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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
Um clube que disputa quatro competições simultaneamente, corre o risco de, em determinado momento, ter que priorizar uma delas. A preferência será determinada pelas circunstâncias do momento, fato que, muitas vezes leva o discurso a não ser nada condizente com a prática. O exemplo mais recente da falta de sintonia entre a verbalização e a execução foi dado pelo Sport, quando preservou quatro titulares, deixando-os de fora do segundo confronto com o Joinville, válido pela Copa do Brasil, com o intuito de tê-los no clássico de domingo com o Náutico, segunda partida entre os dois clubes válida pelas semifinais do Pernambucano.
No discurso dos dirigentes a prioridade seria a Copa do Brasil, contudo, a julgar pela atitude do treinador Ney Franco, em poupar quatro titulares no confronto com o Joinville, em Santa Catarina, o tÃtulo pernambucano é o grande objeto de desejo do momento para os leoninos. Afinal, das disputas nas quais o Sport está envolvido, o Estadual é, teoricamente, a mais viável para levantarem o tÃtulo.
As dificuldades para assegurar a classificação para as oitavas de final da Copa do Brasil devem ser atribuÃdas a priorização à s semifinais do Pernambucano. Financeiramente a competição nacional é muito mais rentável, entretanto, um tÃtulo é sempre importante para enriquecer currÃculos e amenizar cobranças vindas dos torcedores.
O próximo adversário do rubro-negro pernambucano na Copado Brasil será o Botafogo, que também participa de outras disputas em paralelo. Na próxima semana o Sport medirá força com o Santa Cruz, nas semifinais da Copa do Nordeste. Existe a possibilidade de o Leão se ver diante de uma nova encruzilhada: priorizar as oitavas de final da Copa do Brasil ou a disputa dos tÃtulos regional e estadual. à preciso alinha o discurso à s necessidades.
OS CONFRONTOS DAS OITAVAS DE FINAL DA COPA DO BRASIL:
Atlético PR x Santa Cruz
Grêmio x Fluminense
Flamengo x Atlético-GO
Palmeiras x Internacional
Botafogo x Sport
Santos x Paysandu
Chapecoense x Cruzeiro
Atlético-MG x Paraná
CLAUDEMIR GOMES
Sinto=me confuso, desde ontem, com a notÃcia de que o Sport é o verdadeiro, e único, campeão brasileiro de 1987. à como se tivesse sido arremessado no túnel do tempo, e retrocedi 30 anos. Voltei a ser repórter, sem nenhum fio de cabelo branco. A vontade imediata foi correr para a redação do DP, e gritar para o nosso editor de esportes, a época, Adonias de Moura: "Mestre a manchete é minha".
Caà na real. Hoje estou com a cabeleira branca contornada por raros fios pretos. O Diário de Pernambuco, numa agressão a história do nosso Estado, foi retirado do seu domicÃlio na Praça da Independência. Ligo o rádio e não escuto mais o rock de Cazuza e Renato Russo, que dominava a cena musical nos anos 80. Na polÃtica, o PT que em 87 era a esperança de um Brasil melhor, se encontra mergulhado e agonizando na lama da corrupção. O barulho ensurdecedor das máquinas de datilografia foi substituÃdo pelo silêncio dos computadores. A internet está ao alcance de todos encurtando distâncias. A maioria dos jogadores que atuam no futebol brasileiro, e mundial, sequer eram nascidos em 87.
E por que os jornais, em 19 de abril de 2017, ainda falam de um tÃtulo disputado há 30 anos como se fosse um fato novo?
Acredito que a resposta está nas palavras do ministro do STF, LuÃs Roberto Barroso: "Não há espaço pior para se discutir questões desportivas do que o Poder Judiciário. O resgate do conceito de autonomia desportiva é muito importante. Estamos falando do tapetão do STF para decidir tÃtulo de um campeonato de futebol". Verdade. Acompanhei essa história desde o inÃcio. E o polêmico campeonato, em sua fase final, onde estava previsto o confronto entre os campeões e vices dos módulos verde e amarelo, passou a ser uma queda de braço no tapetão do Judiciário.
Com a recusa de Flamengo e Internacional em cumprir o regulamento, o tÃtulo foi decidido por Sport e Guarani/SP. O capitão do Sport, Estevam Soares, ergueu a taça das bolinhas, os dois clubes foram declarados pela CBF, e referendados pela FIFA, como campeão brasileiro e vice, respectivamente. Representaram o Brasil na edição de 1988 da Libertadores da América. Tudo parecia resolvido dentro das quatro linhas. A peleja havia chegado ao fim, mas a pendenga não.
Os recursos pareciam se multiplicar. Juristas pernambucanos e cariocas mediam forças, e o direito do Sport sempre prevalecia. Num desses muitos julgamentos, a decisão em favor do clube pernambucano foi dado como "Transitado em Julgado". Alegria na tribo leonina. Afinal, não cabia mais recursos. Ledo engano. Quando o jogo é jogado fora do campo tudo pode.
Um belo dia, muitos anos depois, o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira, entende que caberia dividir o tÃtulo de 87 com Sport e Flamengo. Na mÃdia não se discutia mais o que era certo ou errado. O direito do Sport passou a ser visto pelos sulistas como uma coisa subjetiva. A discussão passou para uma outra esfera se misturando alhos com bugalhos, fato comum quando se abre o leque das discussões em temas polêmicos. E ai entra o preconceito regional que sempre irá existir neste paÃs de contrastes.
As gerações dos craques mudaram, mas a pendenga seguia nos corredores da Justiça. E o Sport seguir acumulando pontos. Enfim, o caso chega a Suprema Corte. O Brasil da bola e da Lava Jato tem disso. Com tanta coisa acontecendo, com o PaÃs sendo passado a limpo, o STF pára para julgar um tÃtulo que foi decidido, dentro de campo, há 30 anos. E os ministros se sentiram como se tivessem levado uma bola nas costas.
Bom! Acho que agora não muda. Não tenho mais idade para aturar mais 30 anos de pendenga.
Em tempo: As manchetes no Jornal Nacional e nos jornais pernambucanos foram pertinentes, mas é bom lembrar a torcida rubro=negra que a carreata do tÃtulo aconteceu em janeiro de 88, quando 50% dos atuais torcedores leoninos ainda não eram nascidos.CLAUDEMIR GOMES
Em meio a tantas semifinais de estaduais pelo Brasil afora, o fato mais relevante, e que ganhou destaque na mÃdia nacional, foi a atitude do zagueiro do São Paulo, Rodrigo Caio, que num fairplay pouco comum, avisou ao árbitro que havia atingido, acidentalmente, seu companheiro de equipe, evitando que o atacante Jô, do Corinthians, fosse penalizado com um cartão amarelo. Se o goleiro Magão, do Sport, tivesse tido um comportamento similar, pautado pela ética, certamente o árbitro Wagner Nascimento Guimarães teria validado o gol marcado pelo zagueiro, Everton Páscoa, do Náutico, que anulou equivocadamente acusando uma carga faltosa no goleiro leonino, fato que não aconteceu. Sem o erro crasso do apitador carioca, o resultado do primeiro clássico envolvendo rubro=negros e alvirrubros, válido pelas semifinais do Pernambucano poderia ter sido outro.
Infelizmente a tecnologia ainda não é utilizada como grande aliada do futebol para dirimir erros aos quais os árbitros são passÃveis. Como ética é coisa rara no futebol, razão pela qual Rodrigo Caio passou a ser o grande personagem do final de semana, seguimos testemunhando erros grosseiros que somente serão corrigidos quando o programa de tira teima for introduzido no futebol, a exemplo do que já ocorre no vôlei. Até se equivocar no lance em que marcou falta de Páscoa em Magrão, quando o defensor alvirrubro sequer tocou no goleiro leonino, o carioca Wagner Guimarães vinha realizando um trabalho irretocável na direção do clássico.
A importação de um árbitro para vir apitar o clássico foi uma reivindicação do Sport, acatada pela Federação e apoiada pelo Náutico. Toninho Monteiro, principal diretor do futebol do clube alvirrubro, chegou a declarar na Rádio JC, em programa comandado pelo jornalista, Ednaldo Santos, que, "o Náutico concorda até em dividir as despesas". Tal apoio mostra o quanto foi descabida a revolta e agressões verbais feitas, em tom de desabafo, pelo diretor, Eduardo Henriques, que assegurou: "No clássico de domingo o árbitro será pernambucano".
Todo árbitro é passivo a cometer erros. Isto é fato. A história do Campeonato Pernambucano nos mostra que, já tivemos até árbitro argentino (Javier Castrilli), atuando numa decisão entre Santa Cruz e Sport. Um erro do apitador acabou prejudicando o Tricolor do Arruda.
O primeiro jogo da outra semifinal do Pernambucano, onde o Santa Cruz venceu o Salgueiro por 1x0, gol de pênalti anotado pelo zagueiro, Anderson Salles, também foi suscitou dúvidas. A falta anotada por Deborah CecÃlia é um desses lances que mesmo com tira teima segue dividindo opiniões. Não é correto, mas é quase regra no futebol: em lances duvidosos as decisões sempre beneficiam o clube mais forte. Afinal, ética coisa pouco provável no futebol. Rodrigo Caio que nos diga, pois ele foi acuado no vestiário do São Paulo por torcedores que o acusavam de "traidor".
Blog do RODRIGO MATTOS
Acusado de receber propina em negócio da Arena Corinthians, o deputado Vicente Cândido (PT-SP) é homem forte do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, desde o inÃcio de sua gestão. Participou da articulação que o levou ao poder, ganhou um cargo de diretor, remuneração e afastou ameaças ao poder do dirigente. De tão próximo, já foi até seu sócio em escritório de advocacia.
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin pediu a abertura de inquérito contra Vicente Cândido por supostamente receber R$ 50 mil da Odebrecht "que teria interesse no apoio do parlamentar na busca de solução para o financiamento do Estádio do Corinthians". O fato foi revelado pelo "Estado de S. Paulo" e teria ocorrido em 2010.
A informação vem de delações de Alexandrino Alencar, homem da Odebrecht que articulou o estádio corintiano juntamente com Andrés Sanchez, Carlos Armando Paschoal, engenheiro da obra, e Benedicto Barbosa Junior, executivo de alto escalão da construtora.
O financiamento da Arena Corinthians foi feito pelo BNDES por meio de uma intermediação da Caixa Econômica Federal, em contrato com a participação da Odebrecht e do Corinthians. Demorou a sair mais do que todas as outras arenas após uma negociação fracassada com o Banco do Brasil para exercer o papel de intermediadora que só resolveu em 2013. Em 2010, a Arena Corinthians tinha acabado de se tornar estádio da Copa e teria direito ao dinheiro do BNDES:
Pois bem, Vicente Cândido entrou no mundo da cartolagem pelas mãos de Del Nero ainda na FPF (Federação Paulista de Futebol) na década passada. Isso porque os dois eram sócios no escritório de advocacia Marco Polo Del Nero e Vicente Cândido Advocacia, sociedade desfeita só mais recentemente. Ele tinha R$ 1 mil em cotas do escritório do presidente da CBF em 2010.
Quando Ricardo Teixeira estava prestes a renunciar, acossado por denúncias na Fifa e no Brasil, Vicente Cândido esteve junto com Del Nero nas reuniões para articular a substituição do antigo presidente pelo atual no poder. A transição seria feita com José Maria Marin. Antes, Cândido não tinha presença forte na entidade.
Quando Del Nero se tornou presidente, ele ganhou o cargo de diretor de relações de assuntos internacionais na CBF. Como admitiu em 2016, ele tinha remuneração no cargo e considerava legÃtimo defender a entidade no Congresso. Não por acaso foi um dos principais responsáveis por articular contra investigação da CPI do Futebol sobre a CBF. O relatório do senador Romário não foi aprovado por conta da bancada da bola, com grande participação de Cândido.
Vicente Cândido era visto frequentemente em ambientes ligados ao futebol, seja distribuindo camisas da seleção na Arena do Corinthians, seja no camarote da FPF (Federação Paulista de Futebol) no estádio. Tinha boa relação com o deputado Andrés Sanchez (PT-SP). Assim, atuava como elo entre o parlamentar e Del Nero. à a primeira vez que se encontra relação entre um dirigente da CBF e acusações relacionadas à Arena Corinthians.
A CBF ainda não se pronunciou sobre o envolvimento de seu diretor na Lava-Jato. O próprio Del Nero é acusado de levar propina por contratos da CBF em investigação nos EUA do "caso Fifa".
CLAUDEMIR GOMES
Com uma folha no futebol profissional que supera a casa dos R$ 4 milhões, o Sport passou a ter sonhos grandiosos, e a definir metas ousadas que lhes levem a ultrapassar as fronteiras do Estado. Os investimentos no sentido de tornar a estrutura sólida acontecem há três décadas. De forma efetiva começaram com a conquista de dois tÃtulos nacionais de 1987 e 2000, nas Séries A e B, respectivamente. O salto qualitativo passa também por grandes investimentos no patrimônio = ampliação do estádio e construção do Centro de Treinamento = e nos departamentos médico e de fisiologia. Evidente que nada disso assegura a conquista de tÃtulos, que está ligada diretamente a uma série de fatores, mas credencia o clube a campanha exitosas.
A conquista da Copa do Brasil em 2008 e uma subsequente participação em várias competições sulamericanas, elevou o nÃvel de aspiração dos leoninos que passaram a trabalhar na qualificação do grupo. Naturalmente que, a exemplo do que acontece em todos os grandes clubes do futebol brasileiro, o trabalho desenvolvido pelo Sport, com o objetivo de dar um outro salto qualitativo, traduzido através de conquistas nacionais e internacionais, é marcado por oscilações, mas é inconteste que o clube rubro=negros atingiu patamares que o coloca num plano diferenciado no cenário doméstico, fato que lhe deixa com a quase obrigação da conquista do tÃtulo estadual, que se vier a acontecer será o 41º de sua centenária história.
No processo de nacionalização do futebol brasileiro, os estaduais passaram a condição de subprodutos. Contextualizando, o avanço do Sport na Copa do Brasil agita tanto a torcida leonina quanto as semifinais do Pernambucano. Evidente que, o confronto com o Náutico, próximo domingo, na Ilha do Retiro, no primeiro clássico válido pelas semifinais do Estadual, deverá atrair mais torcedores ao estádio, contudo, em termos de satisfação, uma vitória sobre o Joinville, hoje à noite, também na Ilha do Retiro, aproximando o time da próxima fase da competição nacional, será tão gratificante quanto.
A consolidação do crescimento de um clube de futebol se dar através da conquista de tÃtulos. Eis o porque de o Ãdolo, Diego Souza, ter afirmado em entrevista concedida ontem, no sistema JC de Comunicação, que "a Copa Sulamericana passou a ser uma obsessão para os rubro=negros". A estrutura do clube se tornou gigantesca num universo que se apequenou nos últimos anos, que é o universos estadual. Enfim, o Sport saiu da caixa, e procura reforçar sua musculatura para embates com adversário de grandes estaturas em competições de maior visibilidade. Evidente que nada acontece num passe de mágica. O crescimento é gradativo. A receita do sucesso é superar as oscilações.
Assim é a páscoa leonina.