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Futebol sem a palavra abalizada
postado em 04 de novembro de 2017

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CLAUDEMIR GOMES

 

Seu Luís morreu! Foi dessa forma que recebi a notícia pelo whatsapp. A morte de um dos maiores cronistas do rádio esportivo brasileiro havia sido anunciada há muito tempo. O baiano de Ilhéus, Luís Cavalcanti era amado por nove entre dez pernambucanos. Começou no rádio em 1952, ano em que nasci, e fez uma caminhada com completa autonomia. E assim se tornou o "comentarista da palavra abalizada". A percepção e a sensibilidade lhes deram a capacidade de mensurar limites, razão pela qual foi duro quando necessário, sem nunca ter sido ácido em suas críticas. A ternura era uma de suas marcas registradas. E assim seu Luís conquistou o respeito e a admiração de todos.

"O presente do passado é a memória", nos ensinou Santo Agostinho. Luís Cavalcanti sempre estará presente em nossas memórias. Haverá sempre um fã e um ex=companheiro para relembrar um fato que considera relevante com a assinatura do seu Luís. Vida que segue.

Enquanto pôde empunhar um microfone, Luís Cavalcanti, era uma referência para todos os profissionais do rádio esportivo. Algumas vezes adentrei nos estúdios das rádios somente para ver e ouvir seus comentários. Ele comentava e gesticulava como se estivesse me contando uma história. A naturalidade e a leveza do ser me deixavam encantado.

Depois de ler a notícia no whatsapp fiquei a pensar com meus botões o quanto a crônica esportiva pernambucana está ficando pobre. E me veio a lembrança do mestre Adonias de Moura, um visionário que sabia até onde esticar a corda; de José Santana o comentarista cujas palavras fluíam com tanta naturalidade que lhes tornaram o rei do improviso; Barbosa Filho, que sempre enxergou o futebol pela lente do concreto...

Seu Luís teve o privilégio de comentar jogos na época de ouro do rádio e do futebol. Sua partida, por ser anunciada, não nos deixa sem chão, mas nos deixa órfão de um mestre diferenciado. O da palavra abalizada.

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Sport
A última virada de chave
postado em 03 de novembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

"Virar a chave para outra competição!" Esta foi uma das frases mais usuais na Ilha do Retiro, nos últimos dez meses, quando o Sport se viu envolvido em cinco disputas: Campeonato Pernambucano; Copa do Nordeste; Copa do Brasil; Copa Sul=Americana e Campeonato Brasileiro Série A. Quando fechar a temporada, no início de dezembro, o clube leonino será um dos que mais atuaram durante todo o ano, fato que interferiu diretamente no rendimento do grupo em momentos que foi mais exigido com viagens e traslados. Com a eliminação, nesta quinta=feira, na Copa Sul=Americana, não há mais chave para ser virada, e as atenções se concentram na Série A, onde o Leão corre risco de rebaixamento.

No próximo ano o Sport não participará da Copa do Nordeste, competição onde teria presença assegurada por ser o atual campeão estadual, e possivelmente não disputará a competição continental. A vaga ainda pode ser conquistada a depender de sua performance nos sete jogos restantes da Série A.

O futebol tem suas ironias. O empate (0x0) com o Júnior Barranquilla, no segundo jogo entre os dois clubes, confronto realizado na Colômbia, foi o melhor resultado do time pernambucano jogando na condição de visitante. Nas fases anteriores perdeu todas as partidas, tendo avançado na competição por conta das vantagens construídas como mandante. Na rodada final, perdeu em casa e empatou fora. O técnico, Daniel Paulista, se assustou com o que viu no primeiro jogo, na Ilha do Retiro, e optou por uma proposta de jogo estritamente defensiva. No segundo tempo, quando observou que o adversário não era a preciosidade que havia deixado todos boquiabertos com uma apresentação de gala no Recife, sugeriu um futebol mais ousado, mas sua proposta esbarrou na falta de qualidade do elenco.

Na última "virada de chave" da temporada, o Sport retorna ao Brasileiro com a missão de surpreender a Chapecoense, em Santa Catarina. Uma partida que, por si só, se prognosticava como um grande desafio para o Leão, e que ganhou contornos dramáticos, pós declarações do ex=presidente do Sport, Luciano Bivar, ao apresentador, Jorge Soares. Na entrevista, Luciano disse que a diretoria do clube precisava "agir no extra=campo", deixando espaço para inúmeras interpretações. Tentou se justificar, mas a emenda saiu pior que o soneto. Aliás, Bivar, que é uma das lideranças do clube leonino, também se notabiliza por declarações bombásticas sempre que o Sport se encontra mergulhado, ou na iminência de uma crise. Desta feita suas declarações ecoaram em Chapecó, e vem sendo explorada pelos dirigentes da Chapecoense e pela imprensa local. Enfim, o clima deixou de ser amistoso e se tornou bastante pesado.

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