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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Em um campeonato composto por trinta e oito rodadas, não se pode ligar o sinal vermelho para os clubes após a disputa da quarta rodada. Tem tempo e muitas possibilidades de reação pela frente. Contudo, como costuma observar o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, "é preciso ter cuidado para não deixar criar uma tendência". Os números do Náutico neste inÃcio da Série B 2017 são muito negativos: 4 jogos; nenhuma vitória; nenhum gol marcado; um ponto somado em doze disputados e um saldo negativo de 7 gols. Tal estagnação pode lhe render a lanterna ao final da rodada. Uma vitória no jogo da próxima terça=feira com o Oeste, na Arena Pernambuco, passou a ser de extrema importância para não deixar que a distância que separa o time de Waldemar Lemos do primeiro colocado fora da zona de rebaixamento se torne quilométrica.
Ano passado, ao final da quarta rodada da Série B, o Náutico contabilizava 2 vitórias e 2 derrotas. Seu ataque havia marcado 8 gols contra 4 sofridos pela defesa, o que lhe dava um saldo positivo de 4 gols. Detalhe: as derrotas sofridas pelo time alvirrubro foram pelo placar mÃnimo de 1x0, e na condição de visitante. Como mandante, o Náutico contabilizou, no primeiro turno da Série B 2016: 8 vitórias, um empate (1x1) com o Bragantino, e uma derrota (3x1) para o CRB. Se os alvirrubros tivessem tido a mesma eficiência no returno, fatalmente teriam alcançado a meta do acesso. Nos jogos de volta o Náutico foi derrotado 3 vezes na Arena Pernambuco (Criciúma, Londrina e Oeste) e empatou com o Bahia. A força doméstica é determinante na busca dos objetivos.
Se nos determos apenas na disputa do Brasileiro da Série B, e observamos o espaço e as oportunidades de reação, podemos dizer que a situação do Náutico não chega a ser inquietante. Mas se analisarmos o momento do clube como um todo, a expressão "dramática" é a que mais se adéqua. O viés polÃtico, que é muito grande na crise administrativa, inviabiliza a formação de uma unidade, única saÃda para o caos instaurado. Há muito tempo que o clube foi fracionado, e se tornou quase impossÃvel somar as frações. A divisão reflete de forma negativa e direta no futebol. Os números são incontestáveis.
CLAUDEMIR GOMES
O futebol tem um componente muito forte chamado emoção que dificulta a coerência nas análises dos fatos. A vitória (4x3) do Sport sobre o Grêmio, na terceira rodada do Brasileiro da Série A, foi por demais positiva para o clube leonino por uma série de ganhos: a interrupção de uma sequência de jogos sem vitórias; um salto expressivo na tabela de classificação, de onde saiu da zona de rebaixamento para o 12º lugar; superou a frustração pela perda do tÃtulo da Copa do Nordeste numa decisão com o Bahia, e o melhor de todos, o despertar de um artilheiro que vinha sendo cobrado por um bom futebol desde que o Sport o repatriou a peso de ouro. André foi o grande protagonista, marcou três dos quatro gols do Sport, se colocou na briga pela artilharia da Série A, fato que eleva a autoestima do profissional e pode representar o inÃcio de um novo tempo na sua oscilante carreira.
Desmerecer a vitória do time rubro=negro alegando que o Grêmio utilizou um time reserva é valorizar demais uma questão periférica. Afinal, se os leoninos tivessem perdido o jogo, as crÃticas e os comentários teriam sido contundentes e ácidos. Futebol é momento, e o momento de ontem foi por demais positivo. Não estamos dizendo que o futebol apresentado pelo time posto em campo por Daniel Paulista foi de boa qualidade, nem que com esta vitória o Sport passou a ser um dos concorrentes ao tÃtulo. O que estamos enfocando é tão somente a alegria do momento, o bônus de uma vitória numa partida marcada por sete gols. As falhas, os defeitos e as limitações do elenco seguem evidenciadas, razão pela qual a vitória teve um sabor especial.
Antes de a bola rolar, o narrador, Bartolomeu Fernando, da Rádio Globo, me fez a seguinte indagação: "Será que o André irá justificar o investimento que o Sport fez para lhe trazer de volta para a Ilha do Retiro?". A resposta lhe foi dada pelo próprio jogador, que se mostrou letal na construção de uma virada pouco provável até os 30 minutos do primeiro tempo, perÃodo em que o time leonino esteve apático e perdido dentro das quatro linhas. O artilheiro estava iluminado, e foi festejado e louvado pelos torcedores que desafiaram o tempo e marcaram presença na Ilha do Retiro.
CLAUDEMIR GOMES
O Internacional está debutando na Série B. Pelo seu passado de glórias, e pela receita financeira que o coloca num patamar bem acima dos outros dezenove clubes que participam da disputa, é apontado como o grande favorito para levantar o tÃtulo desta edição da Segundona Nacional. O único problema é que o Colorado precisa aprender a jogar na Série B. Caminhar no andar de baixo do futebol brasileiro também requer um aprendizado. Isto ficou claro no empate (1x1) com o ABC, na Arena Beira Rio, semana passada, e neste sábado, na derrota (1x0) para o Paysandu, no Mangueirão, em Belém do Pará.
Na década de 70, no século passado, o Inter era um clube da estatura do Santa Cruz. De lá prá cá o Colorado deu um salto qualitativo ao conquistar tÃtulos nacionais e internacionais, fato que o posicionou na galeria dos grandes clubes brasileiros. Nos últimos 40 anos o rebaixamento para a Série B foi a queda mais vertiginosa sofrida pelo clube de Porto Alegre em suas eventuais oscilações. Partindo do princÃpio de que cada competição tem suas peculiaridades, podemos afirmar que a Série B exige dos times uma atitude inerente a ela. Para Náutico, Santa Cruz, Ceará, América/MG... é mais fácil entender a competição a qual eles estão familiarizados, do que o novato time do Saci Pererê. Como se trata de um campeonato de tiro longo, e ainda faltam 35 rodadas a serem disputadas, há tempo de sobra para as devidas correções, e mudança de atitude.
A vitória do Paysandu sobre o Inter foi um dos destaques da terceira rodada do Brasileiro da Série B, que apresentou uma sensÃvel melhora na média de gols: 2,2. A mais expressiva até o momento. Nos 10 jogos realizados foram registradas 6 vitórias de clubes mandantes; 2 de clubes visitantes e dois empates, números que atestam uma mudança de cenário na competição que teve as duas rodadas iniciais marcadas por fatos inusitados que ressaltaram uma paridade nunca vista na Série B, até então. Evidente que, com apenas três rodadas realizadas, de um total de trinta e oito, qualquer projeção tem a marca da precipitação, mas tudo indica que os conceitos que norteiam a Segunda Divisão Nacional devem prevalecer a medida que os times forem sendo ajustados.
CLAUDEMIR GOMES
Bahia campeão da Copa do Nordeste 2017! Estava escrito nas estrelas. Afinal, como nos ensina o mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, "futebol segue uma lógica". O Sport, o outro finalista, fez jus a tal condição com uma campanha similar a do Tricolor Baiano, entretanto, em nenhum momento o desempenho do time pernambucano foi convincente. Coisa do futebol de resultados. O técnico, Guto Ferreira, definiu um esquema de jogo ao qual o time do Bahia se identificou e evoluiu através do mesmo. Por outro lado, Ney Franco, não encontrou uma forma de equalizar as deficiências do Sport e acabou se confundindo com os seus próprios conceitos.
Ney Franco caiu com a perda do tÃtulo regional, mas as causas do insucesso do time pernambucano vão mais além dos seus equÃvocos. São resultantes dos investimentos feitos pela diretoria em jogadores sucateados, que foram garimpados como apostas, sem a certeza de que seriam reforços. Os erros dos comandantes do futebol leonino começam com a contratação de um treinador que estava fora do mercado, e seguem com avaliações de atletas com base no que produziram no passado, uma vez que, o presente não credenciava nenhum dos investimentos feitos. E raras foram as apostas que, até o momento, deram uma resposta positiva.
Parodiando o grande Dom Hélder Câmara podemos afirmar: Você pensa que o torcedor não pensa, o torcedor pensa. E a grande resposta tem sido dada através do distanciamento do torcedor leonino da Ilha do Retiro. Os amantes fieis, seguem ocupando seus assentos, mas os que são movidos pela paixão dos resultados são volúveis. Aparecem nos momentos de decisão, mesmo que seja para torcer pelo improvável. Foi o que aconteceu na Fonte Nova, quarta=feira, quando centenas de rubro=negros foram apoiar Diego Souza e companhia e se decepcionaram com a desarrumação e apatia do time em campo.
Pior que a bisonha apresentação dos jogadores em campo foi o esforço do vice=presidente de futebol, Gustavo Dubeux, em querer transferir a responsabilidade da derrota para um erro de arbitragem que não existiu. A simulação do atacante Rogério foi patética. Aliás, Diego Souza também foi protagonista de uma pantomima bizarra que deveria ter lhe custado um cartão. Não sei o que foi mais grotesco: a atuação dos três zagueiros ou a coletiva de Dubeux. Na atual conjuntura fica difÃcil para o torcedor leonino almejar algum tÃtulo que não seja o do Pernambucano, único que cabe no tamanho do Sport, no momento.
ROBERTO VIEIRA
Andei procurando nos últimos tempos uma explicação qualquer para a desconstrução do Ãdolo e baluarte alvirrubro Ivan Brondi. Por que uma legião de novos alvirrubros deseja dia e noite ver a saÃda do Mestre Ivan da presidência do Clube Náutico Capibaribe. Por que em vez de colaborar com o clube e com a gestão de Ivan, dezenas de pessoas ocupavam o Conselho e as esquinas do clube pichando muros e colocando obstáculos após obstáculos na ânsia de solapar a administração.
A explicação achei depois de mais uma noite de insônia vermelha e branca. Isso depois de franzir a sobrancelha a cada vez que alguém me chegava para falar dos defeitos de Ivan:
"Ele é honesto demais!"
"Ele é bonzinho demais!"
"Ele não é polÃtico!"
"Ele acredita nas pessoas!"
Este último parece ser o defeito mais terrÃvel.
Porém meus xiitas, Ivan representa o Náutico que deu certo; Ivan representa um atleta de talento e aplicação exemplares; Ivan representa tudo o que não se consegue fazer no clube; Ivan é o avesso do avesso do avesso psicanalÃtico.
Destruir Ivan para muitos é destruir o antigo. à cravar as garras como Ãdipo no seu adversário para erguer um novo clube, mais forte e mais competitivo que o Náutico do passado.
Fazendo uma rima inesperada, eu acho que quem é contra Ivan deveria mesmo era deitar num divã. Porque não precisamos passar por cima das glórias do passado para também sermos vencedores. Porque o Náutico é um CLUBE, não uma associação polÃtica com fins revolucionários como desejam alguns. Porque quem não respeita os personagens de sua história com facilidade se descarta dos parceiros do futuro.
Fazer um Náutico forte não implica de forma alguma destruir o Náutico de inúmeras conquistas de Ivan Brondi.
Quem pensa assim ainda convive com fralda e mamadeira. E quem convive com fralda e mamadeira é alguém de difÃcil diálogo - pois desconhece o que é a palavras.
Escrevendo estas linhas, que de forma alguma são para defender Ivan, pois Ivan não precisa de defesa nunca, sua vida é sua declaração de méritos. Chego a conclusão de que aqueles que buzinam e ofegam impropérios são capazes de muita coisa. Como por exemplo, vaiar o time do Hexa em campo, dilapidar a estátua de Eládio na sede, virar as costas a um Baiano ou a um Juca Show no passado. Porque tudo que não faz parte da mente brilhante deles é errado, tosco e incompetente.
Por fim, acompanhar o Náutico atualmente faz mal a saúde fÃsica e mental de qualquer apaixonado. à como acompanhar o noticiário de BrasÃlia. Como sair para jantar com os sócios da JBS e da Odebrecht.
Coisa que decididamente uma pessoa normal não curte fazer...