Histórico
Sport
Um time sem alma
postado em 11 de setembro de 2017

 CLAUDEMIR GOMES

 

"Sem alma não se bate nem lateral". A frase é do genial Nelson Rodrigues, um dos maiores cronistas e dramaturgos, deste Brasil brasileiro que, com sua sagacidade, nos apresentou a vida como ela é, dando aulas aos grandes professores que o futebol fabrica a cada instante.

Ontem, na Ilha do Retiro, a coletiva do professor Vanderlei Luxemburgo, técnico do Sport, foi aguardada com mais expectativa do que propriamente o jogo do rubro=negro pernambucano com o Avaí, onde a derrota (1x0) aumentou a sequência de partidas sem vitórias do time leonino. Agora, são seis jogos com quatro derrotas e dois empates. A única surpresa ficou por conta da declaração do treinador que assumiu a culpa da derrota e disse que o time se esforçou, que houve uma mudança de atitude dos jogadores. Diferentemente da jogo com o Grêmio, quando o Sport foi goleado (5x0), os atletas se doaram.

Vanderlei tem muita habilidade no manuseio das palavras. Ao assumir a culpa da derrota evitou o crescimento da tensão existente nos bastidores da Ilha do Retiro, ao mesmo tempo em que lançou um mote para os analistas, que passaram a se deter nas palavras do treinador e esqueceram de analisar, de forma mais precisa, o desempenho do time capitaneado pelo desequilibrado Diego Souza, que não soube se desvencilhar da marcação imposta pelo adversário, e destilou irritação ao não aceitar a tarja de capitão, e por pouco não agrediu um repórter da Rede Globo quando se dirigia para o vestiário no final da partida.

É verdade que o Sport não foi tomado pela letargia doentia que foi marca registrada de suas apresentações anteriores, mas o grupo ainda está muito distante de incorporar a mística da camisa rubro=negra. Garra, superação, persistência, são características imprescindíveis a qualquer formação do Sport. É isso que faz com que o torcedor leonino sinta que o time tem alma.

O Avaí é o clube com o melhor aproveitamento no returno da Série A. Tal evolução de um grupo mediano, se deve a identificação com a proposta de jogo, a filosofia implantada pelo técnico Claudinei Oliveira. Um conjunto bem treinador, harmonioso, consciente do seu potencial e das limitações. O Leão Azul jogou como a maioria dos times da Série A jogam quando visitantes: se agrupou bem no seu campo de jogo, atraiu o adversário e passou a buscar uma bola. Conseguiu. Mais uma vez o Sport sofreu um gol em jogada aérea.

O gol do Avaí aconteceu aos 27 minutos do primeiro tempo. A partir daí o Sport não conseguiu se encontrar em campo. O professor Luxemburgo teve tempo suficiente para corrigir o posicionamento da sua equipe, ou dar uma injeção de ânimo. O mais grotesco de tudo foi a entrada do apoiador, Bruno Xavier, jogador que veio para teste, sem nenhuma qualidade para vestir a camisa de um clube que disputa a Série A, mas que segundo o treinador, "nos treinos tem se mostrado eficiente com uma única jogada". O professor ou é bom de piada, ou subestima a inteligência dos outros. Vale observar que, todos os pratas da casa que foram dispensados por Luxemburgo têm mais qualidades do que a "aposta" que veio do futebol do Interior paulista.

 O técnico leonino ressaltou que 70% da derrota para o Avaí tem que ser atribuído aos seus equívocos. Eu acrescentaria mais 20% por conta da leitura que fez do jogo e dos erros cometidos nas substituições.

Ah! O Sport pode até ter mudado de atitude, mas continua um time sem alma.  

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Brasileiro Série B
Desempenho leva a desilusão
postado em 10 de setembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Ontem tivemos a conclusão da 23ª rodada do Brasileiro da Série B, e por maior que seja o nosso esforço, não tem como alimentar bons sentimentos em relação ao futuro de Náutico e Santa Cruz na competição. Tal afirmativa é baseada na análise de rendimento. Alvirrubros e tricolores tiveram atuações pífias diante do Brasil de Pelotas e do ABC, respectivamente, embora o Náutico tenha deixado o campo comemorando uma vitoria por 1x0, graças aos escandalosos equívocos cometidos pela arbitragem.

Tudo indica que, até o final da competição, ou seja, nas quinze rodadas restantes, a "pisada é essa", como diria o ilustre e saudoso torcedor do Santa Cruz, Capiba. No final do jogo com o ABC, o atacante Grafite, referência maior do time coral, indagado por um repórter afirmou que o time "deu mostras de como o técnico Martelotte quer que jogue". Creio que ainda falta muito. Apesar das grandes limitações do alvinegro de Natal, o goleiro Júlio César deixou o campo com ares de herói por conta das boas defesas praticadas. O ataque segue sem objetividade. O lamentável foi deixar escapar a oportunidade de somar três pontos em cima do lanterna, que nas circunstâncias do momento, é um concorrente direto na luta pela sobrevivência. O ponto de corte caiu para 42 pontos, após a disputa da 23ª, mas isso não pode servir de alento para os tricolores, nem para os alvirrubros. O próximo compromisso do Santa Cruz será outro confronto direto, desta feita com o Goiás, sexta=feira, no Arruda. Um novo tropeço será imperdoável, tal como foi o de sábado, em Natal.

Quando assumiu o comando do Náutico, o técnico Roberto Fernandes estava consciente de que seu primeiro desafio era encurtar a distância que separava o time alvirrubro do primeiro clube fora da zona de rebaixamento. Os resultados atestam a evolução do conjunto. A distância foi encurtada de forma sensível, fato que tem deixado a torcida alvirrubra com a quase certeza de que o "milagre da salvação" será operado pelo treinador. Naturalmente que o desafio de escapar do rebaixamento segue, principalmente quando observamos o fraco desempenho que o time apresentou na vitória (1x0) sobre o Brasil de Pelotas. O resultado teve a participação do "apito amigo", como gosta de chamar o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, que ainda persiste no futebol brasileiro.

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Copa do Nordeste
Competição de nanicos
postado em 08 de setembro de 2017

JOSÉ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com

 

O futebol nordestino vive a mesma saga que foi enfrentada por um dos ilustres personagens dessa região, o nosso jegue, que ajudou o seu desenvolvimento, principalmente nas cidades do Interior.

O animal contemplado com a música de Luiz Gonzaga, e com estátuas em alguns locais, servia para tudo; do transporte ao plantio, e condutor de arados.

Um dia surgiram os tratores, os jipes modernos, e os serviços que eram executados por esse nobre animal, passaram a utilizar os novos equipamentos colocados à sua disposição.

Os jegues se tornaram uma matéria prima para uma indústria que esportava sua carne para o Japão. O mercado fechou e a empresa trocou de linha, passando para a avicultura.

Os descendentes desses animais agradeceram, mas passaram a viver abandonados, soltos nas ruas e praças públicas, inclusive sendo atropelados em algumas estradas.

O mesmo problema aconteceu com o futebol do Nordeste, quando os seus clubes tradicionais entraram em fase de declínio e perderam a representatividade, desde que não prepararam as duas gestões para os novos tempos e continuaram usando os jegues, e as cadernetas das antigas vendas de bairros.

A maior comprovação do que estamos afirmando é sem dúvida a Copa do Nordeste da próxima temporada, que caracteriza a decadência de um esporte que já teve seus dias de glórias em nosso país.

São vinte clubes dos nove estados da região, sendo que doze já estão classificados para a fase de grupos, e os oito restantes jogarão uma preliminar em mata, mata, classificando quatro que irão se juntar àqueles já definidos.

Dessa etapa, apenas o Clube Náutico joga na Série B, um na C, o CSA, enquanto o Fluminense de Feira de Santana/BA; Codino/MA; arnayba/PI; Globo e Itabaiana, disputaram a Série D na temporada, e um sem divisão, o Treze de Campina Grande/PB.

Dos 12 disputantes que já estão classificados e distribuídos entre os grupos (4x4), apenas dois jogam na Série A, Bahia e Vitória, o que representa 10% do total.

Da Série B, teremos quatro clubes: CRB, Ceará, Santa Cruz e ABC/RN.

Enquanto isso, a participação da Série C, nessa fase, será de quatro equipes:  Sampaio Corrêa, Botafogo/PB, Salgueiro e Confiança/SE.

O Altos/PI disputou a Série D, e o Ferroviário/CE não pertense a nenhuma das divisões do Brasileiro.

Tais dados mostram que a Copa do Nordeste será uma competição que abrigará 11 clubes das divisões menores, (6 da D e 5 da C) e dois que sequer tem uma definida.

Tais participações representam 65% do total, o que determina a cara do futebol regional.

São dados como esses que deveriam servir de análise para todos os segmentos envolvidos com o futebol brasileiro, mas infelizmente os pensadores sumiram, e os que ficaram não conseguem vislumbrar os motivos e as causas da decadência.

Na realidade todos esses clubes têm algo em comum, a ausência de um planejamento, de uma visão estratégica das modificações que estavam acontecendo no cenário nacional. Não se preparam para uma luta desigual, contra os tratores e jipes, preferindo o abandono como os dos nossos jegues.

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Brasileiro Série B
Os números falam mais alto
postado em 06 de setembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

Humberto Araújo, um dos melhores cartunistas do País, é louco por futebol. Quando adolescente pensou em ser goleiro, mas descobriu que a barra é muito grande, para o bem geral da nação, que acabou sendo premiada com um virtuoso no traço. Pois bem! Vez por outra, quando nos encontramos e colocamos sobre a mesa assuntos diversos, ele tece nas nossas conversas, críticas ao fato de, a maioria dos formadores de opinião se deterem muito aos números em suas análises.

Sinais dos tempos. Nos dias de hoje recebemos muitas informações, todas enriquecidas por números que dão o norte das competições. Vejamos: a 23ª rodada do Brasileiro da Série B tem sequência hoje a noite com a disputa de dois jogos. Em uma das partidas o Náutico recebe o Brasil de Pelotas na Arena Pernambuco, com início previsto para as 21h45. O posicionamento do alvirrubro pernambucano na tabela de classificação coloca o factual em segundo plano, ou seja, os números se sobrepõem aos fatos.

O torcedor alvirrubro, independente de qual time o técnico Roberto Fernandes mande a campo, quer saber quais as probabilidades, as chances de o clube dos Aflitos se livrar do rebaixamento. O Náutico se encontra na 19ª posição na tabela de classificação com um aproveitamento de 25,8% e um saldo negativo de 13 gols. As chances de cair para a Série C são de 91,6%, segundo o site Chance de Gol. Conclusão, independente de qual seja o adversário, o Timbu tem a obrigação de fazer bem o dever de casa, vencer os 8 jogos que disputará no Recife até o final da competição.

Os números também servem para mensurar o tamanho do desafio da vez, a ser encarado pelo time treinado por Roberto Fernandes. O Brasil de Pelotas é um clube com meta bem definida, uma campanha de manutenção na Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro lhe satisfaz. Atualmente o clube gaúcho ocupa a 12ª posição na tabela de classificação com um total de 30 pontos e um aproveitamento de 45,5%. A chance de cair para a Série C é de 10,3%. Nos últimos cinco jogos o Brasil contabilizou três vitórias, um empate e uma derrota. O Náutico, por sua vez, somou três vitórias e duas derrotas.

A exposição dos números força o torcedor a ser pragmático, e evita elucubrações. No atual cenário só resta uma alternativa para o técnico Roberto Fernandes: fazer com que o Náutico seja o mais vertical possível, pois só a vitória lhe interessa. Até que os números mostrem o contrário.

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Brasileiro Série A
O caldeirão ferve na Ilha do Retiro
postado em 04 de setembro de 2017

CLAUDEMIR GOMES

 

A goleada (5x0), que o Grêmio aplicou no Sport, sábado a tarde, em jogo válido pela 22ª rodada do Brasileiro da Série A, foi o assunto dominante nos meios esportivos pernambucano no final de semana. O fato ganhou relevância por conta da elasticidade do placar e pelas contundentes declarações do técnico Vanderlei Luxemburgo na coletiva de imprensa, abrindo espaço para ilações e elucubrações dos torcedores leoninos, que se dividiram entre o céu e o inferno. O componente emoção faz com que tudo se torne muito perecível no futebol. O que era manjar ontem, pode ser veneno hoje.

Quando aportou na Ilha do Retiro, Luxemburgo levou o Sport a dar um salto na tabela de classificação. Uma sequência de cinco resultados positivos, como mandante e visitante, levou o rubro=negro pernambucano ao G6, seleto grupo que será premiado com uma vaga para disputar a Libertadores em 2018. A oscilação observada nas quatro partidas que vieram a seguir, foi considerada natural, até porque no futebol de resultados o perde e ganha é uma coisa normal. O sinal de alerta não foi levado em consideração, até que o time entrou num ciclo negativo: em cinco jogos o Sport acumulou três derrotas e dois empates. O ataque marcou três gols contra doze sofridos pela defesa. O pior: o clube despencou da quinta para a décima=primeira posição na tabela de classificação.

A goleada imposta pelo Grêmio fez surgir uma grande interrogação na Ilha do Retiro: Quem é o culpado pela queda livre? O técnico, os jogadores ou a imatura diretoria que não analisa desempenho e se ilude com resultados? Sempre que acontece um insucesso em campo é deflagrada uma caça as bruxas. Mas este momento do Sport é imperativo, exige uma análise mais profunda dos fatos. Afinal, "nem o diabo é tão feio quanto se pinta, nem o céu tão perto quanto se pensa".

Experiente, matreiro e com uma habilidade pouco comum no trato com as palavras, Vanderlei Luxemburgo, transformou as coletivas de imprensa, pós jogos, num palanque onde expunha os erros dos seus comandados, ao mesmo tempo em que empanava eventuais equívocos que deviam ser atribuídos ao treinador. Os espaços foram surgindo no tumultuado calendário do futebol brasileiro, e o argumento de que não havia tempo para treinar e ajustar o time perdeu força. Afinal, a pior apresentação do time leonino foi justamente após um período de 12 dias de descanso.

A diretoria contratou vários jogadores que não estão qualificados para defenderem um clube que tem metas ousadas na Série A. Alguns pratas da casa que no início da temporada reluziam, foram preteridos para dar lugar a profissionais rodados cujo futebol tem agregado pouco valor e qualidade ao grupo. Enfim, dos muitos profissionais que foram recrutados este ano para a Ilha do Retiro na condição de reforços, poucos corresponderam as expectativas, a maioria apenas inchou o elenco. Diego Souza, jogador de maior qualidade técnica do grupo, passou por momentos difíceis, problemas pessoais, e foi taxativo ao afirmar que não foi respaldado pelos diretores do clube. A partir deste episódio, o meia leonino não mais exibiu o futebol que lhe levou a Seleção Brasileira.

Num ambiente tão turbulento, Luxemburgo jogou pesado com o grupo no final da partida com o Grêmio. Uma atitude que ganhou parte da torcida, mas que pode lhe levar a perder o grupo, se é que a tropa ainda atende o comando do general. O fato é que, do jeito que está, dificilmente o Leão conseguirá a meta de terminar o campeonato no Top 10. O problema não é a distância na tabela de classificação. Este espaço pode ser recuperado com relativa facilidade, basta encaixar uma nova sequência positiva. O desafio é se entender no "caldeirão" da Ilha do Retiro.

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