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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Acabou a festa. Hora de passar a régua e fechar a conta. O saldo foi positivo, o Sport se livrou do rebaixamento. Explosão de alÃvio na Ilha do Retiro. O suspiro coletivo da torcida leonina nos fez lembrar das explosões de alegria quando das grandes conquistas no estádio rubro=negro. Mas os sentimentos eram diferentes. Escapar é bem diferente de conquistar. O que se viu ao final dos 90 minutos nas arquibancadas foi uma torcida extravasando uma angustia que lhe torturou durante todo o returno do Brasileiro da Série A.
Ufa! Passou. Os bons ventos sopraram a favor da bandeira do Sport. Tudo conspirou a favor do Leão que antes de a bola rolar, a permanência na Série A não dependia apenas do seu feito diante do Corinthians, o atual campeão, mas também de uma combinação de resultados. As peças se encaixaram e a tensão se manteve até após o árbitro trilar o apito dando o jogo da Ilha do Retiro por encerrado. à que em Salvador, e em Chapecó, a bola ainda rolava e o imponderável poderia entrar em campo para por água no chopp do Sport. Não aconteceu. E a torcida entrou em êxtase. Nada mais compreensÃvel para quem passou tantos momentos de agonia. Explosão de emoção.
Dentro das quatro linhas alguns atletas desmoronaram. Estavam exaustos. A vitória (1x0) sobre o Corinthians tirou um peso incalculável dos ombros de cada um. E a sequência de três vitórias nas partidas finais foi ressaltada como um feito memorável pelos quase 30 mil torcedores que externavam suas emoções de formas diversas.
Em meio a euforia pelo alÃvio, um profissional dava uma demonstração elogiável de equilÃbrio: o técnico Daniel Paulista, que não se embriagou com o sucesso, e ressaltou a necessidade de se fazer uma avaliação profunda na campanha para não se cometer tantos erros, e a temporada 2018 ser menos dolorosa. Sensato, revelou que havia entregue o cargo, e mesmo provocado por alguns repórteres se manteve firme em sua lucidez.
"Eu sou de Primeira, Eu sou de Primeira", gritavam os torcedores num coro unÃssono que ecoava nas arquibancadas da Ilha do Retiro. Era uma provocação explicita a tricolores e alvirrubros que este ano amargaram as quedas do Santa Cruz e do Náutico para a Terceira Divisão nacional. Coisas da rivalidade, e que serviram para alimentar a explosão de alÃvio. Afinal, nada incomodava mais aos leoninos do que aquela pergunta infame que tomava conta das redes sociais a cada tropeço do Leão: "O Sport perdeu foi?".
E no domingo do "JuÃzo Final" para Sport, Vitória, Coritiba e AvaÃ, o Leão rugiu mais alto, foi valente. Não perdeu. E o torcedor soltou o seu grito de alÃvio: "Eu sou de Primeira". Foi a melhor forma de extravasar tudo que apertava o seu peito e suspirar entre lágrimas e sorrisos.
CLAUDEMIR GOMES
Finalmente chegou o sábado! Isto significa que estamos a 24 horas do confronto do Sport com o Corinthians. Jogo decisivo para o Leão, e que serve apenas para o campeão cumprir tabela. Vale lembrar que o clube bandeirante conquistou o tÃtulo com quatro rodadas de antecedência do final. Aliás, quem analisa o futebol com mais profundidade, sabe que o tÃtulo corintiano foi assegurado no primeiro turno com uma campanha irretocável.
Durante toda a semana fomos abordados com perguntas do tipo: "O Sport escapa do rebaixamento?". A resposta foi a mesma para dezenas de rubro=negros aflitos: Domingo a noite eu te digo. A maioria dos cronistas esportivos acredita saber tudo, até dos mistérios que transformam o futebol no esporte mais apaixonante e imprevisÃvel do planeta. Tal fato leva muita gente a adotar uma postura de vidente. A experiência nos mostra que o cenário desta última rodada do Brasileiro é de indefinição. São tantas as variáveis que podem interferir e definir mudanças nas probabilidades durante os 90 minutos em que a bola estiver rolando no Recife, em Salvador, em Santos e Chapecó, que não existe nada mais sensato do que aguardar o final da rodada para fazer suas análises. Isto somente será possÃvel depois de passar a régua e fechar a conta.
E não me venham dizer torcedores do Sport, Vitória, Coritiba e AvaÃ, que o rebaixamento se deu por conta de um resultado, ou da combinação dos resultados na derradeira rodada. O que rebaixa um clube é a campanha.
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, postou hoje, no seu blog, alguns números que nos mostram a vocação, desses clubes que estão com a cabeça na guilhotina, para a sofrência. O Sport, que é o que interessa para os pernambucanos, desde que o Brasileiro passou a ser disputado pelo sistema de pontos corridos disputou oito edições da Série A. Em sete delas encerrou sua campanha na parte de baixo da tabela, tendo sido rebaixado para a Série B duas vezes. O ponto fora da curva foi em 2015, quando o Leão encerrou o campeonato na sexta colocação. O Coritiba, segundo dados levantados por Azevedo, desde 2012 que se livra do rebaixamento na última rodada. Enfim, estamos falando de clubes medianos que têm traços de protagonismo no campeonato mais qualificado do futebol brasileiro.
A tensão e ansiedade que tomaram conta das torcidas também invadem os vestiários. No cenário da rodada final, Sport e Avaà são os mais penalizados porque não dependem apenas de seus resultados. O Leão precisa tirar 10 no seu dever de casa e aguardar uma bonificação que viria através de um tropeço do Coritiba ou do Vitória. Mas a missão dos comandados de Daniel Paulista não fica restrita ao bom desempenho dentro das quatro linhas, como diria o saudoso mestre, Adonias de Moura. O primeiro desafio é driblar o "Adversário InvisÃvel", que não é outro senão a pressão por resultados. Uma pressão que se somatiza de diversas formas. Dentro deste contexto o trabalho dos psicólogos é determinante. O bom é que o Sport tem um grupo formado por jogadores experientes, que já vivenciaram situações diversas.
Bom! Driblar o "Adversário InvisÃvel" é um grande passo para concluir, com êxito, a missão quase impossÃvel. Porque num cenário como este não existe o impossÃvel, e sim, o pouco provável.