Histórico
Sport
Sinônimo de título
postado em 12 de dezembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Por mais que se diga que no futebol o que conta é o presente, o torcedor do Sport não consegue dissociar o nome do técnico, Nelsinho Batista, da conquista da Copa do Brasil em 2008. Não podia ser diferente. Afinal, se trata de um dos maiores e mais importante títulos da centenária história do clube da Ilha do Retiro. Eis a razão pela qual o treinador chegou nesta terça=feira, ao Recife, num clima de festa e euforia, por parte do torcedor leonino, que passou a acreditar num novo tempo de vitórias e conquistas. As lembranças do que ocorreu há nove anos continuam vivas na memória do torcedor rubro=negro, embora o treinador tenha ressaltado, no seu primeiro contato com a imprensa, que o passado é página virada.

No futebol, a contratação de qualquer treinador é uma aposta. Evidente que, os profissionais com qualidade comprovada através de trabalhos exitosos, como é o caso de Nelsinho, têm probabilidades de acerto bem mais amplas. Mas nenhum é garantia de sucesso. Nelsinho sabe disso. Afinal, como nos mostra, Ferran Soriano, ex=presidente do Barcelona, "A Bola não entra por acaso",num livro que se tornou um case de sucesso sobre gestão empresarial. O que nós vemos em campo é apenas o produto final de um trabalho que busca o equilíbrio entre o campo e a gestão. Em 2008 Nelsinho Batista desenvolveu um trabalho excelente no campo porque tinha um presidente, a época, Milton Bivar, que conhece como poucos a matéria futebol.

O novo técnico do Sport está sendo repatriado após nove temporadas no futebol japonês. Numa comparação direta com o futebol brasileiro, podemos afirmar que o futebol nipônico é embrionário. Entretanto, a cultura do país é outra, diria que está ano=luz da nossa em termos de organização, fato que vai exigir do treinador leonino uma readaptação. Nesses nove anos em que passou fora do País, o Sport evoluiu, possui uma estrutura bem melhor, fato que lhe dará uma outra condição de trabalho.

Nelsinho Batista não divide opiniões. Ele é preferido por nove entre dez leoninos. Evidente que no futebol não existe unanimidade, tampouco um profissional que preencha todos os requisitos, que seja 100%, mas a confiança expressa pelos torcedores rubro=negros é o melhor voto de boas vindas que ele poderia ter.

É aguardar o resultado dos trabalhos. Qualquer coisa além disso é pura elucubração. Por mais que Nelsinho seja sinônimo de título na Ilha do Retiro.     

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Acontece
Um futebol sem berço
postado em 11 de dezembro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

O berço do futebol é a sua formação, e essa na quase totalidade vem sendo realizada nos clubes sem que tenha uma boa orientação. Já começa de forma equivocada quando o trabalho na maioria dos casos sempre é entregue a um treinador sem grande conhecimento do setor, muitas vezes ex=jogador. Continua errando na sua formatação, desde que os atletas são preparados para a conquista de títulos que na verdade de nada valem.

O modelo das Academias que é adotado no futebol europeu jamais foi pensado pelo nosso Circo, que dá a preferência para diversos torneios nacionais, que no final não revelam uma viva alma. Alguns atletas que se destacam são apenas bonzinhos. Esses torneios recebem patrocínios, gastam com centenas de passagens aéreas para a locomoção dos times, e hospedagens, e aí é que mora o perigo em uma entidade que é nota zero em credibilidade.

O objetivo do trabalho de base é o de preparar o atleta para o futuro. É o de substituir o antigo campo de várzea, e não ser formatado na obrigação de conquistar um desses torneios. O futebol apequenou=se. Assistimos alguns jogos dessas competições, e poucos talentos são apresentados em um universo grande de jogadores.

O Brasil vem produzindo poucos craques que são contados nos dedos das mãos, e sim brucutus que entram em campo determinados às táticas de seus treinadores, com o novo sistema de nunca perder, e se possível ganhar.

O sistema Infraero é o mais ensinado.

O driblador é deixado de lado, dando lugar ao marcador, aquele que não perde a jogada, fazendo uma falta para conter o adversário. Não existe o trabalho de aperfeiçoamento técnico e de fundamentos do futebol. O jogador formado na base não sabe conduzir a bola, ou mesmo cabeceá=la, desde que não recebe o ensinamento para tal. Os defensores marcam a bola, que é um sinal de que não foram orientados para o contrário.

Hoje são raros os técnicos das categorias menores, que ensinam os fundamentos aos seus atletas, sem a exigência de uma conquista. A conversa de hoje dos responsáveis pelas bases estão resumidas a pegadas e pegadas.

Quem não pega, não joga.

Aquele número 8 que carregava a bola e partia para cima dos adversários desapareceu, foi assassinado, como também o armador de número 10.

Enquanto não houver a devida conscientização de que o objetivo da formação é o de revelar, e não o de conquistar grandes títulos, já que em muitas vezes um time é campeão e não consegue alimentar o profissional com novos talentos que na verdade é a essência do trabalho.

Torna=se fundamental uma radical transformação no setor, com a implantação das Academias, para que o segmento possa melhorar, pois se continuarmos sustentando um modelo defasado de formação, no máximo iremos preparar os medianos que já estão tomando conta dos nossos gramados, com seus passes errados, muitas faltas e pouco futebol.

Para que isso possa acontecer, torna=se fundamental a mudança da cartolagem que comanda o futebol nacional.

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Acontece
Dia de pedidos e agradecimentos
postado em 08 de dezembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Nossa Senhora da Conceição, Iemanjá, Oxum... o dia 8 de dezembro é especial. Os que têm fé se sentem na obrigação de render homenagens. Dezenas de romarias são feitas, durante todo o dia, ao Morro da Conceição, zona norte do Recife, onde fica o santuário da Virgem Imaculada. A noite, em todo o litoral pernambucano são entregues oferendas a Iemanjá. As crenças e devoções fazem parte da história de cada povo. As formas de expressá=las varia de acordo com o conceito criado por cada um. Isto, no entanto, não quer dizer que fulano tenha mais fé do que cicrano.

Em nome da fé o futebol é colocado neste contexto em todos os momentos. De um simples pedido de proteção, expresso através de uma oração no vestiário, a atitudes extremas de torcedores subindo o morro de joelhos para pagar promessa por conta da conquista de um título, confesso que já vi de tudo. Em décadas passadas, era praxe, no dia seguinte a conquista do título pernambucano, os campeões subirem ao Morro da Conceição para fazerem suas orações pelo feito alcançado. Em quase todo vestiário existe imagens de santos.

Edgar Campos foi o primeiro supervisor a trabalhar no futebol pernambucano. Veio do Rio de Janeiro em 1973 contratado pelo Sport. Trabalhou nos três grandes clubes do Recife: Sport, Santa Cruz e Náutico. Católico fervoroso, sempre levava a imagem de Nossa Senhora para o clube onde trabalhava. O ex=presidente do Santa Cruz, Antônio Luiz Neto, durante toda a sua gestão no clube tricolor, manteve uma grande imagem de Nossa Senhora da Conceição no seu gabinete. E com fé na Mãe Rainha tirou o clube da Série D e colocou na Série B; conquistou o primeiro título brasileiro da história do Santa Cruz e tem no seu currículo quatro títulos estaduais.

São muitos os caminhos da fé. A Umbanda e o Candomblé também dividem espaços nos vestiários. Nos dias de hoje os evangélicos ocupam boa parte do terreno. Os Atletas de Cristo se multiplicam através de uma eficiente comunicação oral e gestual.

Como diz o genial, Gilberto Gil, "A fé não costuma faiá", mas ela não determina resultados de jogos, tampouco conquistas. Isto é coisa do imaginário de cada um. Supersticioso ao extremo, conhecido por suas frases de efeito, o pragmático Davi Ferreira, o Técnico Duque, dizia sempre: "Se a reza vingar o time do padre vai ser campeão". É que ele acreditava mais na força do catimbó.

Nas águas doces de Oxum; nas águas salgadas de Iemanjá, a Rainha do Mar; no Morro de Nossa Senhora da Conceição, os pedidos dos torcedores devem ter um único fim: "Que 2018 seja menos sofrido para o futebol pernambucano".      

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Santa Cruz
A esperada vitória de Tininho
postado em 06 de dezembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Ah! Eu já sabia. Exclamou o torcedor do Santa Cruz ao ouvir o anúncio da contagem dos votos na eleição que definiu o novo presidente executivo do Clube do Arruda para o triênio 2018/2019/2020. Constantino Júnior, 812 votos; Albertino dos Anjos, 250 votos e Fábio Melo, 190 votos. Alírio Moraes é o novo comandante do Conselho Deliberativo, enquanto Ricardo de Paula volta a presidir a Comissão Patrimonial.

A vitoria da chapa "Construindo com a Força da União", era tida como certa antes mesmo da realização do pleito. A única coisa que faltava conferir era os números. Afinal, não se sabia quantos sócios iriam participar da eleição. Tininho, como é tratado carinhosamente o novo presidente, tem sua assinatura nas últimas conquistas do Santa Cruz, fato que lhe credita junto ao torcedor coral, e contava com o respaldo da maioria das lideranças do Clube do Povo.

Por se tratar do clube mais popular do Estado, o número de 1252 votantes numa eleição com três candidatos, e o arcaico mecanismo utilizado na realização do pleito, foram dois pontos que serviram para reforçar a tese de que o grande desafio do presidente eleito, Constantino Júnior, será colocar o Santa Cruz em sintonia com o novo tempo. Tudo nas Repúblicas Independentes do Arruda parece ter estagnado no Século XX. Eis a razão pela qual os pequenos saltos de crescimento não tiveram sustentação.

O Santa Cruz tem que ir muito além do futebol. Enquanto for pensado como um time que precisa apresentar resultados para massagear o ego dos seus amantes, o crescimento será sem sustentabilidade. As conquistas funcionam como espuma que se perde ao vento. Um clube popular como o do Arruda, tem que ter responsabilidade social. Assistimos a uma palestra da Isabel Luchesi, RP do Santos, sobre o trabalho social que é desenvolvido pelo clube paulista. A maioria das ações são realizadas sem custo para a agremiação que hoje é uma das referências em responsabilidade social no futebol brasileiro. A maioria dos exemplos citados por Isabel pode ser aplicado no Santa Cruz.

Tininho chega à presidência executiva do Tricolor com o respaldo das lideranças, tem como vice, Tonico Araújo, que por mais de uma década lidera um grupo de empresários e executivos que são, confessos Santa Cruz de Corpo e Alma. O clube precisa ser repensado e discutido. Sabemos que o futebol é a grande célula, mas se não houver uma simbiose com as outras existentes no conjunto, o clube não será reconstruído.

A escolha do nome de Constantino Júnior foi um consenso entre aqueles que já respondiam pela gestão do Santa Cruz. E que todos se sintam cúmplices na tarefa da mudança de paradigma. O número de 1252 sócios votantes, e a dificuldade que se teve para votar, retratam bem o quanto o clube parou no tempo e no espaço. Enfim, se apequenou, como diria o mestre José Joaquim Pinto de Azevedo.

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Brasileiro Série A
A visibilidade dos clubes medianos
postado em 05 de dezembro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

A Série A de 2012 a 2016, em cinco anos seguidos contemplou clubes que são chamados de grandes com o rebaixamento, entretanto nesta temporada de 2017 a sequência foi quebrada e todos conseguiram escapar. O que chegou mais perto foi o Fluminense que ficou na 13ª colocação com 47 pontos. No total foram 44 rebaixamentos, com 39 clubes medianos e apenas 7 dos grandes.

No período de 11 anos apenas um clube mediano figurou no G4, o Atlético/PR que ficou na 3ª colocação em 2012. Nos demais anos alguns times de menor porte se contentaram com a página um da tabela de classificação. Na temporada que foi encerrada domingo, apenas a Chapecoense figurou entre os 10 melhores ficando na 8ª posição. Os demais foram para a segunda página.

 Em 2006 três clubes terminaram no TOP 10: Paraná(5º); Figueirense(7º) e Goiás(8º). Em 2007 nenhum clube mediano figurou na parte de cima da tabela.

2008 = Goiás(8º); Coritiba(9º) e Vitória(10º);

2009 = Avaí(6º) e Goiás(9º);

2010 = Atlético/PR(5º);

2011 = Figueirense(7º) e Coritiba(8º);

2012 = Nenhum clube mediano figurou no TOP 10;

2013 = Atlético/PR(3º); Goiás(6º) e Vitória(5º);

2014 = Atlético/PR(8º);

2015 = Sport(6º);

2016 = Ponte Preta(8º);

2017 = Chapecoense(8º).

Verificamos que o Goiás figurou no TOP 10 em quatro edições, e o Atlético/PR em três, sendo que o clube paranaense tem tudo pronto para se tornar um GRANDE mas não consegue dar um salto para alcançar esse patamar. Falta ainda algo em seu projeto.

Pelos números apresentados, nas 110 vagas disputadas no período de 11 anos que foi analisado, apenas 10 clubes medianos colocaram os seus nomes na primeira página da tabela de classificação, com um sério agravante de que nos últimos 4 anos, somente um conseguiu chegar a tal grupo, ou seja, estão se tornando coadjuvantes e figurantes. Esse buraco aumentou com o início dos contratos dos direitos de televisão de forma individual, desde que na época em que era feito de forma coletiva era mais igual, e os clubes conseguiam uma maior competitividade.   

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