iria abrigar a regionalização de clubes que tivessem as condições necessárias.

São detalhes que deveriam ser bem estudados, não pelo bloco dos "Napoleões Retintos", e sim por aqueles que tem uma visão mais global do futebol, de que esse não existe apenas para grandes clubes e sim para todos.

O nosso calendário é uma aberração monstruosa, e que potencializa uma competição que faleceu há um bom tempo.

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