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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
A Seleção Brasileira, já classificada para a Copa da Rússia, volta a campo, hoje a noite, para enfrentar o selecionado do Equador, em jogo válido pelas eliminatórias sul=americanas. O confronto será na Arena do Grêmio. Sem mistérios, o técnico Tite já anunciou o time que começa jogando: Alisson; Daniel Alves, Marquinhos, Miranda e Marcelo; Casemiro; Paulinho, Willian, Renato Augusto e Neymar; Gabriel Jesus. Uma formação que começa a ser assimilada pelos torcedores. Quando o torcedor tem o time na ponta da lÃngua é o primeiro sinal de que as coisas se encaixaram, que o trabalho está dando certo.
Apesar da inconteste evolução apresentada pelo time pós chegada do Tite, confesso que ainda sinto os efeitos do trauma causado pela frustrante goleada (7x1) imposta pela Alemanha na última Copa do Mundo. O placar foi desmoralizante, e o fato de o Mundial ter sido realizado no Brasil deixou todos nós nocauteados. Se é verdade que os desastres também tem um lado positivo, aquele do Mineirão nos fez esquecer a tragédia da Copa de 50, que ficou conhecido como Maracanaço.
Bom! Vamos ao momento. O importante é que, com Tite a Seleção parece ter levantado, sacudido a poeira e dado a volta por cima, uma vez que, lidera as eliminatórias e assegurou sua participação na Copa do próximo ano com folga. Evidente que não vou cair no ufanismo que norteia grande parte da mÃdia esportiva nacional. A evolução é fato. Entretanto, mesmo considerando o progresso em selecionados como o da Colômbia, do Chile, e respeitando a oscilante Argentina, temos de reconhecer que a Seleção Brasileira está num estágio mais avançado, ou melhor, que os nossos "sparrings" do continente não são credenciados a brigar pelo tÃtulo, com exceção de Messi e companhia.
Aliás, as Copas têm seleções cativas. Vez ou outra uma ausência surpreendente para mostrar que o futebol não é tão previsÃvel assim, mas no geral, as grandes seleções, e as medianas se fazem presentes. No futuro próximo isso ainda ficará mais evidente com a abertura do leque. Isto posto, é importante considerar a classificação antecipada para a Copa da Rússia um feito natural, corriqueiro, e não uma coisa inusitada, de outro mundo, que coloca o Brasil como grande favorito ao tÃtulo em 2018.
O desafio maior do Tite, até junho do próximo ano, será fazer com que esse otimismo exacerbado, produto da paixão do torcedor, não invada o vestiário. Também é preciso blindar o ambiente de trabalho contra o ufanismo da maioria dos formadores de opinião. A partir de agora, a seleção passará por um processo de maturação, ou seja, crescimento dentro dos conceitos implantados pelo treinador. O grupo deu liga e vai atropelar todos os adversários que terá pela frente até a Copa do Mundo. Em jogos oficiais e em amistosos. Quanto a isso não temos dúvidas. Questão de qualidade. O fundamental é não se embriagar com o futebol de resultados. Sempre haverá correções a fazer no sentido de melhorar o desempenho. Não podemos esquecer que em 2010 o Brasil chegou a Ãfrica do Sul escudado numa sequência invicta impressionante, e deu com os burros n'agua.
Pelo que filtrei na coletiva do treinador, ele sabe que a parte mais difÃcil do seu trabalho começa agora, ou a mais importante, depois da definição do grupo.
CLAUDEMIR GOMES
A dezesseis rodadas do final do Campeonato Brasileiro, os números são aterrorizantes em relação a Náutico e Santa Cruz, representantes pernambucanos na Série B. O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, tem apresentado vários estudos que apontam para um cenário nada animador em relação ao futuro dos dois clubes na competição. No momento em que as tendências começam a serem consolidadas, alvirrubros e tricolores se encontram na zona de rebaixamento com percentuais significativos que apontam para uma iminente queda para a Série C, fato que seria desastroso para o futebol pernambucano.
Sport, Náutico e Santa Cruz são os três pilares que dão sustentação ao futebol do nosso Estado. Durante muito tempo o nivelamento entre as três tribos deram sustentação ao crescimento no cenário doméstico e regional. A partir dos anos 80, com a evolução da comunicação, começou o processo de nacionalização do futebol brasileiro. Os tÃtulos nacionais conquistados pelo Sport em 1987 e 1990 deram visibilidade e levaram o clube leonino a conquistar espaço nacionalmente. Os dirigentes rubro=negros, ao contrario dos tricolores e alvirrubros, assimilaram os novos conceitos que fizeram o Sport a entrar em sintonia com o novo tempo, a nova ordem, onde o futebol passou a ser tratado como business.
Nos últimos 30 anos o Sport deu um salto expressivo em crescimento e melhora de qualidade em relação ao Náutico e Santa Cruz. Investimentos em treinadores renomados; recrutamento de jogadores de melhor nÃvel técnico; investimentos na melhoria da estrutura nos departamentos médico e de fisiologia levaram o clube da Ilha do Retiro a buscar metas ousadas, como a consolidação na Série A nacional, e uma sequência de participações em competições internacionais. Hoje, é notória a distância que separa o clube da Ilha do Retiro dos concorrentes domésticos.
A iminente queda dos tricolores e alvirrubros para a Série C, se confirmada, e a permanência do Sport na Série A, com amplas possibilidades de disputar mais uma edição da Copa Sul=Americana, tornará as forças ainda mais desproporcionais. O mestre, Adonias de Moura, um dos maiores jornalistas esportivos da história da mÃdia pernambucana, nos dizia que "primeiro é primeiro, e segundo é segundo em qualquer lugar do mundo". Em sÃntese, não é possÃvel comparar um clube de Série A com um clube de Série C. Para inÃcio de conversa, se esta previsão desastrosa se confirmar, o Sport começa a temporada 2018 com previsão de receita acima dos R$ 100 milhões, enquanto Náutico e Santa Cruz partem do zero.
O fantasma do rebaixamento assusta principalmente porque vem acelerar a "morte" do futebol pernambucano, que há anos está se apequenando com o enfraquecimento de clubes do Interior, e mergulhará num buraco negro caso Náutico e Santa Cruz passem a ser produtos de terceira classe. E vem a pergunta: terão forças para reagir? Foi=se o tempo em que torcedor não trocava de clube. A nacionalização e a internacionalização nos mostram o contrário.
CLAUDEMIR GOMES
A queda de Givanildo Oliveira do comando técnico do Santa Cruz foi uma sentença imposta pela sequência de seis derrotas no Brasileiro da Série B. Não podia ser diferente. Afinal, na coletiva de imprensa, pós jogo com CRB, o treinador foi ao afirmar que, tal fato nunca havia ocorrido na sua carreira que já tem mais de três décadas, pois começou em 1984, no Sport. Nesta sua passagem Givanildo acumulou 2 vitórias; 3 empates e 6 derrotas. Primeiro levou o clube a experimentar uma sequência invicta de 5 partidas, em seguida o time caiu em queda livre que o levou a zona de rebaixamento.
Quem esteve atento ao desempenho do time tricolor nos últimos jogos sabia que tal desfecho era previsto. Portanto, o anúncio de Marcelo Martelotte, como o novo técnico coral, em menos de doze horas após a dispensa de Givanildo, não causou surpresa. O momento era imperativo, exigia uma atitude dos dirigentes do clube do Arruda que apostaram no nome de um treinador que já teve duas passagens exitosas pelo clube, em 2013 e 2015. Martelotte é o quarto técnico do Santa Cruz em oito meses de temporada.
Não vamos eximir Givanildo de culpa pela derrocada do Santa Cruz, que hoje, segundo os matemáticos de plantão, tem 68% de chance de ser rebaixado. Pelo norte dos números atuais, no final do campeonato teremos os dois representantes pernambucanos, Náutico e Santa Cruz, rebaixados para a Série C, fato que seria extremamente negativo para o nosso futebol. Hoje, após a disputa da 22ª rodada, o ponto de corte está em 44 pontos. O Tricolor do Arruda somou 23 pontos e precisa contabilizar mais 21 pontos, ou seja, o desafio de Martelotte será levar o time a somar 7 vitórias nos 16 jogos que disputará, dos quais 8 na condição de mandante.
As duas passagens de Marcelo Martelotte pelo Arruda (2013 e 2015/16) lhes credenciam para operar o "milagre". O raciocÃnio feito pelos dirigentes corais foi similar ao dos dirigentes do Náutico quando recrutaram o técnico Roberto Fernandes com a missão de livrar o clube alvirrubro do rebaixamento. Os problemas do Santa Cruz vão muito além das quatro linhas. Givanildo Oliveira tinha conhecimento de tal desafio, conversou com o presidente, AlÃrio Moraes, fez ver a ele suas limitações diante das exigências que estavam acontecendo no extra campo, mas não foi capaz de dar sustentação ao crescimento apresentado pelo grupo quando da sua chegada ao Arruda. Caiu. Agora, chegou a vez de Martelotte usar sua alquimia para ver se reedita os bons feitos que lhes levara a ser tratado como um mago pelos tricolores.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Não foi por uma mera coincidência que a Rede Globo e o Circo do Futebol Brasileiro abordaram ao mesmo tempo o tema do abandono do Brasileirão por alguns clubes disputantes, com a opção pelas Copas do Brasil e Libertadores.
Ambas demonstraram a preocupação com o esvaziamento da mais importante competição brasileira.
Tal fato mostra de forma clara o ambiente de dissimulação em que vive o futebol nacional. reocupação com algo que todos sabiam que iria acontecer, é querer fazer dos torcedores um bando de ingênuos.
Qual o brasileiro que acompanha o futebol do paÃs que não tinha o sentimento de que tal fato iria acontecer? Só os que acreditam em Papai Noel.
O blogueiro Marcel Rizzo, do Portal Uol, escreveu o seguinte: "O Grêmio abdicar do Campeonato Brasileiro e colocar reservas em campo ainda no inÃcio do segundo turno, para priorizar as Copas do Brasil e Libertadores, não pegou bem na CBF".
Enquanto isso, outro blogueiro, Rodrigo Mattos, do mesmo portal, afirmou que: "Além da CBF, a Globo está preocupada com o abandono do Brasileiro por alguns clubes como o Grêmio que optaram por priorizar a Copa do Brasil e Libertadores. A emissora já levou a discussão à CBF e atribui ao calendário à questão.
Na verdade quem banca o futebol nacional é a Rede Globo, e com receio de que a longo prazo esse produto seja desvalorizado, pela primeira vez teve a coragem de tocar no assunto calendário e nas datas destinadas as competições estaduais, inclusive apontando para que esses sejam alocados em outro perÃodo do ano.
Vamos, e convenhamos, se trata de muita dissimulação, desde que ao criarem esse tipo de calendário aloprado, funesto e sobretudo imbecil, amontoando numa lixeira várias competições correndo em paralelo, sabiam qual seria o resultado final, desde que o ano só tem 365 dias, e os apedeutas esportivos trabalharam como se esse fosse contemplado com 400 dias.
Quantas vezes escrevemos que estamos na contramão da história, ao ficarmos isolados do resto do mundo futebolÃstico, com um calendário inverso na relação com os demais centros?
Será que somos os únicos inteligentes do planeta terra?
Aliás, o que vem acontecendo nessa temporada é a repetição de anos anteriores, que foi agravada por conta da Libertadores e Sul=Americana ocupando todo o ano.
Além disso, a mediocridade do nosso futebol levou o Corinthians a disparar na liderança muito cedo, jogando um baldo de água fria nos demais competidores, que se sentiram impotentes para a luta de o acompanharem.
Como não existe uma solução para o paÃs Brasil, a não ser uma faxina geral em todos os seus segmentos, no futebol acontece o mesmo problema, que também necessita de uma varredura geral, para que possa recuperar a sua credibilidade, e sobretudo voltar a ser o que já foi, um dos melhores do mundo.
Como isso não irá acontecer com tal sistema, o rabo irá continuar balançando o cachorro, enquanto a debandada dos jovens atletas para o futebol europeu é incrementada, e vamos nos contentando com o que temos que não é lá muita coisa.
Basta de tantas dissimulações e de dissimulados, o que o futebol brasileiro precisa é de uma ação radical para transformá=lo.
Com essa gente que o comanda jamais isso irá acontecer, desde que são fracos na matemática, quando calcularam um ano com mais de 365 dias. Deu no que deu.
CLAUDEMIR GOMES
O Sport retornou aos treinos na terça=feira exibindo um novo uniforme de treinos, na cor azul, o que levou o time leonino a ficar parecido com o Paysandu/PA. Mudança de cores em uniformes de clubes é coisa comum, o que chamou a atenção dos rubro=negros foi a mexida nas cores do escudo, que não traz o leão na cor amarela e o vermelho e preto. à tudo azul para ver se a sorte vai mudar, seguindo a receita do saudoso cantor Wilson Simonal. As imagens dos jogadores com o novo uniforme foram colocadas nas redes sociais e dividiram opiniões.
Os sÃmbolos ganharam força na idade média. Bandeiras, escudos, brasões, eram usados com a finalidade de identificar indivÃduos, famÃlias, clãs, cidades, regiões... O futebol, que tem uma vertente tribal muito forte, como explicam os antropólogos e sociólogos, assimilou bem essa cultura. Bandeiras, escudos e cores foram sÃmbolos que até a última década do século XX eram imexÃveis. Nos anos 60 e 70 ninguém de bom senso imaginaria ver o Santos, Botafogo, Fluminense, Náutico, Sport, Santa Cruz, Palmeiras, jogarem sem uniformes identificados com as cores das agremiações. Isto era regra, era lei.
Os novos tempos chegaram, o futebol passou a ser tratado como um negócio lucrativo, e o marketing passou a ditar as regras. Paradigmas foram quebrados, e as cores invadiram todas as tribos. Na década de 90, numa reunião do Conselho Deliberativo do Sport, a conselheira Dulce Mousinho foi protagonista de um protesto histórico quando da apresentação, para aprovação, de um terceiro padrão do clube rubro=negro com a cor amarela. Para ela aquilo era uma aberração. O Santa Cruz adotou a cor azul para ressaltar o padrão que fazia referência a "Faixa Azul", tÃtulo simbólico criado para festejar uma sequência de jogos invictos disputados no exterior.
A nova ordem é imperativa. Os clubes têm de criar novos padrões para serem adquiridos por seus torcedores. Nos últimos dez anos, o maior fluxo de vendas de camisa do Sport, no atacado, se deu em 2009, quando foi lançada a camisa dourada, para comemorar a chegada do Leão à Libertadores da América. De lá pra cá o time da Ilha do Retiro já entrou em campo com padrão, azul, preto, cinza, laranja... Enfim, a mudança de cores passou a ser coisa banal, corriqueira. Sinais dos tempos. A diversidade de cores acontece no futebol brasileiro, espanhol, inglês... Os fabricantes e fornecedores de material esportivo têm equipes de designes de moda para fazerem, no mÃnimo, dois lançamentos por temporada. Se o clube estiver vivendo um bom momento, em alta nas competições, é possÃvel acontecer um terceiro lançamento, como ocorreu com o Sport em 2015. Detalhe: nenhum dos uniformes lançados tinha as cores originais do clube, o vermelho e preto.
Azul, amarelo, laranja, verde... são cores da diversidade clubÃstica que compõe o cenário do futebol no século XXI.