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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
No fechamento da sexta rodada do Brasileiro da Série B, mais um tropeço do Náutico, desta feita na Arena Beira Rio, em Porto Alegre, onde foi derrotado pelo Internacional por 4x2. O placar poderia ter sido mais elástico caso o Colorado não desperdiçasse dois dos quatro pênaltis marcados pelo árbitro. Vale salientar que nenhum deles suscitou dúvidas. O alvirrubro pernambucano não conseguiu cravar uma vitória sequer em seis jogos disputados, fato que levou o nome do técnico, Roberto Fernandes, a aparecer nas redes sociais como uma solução para o futebol do Clube dos Aflitos.
Horas antes de o Náutico entrar em campo, a diretoria do Santa Cruz, também através das redes sociais, anunciou a dispensa do técnico VinÃcius Eutrópio, que deixou o clube tricolor com um aproveitamento de 50% no Brasileiro da Série B, onde ocupa a sétima colocação. A queda de Eutrópio não se deu por resultados, e sim, por pressão da torcida. As redes sociais são hoje, os maiores canais de comunicação existentes no planeta. Detalhe: são abertas, fato que facilita a viralização das informações. As torcidas têm usado as redes sociais como ferramenta para pressionar os clubes a promover dispensa de treinadores.
Náutico e Santa Cruz nunca se afirmaram como clubes de Primeira Divisão, razão pela qual estão sempre em precipÃcios financeiros. Não atraem a atenção de grandes investidores. As dificuldades provocadas por tal fato, levam à s discussões de temas pertinentes ao crescimento e fortalecimento dos clubes serem relegadas a um segundo plano. O futebol profissional exige dos clubes um mÃnimo de estrutura. Determinadas ações que não são consideradas prioridades, precisam ser tratadas como investimentos para ganhos futuros, sob o risco de tudo o que é feito não passar de paliativo. O presidente do Santa Cruz, AlÃrio Moraes, definiu como meta, no inÃcio de sua gestão, "tirar todas as certidões", para tornar o clube viável, e pronto para receber investimentos de empresas públicas e privadas. Sua gestão caminha para o fim e ele não cumpriu a promessa.
Os jogadores também usam o twitter para externar pensamentos e fazerem cobranças. Enfim, no universo do futebol, tudo o que em décadas atrás era segredado a sete chaves, hoje é escancarado através das redes sociais. Não é fácil viver essa nova realidade, com a clarividência dos fatos, num mundo que sempre foi pontuado por mistérios. Os efeitos das redes sociais entram nos vestiários, e provocam mudanças no placar.
CLAUDEMIR GOMES
No inÃcio da semana liguei para o diretor técnico da FPF, Murilo Falcão, procurando me inteirar sobre a final do Campeonato Pernambucano, que há muito estava programada para o dia 18 de junho. Entretanto, por ver no site da CBF, que os jogos do Sport e do Salgueiro, no Brasileiro, Série A e Série B, respectivamente, estavam mantidos para a mesma data, não me senti seguro sobre as informações que tinha em mãos. Na oportunidade Murilo assegurou que, a final do Estadual estava mantida para o dia 18, e que até quinta=feira, a entidade que comanda o futebol brasileiro faria as devidas alterações nas tabelas das Séries A e C. Surpreendentemente, acompanhei uma entrevista feita por Ralf de Carvalho, na Rádio Jornal, na qual o dirigente da FPF revelou que o jogo final entre Sport e Salgueiro teria que ser adiado para o dia 28 de junho ou 5 de julho, alternativas apresentadas pela CBF.
Bom! Tudo segue o princÃpio de que "nada está tão ruim que não possa piorar". Esta é a sÃntese de uma das piores edições de um campeonato que já figurou entre os melhores do PaÃs. Os equÃvocos cometidos pelos gestores da Federação Pernambucana de Futebol foram absurdos, somente sendo superados pelos argumentos apresentados no esforço de justificar tantos erros. A lógica, o bom senso e a racionalidade foram agredidos em todas as vertentes.
Não podia ser diferente. O último ato do holocausto futebolÃstico será numa noite de quarta=feira. Podemos chamar de halloween caboclo.
CLAUDEMIR GOMES
O amigo, José Joaquim Pinto de Azevedo, vez por outra, faz alusão a "era da imbecilidade". Esta "Lei do Silêncio", que os dirigentes do Náutico e do Sport estão querendo implantar no futebol pernambucano é trágica e cômica. Trágica porque é bizarra, e revela as mentes retrógradas que estão a frente de duas agremiações centenárias do futebol brasileiro. Cômica porque não existe nada mais patético do que os argumentos apresentados para a evocação do silêncio num dos esportes onde a liberdade de expressão e os ruÃdos são regras.
Os gestores do Náutico estão convictos de que o silêncio do técnico Waldemar Lemos, antes dos jogos, levará o time ao acerto dentro das quatro linhas. Caso o time alvirrubro consiga vencer o Oeste, hoje a noite, na Arena Pernambuco, os iluminados irão pensar que estão certos, e defenderão a tese do silêncio pré jogo de forma mais ferrenha. Coisa da "era da imbecilidade". Das duas, três: ou o presidente do Náutico, Ivan Brondi, esqueceu tudo o que aprendeu quando desfilava, com bastante elegância, nos estádios brasileiros como um dos melhores jogadores da sua posição, ou é aquele tÃpico caso do poder que não pode.
Como nos ensina o mestre Azevedo, "não existe limites na era da imbecilidade". Verdade. A notÃcia de que os dirigentes do Sport haviam dado entrada na Justiça, a uma ação reivindicando a retirada de buzinas na torcida do Salgueiro. O pedido foi negado. Espero que o bom senso dos juÃzes siga em outras instâncias. O saudoso Zé do Rádio, torcedor sÃmbolo do Sport, deve ter estrebuchado no seu túmulo. O que dirão os africanos, que na Copa de 2010 se notabilizaram com suas ruidosas vuvuzelas, ao tomarem conhecimento da grotesca atitude dos leoninos? Alguém, na Ilha do Retiro, está confundindo tabuleiro de xadrez com campo de futebol.
Como diria o humorista: "Sabe nada inocente!".
CLAUDEMIR GOMES
O mundo do futebol elegeu a Chapecoense como o seu segundo time. Isso aconteceu há seis meses, quando o clube catarinense foi vitima de um acidente aéreo onde morreram mais de 70 pessoas. Esta "adoção" foi o grande legado, se é que tragédias deixam algum legado, para a Chape que se escudou no amor, e na solidariedade, para operar o milagre da ressurreição. Nem Freud, se fosse aficionado por futebol, conseguiria explicar tal mistério que é traduzido na condição de lÃder do Brasileiro da Série A, conquistada com uma vitória maiúscula (2x0) sobre o Cruzeiro, em pleno Mineirão. Rubro=negros; alvirrubros, alviverdes, alviazulinos, alvinegros, tricolores, todos encerraram o domingo futebolÃstico com a sensação: "Sou Chape".
Ser lÃder ao final da quarta rodada, num campeonato onde o clube disputa trinta e oito partidas, não é garantia de nada. Temos como exemplo mais recente o Santa Cruz, que, EM 2016, nas primeiras rodadas da Série A, chegou a assumir a posição de lÃder, e no final foi rebaixado. Contudo, para um clube que passou tudo o que a Chapecoense passou, a liderança é muito mais que uma recompensa por um esforço do grupo, ou a resposta a um planejamento correto. "Isto é mistério", como costumava dizer o saudoso Dom Helder Câmara.
O técnico do Grêmio, Renato Gaúcho, acerta quando afirma que o seu time "está praticando o melhor futebol do Brasil". Isto ficou ressaltado na vitória (2x0) sobre o Vasco. A força de um conjunto harmonioso justifica o bom momento do tricolor gaúcho. A Série A, além de ter a Chape como lÃder, contrariando os prognósticos de outras torcidas, nos premia com algumas peculiaridades após a disputa da quarta rodada: a presença dos três Atléticos, o Mineiro, o Paranaense e o Goiano, na zona de rebaixamento é uma delas. A baixa média de gols da quarta rodada ressalta o equilÃbrio da disputa, fato que explica a pequena distância = três pontos = que separa o primeiro do oitavo colocado e o 14º do 19º. Enfim, com tamanha paridade, um clube pode, com uma vitória, dar um salto na tabela de classificação, ou pode despencar várias casas no caso de uma derrota. O Sport iniciou a rodada na 12ª colocação, pode cair para a 15ª, caso o Bahia vença o lanterna Atlético/GO no jogo programado para a noite desta segunda=feira.
O técnico Vanderlei Luxemburgo tem dado mostras de que não precisou de muito tempo para enxergar os erros do time do Sport, que tem a segunda defesa mais vazada da Série A com 9 gols. Ajustar o sistema de contenção é o desafio maior do treinador para o jogo com o Flamengo, quarta=feira, na Ilha do Retiro, embora o ataque leonino também deixe muito a desejar. Afinal, dos 5 gols marcados pela equipe pernambucana na Série A, até o momento, 4 foram num único jogo, contra o Grêmio. Vale lembrar que, no confronto entre os rubro=negros, o pernambucano e o carioca, entra em campo uma rivalidade de 30 anos. São os fantasmas de 87.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Os números são importantes para o planejamento do futebol.
As estatÃsticas nos dão o roteiro do que poderá acontecer no futuro, e essas não falham. Tem um selo de garantia.
Hoje a lógica nos resultados desse esporte representa um bom percentual, desde que as diferenças entre os clubes são bem reais, e no final com poucas exceções só ganha o melhor. O Ãbis nunca foi campeão.
Um clube da Série B para conseguir o acesso com tranquilidade deverá somar entre 64 e 65 pontos nas 38 rodadas, considerando=se a pontuação do segundo ao quarto colocado na tabela de classificação desde que o time campeão historicamente fica acima dessa média.
No perÃodo estudado, um pequeno número de clubes ficou abaixo dessa meta, e que não pode servir como parâmetro.
Em 2006, o América/RN galgou a Série A com 61 pontos. O Vitória em 2007 ficou totalmente longe da pontuação estimada, e subiu de divisão com 59 pontos, assim como o Sport em 2011, com 61 pontos. O Figueirense em 2013 subiu com 60 pontos, ou seja, apenas quatro acessos em um tal de 33, que e muito pouco, e representam uma exceção à regra.
A média para a conquista do tÃtulo é de 75 pontos.
Por outro lado apenas o Vasco da Gama classificou=se na terceira colocação em 2014, com 16 vitórias, com a compensação de 15 empates e poucas derrotas(7).
Nos demais anos nenhum time com menos de 17 vitórias obteve o sucesso. A média é de 19 conquistas, somando 57 pontos, e com 6 a 8 empates.
Existe um modelo que nós fizemos para a programação dos clubes disputantes, que objetivam chegar a maior divisão nacional. O chamamos de fórmula 4x9, que é bem simples de ser adotada.
Como a competição tem 38 rodadas, dividimos essa por 4 que nos dá 9 jogos em cada bloco, sobrando duas para os acertos finais.
Em cada setor torna=se necessário pelo menos a soma de 16 pontos, sempre com maior número de vitórias do que empates, o que é fundamental para o alcance dos objetivos.
O percentual de aproveitamento será de 56% que é a média encontrada nas pontuações dos três colocados que foram analisados nesses anos estudados.
Algo bem simples de ser formatado, e que representa a realidade dos números estampados em 11 edições do Brasileiro da Série B, que foram definidores para o acesso.
O clube que ainda não fez as suas projeções deve aproveitar esse modelo estatÃstico que foi aprovado sem a melhor falha no meio do caminho.
Voltamos a afirmar que os números fazem parte do planejamento do futebol. O clube que soube fazer tal análise levará uma vantagem sobre os adversários.