Histórico
Santa Cruz
Nomes sem projeto
postado em 09 de outubro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

As dificuldades que o Santa Cruz tem encontrado para evitar o rebaixamento para a Série C do Campeonato Brasileiro é imperativa. Afinal, estamos falando de um clube de futebol. É o esporte que faz a agremiação pulsar, ter vida. Portanto, todas as prioridades do momento nas Repúblicas Independentes do Arruda são canalizadas no sentido de respaldar a luta contra o descenso. Tal fato leva assuntos relevantes a não receberem a atenção que merecem, como por exemplo, as eleições que acontecerão no clube, no final do ano. A escolha do presidente coral para o próximo triênio representa a construção de um alicerce para um clube que precisa ser recriado.

Na última sexta=feira, em reduto distante do Arruda, o presidente do executivo, Alírio Moraes, que segundo os boatos que circulam nos corredores, há três meses não aparece no clube, se reuniu com o presidente da Comissão Patrimonial, Antônio Luís Neto, os conselheiros, João Caixero e Rodolfo Aguiar, as duas maiores referências da história do Santa Cruz, com mais de 50 anos de dedicação efetiva ao clube. O assunto em pauta era a sucessão presidencial, mais precisamente, quem seria o candidato da situação na eleição que se aproxima.

No final do encontro ficou definido que o atual presidente da Comissão Patrimonial, Antônio Luís Neto, será o candidato a sucessão de Alírio Moraes no executivo, tendo como vice o empresário Jairo Rocha. O atual mandatário, seguindo uma tradição, que pontualmente não é respeitada, assume a presidência do Conselho Deliberativo. A presidência da Comissão Patrimonial, o outro poder do Santa Cruz Futebol Clube, deverá ser ocupada por Ricardo de Paula, que já esteve no cargo e desenvolveu um grande trabalho. Quem acompanha o Tricolor do Arruda na atual década observa que a proposta não vai além de uma troca de cadeiras. E quando o resultado das eleições for anunciado será possível declarar: "Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes". Trocando em miúdos, nada mudou.

Ao consultar um ex=presidente sobre as eleições no Tricolor do Arruda ele foi taxativo: "Não existe uma oposição forte, efetiva. Foi ventilado um nome que, se consultarmos o Código Penal ele deverá ser enquadrado em qualquer artigo".

Em eleições de clube não se discute projetos, e sim, nomes. Como estamos falando de uma agremiação de futebol, os títulos conquistados na atual década pesam muito: cinco títulos estaduais; um título regional e um título brasileiro (Campeão da Série C). Tais conquistas servirão para respaldar o grupo que fatalmente seguirá respondendo pela gestão do clube nos próximos três anos.

E o projeto administrativo? Sabemos que, se o clube for rebaixado para a Série C, a recuperação do futebol é a prioridade das prioridades. Mas quem conhece um pouco do que acontece nos intramuros das Repúblicas Independentes do Arruda sabe que o clube tem uma série de prioridades que não podem ser levadas com a barriga. Não há mais espaço para absurdos administrativos.  

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Brasileiro Série B
Os números falam mais alto
postado em 08 de outubro de 2017

CLAUDE MIR GOMES

 

Ao participar da coletiva de imprensa, após o jogo onde o Santa Cruz amargou uma derrota (1x0) para o América Mineiro, o técnico do Tricolor Pernambucano, Marcelo Martelotte, foi enfático nas suas declarações ao afirmar que, naquele momento o torcedor estava muito mais ligado nos números que no desempenho da equipe. Verdade. Os resultados da 28ª rodada do Brasileiro da Série B conspiraram contra os clubes pernambucanos na competição. Dessa forma, Santa Cruz e Náutico seguem patinando na zona de rebaixamento, e observam o crescimento da distância que os separam do primeiro clube acima da linha de corte. O sentimento dos nove mil torcedores que marcaram presença, neste sábado, no Estádio do Arruda foi de um "adeus as ilusões".

Evidente que uma onda de pessimismo tomou conta dos torcedores tricolores e alvirrubros, que vêem as quedas de seus respectivos clubes cada vez mais iminentes, fato negativo inédito para o nosso futebol. Desde que a competição passou a ser disputada por pontos corridos nunca tivemos dois clubes tão próximos da Série C como este ano. Apesar das atenções estarem concentradas nos números, é impossível não avaliar o rendimento, a desenvoltura das equipes em campo, uma vez que uma coisa está interligada a outra. E quem teve a oportunidade de ver o desempenho do time do Náutico na derrota para o Goiás (2x0), observou que a equipe comandada por Roberto Fernandes não tem força, nem qualidade, para buscar a reação que lhe livre da queda para a Terceira Divisão nacional. Hoje, o risco de rebaixamento do Clube dos Aflitos é de 95%.

O Santa Cruz foi a campo, na noite do sábado, sabedor dos outros resultados, e sua missão era buscar uma vitória para não deixar que os clubes que estão fora da zona de rebaixamento se desgarrassem da indesejada área de queda, visto que, nem a soma dos três pontos em disputa com o América/MG lhe tiraria da zona de desconforto. Mas o time esbarrou nas suas limitações. Os erros de posicionamento foram grotescos, e os equívocos cometidos pelo treinador, nas mudanças efetuadas, deram uma contribuição efetiva para o sucesso do clube mineiro. Na sequência dos últimos treze jogos o Santa Cruz contabilizou uma vitória, três empates e nove derrotas, ou seja, dos 39 pontos disputados conseguiu somar apenas seis. Um aproveitamento inferior a 20%. Isto é campanha de rebaixado. Os números, como bem ressaltou o técnico Marcelo Martelotte, nos mostram que o Tricolor do Arruda, após a disputada da 28ª rodada tem um risco de rebaixamento de 71%.

Com a disputa da 29ª rodada, que acontece nesta semana, se inicia a contagem regressiva dos 10 últimos jogos. É a fase mais cruel da subtração. As tendências já estão bem definidas na parte de cima, e na parte de baixo da tabela. O cenário do momento nos mostra que, um clube para se livrar do rebaixamento teria que somar 46 pontos. Evidente que este quadro poderá ser alterado ao longo dos dez jogos restantes. Na realidade  do momento o Náutico precisaria somar 7 vitórias nas 10 partidas que irá disputar. Vale observar que, em 28 jogos o Alvirrubro Pernambucano contabilizou apenas 6 triunfos, fato que torna sua missão quase impossível.  

Em 9 rodadas do returno o Santa Cruz somou apenas uma vitória (3x0) sobre o Goiás. Nesta reta final disputará 5 jogos como mandante e 5 jogos como visitante. Os tricolores enfrentarão três adversários que estão brigando por acesso (Oeste, Vila Nova e Paraná), e medirá forças com quatro equipes que lutam contra o rebaixamento: Figueirense, Luverdense, Náutico e Paysandu. Se o corte for mantido em 46 pontos o Santinha precisa somar 5 vitórias e 2 empates nos 10 jogos restantes. Tarefa nada fácil para quem contabilizou apenas 7 vitórias em 28 rodadas. Como nos ensina o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, "o futebol segue uma lógica e os números dão o norte, mostram as tendências" Eis porque os torcedores estão mais atentos a eles do que ao fraco desempenho dos times dentro das quatro linhas.     

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Brasileiro Série B
Sob Pressão
postado em 06 de outubro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Não é fácil jogar sob pressão. Ontem, na penúltima rodada das Eliminatórias Sul=Americanas tivemos um exemplo bem significante que foi o confronto entre as seleções da Argentina e do Peru, emoldurado por uma dramaticidade que poderia servir de inspiração para um grande tango. Em outro jogo, o Brasil, já com seu passaporte carimbado para a Copa da Rússia, mediu forças com a limitada Bolívia, e teve que se contentar com o placar em branco graças as espetaculares defesas do goleiro Lampe. A classificação antecipada fez com que Neymar e companhia fossem a campo livres de qualquer pressão, fato que fez o time brasileiro jogar em ritmo de samba. Só lhe faltou precisão nos acordes finais, falha detectada e ressaltada pelo técnico Tite na coletiva de imprensa.

Hoje, Náutico e Goiás, ambos sob pressão, se enfrentam em jogo válido pela 28ª rodada do Brasileiro da Série B. Antes de a bola rolar, as previsões eram de que, a esta altura do campeonato os dois times estivessem brigando por uma vaga de acesso. Mas o acúmulo de erros tem um preço alto, e levou os dois times a um passivo quase que irresgatável. Bom! Só a vitória interessa a Náutico e Goiás, e os técnicos, Roberto Fernandes e Hélio dos Anjos usarão de todos os artifícios para levar vantagem, inclusive da pressão por resultados.

O mando de campo é um fator determinante de resultados. Os três primeiros jogos na abertura da rodada registraram vitórias dos mandantes. Partindo desse princípio o favoritismo é creditado ao time comandado por Hélio dos Anjos, mas quando uma equipe está sob pressão, jogar em casa pode ser mais difícil devido a cobrança da torcida, caso a disputa se mostre parelha.

O Náutico contabilizou apenas duas vitórias como visitante ao longo da competição. Na condição de penúltimo colocado na tabela de classificação, o time alvirrubro precisa vencer cinco jogos como mandante e dois na casa dos adversários. A pressão induz ao erro.  Evidente que tal situação foi criada pela falta de qualidade do elenco. O número elevado de jogadores recrutados pelo clube, a troca exagerada de treinadores, e até duas mudanças de diretoria servem para explicar o porque da situação vexatória que o clube passa nessa reta final da competição.

Hélio dos Anjos e Roberto Fernandes são treinadores irrequietos. Com certeza, se não acontecer um gol durante os 90 minutos, se a partida caminhar para um zero a zero, teremos dois técnicos a beira de um ataque de nervos.    

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Brasileiro Série B
Radiografia e probabilidades
postado em 03 de outubro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

A Série B entrou na reta final faltando apenas 11 rodadas para o seu encerramento. Os resultados dos jogos da 27ª rodada deixaram, de forma clara, que cinco clubes disputarão as três vagas que restam para o acesso ao Brasileirão 2018. As chances do Oeste são remotas.

O Internacional, embora não esteja ainda garantido, de forma virtual já está nessa divisão maior, e o América/MG, que teve uma queda no returno, hoje sente a pressão de três clubes que poderão ultrapassa=lo, embora as chances ainda sejam bem elevadas. O cenário mudou um pouco para o clube mineiro. A diferença do sexto colocado, o Juventude, para o Coelho é de três pontos.

Na realidade teremos boas emoções até a chegada ao photochart. A maior luta será aquele a contra o rebaixamento, e com exceção do ABC que já está degolado, e do Náutico que tem percentuais remotos de escapar da queda. Do 11º colocado, o Brasil de Pelotas, ao 18º, o Santa Cruz, são oito clubes que poderão estar entre aqueles que irão participar da Série C de 2018. As diferenças entre esses são reduzidas.

O Goiás que é o primeiro fora dessa zona perigosa, tem a mesma pontuação da Luverdense (31 pontos), dois a mais que o Santa Cruz (29). O time de Lucas do Rio Verde, 17º colocado, dista do Brasil de Pelotas, 11º colocado com apenas três pontos, o número real de uma vitória.

A situação dos clubes pernambucanos é preocupante. O Santa Cruz necessita ganhar 15 pontos em 33 a serem disputados, aproveitamento de 45%, quando tem no returno um percentual de 25%, quase a metade dessa necessidade. O Tricolor do Arruda terá seis jogos como mandante, mais um que poderá ser a foice do carrasco para um dos dois disputantes que é o clássico com o Náutico. Um confronto que poderá se transformar no abraço dos afogados

Enquanto isso o Náutico tem a necessidade de conquistar 20 pontos, dos 33 que disputará, que representa 52% de aproveitamento, bem longe do atual geral que é de 28%. No returno o aproveitamento do Timbu é de 37,50%. O Náutico tem apenas cinco jogos como mandante, o que reduz sua capacidade de somar mais pontos.

Contra números não existem argumentos, e as estatísticas ajudam a entender a situação e projeta as previsões, e no momento temos um grau razoável de que os dois clubes locais poderão ser rebaixados, e com 100% para que um já esteja garantido na Série C do próximo ano.

De acordo com as projeções efetuadas. Levando=se em consideração vários critérios tais como jogos em casa e fora; confrontos diretos e os atuais percentuais, após a 27ª rodada os resultados obtidos são os seguintes:

ACESSO: INTERNACIONAL, 99,4%; AMÉRICA/MG, 81%; PARANÁ, 79%; CEARÁ, 37%; JUVENTUDE, 35%; VILA NOVA, 34% e OESTE, 12%.

DESCENSO: BRASIL DE PELOTAS, 14%; GUARANI, 13%; PAYSANDU, 12%; LUVERDENSE, 21%; GOIÁS 23%; FIGUEIRENSE, 38%; CRB, 40%; SANTA CRUZ, 63%; NÁUTICO, 90% e ABC, 99,9%.  

Um fato bem interessante está relacionado ao número de vitórias necessárias para escapar da degola na Série B. Na era dos pontos corridos com vinte participantes, a partir do ano de 2006, somente em três campeonatos os clubes conseguiram escapar com menos de 13 vitórias. Nos demais, quem não alcançou esse patamar foi degolado.

Em 2013 o Atlético/GO passou raspando com 12 vitórias e 8 empates. Em 2015 o Oeste escapou com apenas 10 vitórias, mas houve uma compensação com 14 empates. O mesmo fato foi repetido em 2016, quando o rubro=negro de Barueri só conseguiu 8 vitórias e escapou por conta de 17 empates, perfazendo um total de 41 pontos. Na atual competição  o ponto de corte continua sendo 44 pontos, com sério risco de desempate pelos critérios técnicos.

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Brasileiro Série A
O empacotamento de dez clubes
postado em 02 de outubro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

A derrota (1x0) do Sport para o São Paulo aumentou o saldo negativo do rubro=negro pernambucano no Brasileiro da Série A. Há mais de 60 dias que o time comandado por Vanderlei Luxemburgo não sente o doce sabor de uma vitória. Em nove partidas disputadas durante os meses de agosto e setembro foram registradas seis derrotas e três empates. Nesta sequência o time sofreu 16 gols e marcou apenas 4. Uma equação que lhe deixa com um saldo no vermelho de 12 gols. A soma de 30 pontos é a mesma do Avaí, clube que abre a zona de rebaixamento. O Sport corre o risco de entrar na zona de degola nesta 26ª rodada, que será fechada com o confronto entre a Ponte Preta e o Flamengo, hoje a noite. Se a Macaca vencer, o que não é muito provável, o Leão cai mais uma casa na tabela de classificação.

Apesar da queda vertiginosa na tabela, o representante pernambucano está a 3 pontos do Vasco, décimo colocado. Para os que alimentam um otimismo exacerbado, não levando em conta outras variantes, a reabilitação é simplificada com uma frase: "Uma vitória recoloca o Sport na parte de cima da tabela". Tal possibilidade existe em decorrência do empacotamento que aconteceu com os oito clubes que estão posicionados entre a 10ª e a 17ª colocação: Vasco, Vitória, Chapecoense, Bahia, São Paulo, Fluminense, Sport e Avaí. Estão juntos e misturados com o mesmo propósito: se livrar do rebaixamento. O Atlético/MG estava nesse bolo, mas a vitória (2x0) sobre o Atlético/PR, ontem a noite, lhe levou para grupo do Top 10.

A paridade faz com que a soma de dois ou mais resultados negativos leve um clube a perder várias posições. Na cinco últimas rodadas Sport e Fluminense somaram um empate e quatro derrotas. Foram os dois clubes com pior performance neste ciclo. O empacotamento também proporciona uma reação rápida. O São Paulo que vinha patinando na zona de rebaixamento, somou 4 pontos ao empatar com o Corinthians e vencer o Sport, resultados que lhes levaram a dar um saldo de três casas na tabela, e respirar aliviado. Ao vencer o Botafogo na 26ª rodada, o Vitória subiu cinco casas na tabela de classificação Nas cinco últimas apresentações o leão baiano somou três vitórias, um empate e uma derrota.

O empacotamento está ligado diretamente ao baixo nível técnico da competição. São Paulo e Sport protagonizaram um espetáculo com uma pobreza técnica absurda, ontem a tarde, no Morumbi. Tal fato foi traduzido no exagerado número de passes errados de ambos os times. Vanderlei Luxemburgo tem batido muito na tecla de que vai transformar o Sport num time competitivo. Nas duas últimas apresentações, contra Vasco e São Paulo, respectivamente, a equipe leonina tirou boa nota no quesito competitividade, mas foi reprovada na qualidade. Isto o técnico não pode criar, é inerente ao talento de cada jogador, e o grupo tem uma qualidade sofrível, fato que levou o treinador cair da real e diminuir o tom de sua verbalização.

O fato é que, ao final da 26ª rodada, por falta de uma melhor qualidade técnica, dez clubes não sabem quais suas possibilidades na reta final do brasileiro.       

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