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Maio 2012 ›› JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
O Brasil ainda está nos primórdios do Século XX. Estamos mais atrasados do que os antigos trens da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. O Século XXI ainda falta chegar ao nosso território.
Estivemos há pouco em São Paulo e vimos algo inacreditável, como uma parte de sua população sendo vacinada contra a febre amarela, doença que foi erradicada nos paÃses civilizados.
Por outro lado, em pleno 2016 aconteceu uma epidemia de dengue e zika, que só encontramos em paÃses subdesenvolvidos como os do Continente Africano. A Ãfrica é aqui, sendo que esse continente foi massacrado por muitos anos pelos seus colonizadores europeus, enquanto o nosso paÃs foi consumido por uma politicalha que se transformou em uma bandalha de lavadrazes.
O maior exemplo de uma falta de evolução vem de algo que estamos estudando há muito tempo, o do legado de uma Copa do Mundo para o futebol que tÃnhamos esperança que acontecesse, mais dois anos e meio após, o que vemos é a mediocridade reinante nos gramados, com uma parcela das novas arenas transformando=se em elefantes brancos.
O que aconteceu com a Alemanha com a sua Copa de 2006 seria um modelo a ser utilizado por nosso paÃs, mas a nossa Copa serviu para uma roubalheira direcionada para alguns polÃticos, e dirigentes desse esporte.
A Copa do Mundo de 2006 foi o maior exemplo de um bom legado, quando transformou o futebol alemão em um dos maiores do mundo, aproveitando=se da infraestrutura em arenas que impulsionou o mercado desse esporte. No Brasil construÃram esses palcos em estados que o futebol era incipiente, e deu no deu deu.
O que aconteceu no Brasil?
Arenas superfaturadas, propinas distribuÃdas para alguns e nada para a recuperação do setor futebolÃstico, e o exemplo que estamos presenciando é uma realidade bem latente, com a decadência desse esporte.
O nosso paÃs é sem dúvida aquele que poderia dar certo, mas tudo que faz dá errado, inclusive no futebol.
Vivemos em uma hipocrisia acobertada por uma grande mÃdia, conivente que faz questão de fechar os olhos para uma realidade tão clara, à vista de todos, quando colocam por interesses comerciais ou mesmo pessoais as cabeças na terra, como avestruzes humanos.
Como iremos mudar o sistema quando o futebol que foi comandando por Ricardo Teixeira, fugitivo do FBI; José Maria Marin, preso nos Estados Unidos, por conta das propinas recebidas, e com o atual sendo um "Fantasminha do Circo", que foi suspenso por 90 dias pela FIFA?
Se existisse o troféu "Ãleo de Peroba", Marco Polo Del Nero seria o ganhador sem concorrência. O futebol brasileiro foi tomado por um vÃrus, não o da dengue, e sim da pilantragem e sobretudo da incompetência que tomou conta desse.
Legado aqui é um proibido palavrão.
CLAUDEMIR GOMES
O mundo vive o clima do Natal. Com os avanços da comunicação, e da tecnologia, todos se conectam mais com a festa. Os contrastes se agigantam. "Oh! Mundo tão desigual", como canta o mestre Gilberto Gil. Milhões se embriagam numa festa monumental, enquanto milhares sucumbem numa miséria total.
As mensagens natalinas se multiplicam.
Fico no aguardo de uma novidade.
Me emociono ao receber o cartão de Miro do Samba, o mestre de bateria que passa o ano inteiro tomando conta de carro na rua Diário de Pernambuco. Manquitolando, ele vem me dar um abraço. No cartão, a mensagem é um clichê. Nada assinado. Miro não sabe escrever. Mas o sorriso daquele homem desdentado, cujas marcas do tempo e do sofrimento no rosto são por demais visÃveis, diz muito mais do que os textos bem elaborados e finalizados com arte excepcional que recebemos via internet.
As desigualdades explicam muitas coisas. Tudo é desigual.
E o presente de Natal me chega da forma inesperada: Real Madri x Barcelona. Clássico do futebol mundial. E a tão sonhada igualdade foi estabelecida. Jogo de altÃssimo nÃvel, com possibilidades para ambos os lados. No final, vitória do Barcelona por 3x0. Placar justo para a equipe que foi mais efetiva, precisa nas finalizações, mas que não anula a boa atuação do derrotado Real Madri. A paridade foi o ponto alto do espetáculo. A igualdade de forças, o nivelamento técnico, a vitória que surge nos detalhes.
Deslumbrado com o presente de Natal, caà em devaneios.
A igualdade enaltece as disputas. Sabemos disso. Foi através da igualdade que foram criados e consolidados os grandes clássicos. Mas no futebol brasileiro a desigualdade impera em todos os nÃveis. A distribuição de renda entre os clubes é desigual e predatória. O processo corrói a estrutura do esporte ao aumentar a distância entre os clubes. Nosso futebol imbicou. A ordem é roubar e tirar vantagem de tudo. Nada de igualdade. O futebol é o império da maldade onde se observa poucos reis e uma infinidade de vassalos.
As desigualdades existem desde o nascimento de Cristo. E aà surgiu o Natal. Com ele a esperança de um novo tempo. Da igualdade tão bem traduzida no clássico Real Madri 0x3 Barcelona. Pena que tenha sido um ponto fora da curva. Aliás, o encanto do Natal dura muito pouco. No resto do ano o que impera é a luta dos homens contra os próprios homens com o aumento da desigualdade.
A novidade foi um clássico do futebol. Sorriso total. Mas do outro lado a fome segue geral como diz o poeta.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Os números que foram apresentados pelo Santa Cruz, através do seu vice=presidente administrativo e financeiro, demonstraram a realidade do clube que se fosse uma empresa estaria tecnicamente falida. O passivo representa dez vezes mais que as receitas previstas. São débitos impagáveis.
Não sabemos quais as rubricas que estão alocados tais valores, ou seja, a que representa o Longo Prazo e o Curto Prazo. Os R$ 115 milhões à pagar assusta quando a receita em 2017, na Série B foi de apenas R$ 15 milhões, e obvio que será reduzida na próxima temporada com a perda de R$ 6 milhões dos direitos de transmissão. Só um milagre poderá salvar o Santa Cruz, desde que a realidade é totalmente negativa. Passou de todos os limites financeiros. Gastou muito mais do que a sua capacidade de pagamento.
Contar com patrocinadores e da ajuda de torcedores é irreal. à um modelo que não traz resultados positivos. O Tricolor do Arruda chegou ao fundo do poço, e a sua nova diretoria terá que tirar leite de pedra.
O clube deveria implantar uma diretoria de gestão da dÃvida, para que pudesse tentar uma composição com os credores, inclusive os processos que correm na Justiça do Trabalho.
No tocante aos débitos fiscais, poderia haver uma recomposição, inclusive com o retorno ao Profut, que seria um grande alÃvio. Se tiver uma receita de R$ 15 milhões por ano, pelo menos R$ 7,5 milhões deveria ser para a quitação dos débitos, e aà é que entra a mágica dos dirigentes, de como irá sobreviver a uma Série C que dá prejuÃzo, e cumprir com os compromissos assumidos.
Na realidade o Santa Cruz é a cara de um clube que há anos vinha mostrando sérios problemas, que eram empurrados pela barriga.
Trata=se de um momento em que o binômio receita x despesa será o ponto principal para a vida do clube.
O mais grave é que o Tricolor não tem nenhum talento da base para negociação, que reduziria a agonia que está presente no Arruda. Na realidade, a vida a ser vivida pelo Santa Cruz em 2018 é a de transformar tostões em milhões. Dirigir um clube em tal situação é sinônimo de noites sem dormir, e de um estresse massacrante.
CLAUDEMIR GOMES
A temporada 2017 do futebol brasileiro se estendeu até o final da semana porque o Grêmio estava envolvido na decisão do Mundial de Clubes. A derrota (1x0), para o Real Madri era esperada por todos. Pelo desempenho dos dois times em campo, o placar foi modesto. Os números do jogo traduziram bem a supremacia da equipe madrilena. Mais ainda: ressaltou a soberania do futebol europeu sobre o sul=americano. Nas últimas cinco Copas do Mundo tivemos quatro seleções da Europa como campeãs e apenas uma da América do Sul, o Brasil em 2002. Nas últimas 23 edições do Mundial de Clubes tivemos 18 clubes europeus como campeões contra cinco tÃtulos conquistados por times sul=americanos.
Em épocas passadas, quando não havia intercâmbio de jogadores, e as distâncias deixavam as diferenças entre as duas escolas (Européia e Sul=Americana), bem explicitas, a realidade era outra: de 1960 a 1995 o Mundial de Clubes traz o registro de 19 campeões sul=americanos contra 14 tÃtulos conquistados pelos europeus. O cenário mudou radicalmente quando a internet passou a ser de domÃnio público e o futebol se transformou em um dos maiores negócios do planeta. Dentro da nova ordem o poder econômico dita as ordens. A escola sul=americana foi transformada num grande celeiro, com os paÃses passando a funcionar como centros formadores para abastecer o mercado europeu. Apesar do esforço e do ufanismo de alguns profissionais da mÃdia em querer mostrar um outro cenário, esta é a realidade.
O que vimos dentro das quatro linhas é o produto final. A competição se inicia ao traçar um paralelo entre o poder econômico/financeiro dos dois continentes. E segue pelo nÃvel organizacional e técnico. Evidente que talento não se fabrica, mas se compra e se transporta. O sonho de todo jogador sul=americano é jogar num grande clube do futebol europeu. à a independência financeira. O poder econômico foi determinante para o futebol da Europa se aproximar do nÃvel de excelência.
As decisões das copas, Libertadores e Sul=Americanas, escancararam o nÃvel do futebol praticado pelos "melhores" clubes do continente, os que estavam envolvidos nas disputas. Um futebol sofrÃvel e de grandes limitações.
O fechamento da temporada 2017 do futebol brasileiro nos traz a notÃcia da suspensão do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, pelo Comitê de Ãtica da FIFA por 90 dias. Seu antecessor, José Maria Marim, cumpre pena nos Estados Unidos em prisão domiciliar. Um outro ex=presidente da CBF, Ricardo Teixeira, também está na iminência de ser preso. O mar de lama também deve soterrar muitos dirigentes de federações e clubes. A sujeira inviabiliza o equilÃbrio do campo com a gestão. A Europa equilÃbra a boa gestão com o alto nÃvel técnico do campo. A resultante é o sucesso. A América do Sul não tem mais um grande nÃvel técnico e as gestões são desastrosas, como nos mostram os escândalos. Mas todos estão mudos, como bem nos mostrou o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo na postagem: "O silêncio dos não inocentes".
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Qual o clube brasileiro que se posicionou com relação a punição de Del Nero?
Nenhum.
Qual a Federação de Futebol do aÃs que apoiou a atitude do Comitê de Ãtica da FIFA, suspendendo o cartola?
Nenhuma.
Pelo contrário, a de nosso Estado correu e saiu na frente ao publicar uma nota de solidariedade, o que é lamentável em todos os sentidos.
Qual patrocinador do Circo fez uma cobrança pública?
Nenhum.
Qual Sindicato de Atletas do aÃs que falou algo sobre o assunto?
Nenhum.
Qual a posição do Ministério Público Federal sobre o assunto?
Um silêncio total.
Os documentos estão prontos na Justiça Norte=Americana, e hoje só basta solicitá=los, desde que já tem autorização do Superior Tribunal de Justiça.
Qual a posição da Receita federal com relação ao crime de lavagem de dinheiro?
Até agora nenhuma.
Infelizmente vivemos em um paÃs que premia o corrupto, e penaliza o honesto.
à uma vergonha.