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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
"Magrãooooooo"! O grito do locutor da Rede Globo, Rembrandt Junior, espécie de marca registrada das grandes defesas do goleiro, Magrão, do Sport, ecoou no Estádio Centenário, um dos santuários do futebol mundial, em Montevidéu. Era o anúncio de mais um "milagre" a ser adicionado a brilhante carreira do profissional que há 12 anos veste a camisa número um do clube leonino. E o goleiro foi festejado como o herói da classificação do time pernambucano para a próxima fase da Copa Sulamericana.
Para os seguidores do futebol de resultados, o grito do narrador é o resumo de uma passagem na competição continental, fato que vai dar mais visibilidade ao Sport. Entretanto, os que analisam desempenho, indo mais além do resultado do jogo, a história deste confronto não pode ser simplificada dessa forma, embora as defesas do goleiro na decisão por pênaltis tenham assegurado a classificação que começou a ser construÃda no Recife, de forma sólida e convincente, a ponto de levar centenas de torcedores da Capital Pernambucana, a Capital Uruguaia, para testemunhar um feito que teve um fechamento dramático, onde brilhou uma estrela solitária num esporte coletivo.
O Sport é o clube brasileiro que mais jogou nesta temporada, até o momento. Foram mais de 30 partidas, porém, deste montante selecionamos apenas cinco apresentações como boas e convincentes. O fato de o clube ter se classificado para as finais do Pernambucano e da Copa do Nordeste, medindo força com adversários de pouca qualidade técnica, mascarou uma realidade que vem à tona quando enfrenta times de um nÃvel técnico mais elevado.
O Danubio, que nesta quinta=feira teve a oportunidade de aplicar uma goleada histórica no time pernambucano, é o 11º colocado no Campeonato do Uruguai. Sabemos que os treinadores têm explicação para tudo. Evidente que o excesso de jogos, muitos intercalados por viagens, contribui para uma queda de rendimento, mas é preciso observar que, dos jogadores recrutados este ano como reforços poucos deram uma resposta positiva. Na manhã desta sexta=feira foi confirmada a contratação do meia Thomás, que estava defendendo o Santa Cruz. Domingo, diante da Ponte Preta, na abertura do Brasileiro da Série A, é possÃvel que aconteçam duas estréias.
O técnico Ney Franco se perde nos seus conceitos, e deixa de dar sequência a coisas óbvias. Erra nas escalações, como ocorreu neste jogo de Montevidéu quando colocou Rodrigo em campo em detrimento a escalação de Everton Felipe, e dificilmente corrige seus erros quando mexe no time em busca de alternativas táticas. Em sÃntese: ele ainda não conseguiu colocar o time no chão. O Sport tem jogado com dois volantes de boa pegada e pouca criação para dar proteção a zaga, mesmo assim o setor de contenção segue vulnerável. O Sport precisa de uma nova dupla de zagueiros, mais novos e mais ágeis. Isto é fato.
Enquanto as mudanças necessárias não acontecem, aos leoninos resta se deliciar com os gritos do Rembrandt: "Magrãoooo".
CLAUDEMIR GOMES
Em 1993, quando a Seleção Brasileira aportou no Recife para disputar o histórico jogo com a BolÃvia, válido pelas Eliminatórias para o Mundial de 94, aplicando uma goleada de 6x0 que serviu de impulso para a conquista do tetra nos Estados Unidos, o ilustre alvirrubro, Marcos Vinicios Rodrigues Vilaça, membro da Academia Brasileira de Letras e ex=ministro do Tribunal de Contas da União, durante jantar que ofereceu ao presidente da CBF, a época Ricardo Teixeira, me fez a seguinte colocação: "O Náutico é um clube contemporâneo do Século XXI".
Os primeiros anos do novo século nos deram a falsa impressão de que a profecia de Vilaça estava em curso, se cumprindo. Afinal, em quatro temporadas o Clube Alvirrubro havia conquistado três tÃtulos estaduais. Ledo engano. Se no final do Século XX o Náutico amargou 11 anos de jejum sem conquistar um tÃtulo, no momento a seca de tÃtulos já dura 13 anos.
Em 2005, no seu primeiro ano como presidente do Santa Cruz, Romerito Jatobá, na oportunidade de um Clássico das Multidões (Sport x Santa Cruz), disputado na Ilha do Retiro, me fez a seguinte revelação: "Este clube = o Sport = está dez anos a frente do Santa".
Romerito levou o Santa Cruz ao tÃtulo estadual de 2005, pondo fim a um jejum de 9 anos, e na mesma temporada recolocou o clube na Série A do Brasileiro. Estes foram os dois únicos registros positivos do Tricolor na primeira década do Século XXI, perÃodo em que o clube sofreu uma queda vertiginosa no cenário Nacional onde chegou a Série D do Brasileiro. A reação veio a partir de 2011, inÃcio da atual década onde os corais contabilizaram, até o momento, cinco tÃtulos estaduais em sete disputados; um tÃtulo regional e um tÃtulo nacional (Série C).
No perÃodo de 1991 a 2010, que correspondo a última década do Século XX e a primeira década do Século XXI, o Sport conquistou 14 tÃtulos estaduais (Náutico e Santa Cruz levantaram 3, cada um); 2 regionais e um nacional (Copa do Brasil). Os números atestam a supremacia doméstica dos rubro=negros, que serviu para fortalecer sua musculatura, lhe dando como resposta positiva uma maior visibilidade no cenário nacional. A resultante do processo de crescimento é a conquista de investidores e capitação de recursos que viabilizam um salto qualitativo que respalda, dar sustentação ao crescimento.
Na década de 90, aproveitando os tÃtulos dos Brasileiros (Série A 1987 e Série B 1990), além do vice da Copa do Brasil em 1989, os dirigentes leoninos, a época capitaneados pelo presidente, Wanderson Lacerda, que tinha José Joaquim Pinto de Azevedo como o seu vice, começaram a ver o Sport além das quatro linhas do gramado, atitude que impulsionou o clube a um crescimento elogiável. Na segunda década do Século XXI, os dirigentes leoninos se fixaram na idéia da construção de uma arena na Ilha do Retiro. O projeto dividiu opiniões, se tornou inviável, e os gestores leoninos passaram a enxergar apenas dentro das quatro linhas. O Sport do momento é um clube genuinamente de futebol de resultados, o que não é bom para o clube a médio e longo prazos. Atualmente 60% da receita do clube vem da verba da televisão.
O Náutico foi o primeiro dos grandes clubes do Recife a construir um Centro de Formação de Jogadores, que deveria ter sido o passo decisivo para colocar o Clube dos Aflitos em sintonia com o Século XXI, como prognosticou o ilustre Marcos Vinicios Vilaça. Mas os alvirrubros desperdiçaram o tempo em brigas com os próprios alvirrubros. As desavenças internas dividiu os amantes do clube em frações que têm se mostrado incapazes de repensar a agremiação que se apequena a cada dia.
O Santa Cruz, através da Comissão Patrimonial, investe na construção do Centro de Formação de Atletas Rodolfo Aguiar, para entrar em sintonia com os grandes clubes do futebol brasileiro. Um sinal de que entre os tricolores existe uma célula que enxergar fora das quatro linhas do campo, fato que não ocorre com o poder executivo.
A chegada do Salgueiro, com competência, a final do Campeonato Pernambucano, escancara a deficiência, os erros das gestões dos grandes clubes do Recife, que a cada dia estão mais pobres de pensadores.
JOSÃ JOAQUIM PINTO DE AZEVEDO = blogdejjpazevedo.com
Náutico e Santa Cruz se enfrentaram ontem pela quinta vez nessa temporada em menos de cem dias. Ainda terão o segundo jogo, e mais dois pelo Brasileiro da Série B, ou seja, serão oito confrontos em uma só temporada. Uma overdose que nem os mais apaixonados conseguem aguentar.
O Campeonato Pimpão está sendo encerrado de forma melancólica, com times de forma ridÃcula disputando a terceira colocação, quando já o fizeram durante a competição.
Enquanto os cartolas davam entrevistas sobre o apito de vÃdeo, que só veio para o nosso Estado por conta do Circo considerar que a nossa decisão seria de menor potencial de risco, desde que se trata do encontro do time milionário, contra um do Interior do Estado, a Arena Pernambuco recebia menos de 200 pagantes, mostrando a realidade do nosso Estado, que está terminando o estadual com cara de Déjà Vu, e que não será esquecido por conta da sua mediocridade.
O apito de vÃdeo já funcionou nessa partida na decisão do gol do Náutico que foi anulado pela arbitragem, e depois das reclamações o aviso veio, e a árbitra, Deborah CecÃlia, voltou atrás, validando=o.
Não aconteceu futebol e sim uma pelada do nÃvel dos antigos encontros entre o Guarani e Nacional de Camaragibe.
Os dois times estavam constrangidos por conta do público, e por serem obrigados a disputarem algo que beira a insanidade, uma decisão grotesca.
Teve um bonito gol, o de Roberto do Tricolor, e o apito amigo, que não marcou um pênalti favorável ao Náutico no final do jogo.
Depois da partida quem dançou foi Milton Cruz, técnico do alvirrubro, que foi demitido.
A culpa de tudo não é apenas da Federação, e sim dos dirigentes ao aprovarem um regulamento sem uma leitura do que está escrito em seus artigos.
Depois da partida chegamos a uma triste definição, a de que o futebol de Pernambuco morreu, já foi enterrado e teve uma missa de Réquiem.
CLAUDEMIR GOMES
A nova ordem do futebol nos surpreende a cada dia. A expressão, a granel, está em desuso, mas os mais velhos conviveram muito tempo com ela, principalmente os que moraram no Interior, e frequentaram vendas e mercearias. Nelas a maioria dos produtos eram comercializados a granel, ou seja, sem embalagem e de forma fracionada. Pois bem! Apesar de familiarizado com vendas, mercearias e fiteiros, nunca imaginei que um dia testemunharia uma final de campeonato sendo "vendida" a granel. Era só o que faltava. Não falta mais. O primeiro confronto entre Sport e Salgueiro, válido pelas finais do Pernambucano 2017, acontece neste domingo. O jogo de volta foi programado para o dia 18 de junho. Nesses 42 dias que separam as duas partidas do mesmo campeonato, o Sport disputará 11 jogos válidos por outras competições.
Nos mercados públicos, nas feiras livres e em casas comerciais em torno dos mercados, ainda é possÃvel encontrar muitos produtos sendo vendidos a granel. Eles ficam expostos, sem embalagem, e isso requer muita atenção do consumidor com o prazo de validade. O absurdo espaço de 42 dias separando os dois jogos de uma final nos deixa com o sentimento de que o produto perderá seu prazo de validade. Os clubes, principalmente o Sport, estarão participando de outras competições. Os fumantes a moda antiga afirmavam que, o cigarro vendido a granel não tinha o mesmo sabor do que era vendido a grosso, ou seja, na carteira fechada. Isto também serve para uma final. à bem diferente a disputa dos dois jogos num curto espaço de tempo, se mantendo o calor da disputa, os times focados e as torcidas motivadas, do que se promover o segundo confronto cinco semanas após o primeiro.
Aberrações como esta são resultantes do exagero de competições que são criadas pelas diversas entidades que gerenciam o futebol nacional e internacional. Há muito tempo o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, nos chama a atenção para o fato de o ano só ter 365 dias, e que iria faltar espaço para tantas competições. No calendário futebolÃstico estamos entrando no quarto mês, e neste espaço o Sport já foi a campo 40 vezes. à como se disputasse um jogo a cada 3 dias. Um absurdo. Na Europa, um clube quando disputa 60 partidas numa temporada é um exagero. Com os compromissos que ainda tem pela frente, até dezembro, o Leão fechará a temporada 2017 com mais de 80 jogos. Se chegar as finais da Copa do Brasil, ou da Copa Sulamericana, ultrapassará a marca dos 90 jogos.
Final a granel. Coisa do futebol brasileiro meu caro Edvaldo Moraes.
CLAUDEMIR GOMES
"Nada se cria, tudo se transforma". A frase é do francês, Antoine Lavoisier, considerado o pai da quÃmica moderna. Pegando uma carona no princÃpio da conservação da matéria, podemos afirmar que, no futebol brasileiro pouco se cria, tudo se copia. Infelizmente existe uma tendência absurda para se copiar coisas negativas, uma caracterÃstica inconteste de alienação. E tudo se processa numa velocidade impressionante. Depois que o valentão, Felipe Melo, volante do Palmeiras, distribuiu socos no final de um jogo em Montevidéu, num espetáculo deprimente e abominável, a "nova ordem" é transportar a violência que impera nas ruas, para dentro dos estádios.
O tumultuo que ocorreu no Uruguai foi preconizado pelo jogador do Palmeiras, quando de sua de sua apresentação. Ele prometeu e cumpriu. E ainda existe um pelotão de "advogados" lhe defendendo. Dias depois vemos o ex-técnico do Vitória, Argel Fucks, se envolver numa confusão generalizada entre jogadores do Bahia e do Vitória, após o clássico que definiu a classificação do Tricolor Baiano para às finais da Copa do Nordeste.
Sábado, na Ilha do Retiro, o atacante, Pitbull, do Santa Cruz, ao marcar o gol da vitória do Tricolor do Arruda sobre o Sport, ficou esmurrando o escudo do clube leonino, numa atitude que poderia ter desencadeado uma onda de violência. Não vamos isentar Pitbull de culpa, contudo, não podemos afirmar que foi um ato premeditado. Houve falta de decoro e de respeito. Isto é fato. Mas não foi nada anunciado, pegou a todos de surpresa. E este, talvez, tenha sido o motivo pelo qual a agressão feita à instituição Sport Clube do Recife não tenha provocado uma reação violenta por parte dos amantes rubro-negros.
Nesta terça-feira, as
manchetes em todos os meios de comunicação são sobre a promessa feita pelo
atacante, Rogério, do Sport, que ficou "bravo" com a atitude do
atacante do Santa Cruz e disse que, caso marque um gol no clássico programado
para amanhã, no Arruda, fará a mesma coisa com o escudo do clube coral. Neste
caso a ação é premeditada, pensada, anunciada, e pode provocar uma onda de
violência, inclusive, com a participação efetiva das torcidas. Medidas preventivas
no sentido de coibir tal "impulso" do atacante do Sport devem ser
tomadas a partir da diretoria do clube; pela Federação e, por fim, pela PolÃcia
Militar para evitar invasão de torcedores ao campo, visto que, próximo ao
escudo do Santa Cruz foi aberto um acesso às arquibancadas. A organizada Inferno Coral, já publicou nota no seu site oficial informando que, para este jogo, estará posicionada perto do escudo para servir de guardiã do equipamento.
O futebol pernambucano sempre se notabilizou por não ter Ãndice de violência dentro dos estádios. Os confrontos entre torcidas organizadas ocorrem nas ruas, nunca nos estádios. Um fato pontual aconteceu há dois anos, dia 2 de maio de 2015, no final de um jogo entre Santa Cruz e Paraná, quando um maluco atirou um vaso sanitário num grupo que ia passando na rua das Moças, ao lado do estádio. O torcedor atingido veio a óbito.
Bom! à torcer para que essa violência que está sendo levada para dentro de campo pelos jogadores, não seja copiada pelos que defendem os clubes pernambucanos.