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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Na edição de hoje do Jornal do Commercio, uma matéria nos chamou a atenção na editoria de esportes. O assunto abordado foi o exagerado número de jogadores contratados por Sport, Náutico e Santa Cruz na temporada 2017: 92 profissionais, ou seja, mais de 8 times. Os números, por si só, retratam o amadorismo e a forma equivocada como os maiores clubes do futebol pernambucano estão sendo administrados. Os equÃvocos começam em não assumirem a condição de formadores, fato que leva a importação exagerada de profissionais, e como efeito, achata o trabalho de base.
O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, afirma, com certa frequência, que o futebol pernambucano se apequenou. Segunda=feira, no inÃcio da noite, fui hipotecar minha solidariedade ao deputado, Jarbas Vasconcelos, em ato realizado em seu apoio no auditório do JCPM. Fiquei impressionado com o número de pessoas que vieram falar sobre o delicado momento do futebol pernambucano. As crÃticas, na maioria contundentes, recaiam sobre a gestão da FPF; a perda de prestÃgio e representatividade do nosso futebol a nÃvel nacional; o amadorismo na gestão dos clubes. O impacto provocado por este cenário é visto na dificuldade que Náutico, Santa Cruz e Sport têm para se manterem nas divisões que disputam no Campeonato Brasileiro.
Nosso bate papo não foi em uma arquibancada de estádio, onde o cidadão comum é levado pela paixão clubista. Os questionamentos foram feitos por executivos, polÃticos e empresários, que se mostravam perplexos com a falta de norte de um futebol que já reinou de forma absoluta na região. Diante das colocações a impressão repassada é de que o futebol pernambucano ainda não entrou em sintonia com o novo tempo. Os novos dirigentes se comportam como os que ocupavam os cargos nas décadas de 60 e 70.
Diante de tudo o que foi exposto pelos "crÃticos", comecei a lembrar de alguns fatos que ocorreram nos últimos dias: a) A Comissão Patrimonial do Santa Cruz está vendendo bolo de rolo para gerar recursos que serão investidos na construção do Centro de Treinamento; b) O Náutico vai disputar alguns jogos no estádio Luiz Lacerda, em Caruaru; c) O técnico do Sport, Vanderlei Luxemburgo, não assume seus erros, e se revela um mestre em desviar focos nas coletivas de imprensa; d) Segunda Divisão do Pernambucano é o retrato da falência do nosso futebol.
à amigo leitor! Num futebol onde três clubes investem na contratação de quase cem jogadores numa temporada, e o jornal de maior circulação dedica uma página a um decadente Rosembrick, fica difÃcil falar em crescimento.
CLAUDEMIR GOMES
Ultimamente, o que mais me tem chamado a atenção nos jogos são as controversas análises feitas pelos treinadores, e alguns profissionais da mÃdia esportiva. Esquecem que, nos dias de hoje as mÃdias se completam, ou seja, as pessoas recebem mais informações, fato que permite a formação de opiniões e criação de conceitos. Portanto, não adianta o narrador e o repórter da rádio vestir a camisa do clube e culpar a arbitragem pelo insucesso de determinada equipe. O torcedor ver o que acontece, e mais das vezes enxerga melhor.
Ontem, acompanhamos a derrota do Sport (2x0) para o Flamengo, num jogo de uma pobreza técnica impressionante. Os motivos da derrota: um erro primário do experiente goleiro Magrão, e mais uma falha coletiva da defesa leonina, que vem se especializando em sofrer gols de cabeça. As jogadas aéreas têm deixado os comandados de Luxemburgo em pavorosa. Eis uma das principais causas do insucesso do Leão.
O Sport perder para o Flamengo, no Rio de Janeiro, não é coisa de outro mundo. Aliás, dos três resultados possÃveis, diria que era o mais previsÃvel. Principalmente no momento atual, no qual o rubro=negro pernambucano se encontra em queda livre no Brasileiro da Série A. O time leonino foi a campo sem os dois jogadores mais criativos: Diego Souza (suspenso) e Everton Felipe (lesionado). Para completar, todo o plano de jogo definido pelo treinador, Vanderlei Luxemburgo, foi abortado por conta de uma indisposição intestinal que tirou o lateral Sander da partida. A alternativa que restou ao Sport foi a da superação. Vale salientar que transpiração não faltou aos pernambucanos, que foram prejudicados pela expulsão de Patrick, ao exagerar na reclamação após ser advertido com o cartão amarelo.
à certo que o padrão técnico do futebol brasileiro caiu assustadoramente, contudo, a qualidade ainda é o fator determinante de sucesso na Série A. Os elencos de Sport e Flamengo, juntos, representam uma folha de mais de R$ 12 milhões de salários. O futebol que apresentaram na Ilha do Urubu, não faz jus aos altos salários, mas isso é praxe no futebol verde e amarelo dos dias de hoje. Quem assistiu, ao vivo, ou pela televisão, o confronto de ontem entre os dois rubro=negros, o carioca e o pernambucano, que desde 1987, é emoldurado por uma rivalidade que aflorou por conta de vários embates jurÃdicos na disputa do tÃtulo daquele ano, se frustrou com a pobreza técnica do espetáculo.
Numa comparação direta de valores, embora na prática isso não tenha sido tão evidente, o Flamengo possui um grupo mais qualificado que o Sport, fato que lhe permitiu uma margem menor de erros. A maioria dos profissionais do Flamengo seriam titulares no Sport. Por outro lado, 20% dos jogadores leoninos iriam brigar por uma vaga no time da Gávea. Esta é a realidade dos fatos. Sintetizando, numa linguagem de arquibancada, ontem, venceu o menos ruim em campo. E a arbitragem não tem nada a ver com isso.
Por JOSÃ CRUZ
Depois de faturarem muitos milhões com os megaeventos esportivos, a Globo e dezenas de jornais chegam tarde, desgraçadamente tarde, à verdadeira cobertura dos Jogos de 2016. Foram todos omissos por interesses financeiros de ocasião.
A ESPN se salvou por algum tempo, enquanto José Trajano, Roberto Salim, Marcelo Gomes, Juca Kfoury, Lúcio de Castro, principalmente alertavam para a farsa olÃmpica. Pouco antes da Copa de 2014, jornalista que não se alinhava ao COB, dançava. Trajano dançou.
As denúncias = agora comprovadamente reais = e crÃticas que ele fazia não interessava a emissora. Eu também perdi valioso espaço no UOL Esporte, onde publicava sobre a farra com o dinheiro público por conta dos Jogos da farsa.
Mas, para muitos jornalistas era mais cômodo e emocionante carregar a tocha e se ajoelhar diante do poder olÃmpico do que se alinhar à indignação de estarmos financiando um esporte amparado por amplo cinismo e farta corrupção.
Os trambiques olÃmpicos são conhecidos desde 1992, quando os jornalistas ingleses Andrew Jennings e Vyv Simson lançaram "Os Senhores do Anéis", primeiro livro sobre os bastidores dos Jogos e as práticas corruptas dos cartolas.
Eles contavam que o esporte fora violentado pela cobiça, drogas, hipocrisia, desvio de verbas públicas e enriquecimento ilÃcitos, tudo muito bem abençoado e recompensado pelo poderes da República, os polÃticos, principalmente, como se viu por aqui, recentemente.
E nessa realidade revelada há um quarto de século que tem Nuzman, enfim investigado. Mas as investigações não podem se limitar à compra de votos. Um dos maiores escândalos dos Jogos do Rio 2016 é a construção do campo de golfe em área de proteção ambiental e em terreno em disputa judicial.
Essa decisão envolve decisão do ex=prefeito Eduardo Paes. Naquele campo de grama baixa e bem cuidada a bola rolou à vontade. Bola de golfe, bem entendido.
Com o tempo, o esporte se tornou negócios e braço da corrupção. Apelo não falta: o alto rendimento provoca emoções que ajudam a esconder a prática dos malandros e o roubo dos espertos.
Os anéis olÃmpicos estão podres. E num Brasil falido, qual foi a vantagem receber a farsa olÃmpica?
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
A Segunda Divisão do Futebol Pernambucano será iniciada no próximo dia 17 (domingo), que definirá apenas um clube que irá disputar a Divisão maior em 2018.
Trata=se de um modelo altamente destruidor, não pelo rebaixamento, mas pelo formato, quando começa no final da temporada, e o clube classificado não terá tempo para se preparar para uma jornada mais dura e desequilibrada.
Se tiver um estádio necessitando de reformas, essas não poderão ser feitas, e surgirão algumas gambiarras.
Um campeonato como esse, com dificuldades para os disputantes, teria que começar a ser discutido durante o mês de abril, para que as vistorias dos estádios pudessem ser realizadas, as análises sobre os clubes discutidas, e o seu inÃcio em julho, com jogos aos domingos, reduzindo as despesas dos clubes.
Tudo feito de forma invertida, as vistorias procedidas de forma açodada, e a maioria desses campos não seria aprovada por conta das estruturas superadas. Futebol é coisa séria e para quem entende do riscado, a entidade local trata a Segunda Divisão como um patinho feio, e com a obrigação de realizar um campeonato.
Os filiados passam um perÃodo de nove meses na espera de uma competição, a terão, mas sem dúvida será preparatória para os seus enterros.
Isso é o futebol de Pernambuco.
CLAUDEMIR GOMES
Dentre muitas frases que se atribui a sabedoria popular, uma é repetida com muita frequência: "Na vida tudo tem seu preço". Seguindo esta linha de raciocÃnio, podemos dizer que o futebol também cobra a sua conta. E ao que tudo indica foi apresentada ao Sport a fatura pelos tantos erros cometidos na aquisição de jogadores. O resultado de tal cobrança é a "sinuca de bico" em que se encontra o time comandado pelo técnico Vanderlei Luxemburgo, que envolvido numa sequência negativa, seis jogos sem contabilizar uma vitória, tenta se recriar no curto espaço de oito dias, quando disputará três partidas.
O Sport volta a campo hoje a noite para enfrentar a Ponte Preta, primeiro jogo do confronto entre os dois clubes válido pelas oitavas de final da Copa Sul=Americana. Domingo os leoninos enfrentam o Flamengo, no Rio, pela 24ª rodada do Brasileiro da Série A, e na próxima semana faz o jogo de volta com a Ponte Preta em Campinas/SP. Com uma crise em curso nos bastidores da Ilha do Retiro, esses três jogos serão decisivos para viabilizar os planos traçados para a temporada 2017 que tinham na competição continental, e no Brasileiro, as prioridades.
Com um grupo limitado, e uma margem de erros expressiva na contratação de profissionais que nada agregaram ao elenco, o Sport esbarra nas suas limitações, e é obrigado a mudar o foco da disputa. Superar a Ponte Preta e avançar na Sul=Americana, mais que um ganho financeiro, o Leão encontrará a calma necessária para o técnico Vanderlei Luxemburgo dá sequência ao trabalho. Contabilizar um resultado positivo domingo, no Rio, diante do arquiinimigo Flamengo, manterá acesa a esperança de fechar o Brasileiro no Top 10 da Série A.
Ao renovar o contrato do técnico Vanderlei Luxemburgo até dezembro de 2018 os dirigentes do Sport deixaram claro que buscam uma mudança de paradigma. Mudar pensamento e comportamento em clube de futebol demanda tempo e requer tolerância por parte dos torcedores, uma vez que erros acontecerão. Se Luxemburgo é o profissional certo para tal tarefa, só o tempo dirá. Mas de uma coisa se tem certeza: se o Sport sobreviver aos desafios que terá nesses oito dias, a estrada para o futuro estará asfaltada.