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Maio 2012 ›› Blog do RODRIGO MATTOS
Ao pedir um amistoso contra a Alemanha em 2018, o técnico Tite e sua
equipe fizeram uma mudança radical na estratégia da seleção para Copa da
Rússia em relação a edições anteriores. O Brasil não opta por enfrentar
campeões mundiais pouco antes do torneio desde a Copa-1998, na França.
Depois disso, a preferência foi sempre por adversários fracos antes do
Mundial.
O amistoso contra a Alemanha, primeiro confronto depois da goleada de 7 a 1 na semifinal da Copa-2014, será no final de março de 2018 a apenas dois meses e meio do inÃcio da competição na Rússia. O jogo foi um pedido da comissão técnica para a diretoria da CBF, e a intenção é pegar outras grandes seleções.
"Foi o que a gente vem falando. Sem dúvida nenhuma nós passamos para a presidência e para a vice-presidência a ideia que nós tÃnhamos de jogar com grandes seleções. A gente quer um nÃvel de enfrentamento muito alto. Porque a gente entende que desta forma vai estar melhor preparado", contou o diretor de seleções, Edu Gaspar, ao blog.
Levantamento nos amistosos na seleção no perÃodo de um ano antes de Mundiais mostra que apenas uma vez o Brasil pegou um campeão desde 1998. Foi em novembro de 2009, antes da Copa da Ãfrica do Sul, quando o time nacional enfrentou a Inglaterra. Mas lembre-se que o time inglês não é campeão mundial desde 1966 e ainda faltavam sete meses para a Copa.
No perÃodo de um ano antes do Mundial-2014, o time de Luiz Felipe Scolari teve dez amistosos, sendo os dois times mais fortes Chile e Portugal. No ano do Mundial, seus rivais foram Africa do Sul, Panamá e Sérvia.
Na edição anterior, a equipe de Dunga pegou Zimbabwe e Tanzânia como últimos rivais no ano de 2010. Em 2006, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, Lucerna e Nova Zelândia foram os últimos adversários, sendo a Rússia a única seleção mais forte enfrentada no ano do Mundial.
O último campeonato conquistado pela seleção em 2002 também foi precedido por partidas com adversários fracos ou médios, sendo o mais representativo Portugal, em abril. Aquela equipe chegou a pegar Andorra nas vésperas do Mundial. Em 1998, tinha sido diferente já que o time brasileiro pegara Alemanha e Argentina na reta final para a Copa da França.
Essa falta de adversários fortes ocorria nem sempre pela vontade dos técnicos, mas por conveniência polÃtica e financeira do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. Ele queria fazer o time faturar com amistosos onde interessasse aos parceiros da confederação. O mesmo se repetiu na gestão de José Maria Marin, com Marco Polo Del Nero como vice, para o Mundial de 2014.
Mas Tite e Edu Gaspar demonstram uma força dentro da CBF que não tinham seus antecessores. Foram conversar com a diretoria e os convenceram sobre amistosos com times fortes, incluindo a Alemanha.
"à muito bacana porque se mostra bem integrado entre nós e os demais membros da presidência e da diretoria. Conversamos bem, falamos nossas ideias, e está sendo bem atendido", contou Edu Gaspar.
Agora resta saber se a CBF conseguirá datas para marcar outros amistosos com times campeões mundiais antes da Copa-2018.
CLAUDEMIR GOMES
A missão era considerada impossÃvel: reverter uma vantagem de quatro gols construÃda pelo PSG no primeiro jogo. Por esta razão, a goleada de 6x1 que o Barcelona aplicou no Paris Saint=Germain, entra para a galeria dos épicos do futebol. Momento de glória para o clube catalão, e de vergonha para a agremiação francesa que, por duas vezes, teve a classificação nas mãos, mas pagou caro por uma covardia imperdoável. "Obra do imponderável", diria o mestre, Nelson Rodrigues, mas Juninho Pernambucano, que por quase uma década reinou no futebol francês, usou a frase perfeita para explicar o inesquecÃvel feito do Barça: "Força mental".
O futebol é o esporte mais apaixonante do planeta porque tem sempre uma surpresa reservada para aqueles que acreditam que já viram de tudo dentro das quatro linhas. E está sempre a contrariar os senhores da verdade. Evidente que, numa partida onde aconteceram vários lances polêmicos, muitos vão querer desmerecer a vitória do Barcelona, que deve ser atribuÃda, acima de qualquer coisa, a atitude do grupo. Mesmo sem Messi brilhar como em jogos passados, o time da Catalunha, ao longo dos 90 minutos viveu momentos intensos de agonia e êxtase. A construção de uma vitória por 4x0, que antes de a bola rolar parecia improvável, se tornou viável quando o time espanhol colocou uma vantagem de três gols. O gol solitário do PSG, num esboço de reação, tornou o cenário sombrio, mais uma vez, para Messi e companhia.
Mas o Barcelona tinha aquilo que Juninho Pernambucano destacou: a Força Mental. E contou com o talento de Neymar que funcionou como ponto de desequilÃbrio. O atacante brasileiro fez a diferença: sofreu um pênalti que foi convertido em gol por Messi; marcou um golaço de falta reascendendo as esperanças e criando novas possibilidades de reação; converteu em gol um pênalti sofrido por Soares e deu um passe magistral para o gol da vitória épica no último minuto do jogo.
Não sei o que passa na cabeça do zagueiro Thiago Silva, que já tem seu currÃculo manchado pela fatÃdica goleada de 7x1 aplicada pela Alemanha na Seleção Brasileira. O inacreditável 6x1 que o Barça impôs ao PSG, é outro pesadelo que deverá lhe atormentar por um bom tempo.
Um épico para se rever varias vezes, e nunca esquecer que o "jogo só termina quando acaba".
ADALBERTO LEISTER FILHO - Máquina do Esporte
A notÃcia esportiva mais comentada na segunda-feira não foi a vitória
do Corinthians no clássico com o Santos. Nem o Fla-Flu de seis gols e
decidido nos pênaltis. Nem sequer os dois tentos ilegais feitos pelo São
Paulo. Nas minhas redes sociais, Tite e Wellington monopolizaram as
atenções.
Vamos aos fatos: o treinador da seleção foi à Arena Corinthians para ver o clássico paulista. Na chegada, o telão do estádio exibiu a imagem de Tite, efusivamente aplaudido pelos torcedores. Ele ficou emocionado. No momento em que Jô fez o gol da vitória, o técnico foi flagrado comemorando.
Corta para o dia seguinte, na saÃda do estádio do Morumbi. O volante Wellington é alertado por um dos membros da TV oficial do clube de que sua mochila está aberta. %u201CAinda bem que é no São Paulo, imagina no Corinthians%u201D, brincou o jogador, que talvez nem tenha percebido que participava de uma transmissão ao vivo.
Corto para quando iniciava minha carreira no jornalismo. Certo dia fui com a equipe do Lance! cobrir o jogo de um grande clube de São Paulo. Um dos repórteres não resistiu quando viu seu clube fazer o primeiro gol e ergueu um braço para festejar. Foi advertido de que aquele não era comportamento aceitável na tribuna de imprensa. TÃnhamos pouco mais de 20 anos. Aprendemos a lição.
Tite e Wellington, da mesma maneira, sabem que suas atitudes podem despertar ódio num ambiente tão passional como o futebol. Mas, diante da emoção despertada no treinador e da inocência do volante, são derrapadas aceitáveis.
Por que, então, a repercussão dos atos foi muito maior do que deveria? Busca da polêmica fácil? Matérias caça-cliques? O pretenso deslize da dupla diz muito mais sobre o jornalismo atual do que sobre futebol.