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Maio 2012 ›› CLAUDEMIR GOMES
A CBF fez uma reunião com os
representantes das federações, que está mais para um Chá das 5h que para uma
Assembléia, e deu um golpe nos clubes ao definir novo peso para os seus votos
em matérias, principalmente nas eleições para escolha de novo presidente. Os
clubes sequer foram informados sobre o encontro que é mais uma aberração
daqueles que dirigem o futebol brasileiro. Enquanto todos estavam com as
atenções voltadas para o jogo da Seleção Brasileira com a Seleção do Uruguai,
válido pelas Eliminatórias da Copa de 2018, os "astutos" dirigentes
realizaram essa "preliminar", numa demonstração clara de que, nos
bastidores o que vale é o antijogo, onde não se respeita a ética e nem existe
fair play. Vergonha.
Horas depois tivemos o prazer de assistir a auspiciosa goleada (4x1) da seleção comandada por Tite sobre o Uruguai, em pleno Estádio Centenário de Montevidéu, um dos templos do futebol mundial. O resultado levou à Seleção a alcançar uma sequência de sete vitórias, fato inédito na sua história em eliminatórias. Tal feito credencia o comandante que conseguiu mudar um cenário, e devolveu, a maioria da população brasileira, um otimismo que havia sucumbido com o vergonhoso 7x1 que a Alemanha impôs ao nosso futebol no Mundial que promovemos.
A Seleção Brasileira não é a melhor do mundo, mas alcançou um nÃvel de confiabilidade que me surpreende, uma vez que, a segunda era Dunga, pós Copa, foi a continuidade de um desastre que se inÃcio naquela fatÃdica tarde de 8 de julho de 2014 no Mineirão. Os jogadores assimilaram a filosofia do treinador; o time adquiriu um padrão de jogo e o grupo exibe uma maturidade elogiável. Neymar vive um momento divino, mas o time não é tão dependente do seu talento. O craque funciona como o ponto de desequilÃbrio, assim como outras seleções têm jogadores que fazem a diferença.
Paulinho esteve iluminado na noite desta quinta=feira. As qualidades do ex=jogador do Corinthians sempre foram reconhecidas, mas sua evolução impressionou na memorável goleada do Centenário. Falta muito ainda para o Brasil chegar a Rússia como favorito ao tÃtulo. A humildade do técnico é determinante para seguirmos acreditando no sucesso do seu trabalho. "A seleção precisa evoluir, não sei até onde ela irá evoluir. Seguirei plantando, alimentando", resumiu Tite em sábias palavras.
Terça=feira, num programa no canal Esporte Interativo, do qual também participaram Rivelino e Zico, ex=jogadores da Seleção Brasileira, Emerson Leão foi taxativo: "O trabalho está bom, mas aquele vergonhoso 7x1 somente será apagado com a conquista de um novo tÃtulo mundial. Se isto não acontecer em 2018, tudo volta a estaca zero". Verdade. Este é o desafio. Não vamos entrar na onda dos ufanistas, mas o futebol da turma do Tite tá bom de se ver.
Pena que a Seleção seja vinculada a essa vergonhosa entidade chamada CBF.
Blog do RODRIGO MATTOS
Ao reformar seu estatuto, a CBF tinha o discurso de que pretendia
democratizar a entidade. Contratou uma consultoria (Ernest &
Young), ouviu advogados e representantes de clubes. E, no final, aprovou
uma mudança que reduz o poder de votos dos clubes sem nenhuma
comunicação ou participação deles na decisão.
Em sua gestão, o presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, prometeu aumentar a participação dos clubes na CBF, principalmente quando estava fragilizado por investigações do FBI. Até lhes deu prerrogativas de mandar nas regras do Brasileiro. Mas os excluiu do centro de poder da entidade.
Um exemplo é que eles foram ignorados na mudança do estatuto. Havia dois representantes dos clubes no Comitê de Reforma da CBF que discutia o novo estatuto, os presidentes do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, e do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. O primeiro desconhecia a mudança no estatuto.
"Não participei. Não tenho notÃcia. Precisarei me inteirar antes de dar qualquer opinião", contou o presidente são paulino, Leco. Não foi o único. Nesta quinta-feira, assessores de clubes começavam a repassar as informações aos presidentes. "Ainda não li, mas somos a favor de pesos iguais para todos", disse o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.
A surpresa se explica porque, depois de meses na geladeira, a proposta de mudança de estatuto foi feita exclusivamente pela CBF. Foi levada à assembleia administrativa composta pelas federações, sem nenhum aviso para os clubes.
Clubes da Primeira Liga pediram participação nesta assembleia alegando que está previsto na Lei do Profut. Foram ignorados pela CBF que tem entendimento diverso da lei e dizem que não pode haver interferência de fora na entidade no seu estatuto.
O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, disse que não cabia avisar os clubes, pois não é previsto em lei. A confederação também não alertou jornalistas, ou botou em seu site a realização da assembleia surpresa. Só cumpriu a lei ao publicar em jornais. Feldman defendeu as mudanças.
"Com essa nova estruturação, que dá peso 2 a Série A, inclusão da Série B, com 1. Mantém-se a proporcionalidade de 42,5%", contou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. "A presença de 42,5% é muito expressiva em um sistema federativo."
Haverá um novo conselho de administração da CBF com oito vices-presidentes, o que teoricamente reduziria o poder do presidente. Mas esses todos serão da mesma chapa eleita pelo presidente ao contrário do que ocorre na Fifa. Comissões de finanças e ética também terão indicados do presidente.
Blog do Rodrigo Mattos
A Caixa Econômica Federal priorizou clubes que estão na Libertadores e
previu bônus consideráveis pela conquista do torneio e pelo Mundial. O
investimento do banco em times já ultrapassa R$ 100 milhões em contratos
fechados para este ano. E há negociações em andamento que podem elevar
em até 50% esse montante, chegando a cerca de R$ 150 milhões.
Um levantamento do blog no Diário Oficial mostra que já foram feitos pelo menos 14 renovações ou novos contratos da Caixa no ano de 2017. A esses acordos, soma-se o patrocÃnio fechado com o Santos e ainda não oficializado.
No total, a previsão de investimento nos 14 contratos é de até R$ 116 milhões por conta das premiações. ExcluÃdos os bônus, os valores fixos ficam em torno de R$ 90 milhões. Com o contrato do Santos, de R$ 16 milhões, isso se eleva a pouco mais de R$ 100 milhões.
Há ainda negociações em aberto com o Vasco (estimativa -R$ 10 milhões), Botafogo (R$ 10 milhões), Corinthians (R$ 30 milhões) e a Chapecoense (sem valor definido). O acordo com a diretoria vascaÃna está encaminhado após reunião na última sexta-feira, segundo o clube. Se fechar com todos esses times, a Caixa ultrapassará o valor previsto de R$ 132 milhões. O Vitória tinha anunciado renovação, mas o blog não encontrou seu contrato no Diário Oficial.
A Caixa priorizou clubes que estavam na Libertadores, fora acordos de renovação. No ano passado, a Caixa tinha apenas dois times na competição. Agora, já conta com quatro (Atlético-MG, Atlético-PR, Santos e Flamengo). E pode chegar a seis no total.
Para esses clubes, o banco estabeleceu bônus e premiações maiores do que para os outros pela importância do torneio. A conquista do campeonato sul-americano dá R$ 1,5 milhão, e do Mundial R$ 2 milhões.
Assim, os contratos de Flamengo, Atlético-MG e Atlético-PR têm previsão de empenho de R$ 5 milhões a mais do que o valor fixo. Isso explica a discrepância de R$ 3,5 milhões entre os montantes dos contratos entre os dois grandes paranaenses, e os dois grandes mineiros.
Não houve reajuste para nenhum clube, apenas a inclusão de bônus. A provável expansão do valor total investido pela Caixa resultará em maior número de times caros no cartel.
O Botafogo, por exemplo, já exibe o logo do banco sem ter contrato. ''Estamos em fase negocial. Na há pendência. Não posso te garantir que fomos beneficiados pela Libertadores porque não fechamos'', contou o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. Mas sua negociação é no patamar do Vasco que, normalmente, obtinha valores maiores por sua camisa.
O blog mandou perguntas para a assessoria da Caixa sobre os patrocÃnios aos times, mas não recebeu resposta. Além da Libertadores e Mundial, há prêmio de R$ 1 milhão para o Brasileiro, R$ 500 mil pela Copa do Brasil, e R$ 500 mil pela Série B, e R$ 300 mil pela Copa Nordeste. Há uma tabela padrão. Veja o valor fechado com cada clube já no diário oficial (com especificação de quanto é em premiação):
Flamengo - até R$ 30 milhões (R$ 5 milhões em premiações)
Atlético-MG - até R$ 16 milhões (R$ 5 milhões em premiações)
Cruzeiro - até R$ 12,5 milhões (R$ 1,5 milhão em premiações)
Atlético-PR - até R$ 11 milhões (R$ 5 milhões em premiações)
Bahia - até R$ 7,8 milhões (R$ 1,8 milhão em premiações)
Sport - até R$ 7,8 milhões (R$ 1,8 milhão em premiações)
Coritiba - até R$ 7,5 milhões (R$ 1,5 milhão em premiações)
Avaà - R$ 5,5 milhões (R$ 1,5 milhão em premiações)
Náutico - R$ 3,7 milhões (R$ 1 milhão em premiação)
Figueirense - R$ 3,4 milhões (R$ 1 milhão em premiação)
Ceará - R$ 3,4 milhões (R$ 1 milhão em premiação)
Paysandu - R$ 3,2 milhões (R$ 1 milhão em premiação)
América - até R$ 3 milhões (R$ 1 milhão em premiação)
CRB - até R$ 1,5 milhão (R$ 500 mil em premiação)
CLAUDEMIR GOMES
No dia 6 de abril o Sport faz sua estréia na Copa Sul=Americana, fato que o levará a disputar quatro competições simultaneamente: Campeonato Pernambucano; Copa do Nordeste; Copa do Brasil e Copa Sul=Americana. Tal excesso reserva para o Leão uma super agenda de jogos. No espaço de 43 dias (de 19 de março a 30 de abril), o técnico Daniel Paulista mandará seus comandados a campo 14 vezes. à como se o Sport disputasse um jogo a cada três dias. Este número absurdo será atingido se o clube leonino se classificar para as semifinais da Copa do Nordeste.
Estamos falando de um calendário surreal que ressalta a preocupação única dos gestores e promotores com o lado comercial, sem observarem a dificuldade que criam para os clubes fazerem um planejamento racional para a temporada. Até o momento o Sport já faturou mais de R$ 5 milhões em cotas recebidas nas disputas em que está envolvido. Este é o fim que justifica os meios em um futebol que é tratado unicamente como negócio. Uma estratégia de risco e que tem um prazo de validade curto, e o maior exemplo disso é o êxodo dos torcedores dos estádios.
O futebol também é tratado como um negócio de alto rendimento. Afinal, pertence ao setor do entretenimento, que tem um percentual de crescimento dos mais expressivos no mundo dos negócios. A referência maior de êxito é o futebol europeu onde o setor comercial é prioritário tanto quanto o setor técnico que dar sustentação ao espetáculo. Sem qualidade, sem nÃvel de excelência, o futebol não tem sustentação na disputa com outras alternativas de entretenimento. O mestre, José Joaquim Pinto de Azevedo, tem emitido sinais sobre a fragilidade do produto futebol fazendo uma comparação direta com o cinema. A preferência do público pelas salas de cinema é impressionante.
A maioria desses 14 jogos a serem disputados pelo Sport, a começar pelo confronto de ontem com o Belo Jardim, no estádio do Arruda, será mostrado pela televisão aberta, fato que reforça a criação de um novo hábito que é o de assistir jogos na poltrona de casa. Hoje, o cardápio de jogos na televisão atende a todos os gostos e preferências. Esta competição de partidas na telinha tem na qualidade do espetáculo o diferencial. A oferta de jogos de alto padrão técnico é muito grande, fato que leva os que gostam do futebol como entretenimento a descartarem os produtos de qualidade inferior. A longo prazo o futebol de poltrona será decisivo para a diminuição dos torcedores dos clubes medianos como os três grandes do Recife: Sport, Náutico e Santa Cruz.
Um jogo a cada três dias é insanidade. Dose pra leão.